Diante da recente aprovação do texto substitutivo da Reforma da Previdência na Comissão Especial, apresentado pelo deputado Samuel Moreira (PSDB), o CPERS reitera sua posição contrária a qualquer mudança na aposentadoria proposta pelo atual Governo Federal, independente das alterações articuladas pelo Congresso.
A PEC de Bolsonaro é monstruosa e não tem remendo possível. É preferível derrubar o texto em sua integralidade a deixar o debate ainda mais complexo com emendas e mudanças parciais, que jogam trabalhador contra trabalhador e fracionam a resistência.
O texto substitutivo conserva os pontos mais graves da proposta original, incluindo o prolongamento do tempo de contribuição, a drástica redução dos benefícios e a retirada das regras previdenciárias da Constituição Federal – o que facilita alterações futuras e aumenta a incerteza do trabalhador.
Como o texto original, o substitutivo não combate privilégios e poupa os verdadeiramente ricos e privilegiados de qualquer contribuição, recaindo com gravidade sobre a população mais pobre.
Prejuízo às economias locais
Ademais, a redução dos benefícios terá efeitos devastadores para a economia dos municípios gaúchos. De acordo com dados levantados pelo Dieese, em mais de 80% das cidades do Rio Grande do Sul a renda proveniente do Regime Geral supera os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Em 67% dos casos, o montante é maior do que a soma do FPM e da arrecadação do ICMS, as principais fontes de receitas municipais.
A estratégia de ajuste fiscal para atrair investimentos e gerar crescimento econômico tem se mostrado falha em todo o mundo. Países que contornaram crises o fizeram com políticas de indução ao emprego e à distribuição de renda.
A experiência mostra que economizar às custas da qualidade de vida do(a) trabalhador(a) serve apenas ao capital especulativo, engordando a sangria de recursos públicos para instituições financeiras e garantindo o pagamento de juros da dívida.
A Reforma da Previdência do governo Bolsonaro é ótima para o bancos e péssima para o Brasil.
Reunidos na sexta-feira (05), os(as) conselheiros(as) do CPERS analisaram o cenário atual do magistério púbico do estado e frente ao descaso do governo Eduardo Leite com as pautas emergenciais da categoria definiram, entre outras mobilizações, pela construção da greve na base da categoria.
Na fala de abertura do Conselho, a presidente da entidade, Helenir Aguiar Schürer, ressaltou a falta de diálogo do governo Eduardo Leite, que não atendeu as inúmeras solicitações da direção central do CPERS para estabelecer, de fato, a mesa de negociação com a categoria.
“Como até dia três não tivemos reposta, consideramos que o governo rompe a negociação. Estamos no quinto ano do mesmo projeto neste estado. É uma continuidade do projeto de desmonte do estado iniciado por Sartori, o desafio é grande, mas esta categoria tem um histórico de luta e resistência e vamos honrá-lo”, afirmou.
Antecedendo as deliberações, a secretária-geral da Internacional da Educação para América Latina (IEAL), Fátima Silva, falou sobre mercantilização e privatização da educação.
Fátima fez um resgate histórico sobre como iniciou este processo no Brasil e no exterior, informou sobre os principais grupos mundiais envolvidos no jogo de interesses da privatização da educação e as sérias consequências para a educação pública.
“Estes grupos são organismos multilaterias, a OCDE, o banco mundial, a Unesco e a Unicef também estão neste processo. Têm uma forte atuação junto aos governos nacionais e uma campanha de desprestígio total do setor público, através da mídia. Tudo que é público não presta, não serve. Só serve o que é privado. E a população vai assimilando e comprando esta ideia”, observou.
“Nosso desafio é fazer a luta constante. Não temos outra alternativa. Precisamos ler, estudar e entender este processo extremamente doloso à educação pública para podermos fazer a justa defesa”, afirmou.
CPERS denunciará a desumanidade de Leite ao MP e a OIT
Na ocasião, Helenir lembrou da audiência pública sobre a demissão do(as) educadores(as) contratados(as) em licença-saúde, realizada esta semana na Assembleia Legislativa, por solicitação do CPERS.
