Dando início à segunda semana de roteiro, a Caravana do CPERS por #ReposiçãoJá para toda a categoria visitou oito cidades nesta quarta-feira (17). Dirigentes estaduais e dos núcleos do Sindicato concederam diversas entrevistas na imprensa local e visitaram cerca de 40 escolas, dialogando com centenas de professores(as), funcionários(as) e estudantes. 

Ao contrário do divulgado pela secretária de Educação, Raquel Teixeira, somente nas escolas visitadas hoje o sindicato verificou que bem mais do que cinco instituições precisam de reparos urgentes.

Descaso e morosidade do governo em Uruguaiana

Duas importantes escolas de Uruguaiana sofrem com a falta de capacidade do governo Leite em garantir o retorno seguro às aulas.

A Caravana do CPERS participou do ato da comunidade escolar da EEEF Hermeto José Pinto Bermudez, que está há um ano sem luz. O protesto, realizado em frente à instituição, aconteceu após o quarto projeto elaborado pela Secretaria de Obras do Estado ser rejeitado.

A diretora Marta Verônica da Silva lamenta o tempo perdido e a falta de respostas sobre a solução do problema. “Com o retorno obrigatório imposto, alunos precisam de revezamento e torcer para a luz natural do dia ajudar. Estamos pedindo socorro para as autoridades”, afirma.

A professora Isis Froehlich participou do protesto utilizando um nariz de palhaço, simbolizando o sentimento de humilhação dos trabalhadores(as) da escola.

“Não adianta a secretária de Educação ir ao Jornal do Almoço dizer que se importa com as crianças e permitir esta situação. Hoje está nublado e as crianças não enxergam o que está no quadro, pois não tem luz. Não temos condições mínimas de trabalho”.

Muitos estudantes, mães e pais estavam presentes. “Eu estudei aqui, eu amo essa escola e eu queria o mesmo para as minhas filhas, mas infelizmente nós estamos jogados, estamos desassistidos. Isso é revoltante”, declarou Maraglai Peres Kruger, mãe da aluna Eduarda Kruger.

“Essa é a realidade de muitas escolas no Rio Grande do Sul. Enquanto o governo anuncia superávit de R$ 1,7 BI, a educação pública está abandonada! Não podemos mais esperar!”, declarou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, durante o ato.

Outra grave situação no município é a da EEEF Flores da Cunha. Interditada, a escola aguarda há dois anos a entrega da obra de sua sede que teve um princípio de incêndio em 2019. Atualmente, a escola atende nas dependências de outra instituição, a EEEM Dr. João Fagundes.

A diretora Elisa Greco lamenta a situação e solicita apoio dos gestores para a reabertura do prédio. “Pela distância da sede original, a escola vem perdendo alunos. Desde 2019 já saíram 106 estudantes e seis turmas foram fechadas. Peço que o governo olhe com atenção para esta triste situação”.

“Se Eduardo Leite está preocupado com a evasão escolar, por que deixa escolas fechadas por falta de estrutura? O núcleo está junto da comunidade para fazer a luta de resistência”, afirma a diretora regional Zila Teresinha Soares Fidell.

A caravana também esteve nas escolas EEEM Dr. João Fagundes, EEEM Uruguaiana, Colégio Estadual Dr. Roberval B. de Azevedo, Instituto Estadual de Educação Elisa Ferrari Valls e EEEF Ernesto Dornelles.

Reposição, descontos e reformas 

Além de verificar a estrutura das escolas e conversar sobre a vida funcional da categoria – que amarga sete anos de salários congelados e perdas inflacionárias que chegam a mais da metade do poder de compra desde o último reajuste –, as visitas proporcionam a oportunidade de denunciar os ataques à educação de Eduardo Leite (PSDB) e Bolsonaro.

Os diretores do CPERS Cássio Ritter e Leonardo Echevarria, juntamente com a diretora do 20º núcleo (Canoas), Iara Beatriz Anziliero Nunes, visitaram cinco escolas da região: Instituto Estadual Dr. Carlos Chagas, EEEF Planalto Canoense em Canoas, EEEM Jardim Planalto, de Esteio; Colégio Estadual Guianuba e Instituto de Educação Rubén Dario, em Sapucaia do Sul.

O diretor Leonardo Echevarria destacou a importância da mobilização de toda a categoria contra a PEC 32 de Bolsonaro e Guedes.

“Se a PEC 32 passar, estamos com os dias contados. Porque vai acabar com os serviços públicos. Nas escolas só terão professores e funcionários indicados pelo diretor da escola. Por isso precisamos nos unir, ficarmos juntos na luta em defesa dos nossos direitos”.

O diretor Cássio Ritter frisou a luta da categoria por valorização e respeito. “Estamos na luta por reposição salarial, já somamos mais de 50% de defasagem. Eduardo Leite defende que ano passado nos pagou o piso, então fica ruim politicamente para ele não dar nada para a categoria em janeiro. Ele terá que nos dar algo, temos que continuar a pressão e lutarmos juntos”, defende.

“Sem luta nós não vamos conseguir nada. Se ficarmos parados o governo vai achar que está tudo bem. O CPERS é todos nós, não é só a direção central ou a direção dos núcleos. Precisamos de todos da categoria na luta”, destacou a diretora do 20º núcleo, Iara.

A diretora do CPERS Sandra Régio, acompanhada do diretor do 29° Núcleo (Santiago) Leandro Wesz Parise, visitou diversas escolas da região nesta quarta: EEEF João Eduardo Witt Schmitz, Colégio Estadual Apolinário Porto Alegre, EEEF Cândido Genro, EEEF Lucas Araújo de Oliveira, EEEF Alceu Carvalho e Instituto Estadual de Educação Professor Isaías.

“Nos reunimos com a secretária de Educação e fomos claros quanto à luta do CPERS por reposição salarial para todos os professores e funcionários da ativa e aposentados”, ressaltou a diretora.

Leandro Wesz Parise, destaca que durante a pandemia, além de não parar, a categoria teve gastos extras. “Pagamos luz, internet e equipamentos, já que o governo não garantiu nem isso. Estamos na Justiça exigindo o ressarcimento.”

Em Erechim, o 1° vice-presidente do CPERS Alex Saratt e a diretora Rosane Zan, acompanhados da diretora do 15° núcleo, Marisa Inês Betiato, visitaram as escolas: EEEF Lourdes Galeazzi, EEEF Santo Agostinho, Colégio Estadual Professor Mantovani, Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali,  EEEF Bela Vista, EEEB João Germano Imlau, EEEB João Caruso, EEEB José Bonifácio, EEEB Erico Veríssimo e
EEEB Sidney Guerra.

