Dados da Pnad Contínua 2022 apontaram que apenas uma em cada quatro pessoas com deficiência conseguiu concluir a educação básica obrigatória no país. Cerca de 63% dessa parcela, com até 25 anos, não concluíram nem o ensino fundamental, e a taxa de analfabetismo desse grupo da população atingiu os 19,5%.

Segundo a pesquisa, cerca de 18,6 milhões de brasileiros, a partir de dois anos de idade, possuem alguma deficiência. Isso significa que 8,9% da população necessita de alguma ajuda específica para garantir sua participação ativa diária no convívio da sociedade.

O Governo Federal sancionou em 2016 a Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146, como instrumento de garantia para crianças e jovens com  deficiência possam ter recursos de acessibilidade que potencializam o seu desenvolvimento e habilidades. Entretanto, segundo a pesquisa, quando se trata de educação, pessoas com deficiência ainda apresentam  dificuldades em atingir o nível de escolaridade adequado.

Para a secretária de Políticas Sociais da CNTE, Ivonete Cruz, ainda faltam condições para que a inclusão ocorra de fato e de direito, necessitando a ação de políticas públicas que garantam essa efetivação. “Essas condições passam por questões das garantias estruturais das nossas escolas e de pessoal preparado para atender as especificidades de cada deficiência”, diz.

Segundo ela, muitas escolas brasileiras ainda não dispõem de estrutura para receber pessoas com deficiência auditiva e com mobilidade limitada, por exemplo. Ela conta que, além da falta de rampas de acesso que substituam as escadas e calçadas altas que inviabilizam a locomoção, há a necessidade de condições materiais e humanas que permitam a aprendizagem dessas pessoas.

Falta formação adequada 

Entre os(as) educadores(as) regentes do Brasil, cerca de 94% não possuem formação para a educação especial, aponta o Ministério da Educação (MEC). A região Nordeste, indicada pela PNAD com o maior índice de pessoas com deficiência analfabetas, é também destacada com o menor percentual de educadores(as) especializados(as) no país, com 3,7%. São cerca de 23.614 professores(as) com formação continuada sobre Educação Especial na região.

“O direito à educação pública, gratuita e de qualidade para todas as pessoas ainda é um grande desafio[…] não basta garantir o acesso, é necessário garantir a permanência e o avanço nas etapas da educação”, ressalta Ivonete.

Invisibilidade

A presença de pessoas com deficiência fica cada vez menor conforme o nível de educação vai subindo. De 25,6% que concluíram o ensino médio, o grupo diminuiu para 7% em relação à conclusão do ensino superior. Entre crianças de 6 a 14 anos com deficiência, 95.1% frequentava a escola; entre jovens de 15 a 17, a quantidade de pessoas desse grupo caiu para 84,6%, e entre grupos de 18 a 24, apenas 24,3% ainda estudavam.

“Para as pessoas com deficiência, os desafios para garantir o direito à educação é ainda maior por vários motivos e, a meu ver, o maior deles é a invisibilidade delas”, declara Ivonete.

Ela conta que, no Brasil, a garantia do direito à educação pública e de qualidade tem sido uma questão determinante na manutenção da desigualdade educacional, uma vez que ainda há milhões de pessoas sem acesso a escolas que lhes garantam o aprendizado. Entretanto, ressalta, quando se trata de pessoas com deficiência, a negação da garantia, do acesso e da aprendizagem aprofunda ainda mais a desigualdade entre as pessoas com e sem deficiência.

Ainda entre aqueles com  o mesmo nível de instrução de pessoas sem deficiências, a escolaridade não foi o suficiente para contornar a desigualdade.

Dados da pesquisa apontaram que entre as pessoas com deficiência com nível superior, 54,7% integravam a força de trabalho, comparado com 84,2% de pessoas sem deficiência.

Ivonete reforça  a importância do respeito  à Lei de Cotas para o acesso ao serviço público e o combate ao capacitismo que ainda dificultam a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho formal.

“Precisamos vencer o preconceito de que as pessoas com deficiência são incapazes e que, portanto, não possuem as habilidades necessárias para desenvolver determinadas tarefas”, salientou.