O Sindicato está organizando um dossiê sobres os casos e solicita aos Núcleos que enviem informações sobre as situações ocorridas em suas regiões. “Foi uma das audiências mais pesadas e tristes que já acompanhei. Vamos entrar com uma representação no Ministério Público para reverter esta situação. Também denunciaremos esta desumanidade à Organização Internacional do Trabalho, a OIT. Não podemos esperar que mais educadores cheguem ao extremo que quatro colegas chegaram no ano passado, tirando a própria vida”, alertou.
Confira as propostas de mobilização aprovadas:
Construção de Greve na base da categoria;
Campanha “A verdadeira face do Governo Eduardo Leite: Cruel, Privatista e Bolsonarista”;
Mobilização para barrar a Reforma da Previdência:
3.1 – Pressão sobre os(as) deputados(as) no aeroporto e nas suas bases eleitorais;
3.2 – Mutirão de visitas aos(às) vereadores(as) e Prefeitos(as) cobrando posição em relação à Reforma da Previdência e pressão sobre deputados(as) de seu partido político, mediante documento aprovado pelo Conselho Geral da Entidade. A largada será no dia 08 de julho, rumo à PARALISAÇÃO NACIONAL chamada pela CNTE, no dia 13 de agosto;
3.3 – Participação em demais atividades chamadas pela CNTE, conforme o cronograma aprovado no CNE e já encaminhado aos Núcleos.
Nota Pública reiterando a posição do CPERS/Sindicato contra a totalidade da Reforma da Previdência que atinge toda a classe trabalhadora, destroi a aposentadoria e ataca a sobrevivência, portanto rechaçando qualquer emenda e dando ampla publicidade desta decisão;
Pressão no Tribunal de Justiça por ocasião do dia da votação do processo dos danos morais, cuja ação de autoria do governo é manobrar a decisão já conquistada a favor dos servidores públicos;
Encontro Estadual Educacional com os Comitês de Educação dos Núcleos, no dia 26 de julho, no Salão de Atos do CPERS/Sindicato. Na programação, mesa de debate sobre “Financiamento da Educação Brasileira em tempos de desconstrução do estado de direito: Desafios e possibilidades”, com José Marcelino Rezende Pinto – USP;
Vigília e Pressão aos Deputados no dia 09 de julho, por ocasião da votação da LDO, denunciando a situação de miserabilidade da categoria;
Dia 12 de julho – Ato Público no final da tarde no centro de Porto Alegre, a partir das 18h e nas Regiões onde estão organizadas para o Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência, chamado pelas Centrais Sindicais;
Orientação de não recuperação de aulas relativas aos dias de greve e paralisação, condicionadas ao abono dos referidos dias pelo governo por escrito;
Assembleia Geral da categoria após o Congresso Estadual do CPERS/Sindicato, podendo ser antecipada pela Direção Central, se houver necessidade;
Orientação à categoria e exigir do governo equipamento para utilização do aplicativo;
Manifestações(Atos), em frente aos órgãos do governo, nos municípios com o chamamento aos órgãos de imprensa, nos dias do pagamento de salário;
Recomenda que os Projetos Políticos Pedagógicos da Escola sejam reescritos com a redação considerando a Legislação Estadual que torna obrigatório o Ensino de Língua Espanhola;
Moção de Repúdio à Mineração de Carvão no RS;
Moção de Repúdio ao Governo dos Estados Unidos da América por promover o acirramento do bloqueio econômico a Cuba, através da reedição da Lei Helms-Burton, ingerindo inclusive em assuntos extra-territoriais, com o objetivo de degradar a vida do povo cubano. Porto Alegre, 05 de julho de 2019. Conselho Geral do CPERS/Sindicato.
“Querem o fim da sua aposentadoria” é o nome da nova campanha do napressão, ferramenta de mobilização via internet que permite enviar e-mails, contatar pelas redes sociais ou diretamente pelo número de telefone do Whatsapp dos 513 deputados e deputadas que vão decidir sobre o futuro da aposentadoria da classe trabalhadora.
O objetivo desta campanha é pressionar principalmente os parlamentares que ainda não manifestaram seu voto e os que declararam voto contra os trabalhadores. Os mais de 100 deputados e deputadas que ainda estão indecisos poderão salvar a aposentadoria de milhares de trabalhadores, ou não.