“A categoria está entendendo que a crise da educação gaúcha, como diria Darcy Ribeiro, é um projeto. Não é uma crise à toa. É uma crise de concepção, de gestão e de falta de investimentos. Não é em vão que temos esses indicadores do orçamento que apontam recursos menores para o ano que vem”, avalia Alex.

Insegurança e estruturas precárias em Montenegro

O 2° vice-presidente do CPERS, Edson Garcia e o diretor Amauri Pereira da Rosa, acompanhados da diretora do 5º Núcleo (Montenegro), Elisabete Vargas Pereira, da diretora suplente Rosane Vier da Silva e da tesoureira Cláudia Maria Rossoni, verificaram as condições de escolas da cidade.

A primeira instituição a receber os dirigentes foi o Colégio Doutor Paulo Ribeiro Campos, que está há dois anos sem energia elétrica, consequência de cinco invasões. No total, são 13 salas de aula, o laboratório de informática, o refeitório e a biblioteca sem luz, impedindo o retorno presencial às aulas.

“É lamentável termos que pedir por uma condição básica de trabalho”, lamenta o diretor da instituição, Luis Carlos Hummes. Ele relata que toda vez que busca um retorno da Secretaria Estadual da Educação (Seduc), a resposta é sempre a mesma. “Dizem que está em análise da minuta na secretaria de obras. É a mesma resposta desde o início do ano”, afirma.

A EEEF Tanac possui um amplo espaço que poderia abrigar alunos do 8° e do 9° ano, séries que a instituição ainda não contempla. Porém, a estrutura está totalmente comprometida, principalmente o chão que possui grandes buracos, rachaduras extensas e desnível.

“Temos o projeto e o orçamento, tudo certinho e já enviamos para a CRE. Ainda estamos aguardando retorno. É um desejo da comunidade que as crianças completem todo o ensino fundamental aqui”, explica a diretora Jakciana Pasini.

Nos banheiros e no refeitório, azulejos das paredes e das pias caíram. Uma das escadas de acesso à instituição está desmoronando. “Começou a ceder e está piorando, abriu inclusive umas crateras. A gente não deixa mais as crianças terem acesso porque é muito perigoso”, explica a vice-diretora, Corina Maria Garcia de Abreu.

“Conferimos exemplos concretos de descaso e da falta de investimento na educação pública. Como é que se pode ter segurança e tranquilidade para trabalhar diante das condições em que encontramos as escolas?”, questiona Edson.

Na EET São João Batista falta professor de Espanhol desde o início do ano letivo e de Matemática para as aulas do programa Aprende Mais.

Ao conferirem a estrutura da EEEF Delfina Diaz Ferraz, os dirigentes constataram que a cerca de ferro está caída há vários anos e que o refeitório e a cozinha, que fica no porão, estão em péssimas condições. “Vimos que as paredes estão mofadas e que o acesso é difícil, pois é preciso passar por baixo de uma escada”, relatou Amauri.

O muro da EEEF Adelaide de Sá Brito também foi ao chão e até hoje não houve retorno sobre o conserto. Há também número insuficiente de funcionários(as) para fazer a limpeza dos ambientes. No momento, apenas uma profissional, que é cedida de outra escola, faz a higienização.

“Convido a secretária Raquel Teixeira para vir conhecer a estrutura precária das nossas escolas. Nossa comunidade precisa de um olhar mais atento”, destacou Elisabete.

As diretoras Alda Maria Souza e Glaci Weber, acompanhadas de representantes do 30° Núcleo (Vacaria), visitaram a EEEM D. Frei Vital de Oliveira, em Muitos Capões. 

Dois anos após um ciclone que atingiu o município, a escola ainda espera pela reforma do telhado. Atualmente, quatro salas de aula estão interditadas, o que dificulta o distanciamento entre os alunos(as) em razão da pandemia. As diretoras também visitaram a EEEB Professor José Fernandes de Oliveira, em Vacaria.

Além das escolas já mencionadas, a secretária-geral do CPERS Suzana Lauermann, a diretora Vera Lessês e a diretora do 10° núcleo,  Eloisa Womer, visitaram três escolas da região de Santa Rosa: EEEF Alecrim e EEEM Assis Brasil, de Alecrim e EEEM Republica Argentina, de Porto Lucena.

A diretora do CPERS Juçara Borges, acompanhada do diretor do 1° Núcleo, David Orsi Carnizella, visitaram escolas do município de Caxias do Sul: EEEM Victorio Webber, EEEM José Generosi e IEE Cristóvão de Mendoza.

Juçara ressalta que mesmo próximo do fim do ano letivo, diversas escolas ainda sofrem com a falta de profisisonais: “Nas escolas da região de Caxias do Sul a principal queixa da categoria foi sobre a falta de professores, principalmente nas disciplinas de Português e Matemática. Mas também há falta de funcionários”.

Até o dia 26 de novembro, o CPERS irá percorrer todas as nove regiões funcionais do Rio Grande do Sul para verificar a situação das escolas e mobilizar a categoria pela justa reposição salarial. Confira o itinerário completo aqui.

Agenda dos próximos dias:

18/11 | Quinta-feira

Alegrete
Três de Maio
Santa Maria
Gravataí
Lagoa Vermelha
Bento Gonçalves
São Leopoldo
Passo Fundo

19/11 | Sexta-feira

Santana do Livramento
Três Passos
Santa Cruz
Guaíba
Guaporé
Estrela
Taquara
Soledade

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O CPERS tomou conhecimento de que o Governo do Estado pretende realizar o desconto de valores pagos a título de auxílio-transporte durante o período da pandemia.

Por entender que estes valores foram recebidos de boa-fé pelos servidores(as) durante longo período, foi ajuizada demanda judicial em 10 de novembro de 2021, postulando que a Administração Pública se abstenha de realizar qualquer desconto a este título.

O processo está tramitando na 4ª Vara da Fazenda Pública sob nº 5134059-40.2021.8.21.0001 e, no momento, aguarda manifestação do Estado do Rio Grande do Sul para que o magistrado aprecie o pedido liminar elaborado.