Segundo ela, medidas de ordem legal, que fortalecem políticas públicas para pessoas com deficiência, já têm sido implementadas, como, por exemplo, a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência de 2006 e a regulamentação da Política Nacional de Educação Especial na perspectiva inclusiva de 2008, que garante a matrícula de estudantes com deficiência em turmas regulares, contribuindo para o rompimento da segregação das pessoas com deficiência.

Mas ainda há um desafio de levar a pauta aos espaços de Conferências Extraordinárias de Educação, para construir diretrizes no Plano Nacional de Educação 2024-2034, e aprovar metas e estratégias que garantam, de fato, o direito à inclusão através do  acesso e da permanência de todas(os).

Fonte: CNTE 

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🚨 ATENÇÃO, CATEGORIA 🚨

Devido à previsão de grande volume de chuva e visando a segurança de todos(as), o CPERS e a Frente dos Servidores Públicos (FSP) informam que o Dia de Paralisação e o Ato Público Unificado, marcados para esta terça-feira (26), estão cancelados.

Seguimos mobilizados e em solidariedade aos atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

As entidades que compõem a FSP se reunirão para definir uma nova data na próxima semana. Fique atento às nossas redes para mais informações!

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Na tarde desta sexta-feira (22), representantes da Direção Central do CPERS reuniram-se com a secretária de Educação, Raquel Teixeira, na sede da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), em Porto Alegre, para tratar de temas específicos e urgentes, repassados pela categoria ao Sindicato.

Situação dos educadores(as) atingidos pelas enchentes, recursos para a participação dos diretores(as) de escola no Seminário do Programa Jovem de Futuro, participação em atividade sindical e a anistia das greves de 2017 e 2019 foram as principais pautas do dia.

>> Confira, abaixo, o ponto a ponto dos principais temas tratados nesta reunião: 

>> Seminário Programa Jovem de Futuro:

Nos últimos dias, o CPERS recebeu diversas mensagens preocupadas de diretores(as) das escolas estaduais reportando um ofício recebido com orientações para participação em uma formação do Instituto Unibanco, que será realizada na próxima terça-feira (26), em Porto Alegre.

Segundo o documento, as instituições deveriam utilizar a verba de autonomia financeira para custear o deslocamento, a alimentação e a hospedagem dos educadores(as) na capital, verba que já é escassa e que custeia diversas urgências nas escolas, motivo pelo qual os diretores(as) demonstraram tamanha preocupação com o tema.

Segundo Raquel, esta orientação está realmente incorreta e as escolas não devem utilizar esta verba para o custeio dos gastos. Um e-mail com a errata será enviada às CREs com o direcionamento correto. Os diretores(as) devem fazer um levantamento dos gastos e repassar às coordenadorias para que seja efetuado um ressarcimento dos custos.

>> Participação em atividade sindical:

Outro tema de extrema importância, tratado no encontro, foi quanto à liberação de professores(as) e funcionários(as) de escola para participação nas atividades sindicais.

A advogada Daniela Heller, representando a assessoria jurídica do CPERS (escritório Buchabqui e Pinheiro Machado), reforçou que o estado do Rio Grande do Sul fere a legislação estadual ao não conceder a anistia das faltas mediante o atestado de participação em atividade sindical.

Segundo ela, o direito dos servidores(as) públicos de participação em assembleias e outras atividades, regularmente convocadas, está em pleno exercício do direito à liberdade sindical, nos termos do artigo 64, inciso XVI da Lei Complementar 10.098/94.

Para solucionar a questão, foi acordado que o jurídico do CPERS elaborará um documento sobre a questão legal e o mesmo será avaliado por representantes da Seduc e da PGE.

>> Anistia das greves de 2017 e 2019: 

Os dirigentes do Sindicato reforçaram que diversos educadores(as) estão enfrentando problemas nos pedidos de aposentadoria e também nas solicitações de licença-prêmio, devido à morosidade do governo em lançar no Portal do Servidor RHE a anistia das greves de 2017 e 2019, conforme o acordo firmado entre as entidades no último ano.

Segundo os representantes da Seduc, o problema foi repassado à Sefaz, mas a secretária solicitou à sua adjunta que o tema seja tratado com a maior agilidade.