“Precisamos pressionar os parlamentares para que o direito a aposentadoria prevaleça no Brasil. Convencer um indeciso a votar com os trabalhadores ou convencer um deputado que ia votar contra os trabalhadores a votar favorável será fundamental nos próximos dias. A ferramenta na pressão é simples e direta e a pessoa pode escolher qualquer rede social para pressionar o deputado ou a deputada”, afirma o secretário nacional de Comunicação da CUT, Roni Barbosa.
Como pressionar
Para pressionar, entre no site napressao.org.bre entre na campanha “Querem o fim da sua aposentadoria” e clique em pressionar.
Na coluna da esquerda, estão os mais de 260 deputados que são favoráveis em acabar com a aposentadoria. Na coluna da direita , na cor verde, estão os parlamentares que são a favor da sua aposentadoria.Em laranja, na lista central, estão os indecisos.
Ao escolher um dos parlamentares para pressionar você tem acesso a todas as informações sobre ele e pode escolher através dos ícones abaixo da foto o jeito que prefere pressionar, pelo Whatsapp, Facebook, Twitter ou e-mail.
Ao clicar no compartilhar, você convida sua rede para também fazer pressão contra a reforma da Previdência.
Além disso, no napressão o trabalhador ou a trabalhadora pode baixar o card de divulgação para redes sociais e também compartilhá-los nos grupos de famílias e amigos.
Entenda porque a reforma da Previdência é nefasta à classe trabalhadora
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC 006/2019), da reforma da Previdência, deve ser colocada em votação no Plenário da Câmara na próxima semana, de acordo com o calendário divulgado pelo presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ), após o texto do relator Samuel Moreira (PSDB/SP) ter sido aprovado por 32 votos a 13 na Comissão Especial que analisava a PEC.
O texto do relator acaba com a aposentadoria por tempo de contribuição – que hoje é de 30 anos para a mulher e 35 para os homens. Impõe uma idade mínima de 62 (mulheres) e 65 (homens) e a obrigatoriedade de 40 anos de contribuição para quem quiser se aposentar com o salário integral.
A proposta do governo de Jair Bolsonaro também diminui o valor do benefício. Hoje, com 15 anos de contribuição, homens e mulheres se aposentam com 85% das 80% maiores contribuições, excluindo as 20% menores. Com a reforma, esse valor passa a ser de apenas 60% com 20 anos de contribuição dos homens e 15 anos das mulheres. Ambos os sexos já saem perdendo 25% do benefício. A diferença é que no texto do relator, os homens, além de perderem esse percentual, vão ter de trabalhador mais cinco anos, pois somente com 20 anos de contribuição poderão pleitear a aposentadoria.
Além disso, as viúvas e viúvos só receberão 60% do valor da pensão, mais 10% por dependente. Caso a pensão fique abaixo do salário mínimo, só terão direito aos R$ 998,00 se não tiverem nenhuma outra fonte de renda. Caso contrário, poderão receber uma pensão menor do que o valor do mínimo.
Confira outras maldades contra a classe trabalhadora!
Na noite desta sexta-feira (5), o CPERS foi homenageado pela direção da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea). O troféu, recebido pela diretora Rosane Zan, foi entregue por ocasião dos 50 anos da entidade, comemorados no XXXVI Encontro Estadual e VII Congresso Nacional de Ensino Agrícola.
De acordo com o presidente da Agptea, Fritz Roloff, o CPERS teve um papel fundamental na história da associação. Sua primeira sede foi cedida pelo Sindicato, que também garantiu itens como o primeiro telefone da entidade.
“A maioria dos nossos associados são filiados ao sindicato e reconhecem o valioso trabalho em defesa da educação pública que é prestado com louvor por esta entidade sindical que luta pela educação de qualidade”, afirma Roloff.
A Agptea foi fundada em 2 de julho de 1969, por 27 professores técnicos, dos principais ginásios agrícolas e escolas técnicas daquele período, visando uma atuação mais participativa e atuante nas discussões das diretrizes da Educação Rural. Atualmente, conta com mais de 5 mil associados, advindos de escolas agrícolas estaduais, demais secretarias da esfera estadual do Rio Grande do Sul e mantem convênios com órgãos municipais, federais e particulares.