Durante a pandemia, educadores(as) trabalharam para além da sua carga horária; tiveram gastos com internet, luz, equipamentos e materiais didáticos, e não houve qualquer tipo de gratificação ou reposição pelo governo Eduardo Leite (PSDB). Não é possível que os trabalhadores(as) sejam penalizados dessa forma.

Assim que o processo apresentar novos andamentos a Assessoria Jurídica comunicará aos associados(as).

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O CPERS, em conjunto com várias entidades e movimentos sociais, participou, na manhã desta terça-feira (16), do ato contra a fome, em frente ao Palácio Piratini. A iniciativa teve como objetivo pressionar o governo Eduardo Leite (PSDB) por comida, trabalho, renda e apoio à agricultura familiar.

Representantes do sindicato, da Frente Nacional de Lutas (FNL), do Movimento Camponês (MPA, MST), do SEMAPI, da Frente dos Servidores Públicos e da CUT reuniram-se no Largo Glênio Peres e de lá seguiram em caminhada até o Palácio Piratini.

No local, denunciaram a falta de políticas públicas para garantir comida no prato de todos(as) trabalhadores(as), a necessidade de gerar emprego e renda e repor as perdas com a inflação no salário mínimo regional e a justa reposição salarial a todos(as) os(as) educadores(as).

O chamado piso regional está congelado desde 1º de fevereiro de 2019. O projeto de lei enviado pelo governo em 15 de julho para a Assembleia Legislativa prevê um reajuste de apenas 2,73%, que repõe somente metade da inflação do ano passado.

O CPERS somou-se a luta dos movimentos para pressionar o governo a abrir espaço no orçamento para as demandas de moradia, de terra e de produção de alimentos, mas também destacou as demandas da categoria.

“Somos solidários a essas lutas, mas não deixamos de reivindicar o fim dos descontos, o ressarcimento dos gastos com o ensino remoto durante a pandemia e, principalmente, a garantia da reposição salarial que recomponha nossas condições econômicas e nos garanta um mínimo de dignidade”, destacou o vice-presidente do CPERS, Alex Saratt.

“Estamos juntos nesta luta dos pequenos agricultores. Este governo está terminando com a nossa categoria e utilizando seus poderes para investir somente nos grandes empresários agrícolas”, observou o diretor do 40° núcleo (Palmeira das Missões), Joel Oliveira.

Vigília por reposição Já 

Além do ato, o Sindicato marcou presença em frente à casa do governo, através da vigília que vem realizando desde julho para exigir a justa reposição salarial para toda a categoria.

“Mais uma vez estamos em nossa vigília. E hoje também com os movimentos sociais para denunciar que Eduardo Leite massacra os trabalhadores em geral. Nós, trabalhadores em educação, temos um arrocho salário que impede o nosso sustento”, ressaltou a diretora do 31° núcleo (Ijuí), Teresinha Mello.

O diretor 11° Núcleo (Cruz Alta), Paulo Riberto Santos Silva, destacou o abandono do governo aos educadores e a educação pública. “Leite e Bolsonaro fazem a mesma política de precarização ao serviço público e ataques aos servidores. Não podemos nos calar.”

Maria Celeste Ramos, Diretora Geral do 9° núcleo (Santo Ângelo) frisou as dificuldades dos educadores diante do arrocho salarial. “O governador faz uma política nefasta onde, a cada mês, perdemos um pouco do nosso mísero salário. Mas nossa vontade de lutar ele não vai retirar. Permaneceremos nas ruas lutando pela nossa reposição.”

“É fundamental denunciarmos os ataques do governo à educação pública. Amargamos há sete anos o congelamento dos nossos salários. A categoria se encontra em situação de miserabilidade. Precisamos denunciar esse governo neoliberal”, frisou o diretor do 33° núcleo (São Luiz Gonzaga), Joner Marchi Nascimento.

Leandro Wesz Parisi, diretor do 29° núcleo (Santiago), destacou que o governador precisa valorizar os educadores, que são os que educam os(as) filhos(as) dos trabalhadores do estado. “Somos nós que levamos a educação pública à população gaúcha. Está na hora do governador ouvir a categoria e nos conceder os 47,82% de reposição, a lei do Piso aos professores e reajuste também aos funcionários de escola.”

Maria Celeste Ramos, Diretora Geral do 9° núcleo (Santo Ângelo) frisou as dificuldades dos educadores diante do arrocho salarial. “O governador faz uma política nefasta onde, a cada mês, perdemos um pouco do nosso mísero salário. Mas nossa vontade de lutar ele não vai retirar. Permaneceremos nas ruas lutando pela nossa reposição.”

Adélia Menezes dos Santos, diretora Geral do 37° núcleo (Carazinho) ressaltou o excesso de trabalho nas escolas e falta de valorização. “O governador precisa incluir todos os trabalhadores no orçamento. Nós, professores e funcionários de escola, estamos na miséria e com sobrecarga de trabalho.”

Crédito emergencial para a agricultura familiar

A mobilização defendeu também políticas de apoio para quem trabalha no campo, como o projeto de lei (PL) nº 115/2021, que prevê um crédito emergencial para a agricultura familiar, visando a produção de alimentos e o combate à fome que assola famílias urbanas e rurais.

O projeto, protocolado pela bancada estadual do PT, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e agora está na Comissão de Agricultura aguardando parecer. Já foram realizadas audiências públicas e uma reunião com o governo do Estado na Expointer, onde a atual gestão ficou de retornar com uma contraproposta, porém nada foi feito.

A agricultura familiar no RS conta com 293.891 pequenas propriedades rurais e responde por 68,25% do pessoal ocupado no campo, produzindo a maior parte dos alimentos da cesta básica. Tem enorme importância no PIB (em 2005 as cadeias produtivas ligadas à agricultura familiar respondiam por 27% do PIB estadual).

Especialistas apontam que existe hoje a necessidade de priorizar a produção de alimentos, pois em 10 anos (2009 a 2018) a área plantada com soja no RS cresceu 48,8%, enquanto no mesmo período as plantações de milho reduziram 49% e a de feijão 50%. De 2015 a 2021, o número de produtores de leite caiu pela metade.

Existe hoje diminuição e envelhecimento da população rural, com uma grande redução de jovens. Como se não bastasse, há milhares de famílias pobres no meio rural gaúcho e os agricultores familiares foram excluídos do auxílio emergencial. Além disso, ocorreu uma drástica redução dos recursos aplicados pelo governo do Estado na agricultura familiar e no desenvolvimento rural nos últimos anos.

