Coletivo de Combate ao Racismo “Dalvani Lellis”, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), se reuniu nesta quarta-feira (10), em Brasília, para traçar o planejamento de ações e como será feita a política de combate ao racismo nas escolas.

Os integrantes propuseram 13 atividades de mobilização, eventos ou pesquisas, cujo plano de ação com datas será posteriormente validado e compartilhado pelo grupo.

O 2º vice-presidente e coordenador do Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do CPERS, Edson Garcia, participou da atividade. Para o professor, o encontro foi um importante momento de trabalho, onde o grupo apresentou as atividades propostas na última reunião e planejou as atividades a serem desenvolvidas nos Coletivos dos Estados no próximo período.

“Estamos trabalhando com foco em 2024, onde teremos o aniversário da Década Afrodescendente, período estabelecido pela ONU. Também foi um momento importante para recepcionarmos o companheiro Carlos, que assumiu a Secretaria de Combate ao Racismo da CNTE, dando continuidade à gestão da valorosa companheira Iêda Leal, que assume uma importante Secretaria no Ministério de Igualdade Racial. A luta continua”, afirmou Edson.

Como estímulo ao debate, os participantes assistiram à palestra da diretora de Articulação Interfederativa do Ministério da Igualdade Racial (MIR), Isadora Bispo, sobre os desafios da promoção da igualdade racial no Brasil; e da diretora de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC), Lucimar Dias, sobre os 20 anos da Lei 10.639/03 e suas dificuldades de implementação. Essa Lei estabelece diretrizes para incluir na rede de ensino a história e a cultura afro-brasileira.

Participaram da reunião representantes de diversas entidades: SINTEP/MT, APEOESP, SINTE/PI, SINDEDUCAÇÃO, APP, SINDIUTE/CE, CPERS, SINTET, SINTEPE, SINPRO/DF, SINTER/RR, SINTESE, SIMPERE, SINTERO e SINDIUPES.

De acordo com Carlos Furtado, secretário de Combate ao Racismo da CNTE, a discussão sobre esse tema é ainda mais importante depois do desmonte das políticas de combate ao racismo. Ao destacar que a CNTE é protagonista nesse debate, ele disse que o combate ao racismo tem que começar nas escolas, para refletir na sociedade.

“Esse assunto ficou esquecido nos últimos quatro anos. Criou-se a ideia da falsa democracia do racismo. Mas existe, sim, o racismo no Brasil. Isso precisa ser debatido e a escola é o nosso lugar de atuação. Vamos ensinar o conteúdo do respeito, da gratidão, do reconhecimento, de sentir o outro como ser humano, independente da cor, do sexo, da religião e do pensamento político”, explicou Furtado.

Iêda Leal, ou professora Ieda, coordenava a Secretaria de Combate ao Racismo da CNTE até assumir a Secretaria de Gestão de Promoção da Igualdade Racial do MIR. Ela disse que essa luta não é fácil, mas quando existe a participação e a generosidade das pessoas, é possível ir mais longe. “A gente tem que fortalecer a luta, colocar as mulheres negras em todos os lugares junto com os homens negros por conta da violência que a gente tem. Nós temos que combater o racismo. Temos que fazer a discussão nos Estados. Não podemos ficar só aqui em Brasília”, afirmou.

Segundo o presidente da CNTE, Heleno Araújo, a batalha de combate ao racismo é grande e, para enfrentá-la, é preciso ter um exército e uma base para isso. “Esse é um tema que deve envolver todo mundo. Essa nossa luta é intensa dentro de uma sociedade de maioria de negros e negras, que tem os direitos negados todos os dias”.

Secretária-geral da CNTE, Fátima Silva lembrou que esse momento é importante para que o colegiado possa efetivar ações de combate ao racismo dentro do movimento sindical e também como política pública. “Nós temos uma caminhada de conquistas, embora ela seja insuficiente para pagar a dívida histórica de reparação. Estamos vivendo os frutos dessas conquistas, mas merecemos muito mais. Temos que ventilar essas políticas de combate ao racismo e de igualdade nos espaços que nós ocupamos.”

IGUALDADE RACIAL

Isadora Bispo abordou o contexto histórico do racismo até ele chegar ao Brasil e quem são os responsáveis juridicamente por isso. Para ela, o Estado não tem cuidado com a população negra e precisa ser responsabilizado. “É uma tarefa que temos que nos organizar enquanto movimento. A CNTE pode ter uma atuação frente a isso”, afirmou.

Ela reforçou que é preciso “cobrar a fatura” de todo esse atraso e desrespeito. “Se nós temos, hoje, um grande índice de mortalidade de jovens negros, o Estado tem que ser responsabilizado.”

Isadora acredita que para essa pressão ser feita é preciso entender o que é o nexo causal. A diretora explicou que isso é toda uma cadeia produtiva de racismo que causa o dano e gera o nexo de causalidade. “É a responsabilidade civil que tem que ser imputada e o Estado também tem que pagar por isso e reparar a população negra.”