A coordenadora do Departamento de Educação do CPERS, Rosane Zan participou da mesa de abertura do IV Fórum Estadual, nesta sexta-feira (5), às 8h30, no Auditório Ana Terra, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O evento teve como tema, “Profissionais da Educação: percursos, práxis e desafios no cenário da educação brasileira”.
“Que as mudanças ou transformações que acontecem na educação pública respeitem a autonomia da gestão democrática e que as escolas públicas possam construir o fazer pedagógico dentro do chão da escola”, afirmou Rosane em resposta à fala da presidente do Conselho Estadual de Educação, Sônia Veríssimo, que defendeu que mudanças na educação são necessárias.
O encontro foi organizado pelas instituições: Associações dos Inspetores de Ensino, Orientadores Educacionais e Supervisores Escolares do Rio Grande do Sul.
De acordo com análise realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), as informações veiculadas sobre a PEC 141/2015, aprovada pelo Senado nesta semana (dando origem à Emenda Constitucional 101/2019) não correspondem ao real conteúdo da emenda.
Ao contrário do que foi dito pelo próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), a medida não permitirá ao Estado realizar “menos contratações para prestar mais serviços públicos”. Isso porque os militares deverão ser aprovados em concurso público específico da carreira na educação, conforme a Constituição Federal (art. 205, V). “Diferente das manifestações parlamentares emitidas por ocasião da promulgação da emenda constitucional, a prerrogativa do acúmulo de cargo não deve servir para estados e municípios substituírem professores por militares como forma de baratear a oferta escolar pública”, informa a nota da CNTE. A análise prossegue: “a EC 101 trata exclusivamente do acúmulo de cargos, instituto jurídico que requer a aprovação em, no mínimo, dois concursos públicos: no caso dos policiais e bombeiros, concursos para as respectivas corporações e outro para a área da educação pública.”
Como o concurso para o magistério requer formação profissional específica, conforme previsto na Constituição e na LDB, os militares precisarão, assim como os civis, obter a qualificação prevista na legislação se quiserem acumular cargo em sala de aula. A CNTE também lamenta a “forma sorrateira e oportunista com que a EC 101 foi aprovada no Senado”, servindo como moeda de troca para apaziguar ânimos de militares estaduais durante a votação da Reforma da Previdência. Para a entidade, o acúmulo de cargo é tema complexo e, por isso, o tema se encontrava sem consenso no Congresso desde 2003. “Os profissionais da educação estão submetidos à jornada extraclasse, à formação inicial e continuada e devem estar comprometidos com a gestão democrática e com o projeto político pedagógico das escolas, questões que demandam dedicação quase que exclusiva à profissão”, afirma.
Educadores(as) da capital e de Gravataí lotaram o salão de Atos Thereza Noronha, na sede estadual do CPERS, para acompanhar o Encontro Regional dos(as) Funcionários(as) de Escola, nesta quinta-feira (04). A iniciativa contemplou os Núcleos 38º, 39º e 22º.
Logo após as boas-vindas dos diretores dos Núcleos participantes, Denia Denise da Silva Goulart (22º), Julio Flores (38º) e Christiane Ribeiro Gomes (39º) ocorreu a apresentação de dança do grupo de Aposentados Magister.
Para fazer a análise da conjuntura política atual, o Encontro contou com a avaliação da presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.
“Não só seis meses de Eduardo Leite, mas sim o quinto ano de um projeto de governo. Ele tem a mesma política de Sartori. Leite pegou quatro anos prontos. Todas as PECs que lutamos tanto para não passar, Leite agora pode aprovar porque tem votos na Assembleia. E isso é a conseqüência dos votos depositados nele. Somente a nossa forte pressão pode impedir o avanço dos ataques contra os nossos de direitos. Precisamos estar atentos e descartar quem vota contra os trabalhadores”, observou.