 

Fonte: CUT-RS com Raquel Wunsch – Assembleia Legislativa

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Em uma semana a EEEF Nossa Senhora da Conceição foi arrombada quatro vezes. Somente neste ano foram 12 arrombamentos. No último, levaram até o portão. Em junho, roubaram parte da fiação e desde então a instituição está sem luz. Os alunos estão tendo aula na penumbra. Não há merenda, pois roubaram a válvula de gás.

Esta foi apenas uma das várias situações de negligência do governo Eduardo Leite (PSDB) com a educação pública, verificadas hoje, no segundo dia da Caravana do CPERS.

“Estamos percorrendo o estado para provar ao governador e à Seduc que o mundo de fantasia deles não é real. As escolas estão sucateadas e nossos salários defasados. Vamos ouvir a base para caminharmos juntos contra esses governos”, afirma a presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer.

A situação da escola que abre esta matéria é de conhecimento da 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e da Seduc. “Mandamos ofícios com a solicitação de recursos e seguimos no aguardo de uma solução urgente. Não dá mais para continuar assim”, desabafa a diretora da EEEF Nossa Senhora da Conceição, Jane Candiel.

No decorrer do dia, ao longo das visitas às escolas, situações de precariedade e descaso com os educadores(as) se multiplicaram.

Na EEEM Visconde do Rio Grande, os professores(as) lecionavam no escuro. Durante a madrugada, fios de cobre e disjuntores foram roubados.  Quatro salas interditadas, telhado quebrado e infiltrações completam o cenário de precariedade.

Integrando a caravana, a diretora geral do 39° Núcleo do CPERS, Neiva Lazzarotto, afirmou seu compromisso com a pauta da escola.   “Contem conosco para cobrar do governo o religamento urgente da luz, com a recolocação dos cabos roubados.”

Enquanto as dificuldades se agravam, a solicitação para os reparos está parada na Secretaria de Obras. “Eu acho um absurdo estarmos passando por isso. É muito descaso”, disse a vice-diretora e supervisora, Eliane Serafim.

Eterna espera por solução

A E.E.F. Santa Rita de Cássia também aguarda a recolocação da fiação elétrica que foi furtada. Enquanto isso, a instituição segue com aulas remotas, entrega e devolutivas de atividades impressas.

Além dos problemas na rede elétrica, a EEEF Venezuela está com telhado quebrado, infiltrações e vazamentos que causam mofo e rachaduras nas paredes. Há 12 salas interditadas. O auditório abriga duas turmas. Por falta de espaço adequado, os livros ficam no corredor. Salas pequenas impedem o distanciamento e faltam funcionários para fazer a merenda.

Para os reparos, o orçamento gira em torno de R$ 100 mil. A escola aguarda há um ano e meio o retorno da Secretaria de Obras. “Passei dias trancada na minha sala para resolver inúmeros problemas e o governo não vê o que acontece na nossa escola”, lastima a diretora Tânia Salles.

O diretor Cássio Ritter observa que a Caravana do Sindicato tem papel fundamental na denúncia destes cenários. “É fundamental ouvirmos nossos colegas, verificar de perto as dificuldades, denunciar e cobrar a responsabilidade do governo.”

 Diante do descaso: desânimo

“Me sinto sem voz. Além de sete anos sem aumento, gastamos trabalhando de casa. É um projeto de destruição da escola pública que está em curso”, desabafou a professora Luciana Moraes da Silva, da EEEF Profª Luiza Teixeira Lopes.

A vice-diretora da escola, Carmen Regina, compartilha do sentimento da colega e se entristece com o descaso. “Não vejo luz no fim do túnel. Tenho 27 anos de magistério e nunca estivemos em uma situação tão difícil.  Já passei por vários governos e nenhum nos valorizou”, lamenta.

Rosane Zan, dirigente do CPERS, destaca que o Sindicato entregou à Casa Civil e aos deputados(as) uma preposição de Projeto de Lei que pede o ressarcimento dos gastos dos educadores(as) com o ensino remoto. “Foram muitas as despesas com internet e equipamentos. A categoria precisa urgentemente da reposição salarial.”

Falta de funcionários dificulta efetivação dos protocolos sanitários

Se a apreensão com a falta de estrutura das escolas já é grande, o recente aumento na notificação de óbitos por Covid-19 coloca o Rio Grande do Sul em segundo lugar no ranking nacional da taxa de mortalidade semanal e amplia a preocupação dos educadores(as).

Frente a este cenário e com o agravante do encerramento do contrato dos funcionários(as) terceirizados, que deve ocorrer na primeira quinzena de dezembro, os obstáculos para efetivar os protocolos sanitários tendem a ser maiores.

“Temos três funcionárias. Uma está doente, outra é concursada e temos uma terceirizada. Quando encerrar o contrato ficaremos com apenas uma. Como dar conta dos protocolos?”, questionou a diretora da ETE José Feijó, Cleusa Terezinha Azambuja da Silva da ETE.

A EEEF Júlio Brunelli e a EEEM Mariz e Barros também estão com funcionários insuficientes para garantir a limpeza dos ambientes.

A Caravana do CPERS esteve hoje nas escolas: 

EEEF Júlio Brunelli
EEEF Eng Rodolfo Ahrons
EEEF Ministro Poty Medeiros
EEEF Bento Gonçalves
EEEM Mariz e Barros
EEEF Dr. Gustavo Armbrust
EEEM Itália
EEEF Venezuela
EEEF Santa Rita de Cássia
EEEM Visconde do Rio Grande
EEEM Alberto Torres
EEEF Jardim Vila Nova
EEEF Nossa Senhora da Conceição
EEEF Vicente da Fontoura
Colégio Estadual Dr. Glicério Alves

Direito: reposição salarial para todos os educadores

No projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2022, a função educação diminui 0,3% da fatia no orçamento e a previsão de gastos com pessoal também cai 3,3%”, deixando explícito o descaso.

O CPERS já protocolou junto à Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa uma emenda que visa inserir a recomposição salarial de 47,82% para todos os educadores.

“Precisamos pressionar os deputados para que aprovem nossa emenda. Quem não puder ir em nossas mobilizações, é importante que faça pressão nas redes”, conclama a diretora Carla Cassais.

A tesoureira do 39º Núcleo, Klymeia Nobre, também chamou atenção para a retirada de direitos em curso no governo do Estado. “Os professores e os funcionários tiveram uma perda enorme de dinheiro com a retirada de difícil acesso, e isso está esvaziando as escolas mais distantes, pois está muito pesado pra ir trabalhar, com a gasolina a um preço absurdo”.