LEI 10.639/03

Lucimar Dias explicou que, com relação à Lei 10.639, a tarefa da SECADI é incidir sobre as políticas a partir das temáticas trabalhadas. Uma delas é atuar na concepção de educação, de mudança conceitual, de perspectiva, de incidência em toda a educação.

Mas, além disso, entrar na política de alimentação para garantir que quilombolas e comunidades do campo cheguem ao percentual que devem chegar, no transporte escolar, na formação de professores e na formação continuada no campo curricular. “Para o ano que vem, a ideia é construir uma política nacional de formação para educação das relações étnico-raciais”, acrescentou.

Ela garantiu que a SECADI está atuando para reconfigurar a educação a partir de uma base que não seja apenas a troca do eurocentrismo pelo afrocentrismo. “A maior parte da escola pública brasileira é negra, então, é preciso garantir o direito de uma educação que leve o conhecimento a partir das bases que nos constituem como população”, declarou.

Fonte: CNTE

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Pesquisa divulgada no último dia 3, pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), mostra que menos da metade (44%) dos jovens e adolescentes entre 9 e 17 anos têm acesso à internet na escola.

Os dados escancaram mais uma forma de discriminação social no país, capaz de interferir na formação de alunos(as) e gerar desequilíbrio na concorrência para o acesso à universidade e ao mercado de trabalho. O recorte social já deixa clara essa diferença. Entre pessoas da mesma idade nas classes A e B, o percentual dos que navegam na rede sobe para 56%.

A qualidade da conexão é outro fator problemático. Enquanto para 39% das crianças e adolescentes das classes D e E a conexão é considerada ruim, para a mesma faixa etária nas classes A e B, o percentual cai para 18%. Além disso, 22% das mais pobres disseram que a falta de créditos no celular impede o acesso sempre, enquanto 25% apontaram que isso ocorre eventualmente.

A pesquisa reforça uma situação já alarmante no país. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que avaliou 79 países, em 2018, quando o assunto é educação, o Brasil é uma das cinco economias mais desiguais do mundo.

Em determinadas áreas, o diagnóstico é ainda pior: o Brasil é o terceiro país mais desigual em ciência e leitura. O estudo aponta que estudantes de maior poder aquisitivo tiveram um resultado de 100 pontos a mais do que os  mais pobres, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Com isso, o avanço do digital na educação, ao invés de incluir, torna-se uma nova forma de exclusão, como ressalta a secretária de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Guelda Andrade. Para ela, o levantamento do Cetic descortina problemas estruturais na sala de aula.

“A pesquisa mostra o que a CNTE já tem denunciado: a desigualdade no acesso à educação pública. A internet faz parte da organização curricular da escola pública. Quando não se tem acesso na escola e nem em casa, isso aprofunda a desigualdade social, porque irá afetar a disputa por uma vaga de emprego ou na faculdade, por exemplo. Não são dadas condições de acesso iguais para todos e isso é o Estado quem deve prover”, ressalta.

REALIDADES DISCREPANTES

De acordo com o levantamento do Cetic, 74% dos internautas com 16 anos ou mais das classes D e E acessam a internet exclusivamente pelo telefone celular, enquanto apenas 11% dos usuários das classes A e B mantêm o mesmo hábito. Para o segundo grupo, o uso de computador é o recurso principal (66%); e apenas 11% utilizam essas ferramentas na classe E.

Guelda aponta como isso impactou aqueles que estão na base da pirâmide econômica, especialmente durante a pandemia de Covid-19.

“No ápice da crise, vimos essa desigualdade crescer, com muitas crianças disputando, em casa, um celular para assistir aula, porque não tinham acesso ao computador, e lutando pela própria internet, porque muitas famílias dependem de dados móveis para se conectar”, avalia.

De acordo com o Pisa, se entre os usuários das classes A e B, o principal motivo para não acompanhar as aulas no auge da infecção era não conseguir ou não gostar de estudar à distância (43%), para alunos/as das classes D e E, o problema foi a necessidade de buscar um emprego (63%).

A dirigente da CNTE afirma que muitos dos problemas têm raiz em questões transversais como a fome e a violência doméstica. Por isso, indica que é preciso pensar políticas intersetoriais para dar conta dos desafios. Porém, para ela, é fundamental que existam políticas públicas para o setor capazes de dar conta de demandas imediatas.

“Estamos às vésperas da construção de um novo Plano Nacional de Educação e precisamos que seja um programa exequível, com fontes de financiamento para que consigamos avançar na ampliação de vagas e na manutenção dos estudantes na sala de aula, inclusive com a oferta de estrutura, com laboratório, internet e biblioteca. Isso só é alcançado com financiamento público e participação social”, contextualiza Guelda.

DESIGUALDADE TENDE A AUMENTAR

Em entrevista ao jornal O Globo, a chefe de pesquisa do Centro de Pesquisa e Inovação Educacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Tracey Burns, avalia que a desigualdade educacional vai aumentar entre os países e dentro deles.