>> Situação dos educadores(as) atingidos pelas enchentes:

Durante o encontro, a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, fez um apelo à secretária para que olhe pelos educadores(as) que sofrem com as graves enchentes em diversos pontos do Rio Grande do Sul.

“Precisamos conversar sobre como ficará o ponto de quem perdeu tudo. Temos colegas que ficaram somente com a roupa do corpo, como eles vão retornar para as escolas nesta situação?”, indagou a dirigente.

A secretária Raquel afirmou que o Estado está tomando todas as providências possíveis quanto ao tema e que um olhar especial para esses profissionais está garantido. Ela ainda informou que está em tratativas diretas com representantes do Ministério da Educação (MEC), após o ministro Camilo Santana disponibilizar recursos e auxílio federal para as escolas atingidas.

Ao fim, foi acordado que o CPERS enviará à Seduc um levantamento de professores(as) e funcionários(as) de escola afetados pelo problema, conforme deliberação do Conselho da entidade, realizado na manhã desta sexta (22).

Representando o Sindicato, além da presidente, participaram a secretária-geral, Suzana Lauermann, e os diretores(as) Amauri Pereira, Alda Souza, Carla Cassais, Leonardo Preto Echevarria e Juçara Borges.

Representantes de diversos setores da Seduc também estavam presentes no encontro, que foi breve, em função de outra agenda da secretária, mas ao final, o CPERS já solicitou uma nova reunião para tratar de outros temas urgentes à categoria, como a situação dos funcionários(as) de escola. Fique atento às nossas redes para saber mais!

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Com o objetivo de enfrentar os cruéis ataques de Eduardo Leite (PSDB) ao funcionalismo público, os conselheiros(as) do CPERS reuniram-se na manhã desta sexta-feira (22), na sede do Sindicato, para traçar estratégias contra o projeto desumano da atual gestão.

Participação massiva no dia de paralisação e ato público unificado, chamado pela Frente dos Servidores Públicos (FSP), na próxima terça-feira (26), formas de auxiliar os educadores(as) atingidos pelas enchentes e a luta contra a municipalização foram algumas das pautas definidas no encontro.

No dia 26, dia de mobilização e solidariedade, os educadores(as) somam-se aos demais servidores(as) públicos estaduais. Na ocasião, estarão mobilizados pela Revisão Geral dos Salários, pelo reajuste do Salário Mínimo Regional, pelo fim dos descontos previdenciários dos aposentados(as), pela retirada da Insalubridade e do Local de Exercício do completivo dos funcionários(as) da educação e contra a PEC 32.

As entidades convidam, aqueles que puderem, que levem doações de materiais escolares, fraldas e outros mantimentos, que serão distribuídos para quem mais necessita, neste momento de grande tristeza no Rio Grande do Sul.

>> Saiba mais sobre o dia paralisação e ato público unificado

Confira, abaixo, as propostas de mobilização aprovadas no Conselho Geral desta sexta-feira (22):

1- Participar da Paralisação no dia 26 de setembro de 2023, junto à Frente dos Servidores Públicos Estaduais, pelo Reajuste Já, Aumento do Salário Mínimo Regional, Contra a PEC 32, pelo Fim do Desconto Previdenciário dos Aposentados e pela Retirada da Insalubridade do Completivo dos Funcionários. Este ato será também de solidariedade com as vítimas das enchentes, através da coleta de doações de material escolar e de higiene pessoal, como fraldas geriátricas, fraldas infantis, absorventes, etc…

2 – Realizar, através dos Núcleos, o levantamento de professores(as) e funcionários(as) atingidos pelas enchentes e enviar para a Secretaria Geral até o dia 29/09/2023;

3 – Realizar campanha contra a municipalização, em defesa da autonomia financeira, administrativa e pedagógica das escolas, fortalecendo a resistência e realizando uma pesquisa de como ficou a situação dos colegas após a municipalização;

4 – Moção de Solidariedade a todas a vítimas e suas famílias, atingidas pelas enchentes;

5 – Seguir na luta pela realização de Concurso Público que contemple as áreas faltantes do Concurso 01/2023 e que inclua os Funcionários(as) de escola;

6 – Exigir que o IPE SAÚDE reveja a situação dos descredenciamentos de médicos e hospitais, principalmente nas cidades pequenas, onde não tem outras opções para consulta;