A diretora do 39º Núcleo também pautou a questão dos descontos no contracheque da categoria. “O CPERS irá atuar na justiça e na resistência ao desconto do vale-transporte retroativo. Vamos defender as Direções das Escolas, também”, declarou Neiva Lazzarotto.

Confira a agenda da Caravana do CPERS:

Nos últimos dias a Caravana percorreu Porto Alegre, com a participação dos membros da Direção Central, Helenir Aguiar Schürer, Alex Santos Saratt, Edson Garcia, Suzana Cecilia Lauermann, Rosane Zan, Alda Maria Souza, Amauri Pereira da Rosa, Carla Cassais, Cássio Ritter, Juçara Borges, Leonardo Preto Echevarria e Vera Lessês, da direção do Núcleo 39º, Neiva Lazzarotto, Klymeia Nobre, Pedro Jacobs e Roger Pereira e da representante 1/1000, Silvana Souza.

Até o dia 26 de novembro, o CPERS irá percorrer todas as nove regiões funcionais do Rio Grande do Sul para verificar a situação das escolas e mobilizar a categoria pela justa reposição salarial.

17/11 | Quarta-feira
Uruguaiana
Santa Rosa
Santiago
Canoas
Lagoa Vermelha
Caxias do Sul
Montenegro
Erechim

18/11 | Quinta-feira

Alegrete
Três de Maio
Santa Maria
Gravataí
Vacaria
Bento Gonçalves
São Leopoldo
Passo Fundo

19/11 | Sexta-feira

Santana do Livramento
Três Passos
Santa Cruz
Guaíba
Guaporé
Estrela
Taquara
Soledade

 

 

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Sem cozinha, refeitório, pátio e com a biblioteca interditada, a escola de educação especial Recanto da Alegria, do bairro Passo d’Areia, de Porto Alegre, está completamente impossibilitada de retomar as aulas presenciais com segurança.

Aos atropelos e sem qualquer diálogo com as comunidades escolares, o governo Eduardo Leite (PSDB) impôs o retorno obrigatório das aulas presenciais a alunos(as) da Educação Básica – educação infantil, ensino fundamental e médio -, a partir da última segunda (8), por decreto.

No mesmo dia, o CPERS foi acompanhar a real situação da escola e constatou o óbvio: fruto do descaso do governo, a EEE Recanto da Alegria é uma das inúmeras instituições de ensino do Estado sem estrutura mínima para o retorno com segurança.

Para o 1° vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, que acompanhou de perto o drama vivenciado pela comunidade escolar, a pressão sobre o governo é fundamental.

“É preciso que se cobre com muita força que o governo resolva essa questão o quanto antes, seja para iniciar o ano letivo de 2021 com segurança mínima, ou para que, em 2022, se tenha atendimento adequado dessas famílias que travam tantas lutas pela qualidade de vida de suas crianças, adolescentes, jovens e adultos”, garantiu Alex.

Ao todo, 40% do espaço da escola está deteriorado. Das 18 salas disponíveis, seis precisam de reforma e uma virou biblioteca improvisada.

São cerca de 150 alunos com necessidades especiais, das regiões das ilhas e metropolitana, entre seis e 40 anos, prejudicados com a incompetência do governo Leite (PSDB) em resolver problemas básicos que se arrastam por anos.

Tudo começou a quatro anos atrás, em 2017, ainda na gestão do ex-governador, José Ivo Sartori (MDB), quando um dos prédios apresentou rachaduras no piso superior, que se estenderam até a estrutura da cozinha ruir e ter que ser interditada pelo Corpo de Bombeiros.

A Seduc e a 1ª CRE foram notificadas inúmeras vezes, mas nada foi feito. Com a inércia dos dois últimos governos, os problemas estruturais foram se alastrando.

Em março deste ano, a marquise de um dos prédios desabou, o que ocasionou a interdição de metade da estrutura, comprometendo ainda o pátio da escola, considerado área de escape em casos de desorganização (crises) de alunos com necessidades especiais, que não têm a tolerância em permanecer na sala de aula durante todo o turno.

“Em uma escola especial, a gente precisa de espaços de escape para os alunos, que, às vezes, começam a se desorganizar nas salas. A gente teria que ter esse meio ambiente para eles se acalmarem”, explicou a diretora da Recanto da Alegria, Alessandra Moreira Heck.

Um dos seis espaços importantes para a socialização e que foi comprometido pela estrutura é a sala de culinária, usada para aprendizado de receitas simples com a finalidade de dar maior autonomia aos alunos.


Havia ainda uma sala – que também foi interditada após o desabamento – onde as mães, que não tinham condições financeiras de retornar para casa, aguardavam os filhos(as), já que boa parte dos estudantes da Recanto da Alegria é de baixa renda. 

Para piorar a situação, o governo não garantiu o mínimo para uma escola de educação especial: acessibilidade, o que dificulta ainda mais o dia a dia de muitos alunos(as) cadeirantes.

“Precisamos de uma rampa de acesso para a nossa quadra esportiva, que no momento, nem isso temos”, conta Alessandra.

Os problemas estruturais também interferiram na alimentação dos estudantes. A diretora da escola especial Alessandra lamenta a impossibilidade de garantir merenda adequada, já que o governo segue sem resolver a estrutura da cozinha.

“Isso é muito ruim porque muitos dos nossos alunos apresentam seletividade alimentar e não estamos podendo fazer merenda saudável. A gente acaba dando alimentos industrializados em porções individuais, conforme as normas da Secretaria de Saúde”.

 

Comunidade pressiona; governo se compromete, mas nada faz

Preocupada com a situação, a comunidade escolar fez todos os trâmites legais para resolver os problemas estruturais em todas as oportunidades.

A Seduc e a 1ª CRE foram notificadas, que, após pressão da escola, enviou uma engenheira que emitiu laudo técnico. No documento, a muito custo repassado pela Coordenadoria à direção, um dos prédios deveria ser interditado e o outro, liberado.

O laudo também aponta que um dos agravantes das rachaduras seriam as árvores que se encontram no pátio.

Buscando celeridade para resolver os problemas, a escola fez levantamento de custos para a retirada das árvores: o governo precisaria desembolsar o valor de R$ 11 mil. Mas, até agora, nem um centavo chegou à instituição para retirá-las.