Helenir também ressaltou a importância da participação de todos(as) na Dia de Paralisação da Educação, 13 de agosto, chamado pela Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE). “Nesse dia temos que fechar todas as escolas e mostrar a nossa força”, concluiu.
Mostrando o cartaz da CNTE que traz em destaque a frase “Heróis Invisíveis” a coordenadora do Departamento de Funcionários do CPERS, Sônia Solange dos Santos Viana, falou da importância dos funcionários(as) nas escolas, destacando o valor do trabalho de cada um. “O sistema brasileiro nos empurra para uma invisibilidade social. Mas quem tem que começar a romper isso? Somos nós mesmos. Quando eu penso em escola, quem vem em primeiro lugar? São os funcionários. Precisamos nos reconhecer como fundamentais no cotidiano das escolas e exigir respeito e valorização”.
Durante o Encontro, os(as) educadores(as) relataram situações que enfrentam nas escolas, entre elas a falta de materiais e estrutura adequada para a realização do trabalho, o número insuficiente de funcionários(as) nas escolas, o que leva muitas vezes a sobrecarga de trabalho e desvio de funções, e a constante desvalorização.
“Nós somos uma baita pedra nos sapatos dos governantes, por isso somos tão atacados. Mas vamos lutar até que nos respeitem. Para trabalhar com criança em nossas escolas tem que ter talento. É o que nós temos”, destacou Climeia Nobre, funcionária de escola, vice-diretora da E.E.E.M. José do Patrocínio e responsável pela coordenação dos trabalhos durante o evento.
“Com seis meses desse governo nós já sentimos o que vai ser, ele está tornando a nossa vida ainda mais difícil. As nossas condições são muitos precárias nas escolas, colegas que estavam em licença-saúde foram dispensados. É um momento muito difícil, mas é um momento de organizar a luta, de nos organizar nas escola . Nomeado ou contratado temos o direito de ficar doentes. Muitos colegas doentes estão com medo de colocar atestado, para não serem demitidos. Mas, que Eduardo Leite saiba que nós vamos em defesa dos nossos colegas contratados”, analisou Rosane Moreira Jardim, merendeira em Gravataí.
As informações e as atualizações sobre o IPE Saúde foram repassadas pela coordenadora do Departamento de Saúde, Vera Lessês.
O advogado Pedro, da assessoria jurídica do CPERS, representada pelo escritório Buchabqui e Pinheiro Machado, apresentou informações referentes as consequências da Reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro e, de forma mais específica, de que forma prejudicam a aposentadoria dos(as) funcionários(as) de escola.
Na estrada desde o dia 16 de maio, já foram realizados 14 Encontros Regionais, que contemplaram 37 núcleos do Sindicato. Foram milhares de funcionários(as) beneficiados com informações e esclarecimentos sobre seus direitos, bem como sobre o conhecimento da trajetória de lutas e conquistas desta significativa parcela da categoria.
Na próxima terça-feira (09), o CPERS realizará vigília na Praça da Matriz, em Porto Alegre, para pressionar os(as) deputados(as) a não aprovarem o Projeto de Lei que dispõe sobre as diretrizes para a elaboração da Lei Orçamentária para 2020 (PL 239/2019), que estará em votação na Assembleia Legislativa.
Se este Projeto de Lei, proposto pelo governo Eduardo Leite, for aprovado, professores(as) e funcionários(as) de escola serão ainda mais prejudicados, pois não haverá previsão para o pagamento da reposição salarial ou da correção da inflação.
Por isso, é fundamental exercer forte pressão aos(as) parlamentares e exigir que defendam os direitos da categoria, que encontra-se em situação miserabilidade e adoecimento devido aos 43 meses de parcelamento dos salários e o congelamento do reajuste de suas remunerações.
Os representantes dos Núcleos do Sindicato devem estar na Praça da Matriz às 13 horas para a organização das atividades.
Vamos lembrar aos(as) deputados(as) que aqueles que votarem a favor da LDO estarão colocando-se contra os(as) educadores(as) e a educação pública.
Em franco desrespeito ao CPERS e aos mais de 80 mil educadores(as) representados pela entidade, o governo optou por ignorar o pedido de retomada da mesa de negociações. Pior, nem sequer respondeu o ofício enviado no dia 18 de junho, que solicitava um retorno até a quarta-feira (3).