“Existem três fatores para analisarmos o impacto do aprendizado digital: quem tem acesso? Se você tem acesso, quem tem as habilidades para usar? E quem tem pais que podem ajudar as crianças com as tarefas feitas apenas em casa? Nós já sabemos, por  resultados do Pisa, que crianças entre países e dentro dos países que menos têm acesso, são as que menos têm as habilidades e as que menos têm pais que podem ajudá-las se tiverem problemas. Estou muito preocupada com esse aumento da desigualdade”, afirmou.

ENSINO DOMICILIAR

Com a desigualdade no acesso à internet, projetos como a regulamentação do ensino domiciliar agravam ainda mais o cenário.

Em nota técnica enviada à CNTE, o professor e diretor de pesquisa e avaliação do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), Romualdo Portela, e a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Luciane Barbosa, destacam que o homeschooling não é uma política educacional para todos e não contribui para o enfrentamento ou a redução das desigualdades.

A nota diz que a regulamentação da educação em casa pode prejudicar a educação pública de maneira indireta, já que dissemina um discurso generalizado e intencional de crise da escola pública para desmoralizar o que é público e valorizar o que é privado. Além disso, representa retrocessos à carreira e à profissionalização docente, com a precarização das condições de trabalho dos profissionais da educação.

“A educação pública pode ser afetada de maneira direta ao promover a desvalorização da profissão docente e transferir recursos públicos e esforços que deveriam estar concentrados na melhoria dos sistemas educacionais para uma parcela restrita da população”, aponta trecho do documento.

Fonte: CNTE

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O Comitê Gaúcho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) realizou, nesta terça-feira (9), o ato pela liberdade de expressão, responsabilidade, transparência e contra a desinformação na internet, e a favor do PL 2630, na Sala de Convergência Adão Pretto, da Assembleia Legislativa.

O CPERS, que integra o Comitê, foi representado no encontro pelos diretores da Comissão de Comunicação do Sindicato, Leonardo Preto Echevarria e Sandra Régio.

O Projeto de Lei 2630/20 institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. O texto cria medidas de combate à disseminação de conteúdo falso nas redes sociais, como Facebook e Twitter, e nos serviços de mensagens privadas, como WhatsApp e Telegram, excluindo-se serviços de uso corporativo e e-mail.

As medidas valerão para as plataformas com mais de 2 milhões de usuários(as), inclusive estrangeiras, desde que ofertem serviços ao público brasileiro.

De autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e já aprovado pelo Senado, a proposta tramita na Câmara dos Deputados, com relatoria do deputado, Orlando Silva (PCdoB-SP), em meio a polêmicas.

O diretor do CPERS, Leonardo Preto Echevarria, a diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, Katia Marko, e o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, coordenaram o encontro e leram a “Carta Aberta: regulamentação democrática das plataformas com urgência”, confeccionada pelo Comitê Gaúcho do FNDC e assinada por quase 60 entidades.

>> Clique aqui e confira a íntegra da carta!

Para Preto, a regulação democrática das plataformas digitais são de suma importância para os educadores(as) e a educação pública. “Além de combater as mentiras, a gente vai conseguir impedir que os nossos jovens tenham acesso a grandes inverdades, como, por exemplo, que Hitler era de esquerda”, destaca.

O educador também ressalta os valores milionários que as Big Techs recebem. “É necessário a regulamentação, porque as grandes plataformas retém um poder econômico monstruoso e não tem como a gente combater isso. Além da comunicação ser um direito humano, a democracia enfrenta um viés muito difícil sem a regulamentação das plataformas digitais”, finaliza.

“A regulamentação dessas grandes plataformas é fundamental, porque eles estão faturando e colocando a nossa saúde mental em risco. É o nosso papel, do Comitê, defender o PL 2630”, frisa a diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, Katia Marko.

Para o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, o tema tem que ser debatido, pois é a luta pela democratização da comunicação. “A população não pode ficar refém do que as grandes plataformas divulgam. O que queremos é que seja regulamentado. Se não tiver uma regulamentação, essa farra de Fake News vai continuar”, destaca.

Os deputados estaduais Laura Sito (PT), Sofia Cavedon (PT), Adão Pretto (PT), Estela Farias (PT), a vereadora, Abigail Pereira (PCdoB), e representantes de outras entidades da comunicação também participaram da reunião.

Para o CPERS, aprovar o PL 2630 é combater o discurso de ódio e a violência, fomentados pelas redes sociais, que têm tomado nossas escolas. É urgente responsabilizar e punir, conforme a Lei, todos(as) aqueles que disseminam este tipo de ataque, nas redes ou fora delas.

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A 20ª Semana de Ação Mundial (SAM), maior ação coletiva em prol da educação do planeta, acontece entre os dias 19 e 26 de junho e está com as inscrições abertas até 15 de maio.