A Seduc ainda solicitou a avaliação de um engenheiro estrutural e um estudo de solo para ver se o restante do prédio não está em perigo. O processo está sob a responsabilidade da Secretaria de Obras.

Ainda neste ano, o Conselho Escolar – formado pela diretoria, funcionários(as), pais e alunos(as) – foi até a 1ª CRE e pediu para falar com o coordenador Alaor Baptista Chagas, que garantiu que iria tomar providências e assegurou que a Recanto da Alegria seria a primeira escola atendida pelo programa Avançar na Educação do governo.

Mas o programa megalomaníaco de Eduardo Leite (PSDB), que promete investimentos de R$ 1,2 bilhão para obras e qualificação do ensino, não passa de marketing eleitoreiro e nem na lista das 56 escolas contempladas a Recanto da Alegria entrou.

De acordo com a funcionária Elis Medeiros, integrante do Conselho Escolar e representante 1/1000 do 38° Núcleo, até o momento, a escola só recebeu cerca de R$ 15 mil, equivalente a 20% da verba prometida pelo governo, o que não dá para fazer quase nada.

“O coordenador não deu mais nenhuma satisfação, nem interesse”, criticou.

“Estamos nessa luta pela educação especial. São apenas três escolas em Porto Alegre; estamos aguardando que o governo faça a intervenção necessária para que possamos terminar esse ano com condições dignas de atendimento e retomar o ano que vem com a participação total dos alunos”, finalizou Elis.

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No primeiro dia de Caravana por #ReposiçãoJá, o CPERS constatou o que já vem denunciando: o descaso do governo Eduardo Leite (PSDB) com a educação pública. Escolas sucateadas e educadores(as) angustiados diante dos sete anos de arrocho salarial foi o cenário que predominou nas visitas feitas às escolas da capital, nesta quinta-feira (11).

“Eu me sinto miserável, trabalho 40 horas e ganho R$ 2,800. E isso tendo 19 anos de magistério”, disse a vice-diretora do Colégio Florinda Tubino Sampaio, Cátia Barletta. O desabafo da educadora traduz a situação de miserabilidade em que a categoria se encontra.

Sem aumento desde 2014, os educadores amargam as consequências de salários extremamente defasados, perda de direitos, redução de adicionais, sucessivos descontos e custos extras com o trabalho remoto.

“Estamos na luta por reposição para toda a categoria. Não adianta o governo prometer só o piso do Magistério, a categoria toda está sofrendo com a defasagem dos nossos salários. Os funcionários não recebem nem o suficiente para adquirir a cesta básica”, destacou a diretora Carla Cassais.

Esta semana, a direção central do CPERS entregou à Casa Civil e aos(as) deputados(as) uma minuta de Projeto de Lei (PL) pelo ressarcimento dos gastos extras que os educadores(as) tiveram com o trabalho remoto durante a pandemia.

“Nesse momento é muito importante que façamos forte pressão nos deputados para que votem e aprovem a proposta”, ressaltou a diretora Suzane Lauermann.

O diretor do 39º núcleo, Pedro Jacobs, convidou os colegas para integrarem o Sindicato. “É muito importante que vocês se filiem, se organizem e escolham o Representante de Escola. Só teremos vitórias se tivermos organização de base e fortalecermos o CPERS.”

Abandono: escolas extremamente precarizadas

Além da falta de valorização profissional, professores(as) e funcionários(as) de escola precisam driblar a falta de estrutura.

Na escola EEEF Luiz de Azambuja Soares, os diretores Leonardo Echevarria, Amauri Rosa e a diretora geral do 39º núcleo, Neiva Lazzarotto, verificaram problemas na rede elétrica, muro com risco de desabamento e paredes com marca de infiltrações.

A instabilidade elétrica, além de comprometer a segurança, queimou estabilizadores e cinco computadores foram para manutenção.

“Precisamos urgentemente que o governo arrume, principalmente, a parte elétrica. Nossa comunidade sempre foi solidária, já cortaram a grama e pintaram a parede, mas o governador precisa fazer a parte dele”, enfatizou a diretora Katia Laner.

Para a diretora do 39° Núcleo, Cecília Santana, a união na luta contra os descontos no contracheque também é imprescindível. “Precisamos nos unir para não permitir, que agora, o governo Leite nos tire mais o vale-transporte de 2020. Não podemos deixar”.

Neiva Lazzarotto agradeceu a dedicação da direção e também ressaltou que com a proposta de contingenciamento do orçamento, o governo ficará limitará ainda mais os investimentos em serviços públicos.

“Precisamos nos mobilizar junto à comunidade para tentar impedir a votação, agora, em regime de urgência, do PL do Teto de Gastos, que irá congelar os já poucos recursos da educação, da saúde e outros”, convocou.

Estruturas comprometidas colocam em risco comunidade escolar

Parte do prédio da EEEF Dr. José Carlos Ferreira corre o risco de desabar. Entre os problemas há ainda infiltrações pela parede, risco de desabamento da fachada, falta de funcionários para a limpeza e não há vice direção.

Conforme a direção da escola, foi feita vistoria e licitação em 2019. A obra foi orçada em R$ 120 mil e segue no setor de obras do governo. “O processo continua moroso e não há previsão para o iniciar as reformas”, detalhou a diretora Denise Farias Mansur.

“Temos falta de material para a limpeza e também de profissionais. No laboratório de informática são poucos computadores que funcionam. É lamentável”, relatou o professor Cláudio Cuttim.

Na EEEF Eva Carminatti, as diretoras Carla Cassais e Suzana Lauermann, junto com o representante do 39º núcleo, Pedro Miguel Jacobs, constataram problemas como a terceirização dos trabalhadores em educação.

 

“Nossas funcionárias são todas terceirizadas. Sem elas, não temos como abrir a escola e manter os alunos seguros. O governo exigiu o retorno presencial, mas não deu garantias”, observou a vice-diretora, Katia Amorim Macedo.

O diretor da instituição, Geraldo Onézio Fonseca, espera que o governo cumpra com a promessa da destinação dos recursos do Programa Avançar. “Esperamos que o investimento prometido realmente venha. Além do salário defasado, estamos com muita carência para cumprir com o nosso trabalho”, afirma Fonseca.

“Nossa escola tinha 60% de Difícil Acesso e com o governo Eduardo Leite perdemos tudo. Para chegar aqui não tem calçada, nem asfalto. O ônibus para longe, não há segurança”, relatou a diretora da EEEF Onofre Pires, Bruna Ruiz dos Santos.