O prazo acabou e, novamente, não há sinal de respostas. Foram reiteradas tentativas de restabelecer o foro interrompido no dia 27 de maio, data em que deveria ter ocorrido a terceira audiência para debater a pauta de reivindicações.
São mais de 180 dias de tentativas frustradas, por parte dos(as) professores(as) e funcionários(as) de escola, de entender quais são os planos efetivos de Eduardo Leite para reverter o processo acelerado de empobrecimento e desvalorização da categoria.
Não há que se nutrir ilusões. Está desfeita a fachada de diálogo – desde muito precária – do governo Eduardo Leite. Seu aceno midiático à conversação não passa de jogo de cena, uma promessa de campanha já tão distante quanto o compromisso de valorizar quem trabalha no chão da escola.
“Um estado que não respeita os professores(as) não valoriza o seu futuro”, disse o então candidato em campanha, no dia do professor (15 de outubro).
Por trás da máscara, está a radicalização do projeto de Sartori, sustentado por ampla maioria na Assembleia Legislativa; desmanche da escola pública, ataque brutal ao funcionalismo, precarização dos serviços e redução do Estado a todo custo.
Enquanto cozinha educadores(as) em fogo lento, sem fixar uma data para negociar ou se dignar a dar uma resposta definitiva à pauta de reivindicações, Eduardo Leite age para impor sua agenda privatista e violenta.
Após autorizar a venda de estatais, o governo articula a aprovação da sua Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que condena professores(as) e funcionários(as) ao sexto ano consecutivo sem reposição salarial ou correção da inflação.
Em um gesto que demonstra falta de seriedade no trato com a categoria, o texto foi enviado à Assembleia em meio às negociações com o Sindicato, que pede salário em dia, concursos públicos e reajuste emergencial de 28,78% (o equivalente à inflação acumulada de 2014 a março deste ano).
Não fosse pela imprensa, a quem secretários e o próprio governador ventilam alegremente seus projetos prioritários, não teríamos qualquer informação sobre o que esperar. Mas nós temos.
Após atropelar o diálogo e aprovar a LDO, Eduardo Leite aguardará a passagem do recesso parlamentar para fazer passar alterações em todos os planos de carreira, novamente à revelia do funcionalismo gaúcho.
No plano federal, o governador enamora-se do autoritarismo de mercado de Bolsonaro e Paulo Guedes, apoiando integralmente a Reforma da Previdência, proposta que é brutal com todos os trabalhadores e especialmente violenta com as educadoras.
Também como Bolsonaro, o governador “contingenciou” 30% dos repasses de autonomia financeira para investimentos em escolas, sucateando a estrutura que atende mais de 80% dos estudantes gaúchos.
Agora, fala abertamente em estabelecer PPPs para entregar escolas públicas à gestão privada, um prato cheio para grandes empresas abocanharem recursos dos contribuintes, enquanto os verdadeiros problemas da educação são jogados para baixo do tapete.
Ao todo, já amargamos 43 meses sem receber em dia. Vale lembrar que o RS – a quarta maior economia do Brasil – paga o 2º pior salário básico para educadores(as) entre todos os estados da federação.
Estamos em situação de miséria, acumulando empréstimos impagáveis, sem dinheiro para ir trabalhar e escolhendo entre comer e pagar as contas.
O tempo dos “remédios amargos” já passou. Foram testados e não tiveram os resultados alardeados. Há 20 anos, Britto inaugurou o experimento neoliberal e afundou o estado em dívidas. Da mesma forma, Sartori legou ao Rio Grande do Sul o maior rombo dos últimos 16 anos.
Esse pretenso diálogo, feito por via indireta, a partir da qual o mandatário impõe sua narrativa e vontade com o apoio da mídia hegemônica, nós já conhecemos. Não interessa ao CPERS participar desta farsa.
Sempre estaremos abertos à conversação, mas o fato é que o governo rompeu a mesa sem jamais discutir com seriedade reposição ou reajuste salarial.
