CARTA ABERTA DOS (AS) DIRETORES (AS) DE ESCOLAS


Nós, diretores (as) da 1ª e da 28ª Coordenadorias Regionais de Educação, eleitos pela comunidade escolar, viemos através desta carta esclarecer, em respeito aos nossos estudantes, pais e comunidade escolar, os motivos do nosso movimento em defesa da Educação Pública e pelos nossos direitos como trabalhadores em educação.
Na reunião realizada na segunda-feira, dia 09 de outubro, no 9º andar da sede do CPERS, decidimos reforçar a defesa dos educadores grevistas e do direito de Greve de todos servidores, assegurado pela Constituição Federal.
Reafirmamos que a nossa pauta de reivindicações desta Greve é pelo pagamento integral dos salários e do 13º, pelo fim dos parcelamentos, pela retirada das PECs 261, 257, 242, 258 e do PL 148, contra o arrocho salarial e pela reposição salarial de 21,85%, bem como a defesa da democracia.
Estamos há 22 meses sem receber nossos salários em dia, sendo submetidos a tortura psicológica e moral todos os meses. Esta situação impede que possamos pagar nossas despesas mensais com aluguel, água, luz, telefone e garantir comida na mesa para nossa família.
Não temos mais estrutura psicológica para estarmos em frente aos nossos alunos. O governo Sartori (PMDB) nos trata com extremo descaso. Denunciamos o ataque a nossa dignidade e exigimos respeito.
O governo Sartori deixa claro seu projeto neoliberal, de privatização e diminuição do Estado. Demonstra seu descaso com a educação pública gaúcha quando faz ações como o fechamento de escolas, as enturmações e o corte de recursos. Mostra-se um governo apático diante do sucateamento e da precariedade das escolas no Estado.
Sartori assume o papel de destruidor da escola pública, pois não apresenta nenhuma proposta para que voltemos às escolas. O que quer, na verdade, é colocar em prática o projeto de privatização das escolas gaúchas.
Destacamos nosso total repúdio à 1ª e à 28ª CRE, pelo assédio moral que estamos sofrendo pelas representantes destas coordenadorias, que nos atacam de forma desrespeitosa, tentando nos impedir de participar da nossa Greve.
Definimos coletivamente que enviaremos às CREs a efetividade dos servidores do mês em greve como efetivos, deixando o ponto em branco e futuramente faremos os registros necessários.
Repudiamos alguns de nossos colegas diretores que agem à serviço do governo, assediando os educadores e educadoras que permanecem em Greve, e muitas vezes agindo como cargo de confiança do governo e não representante da comunidade escolar, como foram eleitos para ser.
Ressaltamos aqui a necessidade de debater para as próximas eleições de direção de escola a autonomia da gestão democrática e a representatividade da comunidade escolar.
Não satisfeito, o governo Sartori pede sensibilidade para nós educadores, para que voltemos à escola. Como um governo que nos ataca com o corte de ponto e a demissão dos contratados pode pedir sensibilidade?
Diante de mais este desrespeito do governo, reafirmamos que continuaremos em Greve não só pelos motivos que inserimos nesta carta, mas pelo resgate da nossa dignidade profissional, como educadores.

Porto Alegre, 09 de outubro de 2017.

Direções de Escolas da Região Metropolitana de Porto Alegre presentes.

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