A SAM é uma iniciativa realizada simultaneamente em mais de 100 países, desde 2003, com o objetivo de informar e engajar a população em prol do direito à educação. A cada ano, a Semana se dedica a um tema específico relacionado à agenda do Plano Nacional de Educação (PNE). Em 2023, globalmente, a mobilização da SAM marca a necessidade de discussão sobre o financiamento da educação no pós-pandemia.

A SAM acontece por meio de atividades autogestionadas (ou seja, cada um faz a sua, de acordo com seu contexto) em praças, comunidades, escolas, nas ruas, em audiências públicas, etc. Qualquer pessoa que deseja refletir e se engajar pelo direito à educação pode participar.

>> Clique aqui e saiba como participar! 

As inscrições para realizar uma atividade da SAM 2023 e para receber os materiais impressos gratuitamente pelos correios podem ser feitas no link acima. Haverá certificado de participação mediante envio de relatório das atividades realizadas.

Novo PNE e descolonização do financiamento da educação

Com o tema Descolonização do financiamento da educação e o último ano do Plano Nacional de Educação (2014-2024), a SAM 2023 vai promover a participação democrática e a mobilização popular em torno da renovação do PNE, mostrando a importância da atualização da Lei do PNE sem retrocessos e com ousadia para a garantia de uma educação pública de qualidade a todas as pessoas.

Descolonizar o financiamento significa que os Estados devem financiar a educação e devem fazê-lo usando o máximo de recursos disponíveis, sejam eles recursos internos contínuos (PIB, impostos, empréstimos) como externos (cooperação internacional), bem como aqueles que possivelmente poderiam ser mobilizados (através de uma reforma tributária progressiva e outras reformas).

Com uma série de materiais disponíveis no site, como o Manual da SAM 2023 (a ser disponível em breve), a SAM propõe temas a serem trabalhados em atividades autogestionadas realizadas por professores, famílias, responsáveis, estudantes, comunidade educacional, gestores, conselheiros, tomadores de decisão e todas as pessoas preocupadas com a garantia do direito à educação.

Plano Nacional de Educação

Os dias de evento também incluem a data de aniversário do Plano Nacional de Educação (PNE), dia 25 de junho de 2014, quando foi sancionado (Lei 13.005/2014). Assim, a SAM brasileira continua dedicada ao monitoramento da implementação do PNE, que é o nosso principal caminho para que toda a população brasileira possa ter acesso a uma educação pública de qualidade, da creche à universidade.

Este é o último ano do PNE. É também neste ano que o governo federal terá de enviar ao Congresso Nacional um novo Projeto de Lei com o PNE para o próximo decênio — o atual finda sua vigência em junho de 2024.

Junto com os materiais disponibilizados no site da SAM, haverá a divulgação de uma série de cartelas do Balanço do PNE, que atualiza diversos dados educacionais e aponta patamares de cumprimento e, infelizmente e especialmente, de descumprimento de cada uma das 20 metas do PNE. É também um valioso material para as atividades realizadas. Estamos na reta final do período para o cumprimento das metas (2014-2024) e ainda nenhuma delas foi integralmente cumprida.

Inscreva-se na SAM 2023

Para participar, acesse o portal da SAM 2023 e baixe os materiais digitais de divulgação virtual para já começar a mobilização para suas atividades. Basta acessar a aba “Materiais”. Em breve, disponibilizaremos também o Manual da SAM 2023 e mais subsídios.

Assim que realizar as atividades, o participante deve postar as fotos, vídeos e relatos! Assim como divulgar nas redes sociais usando as hashtags #SAM2023, #DescolonizaFinanciamento, #PNEpraValer e #SemRetrocessoComOusadia.

Certificado

Para receber um certificado de participação, o participante deve preencher o formulário no site semanadeacaomundial.org, indicando as atividades que pretende realizar com os materiais de apoio.

Logo após a Semana de Ação Mundial, o participante deve escrever um breve relatório das atividades realizadas, informando também o número de pessoas mobilizadas – anexando fotos e vídeos, autorizando ou negando sua divulgação. Para mais informações, escreva para sam@campanhaeducacao.org.br.

Realização

Campanha Nacional pelo Direito à Educação

Comitê Técnico da SAM 2023

Claudia Bandeira – Ação Educativa
Ana Paula Brandão – ActionAid
Liz Ramos – Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF)
Nesly Lizarazo – CLADE – Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação
Guelda Andrade – CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
Liliane Garcez – Coletivxs
Luana Rodrigues – Escola de Gente – Comunicação em Inclusão
Nelson Cardoso Amaral / Rubens Barbosa de Camargo – Fineduca – Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação
Thais Martins – Mais Diferenças
Ingrid Ribeiro – REPU – Rede Escola Pública e Universidade
Gilvânia Nascimento – UNCME – União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação
Jhonny Echalar – Comitê GO da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Jhonatan Almada – Comitê MA da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Maria Lima – Comitê MS da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Felipe Baunilha – Comitê PB da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Sandra Teresinha – Comitê PR da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Rita Samuel – Comitê RN da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Walterlina Brasil – Comitê RO da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Angelita Lucas – Comitê RS da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Darli de Amorim Zunino – Comitê SC da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Raquel Maria Rodrigues – Comitê SP da Rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação

Apoio

Campanha Global pela Educação
CLADE – Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação
Trindade Tecnologia
Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Ação Educativa
ActionAid
Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF)
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (CEDECA-CE)
Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE)
Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca)
Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Rede Escola Pública e Universidade (Repu)
União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme)
União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)

Fonte: CNTE
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Jovens educadores(as) de todo o estado se reuniram, neste sábado (6), para fortalecer a luta, traçar novas perspectivas políticas na educação e estreitar laços com as demais organizações da juventude e dos movimentos sociais, durante atividade promovida pelo Coletivo Estadual da Juventude do CPERS.