Tentativa de fechamento

A EEEF Imperatriz Leopoldina, no bairro Petrópolis, está sob ameaça de fechamento desde 2019, ano em que o governo excluiu o turno da manhã. Recentemente a instituição foi avisada pela secretária estadual de educação, Raquel Teixeira sobre a possibilidade de o terreno da escola ser vendido para uma instituição privada de ensino.

“Essa insistência em fechar a escola nos deixa profundamente tristes. Defendemos que nossa escola não só se mantenha aberta como também amplie seu atendimento à comunidade através da implantação do ensino em tempo integral”, destaca a diretora Marília Chaves.

Diante dos relatos, os dirigentes do CPERS, Rosane Zan, Juçara Borges e Cássio Ritter orientaram a equipe diretiva. “É importante mobilizar a comunidade para fortalecer a defesa da permanência da escola”, instruiu a diretora Rosane Zan.

Um abaixo-assinado já foi estruturado pela direção. Para assinar, acesse aqui: https://peticaopublica.com.br/?pi=BR121326

CPERS segue na estrada

Até o dia 26 de novembro, diferentes comitivas do Sindicato irão percorrer todas as 9 regiões funcionais do Rio Grande do Sul.

A direção central irá percorrer o Estado denunciando os ataques de Eduardo Leite (PSDB) à educação pública e o sucateamento das escolas gaúchas.

Nesta sexta-feira (12), seguem as visitas às escolas da capital. Confira abaixo o cronograma da próxima semana.

Agenda da Caravana:

 17/11 | Quarta-feira
Uruguaiana
Santa Rosa
Santiago
Canoas
Lagoa Vermelha
Caxias do Sul
Montenegro
Erechim

18/11 | Quinta-feira

Alegrete
Três de Maio
Santa Maria
Gravataí
Vacaria
Bento Gonçalves
São Leopoldo
Passo Fundo

19/11 | Sexta-feira

Santana do Livramento
Três Passos
Santa Cruz
Guaíba
Guaporé
Estrela
Taquara
Soledade

 

 

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A audiência pública das comissões de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia e de Segurança, Serviços Públicos da Assembleia Legislativa, realizada na manhã desta quinta-feira (11), apontou o descaso do governo do Estado com a educação pública do Rio Grande do Sul e seus trabalhadores.

Durante a abertura, a deputada Sofia Cavedon (PT), proponente da atividade, lamentou a falta de perspectiva dos educadores diante de um governo que não se compromete com a educação e discorreu sobre as perdas da categoria verificadas nas duas últimas administrações no estado. “A Assembleia não pode achar que isso é normal e possível de conviver”, disse.

Antes de passar a palavra aos demais participantes, ela leu ofícios recebidos dos secretários da Educação e da Fazenda em que justificavam a ausência no debate referindo “compromissos anteriormente assumidos”.

A economista Anelise Manganelli, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), apresentou estudos feitos pelo órgão para demonstrar as perdas salariais sofridas pelos educadores ao longo dos anos. Pelo último índice da inflação divulgado ontem, segundo ela, essas perdas seriam de 51,33% de 2014 a 2021.

“Só que na verdade não é (“só) isso”, considerou. “Quando se vê a média de itens essenciais – como água, gás de cozinha, energia, combustível, alimentos –, a média da inflação no período é de 95%”, explicou, acrescentando que os trabalhadores a que se referiam eram os que menos recebiam dentro da distribuição salarial do estado e que, para esses, os alimentos, que haviam registrado aumento de 101%, tinham um peso muito maior.

Disse que, embora houvesse um auxílio-alimentação, este também estava extremamente defasado, correspondendo a menos da metade do custo real de uma refeição. Como mais um agravante da situação dos trabalhadores, citou a transferência que se dera do local de trabalho da escola para o domicílio, que teria resultado, segundo ela, em aumento nos gastos com água, luz e até mesmo transporte, uma vez que o governo teria deixado de concedê-lo em muitos casos.

Por conta desses custos, que, segundo a economista, teriam sido transferidos para os trabalhadores, o governo teria economizado R$ 240 milhões.

Ainda entre as perdas, citou as gratificações para diretores de escola, que não era atualizada desde 2010. “São diretores que precisam encontrar soluções no ambiente mais adverso possível, como é o de uma pandemia, com uma defasagem que, além de toda a perda salarial, já chega a 98%”, disse.

Também as perdas decorrentes das reformas administrativa e da previdência foram lembradas por ela. Os aposentados, conforme Anelise, teriam passado a pagar o equivalente a um salário por ano. “Só com o desconto da previdência, considerando ativos e inativos, o governo teria arrecadado R$ 295 milhões”, disse.

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, disse que o descaso com os trabalhadores da educação está conduzindo a categoria à miséria. “E não é retórica”, disse, relatando situações como a de uma professora que lhe telefonou chorando porque “há uma semana comia apenas pipoca, que era o que o seu salário permitia”.

Ela criticou o governo do Estado e convocou a população a participar das caravanas que iniciariam a partir de hoje pelo estado com o mote #ReposiçãoJá. “A gestão de Eduardo Leite (PSDB) para educação levou professores a terem a luz cortada, escolhendo entre comer e pagar as contas, aposentados sem recursos para comprar sequer os remédios e funcionários a recebem os piores salários do Rio Grande do Sul. Não podemos mais aceitar este descaso”.

Para 1º vice-presidente do Sindicato, Alex Saratt, era preciso lutar contra o projeto que, no país, havia se instalado “com tintas fascistas”, mas que no Rio Grande do Sul, embora com fala mais suave, também massacrava os trabalhadores.

O 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, reforçou o mote da campanha da entidade, #ReposiçãoJá, lembrando que o percentual exigido não era de aumento, mas referente apenas a perdas inflacionárias, que haviam reduzido o poder de compra e estancado a economia. Edson também trouxe a importância da pauta do mês da consciência negra.

“A população negra no Brasil e no Rio Grande do Sul é a mais atingida pelas políticas de morte dos governos. O sucateamento da educação pública e o arrocho salarial dos trabalhadores nos atinge diretamente”.

Os deputados presentes se manifestaram em defesa dos professores e funcionários de escola. Pepe Vargas (PT) explicou que havia recém saído de uma outra audiência pública que se realizava naquele momento na Comissão de Finanças da Casa, onde o governo estadual reportava aumento de receita em relação a anos anteriores.

