Avaliação diagnóstica comprova: o ensino a distância é falho


No início deste mês, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) divulgou os resultados da avaliação diagnóstica “Avaliar é Tri” e os dados comprovam o que o CPERS alerta há muito tempo, de o ensino a distância é falho e deve ser utilizado como meio, e não fim.

Entre os dias 11 e 15 de março deste ano, 624 mil alunos(as), de 2.147 escolas estaduais, foram submetidos ao teste, que tinha o objetivo de diagnosticar a aprendizagem dos estudantes dos Ensino Fundamental e Médio, pós-pandemia e aulas remotas.

Os resultados preocupam e escancaram a realidade das escolas do estado, que sofrem com a falta de estrutura e condições para a plena aprendizagem dos estudantes. 

Realizado a toque de caixa e sem qualquer diálogo com a comunidade escolar – além dos gastos absurdos para a implantação do programa e aplicação das provas – há muitas dúvidas sobre a efetividade dos resultados do sistema de avaliação e das condições de trabalho dos educadores(as) para a consecução do plano de ação junto aos alunos(as).

Segundo dados divulgados pelo GZH, no 1º ano do Ensino Médio, 85% dos jovens apresentam atuação abaixo do básico. Outros 10% chegaram ao nível básico, 2% ao adequado e 2% ao avançado.

No ano seguinte, também há piora, e os índices passam para 91% abaixo do básico, 5% básico, 1% adequado e 1% avançado, cuja classificação envolve habilidades como resolver problemas com razões trigonométricas no triângulo retângulo. 

A realidade das escolas pós-pandemia, tanto para o alunado quanto para os educadores(as), é outra e evidencia o fato de que é preciso respeitar o tempo do ensino-aprendizagem.

Impor o avaliar é Tri no início do ano letivo, sem levar em consideração o que os alunos(as) perderam durante esse período, é desleal. 

Para a tesoureira do CPERS e representante da Comissão de Educação do Sindicato, Rosane Zan, ressalta que é preciso repeitar a gestão democrática e a autonomia das escolas para qualquer tipo de avaliação. 

“As escolas deveriam ser respeitadas de acordo com sua autonomia, para definir a forma de trabalhar e avaliar as perdas de ensino de acordo com a comunidade onde o alunado está inserido. A unidade de medida de escolarização não pode ser o tempo diante do professor, mas sim a aprendizagem”, destaca.

A pandemia da covid-19 revelou desafios do setor educacional relacionados à atualização das práticas de ensino e associação das metodologias. Não é possível permitir que as demandas de mercado tomem o espaço de construção de conhecimento.

Para uma recuperação efetiva da aprendizagem, as escolas terão que flexibilizar suas ofertas, deixar alunos(as) aprenderem no seu ritmo, oferecer mais oportunidades de aprendizagem que realmente lhes interesse, mesmo que não seja igual para todo mundo. 

É urgente que a secretária Raquel Teixeira cesse as tentativas de reinventar a roda, ouça a comunidade escolar e cuide do que é essencial neste período; fornecer condições adequadas de trabalho, segurança sanitária para o ambiente escolar e salário digno para todos os educadores(as).

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