A reunião, que ocorreu na sede do CPERS, em Porto Alegre, também buscou reorganizar os Coletivos Regionais e Estadual do Sindicato.

“O CPERS foi erguido por jovens, que se organizaram, construíram a nossa história e continuam fazendo mobilizações até hoje. A educação é um dos pilares fundamentais de uma sociedade justa e igualitária e temos a responsabilidade de renovar a luta, que só será possível se fortalecermos o Sindicato”, destacou Suzana Lauermann, secretária-geral e diretora do Departamento da Juventude do CPERS.

Suzana também afirmou que, nos últimos anos, há um decréscimo de jovens professores(as) e funcionários(as) de escola, o que se reflete também no número de sócios(as).

“Essa é a nossa realidade atual e os dados são muito preocupantes. Há muitos fatores que contribuem para essa tendência, como a falta de incentivos financeiros, reconhecimento e valorização da carreira, condições precárias de trabalho e o desafio de lidar com o excesso de demandas no ambiente escolar. Temos o papel de reverter essa situação”, frisou.

De acordo com a tesoureira e diretora do departamento da Juventude do CPERS, Rosane Zan, é preciso honrar o passado para haver uma compreensão profunda do desenvolvimento educacional e dos direitos da juventude no presente e traçar novos caminhos para o futuro.

“O CPERS é um sindicato com histórico de lutas. Fizemos inúmeras greves e manifestações. Sempre tivemos esse senso de rebeldia contra o sistema. Precisamos traçar novas perspectivas de mobilização, reconhecendo o que fizemos no passado para construir novos horizontes no futuro”, asseverou Rosane.

Ela ressaltou ainda a necessidade de fortalecer a resistência pela revogação do novo Ensino Médio.

“O novo Ensino Médio foi implantado sem debate com especialistas e comunidades escolares, que são os principais envolvidos no processo. Além disso, a fragmentação do conhecimento e a falta de profundidade em relação às disciplinas fundamentais podem prejudicar a formação dos alunos e aprofundar as desigualdades educacionais”, discorreu.

O encontro teve como convidado, Bruno Vital, coordenador do Coletivo da Juventude da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que debateu sobre o desafio de organizar a luta na atual conjuntura nacional e a participação da juventude dentro das instâncias sindicais.

“Nossa tarefa é fazer com que jovens professores e funcionários de escola possam se aproximar do movimento sindical, estabelecendo uma unidade com novas perspectivas de organização. É preciso pensar na necessária representação da juventude nos sindicatos”, assegurou.

Bruno também destacou que é fundamental fortalecer a organização, formação e capacitação de jovens lideranças dos movimentos sociais e sindicais, bem como o engajamento da juventude na luta pela educação.

“Que possamos discutir a pauta econômica e salário digno mas também que modelo de sociedade queremos para o futuro”, finalizou.

Confira, abaixo, os principais encaminhamentos da reunião:

  • Criação de materiais gráficos, em abordagem mais direta, direcionados para a juventude, sobre questões relevantes aos jovens educadores(as) em início de carreira;
  • Divulgar e mobilizar a base para a Mostra Pedagógica 2023;
  • Realizar uma agenda de visitas aos 42 núcleos, fortalecendo a representatividade no Sindicato;
  • Atrair novos sócios(as) e ampliar a participação da juventude nos movimentos sindicais e sociais

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Os funcionários(as) da educação sofrem com o pior salário do funcionalismo público e lutam pela sobrevivência com uma remuneração que não cobre todas as despesas.

De acordo com o INPC/IBGE, entre novembro de 2014 e fevereiro de 2023, deduzida a Revisão Geral (6%) concedida em 2022, acumulam perdas inflacionárias que ultrapassam 55%, ou seja, já perderam mais da metade do seu poder de compra.

O salário base é tão baixo, no valor de R$ 657,97, que cerca de 12 mil servidores(as) precisam de um completivo, já que não recebem nem o Salário Mínimo Regional.

A manobra cruel de Eduardo Leite (PSDB), de não conceder aumento salarial para esses profissionais, demonstra a incapacidade de entender que a escola não é só formada por professores(as). Existem funcionários(as) que lutam bravamente para torná-la segura, organizada, limpa e com crianças e jovens bem alimentados.