Segundo o deputado, a despeito dos números favoráveis, a despesa com pessoal estava em 40%, quando o limite prudencial era de 46%. “Digo isso porque se o governo tivesse uma proposta de reajuste, já a teria enviado”, considerou. “Na realidade, há um descaso profundo com a educação”. Ele classificou como demagogia ações como a de premiar escolas por seu desempenho ou de criar “escolas-modelo”, quando “na realidade eram só laranjas de amostra”.

 

Jeferson Fernandes (PT) criticou o governo por arrecadar recursos às custas dos trabalhadores. “O Avançar (programa do governo estadual) é, na verdade, um avançar no bolso, principalmente dos aposentados”, disse.

O deputado federal Elvino Bohn Gass (PT), trouxe um comparativo entre os governos federal e estadual. “Não resta nenhuma dúvida: Eduardo Leite e Jair Bolsonaro fazem a MESMA política. Reformas antipovo, arrocho salarial e privatizações são agendas da cartilha destes representantes. Seremos resistência destas gestões perversas que pioram a vida da população”.

Também estavam presentes representantes das entidades CNTE, CUT, CSP Conlutas e INTERSINDICAL.

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Viver com pouco dinheiro, driblar a inflação, deixar de comprar alimentos e remédios, não ter como pagar o aluguel, luz, água e gás. Ter que trocar hábitos rotineiros por não ter mais como mantê-los financeiramente. Essa é a realidade dos funcionários de escola e professores da rede pública estadual do Rio Grande do Sul.

Educadores(as) seguem nas ruas, mobilizados na luta por 47,82% de reposição salarial e denunciando os incessantes ataques de Eduardo Leite (PSDB) aos trabalhadores(as) da educação da ativa e aposentados(as).

Durante o ato do Sindicato realizado na última terça-feira (9), o CPERS entrevistou trabalhadores(as) da educação que enfrentam esta situação desesperadora.

Leia o relato de sete educadores(as) que clamam pela reposição salarial e sonham com dias melhores para a categoria.

Clarisse Kaefer, professora de matemática e física de São Luiz Gonzaga  

“Esses 7 anos têm sido muito complicados, ainda mais para quem tem filhos na escola.  Alimentação, deslocamento, tudo aumentou. O difícil acesso foi praticamente extinto. Quase não conseguimos pagar as nossas despesas básicas. O nosso salário está cada vez menor, mas o trabalho só aumenta. Vivemos uma miséria que é resultado do descaso com a educação pública. Trabalhamos manhã, tarde e noite para atender nossos estudantes e Leite não vê nosso esforço. O governador só retira mais e mais nossos direitos.”

Eduardo Revelante Netto, professor de história e filosofia de São Luiz Gonzaga  

“Nosso salário não supre mais nossas necessidades para sobreviver. Vemos muitos colegas fazendo outras coisas para ter uma renda extra, e não podendo se concentrar na profissão. Muito estão dependendo da ajuda dos familiares e isso é revoltante. Leite é o pior governo, porque além de não valorizar a categoria está destruindo a educação pública. Ele declaradamente é nosso inimigo.”

Eloir Godoy Pinheiro, professora aposentada de educação física de Soledade 

“Os aposentados estão esquecidos nesse governo. Tudo que está acontecendo conosco é uma injustiça. Nós contribuímos uma vida toda e agora voltamos a pagar a previdência. Estamos na miséria. Quanto mais envelhecemos, mais precisamos de dinheiro para comprar remédios e nos mantermos. Temos que cada vez mais ir para as ruas para denunciar para a sociedade o que estamos passando.”

Fernando da Silva Lopes, professor de história e filosofia de Caxias do Sul

“O reajuste salarial é importante pela valorização da educação pública. E passa pela saúde mental de nós professores. Como estaremos bem dando a aula que os nossos alunos merecem se estamos preocupados em como pagar as contas no final do mês? Nós não temos o mínimo para pagar as contas básicas. Nós amamos nossa profissão, mas precisamos de reconhecimento e valorização profissional.”

Nilza de Souza Schebella, orientadora educacional aposentada de Santa Rosa

“Hoje pra nós é imprescindível o reajuste salarial. Vivemos uma época de miserabilidade. Vi o governador falando que tem 110 mil aposentados e por isso não dá reajuste para a categoria, mas ele esquece que esse grupo já pagou a sua aposentadoria e está pagando duplamente agora. Foi nos tirado o direito de viver uma aposentadoria, estamos pagando novamente o que já pagamos para a previdência, e isso é criminoso.”

Joice Netto, professora dos anos iniciais de Porto Alegre 

“Além de nossos salários estarem congelados há 7 anos, ainda temos que conviver com os inúmeros descontos do governo, agora o desconto do vale-transporte. A inflação está cada vez pior, vamos no supermercado e não compramos mais nada, porque o nosso salário não comporta. Tudo sobe e o nosso salário continua estagnado.”

Sônia Terezinha Silva da Silva, funcionária de escola aposentada de Uruguaiana 

“Precisamos urgentemente do nosso reajuste salarial. Já tive que cortar um pouco das despesas na alimentação, sonho com a reforma da minha casa. Mas com o salário que estamos recebendo não tenho como fazer. Nós funcionários e professores temos muito trabalho e pouco dinheiro e isso tem que mudar.”

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O CPERS conclama a todos(as) educadores(as) a participarem da pesquisa a pesquisa “Saúde Mental de Trabalhadores em Educação Filiados à CNTE”, lançada em outubro, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB).

O objetivo é investigar as relações entre trabalho e saúde dos trabalhadores, mapear os riscos psicossociais e subsidiar os dirigentes para propor políticas preventivas de saúde, sintonizando o chão da escola com as políticas propostas pelas Secretarias de Educação.

Os vários levantamentos já feitos, antes e durante a pandemia, mostram o crescimento de distúrbios como ansiedade, estresse e depressão, entre outros, causados por jornadas extenuantes, a necessidade de trabalhar em duas ou até três escolas, salários muito baixos, assédio moral, perseguição, entre outros fatores extenuantes.

É essencial a participação de toda a categoria para fortalecer a luta por melhores condições de trabalho, através de jornadas de trabalho adequadas, salários dignos, trabalho decente e investimentos massivos em educação. para os(as) trabalhadores(as) em educação.

Com a contribuição de todos(as) será possível  obter um resultado que propicie o aprofundamento dos conhecimentos sobre a saúde de quem trabalha em educação.

Participe aqui

 

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