Audiência Pública retrata indignação e resistência na luta contra o desmonte da educação


Indignação, resistência, união e força para lutar. Este foi o cenário da audiência pública que ocorreu na manhã desta sexta-feira (8), no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa.

O auditório ficou lotado de professores(as), funcionários(as) de escola e estudantes para debater os impactos das propostas do governo Eduardo Leite, que pretende alterar as carreiras e a previdência dos educadores(as). A audiência foi proposta pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, presidida pela deputada Sofia Cavedon (PT).

Na abertura do encontro, Sofia relatou que fez o convite aos representantes do governo da Casa Civil e da Secretaria Estadual de Educação para participarem da iniciativa, porém não obteve resposta.

“Viemos aqui discutir a farsa de Eduardo Leite. O governador disse que queria transformar o nosso Plano de Carreira, deixando-o atrativo. Não sei pra quem será atrativo. Com esse projeto, a diferença de salário entre os níveis cai para 7%, no que hoje é 100%”, destacou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Shürer no início do debate.

“Esse projeto é extremamente cruel. Os professores não vão levar nenhuma vantagem ou gratificação para a aposentadoria. Não será mais possível incorporar no Piso, que vamos pagar do nosso próprio bolso. Na verdade, ele fará um corte no salário daqueles que ganham menos”, destacou.

Helenir também falou sobre o descaso que a categoria enfrenta. “Sequer sabemos como será o pagamento do nosso 13°. Como se não bastasse o massacre a que nos submetem, com cinco anos sem reajuste e 47 de salários atrasados ou parcelados”, concluiu.

“É um absurdo o que Eduardo Leite está fazendo com os estudantes e educadores. Ele não se preocupa com cada um que está aqui. Não se preocupa como os educadores vão comer, como vão pagar suas contas. Ele só está como governador porque teve uma professora, uma merendeira e uma moça para limpar a sala de aula dele”, frisou a presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre (Umespa), Vitória Cabreira.

“O que estar por vir é uma greve gigantesca, que terá o apoio de todos os estudantes secundaristas do Rio Grande do Sul. Vamos mostrar para ele que os professores não estão  sozinhos”, afirmou.

A deputada Luciana Genro falou das atrocidades do governo com o funcionalismo público e a perda de direitos, caso os projetos do governo sejam aprovados. “O pacote do governador é o maior ataque aos direitos dos servidores. Não só aos professores e funcionários, mas a educação pública e ao serviço público. A votação dos projetos vai acontecer em janeiro porque o governador está apostando na desmobilização da categoria. Não vamos permitir que eles tirem dos de baixo para dar para aos de cima”, finalizou.

Educadores(as) e estudantes pedem socorro  

A cada discurso de estudantes e educadores a plateia vibrava e se mostrava solidária. Os presentes falaram da falta de valorização dos professores e funcionários e do descaso total com a educação pública gaúcha.

A diretora da EEEF Júlio Brunelli, Vanice Loose, leu uma carta emocionante onde retratou a vida de incertezas que os educadores estão vivendo nesse momento de salários atrasados. “Jamais imaginei que em 31 anos de profissão iria ver a minha aposentadoria ser extirpada. Estamos aqui para lutar por aquilo que já foi conquistado”, desabafou.

“Não é de agora que vemos nossos mestres tristes e humilhados pensando em largar a profissão. Mas estamos com eles. Por isso, senhor governador, somos contra o seu pacote, pois ele quer acabar com a educação pública. Pedimos que valorizem nossos professores. Não matem a escola pública, não roubem os sonhos dos nossos professores, não roubem o nosso futuro”, falou a estudante Karine, do Colégio Estadual Eng. Ildo Meneghetti.

“Eu não sou uma coitadinha, eu sou professora, eu sou uma trabalhadora. E são os trabalhadores que estão sendo atacados. É é por vocês estudantes que lutamos por uma educação pública de qualidade. Queremos que vocês tenham escolas e faculdades públicas. Que possam ter um futuro”, afirmou a professora de Pelotas, Carla Cassais.

“Vamos reproduzir uma ata completa das falas de vocês, pois foram muitos fortes e pertinentes ao momento. E vamos insistir em uma agenda da comissão com o governo”, declarou a deputada Sofia Cavedon, no encerramento da audiência.

    

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