Além de estarem sofrendo com o pagamento, a saúde dos funcionários(as) também está em perigo: a proposta de reestruturação do IPE Saúde tem potencial de atingir diretamente aqueles com menores salários, os obrigando a pagarem valores que não condizem com o que recebem.

Precisamos lutar para que esse retrocesso não aconteça! Agora é hora de EXIGIRMOS a Revisão Geral da Inflação nos salários e nos unirmos a fim de não deixar que a proposta de reestruturação do IPE Saúde seja protocolada na Assembleia Legislativa. 

Vem com o CPERS lutar por um salário digno para os funcionários(as) de escola e por um IPE Saúde público, solidário e de qualidade!

#EmDefesadoIPESaúde

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Não bastassem as salas superlotadas, a falta de estrutura para exercer a profissão e os desafios inerentes a ela, a pressão que a extrema-direita impôs ao trabalho de professores(as), com a perseguição ideológica, fez com que a atuação dos 2,2 milhões de profissionais responsáveis por lecionar na educação básica no país se tornasse ainda mais difícil.

Segundo pesquisa da Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), realizada com 6.775 pessoas das escolas públicas municipais e estaduais entre julho e dezembro de 2022, 71% dos trabalhadores(as) à frente das salas de aula estão estressados pela sobrecarga de trabalho.

O levantamento aponta que o trabalho tem trazido tamanhos desafios que o apoio psicológico a docentes e estudantes é apontado como prioridade. Para 18% dos profissionais, essa questão é a primeira destacada, à frente até mesmo do aumento dos salários.

Abertura de cortinas

A professora de educação infantil na cidade de São Paulo, pedagoga e psicopedagoga, Juçara Vieira Pinheiro, não acredita que a pandemia tenha piorado o cenário, mas trouxe à tona questões que há muito tempo afetam a rotina das escolas.

“A partir do momento em que as famílias tiveram de lidar mais de perto com as crianças e adolescentes, passaram a ver a educação, a escola e a sala de aula de outra forma. Puderam ter noção não apenas das nossas dificuldades estruturais, mas também de como é desafiador estabelecer questões como atenção, disciplina e compromisso, que fazem parte do nosso cotidiano”, avalia.

Segundo Juçara, a sobrecarga de trabalho e o desafio de tentar inovar e buscar outras formas de motivação para manter estudantes na escola ficou nítida para muitas famílias, assim como a precariedade da estrutura oferecida pelo Estado e contra a qual a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) tem historicamente lutado.

A professora destaca que muitas vezes atividades simples como apresentar um vídeo na sala de aula torna-se impossível, seja por falta de cabeamento, de televisão ou de internet de qualidade.

Juçara não está sozinha. Conforme apontou um levantamento da Editora Moderna em julho de 2022, 29,54% dos professores e professoras identificam a falta de infraestrutura e de recursos como o maior desafio na rede pública.

Apagão na profissão

A realidade difícil da profissão tem trazido adoecimento aos professores e professoras. Pesquisa da Nova Escola e do Instituto Ame Sua Mente, de 2022, mostrou que 21,5% dos educadores e educadoras consideram a saúde mental ruim ou muito ruim. Uma situação que piorou em relação a 2021, quando o índice era de 13,7%.

A situação ganha contornos ainda piores com a sensação de medo, acrescida à realidade das escolas a partir de ataques e ameaças ocorridas nos últimos anos.

As dificuldades para quem comanda as salas de aula no Brasil ajudam a explicar a preocupante perspectiva de um apagão na educação. Estudo do Instituto Semesp indicou que o envelhecimento dos professores(as), cuja média de idade é acima dos 50 anos, subiu 109% entre 2009 e 2021. No mesmo período, houve a queda de 42,2% no número de docentes de até 24 anos, em início de carreira. Caso essa tendência continue, o Brasil pode ter um déficit de 235 mil profissionais em todas as etapas da educação básica até 2040.

Para Juçara, além das questões estruturais e das condições de trabalho, há ainda um aspecto social de desrespeito que precisa ser discutido.

“Quando eu era pequena, ouvia que devíamos respeitar os professores como respeitamos nossos pais em casa. Isso foi se perdendo não só com o professor, mas com toda pessoa mais velha. Não temos mais cuidado com quem tem sabedoria ou habilidade para nos orientar. Estamos perdendo respeito com o outro. De seis, sete anos para cá, as discussões extremistas colocaram os professores no alvo e essa é uma das razões de estarmos adoecendo. A profissão está menos atrativa. A responsabilidade para reverter esse cenário é de toda a sociedade, desde o Estado, até as famílias e nós mesmos, que precisamos estar comprometidos com a responsabilidade sobre a formação das crianças e jovens”, analisa.

>> Leia mais: Experiência nos EUA demonstra que militarização das escolas não impede ataques

Fonte: CNTE

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No último dia 24 de abril, o Ministério da Educação (MEC), de forma açodada e sem consultar a comunidade educacional brasileira sobre seu conteúdo, lançou a Consulta Pública sobre a “avaliação e reestruturação da Política Nacional em Ensino Médio”.