A educação não pode mais esperar. A categoria deve se preparar para um duro enfrentamento em defesa da escola pública e da sua própria existência. Será preciso muita mobilização, organização coletiva e consciência de classe.
Nesta sexta-feira (5), o Conselho Geral do CPERS definirá os próximos passos da luta dos(as) educadores(as). Fique atento às nossas redes.
Quem passou pela sede do CPERS nesta semana percebeu uma movimentação diferente. Desde o último sábado (29) duas salas do terceiro andar do sindicato estão cedidas ao Consulado do Senegal para a renovação da documentação dos imigrantes que vivem na região Sul.
Atualmente, cerca de 1300 senegaleses residem em Porto Alegre. Em sua maioria, homens de 18 a 49 anos que buscam melhores oportunidades de vida e uma forma de ajudar os familiares que permaneceram no país natal.
A parceria com o CPERS foi articulada pelo Departamento de Combate ao Racismo da entidade, coordenado pelo 2º vice-presidente, Edson Garcia. Na terça-feira (2), Edson e a diretora Sandra Terezinha Severo Regio, receberam a cônsul honorária do Senegal em Porto Alegre, Reginete Bispo, e acompanharam o andamento dos trabalhos no 3º andar. “Parcerias como essa fazem parte da nossa luta diária por igualdade e contra a discriminação, destaca Edson.
A ação é conduzida pelo primeiro-secretário da Embaixada da República do Senegal no Brasil, Abdourahmane Gueye. “Acredito que o acesso em um ponto central é muito positivo e um auxílio para os tantos senegaleses que saíram do seu país em busca de uma vida melhor”, disse.
O presidente da Associação dos Senegaleses de Porto Alegre, Serigne Bamba Toure, estima mais de 1000 senegaleses passaram pelo sindicato. Além dos que residem em Porto Alegre, imigrantes de todo o estado, bem como de Santa Catarina e Paraná, foram recebidos na capital.
Bamba vive no Brasil há quatro anos e sete meses e quando perguntado se a vida está melhor, responde sem hesitar, “agora está melhorando”. Ele estudou engenharia elétrica no Senegal, mas atua como eletricista de automação. “No início foi muito difícil por causa do idioma e por causa da validação do diploma, mas agora está melhorando”, afirma.
Quando questionado sobre o futuro, diz que ainda não tem certeza, mas acredita que permanecerá por Porto Alegre, já que está formando família por aqui e não pretende ficar longe do filho, assim como ele está longe de sua família que permaneceu no Senegal.
“Eu aprendi muita coisa no Brasil. Os brasileiros são um povo trabalhador e nos inspiram nesse sentido. Tem muita diversidade cultural, diferente de onde nós viemos”, diz Bamba.
Omar Mourid, que vive no Brasil há sete anos, diz que veio ao país em busca de oportunidades. “Imigrante não é algo novo no Brasil, já é algo fundamentado na cultura do país. Então, viemos para cá com essa perspectiva, de uma vida melhor e para tentar ajudar nossas famílias”, diz.
Ele deixou no Senegal a mãe e os irmãos para trabalhar com construção civil no Brasil, mas, pela dificuldade de conseguir emprego, trabalha atualmente como autônomo. “Meu pai morreu cedo e minha mãe teve que lutar muito para alimentar os filhos. E, pelo respeito que tenho por ela, meu maior objetivo de estar aqui é ajuda-la”.
Mourid disse que escolheu o Brasil pela diversidade cultural do país, mas se surpreendeu com a recepção que teve por aqui. “Eu descobri no Brasil que existe discriminação. Eu não sabia que existiam pessoas que discriminavam outras por causa da cor da pele. Eu descobri isso aqui”, lamenta
Para ele, a diferença cultural é algo que dificulta e se diz triste, visto toda a diversidade do país, algo assim não poderia acontecer. “Felizmente eu conheci pessoas que pensam diferente e não julgam as pessoas pela cor e assim me senti um pouco mais acolhido. Eu me orgulho de onde vim e de quem eu sou, então tento não andar na rua pensando no que as pessoas pensam sobre mim”, diz Omar.
Depois do Brasil, a comitiva do Consulado segue para a Argentina para continuidade ao trabalho de regularização dos imigrantes.