Anunciada ainda no mês de março como resposta do MEC à enorme insatisfação e pressão da sociedade contra o Novo Ensino Médio (NEM), a Consulta Pública, além de representar um recuo do Ministério em sua posição inicial de manter inalterada a Lei 13.415/2017 – aprovada ainda no governo golpista de Michel Temer –, tem como objetivo tácito dar sobrevida a essa proposta que não encontra adesão junto aos(às) profissionais da educação e ao conjunto da sociedade brasileira que frequenta e defende a escola pública, gratuita, democrática, de qualidade social e para todos e todas.

A revogação da antirreforma do ensino médio é a única possibilidade aceitável para dar conta de tantos ataques promovidos por uma legislação que, sem meias-palavras, interessa somente a setores privados, ávidos por parcerias que escoam os recursos públicos da educação, e às elites produtivas que desejam mão de obra barata e formada através de currículos escolares mínimos, pasteurizados, desarticulados e acríticos.

A CNTE, junto às suas 52 entidades filiadas em todo o Brasil, defende que, ao contrário do propagado por esses setores interessados no NEM, temos, sim, propostas de tornar essa etapa do ensino brasileiro mais atrativa e includente, de modo a atender a grande maioria da população brasileira. Não nos interessa voltar ao antigo Ensino Médio. Mas devemos reconhecer que o NEM é ainda pior do que o que tínhamos antes e, por isso, trata-se de uma reforma irreformável.

A luta pela revogação do NEM, instituído não apenas pela Lei 13.415, mas pelas resoluções do Conselho Nacional de Educação, pela BNCC do Ensino Médio e pela BNC-Formação de Professores, precisa caminhar junto com alternativas de substituição desse arcabouço legal e normativo que ampara a antirreforma do ensino médio. E a CNTE não se furtará em participar do debate público do NEM, através da Consulta do MEC. Buscaremos intervir com qualidade e subsidiando os/as profissionais da educação e demais segmentos da comunidade escolar, a fim de disputarmos o melhor modelo de educação para a nossa juventude e o Brasil.

As propostas da CNTE para o Ensino Médio se pautam em princípios da Constituição Federal de igualdade de condições de acesso e permanência na escola e de garantia do padrão de qualidade para todos/as (art. 206, I e VII da CF), observando o dever do Estado em ofertar esta e outras etapas e modalidades da educação básica a todos/as que não tiveram acesso na idade própria, seja em turnos diurnos ou noturno regular, este último adequado às condições do educando, e possibilitando o acesso de todos/as aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um (art. 208, I, V e VI da CF).

Neste sentido, até o próximo dia 20 de maio, a CNTE divulgará seu Manual de Orientação para a Consulta Pública sobre o NEM, prazo este que se antecipa ao cronograma de audiências públicas do MEC nas cinco Regiões do País, e à própria conclusão da Consulta Pública. Por isso, solicitamos aos/às profissionais da educação que aguardem as orientações da CNTE para só depois enviarem suas respostas à consulta.

Brasília, 03 de maio de 2023
Direção Executiva da CNTE

Fonte: CNTE

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Em outubro de 2022, os 32 Tribunais de Contas da União se uniram para visitar e avaliar a infraestrutura das escolas no país e identificaram que 57% das salas de aula são inadequadas.

Os números são assustadores: 31% das escolas visitadas não tinham coleta de esgoto, 8% não possuíam coleta de lixo e 82,38% das cozinhas não possuíam alvará da Vigilância Sanitária para funcionamento.

O estudo referenda a pesquisa da Editora Moderna, de julho de 2022 , na qual professores do ensino fundamental apontavam a falta de infraestrutura como o maior desafio da rede pública, à frente da falta de suporte familiar e das dificuldades no ensino remoto e da adaptação dos materiais à realidade dos alunos.

Falta o básico

A fiscalização encontrou também 63% das escolas sem bibliotecas, mesmo índice entre as que não possuem sala de leitura. O percentual de unidades que não possuem laboratório ou sala de informática é ainda maior, 88%.

Para a coordenadora regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (SINTE-SC), Carla Delfino, o sucateamento das escolas é parte de um projeto de desmonte da educação para favorecer as classes média e alta no país.

“Quanto mais sucateada a escola pública, melhor para quem estuda na escola privada. Afinal, tudo que a família do estudante da escola privada quer é uma vaga na excelência do ensino superior público, porque é nas universidades públicas onde se encontram a graduação, a pesquisa e a extensão de qualidade”, analisa.

Segundo ela, em muitas unidades escolares, para que possam dar aula, os professores precisam exercer o papel de servente, com varrição de salas e limpeza de áreas alagadas. A precariedade, conforme ela, afeta diretamente a qualidade do ensino. “Qual aluno ou aluna aprende com fome, com calor extremo, com frio, com chuva caindo em suas cabeças?”, enfatiza Carla.

Ela conta que o SINTE-SC recolhe as reclamações dos professores, pais e alunos e encaminha um relatório com as denúncias para a Secretaria de Educação. Muitas escolas realizam o mesmo procedimento, por meio das Coordenadorias Regionais, mas não possuem autonomia para resolver grande parte das demandas.

Resistência

Em Santa Catarina, os trabalhadores e trabalhadoras de uma escola indígena não retornaram às aulas enquanto a Secretaria da Educação não atendeu as reivindicações sobre pisos que cediam, falta de salas de aula e um currículo que não contemplava a cultura indígena xokleng.

A denúncia sobre a precariedade da escola Vanhecú Patté, que fica na Aldeia Bugio em José Boiteux, foi apresentada pelo SINTE-SC no início de março à gerência regional e à Secretaria Estadual de Educação.

A situação não é diferente no Piauí, conforme explica a presidenta do SINTE-PI, Paulina de Almeida. A dirigente afirma que no estado em que imperam as altas temperaturas, muitas salas não estão climatizadas e outras que estão não usam porque o sistema elétrico da escola não é adequado para usar ar-condicionado, equipamento que exige potência e energia, além de possuírem alto custo.

Além disso, ela explica que muitas unidades escolares foram derrubadas para que ocorresse uma reestruturação, mas não foram retomadas. Em outras, a reforma transformou espaços de intervalo em salas de aula. Quando cobrado, o governo se esquiva e aponta a empresa responsável pela obra como a culpada pela lentidão no processo de conclusão das obras.

Para Paulina, isso dificulta ainda mais tornar a escola um ambiente motivador e de permanência de alunos e alunas.

“O projeto no país não é de uma escola pública de qualidade, mas sim de abrir espaço para justificara  militarização e a privatização do ensino e para que os filhos da classe trabalhadora não tenham acesso à educação de qualidade”, critica.

Leis progressistas, políticas atrasadas

A bióloga e professora Elisabeth de Mello Canto Matos, afirma que a superlotação das salas torna quase impossível professores e professoras darem conta da demanda de salas com alunos e alunas mais ativos e que necessitam de um modelo de educação em que sejam protagonistas da construção de conhecimento.

Isso incluiria a disponibilidade de equipamentos digitais capazes de aumentar a interação e o interesse pela permanência nas escolas.

Para ela, o cenário está diretamente associado ao modelo de desenvolvimento do país e não pode ser dissociado do processo de estruturação do sistema capitalista.

“Quando estudamos o desenvolvimento da educação pública no Brasil, percebemos que o projeto é para que ela não eduque. Ela sempre foi encarada como educação de massas e formação básica para a mão de obra de subemprego e desempregados. Esse sistema educacional cumpre o papel legado pelo mercado. Portanto, não é um fracasso escolar, mas um projeto bem-sucedido de formação de pessoas mal educadas, despreparadas, que não são capazes de exercer protagonismos sociais com relevância política. Só importa que trabalhem e consumam”, diz Elisabeth.

Elisabeth avalia ainda que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996, assim como a maior parte da estrutura educacional e pedagógica, é eficaz. O problema está na aplicação desse conteúdo.

“A LDB fala sobre a gestão democrática, o protagonismo juvenil, mas é um sistema hipócrita em que as leis, discursos e narrativas oficiais passam longe da realidade. Por exemplo, a elaboração do projeto político e pedagógico deveria ser comunitário, com participação real de estudantes, familiares e protagonistas das comunidades do entorno das escolas. Mas, poucas escolas o elaboram e quando o fazem é apenas para cumprir a burocracia, de forma autoritária, com um coordenador pedagógico que escreve sozinho, geralmente copiando e colando da internet. Um documento que trata dos objetivos daquela escola, da concepção de educação, das prioridades e critérios para utilização de recursos é sistematicamente ignorado.

Apesar de tudo, otimismo

De acordo com pesquisa realizada pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec) realizada no início de abril deste ano, 59% dos brasileiros e brasileiras acreditam que a educação irá melhorar nos próximos quatros anos.

Em quatro meses, o atual governo fez mudanças na área, com a vinculação do Bolsa Família à frequência escolar de crianças e adolescentes, promoveu  o reajuste na merenda escolar, congelada há seis anos, e aumentou bolsas de graduação, pós-graduação, iniciação científica e do programa Bolsa Permanência.

Para Carla Delfino, mesmo com os esforços do governo federal, o cenário da educação no país somente mudará com a mobilização. Inclusive porque gestores estaduais e municipais têm autonomia para escolher muitas das diretrizes orçamentárias e dos recursos disponibilizados pela União.

“A categoria tem que entender que o sindicato somos todos, todas e todes nós. Não será somente a direção da entidade que resolverá alguns impasses no gabinete do secretário ou do governador. A luta se faz com a categoria mobilizada, seja para trocar a fiação elétrica que não comporta o ar-condicionado e a internet da escola ou pela aplicação do aumento do piso do Magistério. Nossa luta envolve mobilização de toda a categoria”, conclui.

Fonte: CNTE
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