7- Exigir que os participantes de atos e atividades sindicais não tenham prejuízos no ponto, visto que a grande maioria são funcionários(as) e professores(as) contratados(as) e não querem perder o dia de trabalho por medo de perder o contrato;

8 – Seguir exigindo que o Governo Leite preencha todo o quadro funcional das escolas;

9 – Seguir pressionando o STF pelo julgamento do fim do desconto previdenciário dos aposentados, buscando também a devolução dos valores corrigidos já descontados;

10 – Não a terceirização de professores e funcionários;

11- Pressionar para que os professores selecionados do Concurso 01/2023 sejam nomeados logo;

12 – Fortalecer a autonomia pedagógica, administrativa e financeira das escolas, garantindo a Gestão Democrática e não permitir que o projeto de tutores pedagógicos influencie negativamente nas escolas;

13- Seguir a luta para que seja pago o adicional de penosidade para funcionários que trabalham em escolas prisionais;

14 – Manifestação do Conselho Geral sobre a importância da atenção as questões ambientais para prevenir desastres ambientais, principalmente por parte dos municípios;

15 – Lutar pela manutenção das escolas de magistério;

16 – Continuar a luta do reajuste do piso nacional para professores e funcionários agregando na luta com municipais;

17 – Lutar pela oferta de matrícula nos anos iniciais;

18 – Formação sindical para uma nova cultura de luta, envolvendo os ativos e inativos da categoria;

19 – Continuar a luta pela revogação do Novo Ensino Médio;

20 – Mobilizar às escolas para rejeitar a “tutoria”, imposta pela Seduc, para auxiliar nas escolas;

21 – Cobrar da SEDUC o abono do ponto da efetividade dos professores e funcionários de escola que estejam impossibilitados de trabalhar em razão do estado de calamidade pública do RS, provocado pelas enchentes e temporais;

22 – Denunciar a Parceria Pública Privada do RS, através do Instituto ICE com as escolas em tempo integral, que fere a autonomia administrativa e pedagógica destas escolas;

23 – Exigir do governo o fim do processo de enturmações da EJA;

24 – Realizar no conselho de outubro PPPs, municipalização e privatização.

Porto Alegre, 22 de setembro de 2023.
Conselho do CPERS/Sindicato.

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✊🏾 Dia 26 vai ser de luta e de solidariedade!

Na próxima terça-feira (26), a partir das 9h, o CPERS e a Frente dos Servidores Públicos (FSP) somam forças, na Praça da Matriz, em Porto Alegre, por #ReajusteJá e em solidariedade aos gaúchos e gaúchas atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Às 14h, ocorrerá o Ato Público Unificado, em frente ao Palácio Piratini.

Convidamos, aqueles que puderem, que levem doações de materiais escolares, fraldas e outros mantimentos para ajudarmos a quem mais necessita, neste momento de grande tristeza em nosso estado.

Na ocasião, estaremos mobilizados pela Revisão Geral dos Salários, pelo reajuste do Salário Mínimo Regional, pelo fim dos descontos previdenciários dos aposentados(as) e contra a PEC 32.

Contate o seu núcleo, chame os seus colegas e compartilhe esta mensagem! Juntos(as), vamos mostrar que queremos um futuro digno para todos(as) e não aceitaremos mais retrocessos.

>> Confira, no vídeo, o recado da presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer:

>> Contate o seu núcleo e mobilize-se!

1º – Caxias do Sul – 54.3223.2431
2º – Santa Maria – 55.3221.7262
3º – Guaporé- 54.3443.1232
4º – Cachoeira do Sul – 51.3722.3985
5º – Montenegro – 51.3632 2654
6º – Rio Grande – 53.3232.8685
7º – Passo Fundo – 54.3313.2247
8º – Estrela – 51.3712.1798
9º – Santo ngelo – 55.3312.3755
10º – Santa Rosa – 55.3512.1564
11º – Cruz Alta – 55.3322.3184
12º – Bento Gonçalves – 54.3452.4775
13º – Osório – 51.3663.1886
14º – São Leopoldo – 51.3592.4968
15º – Erechim – 54.3522.1637
16º- São Borja – 55.3431.2647
17º – Bagé – 53.3242.4122
18º – Santa Cruz do Sul – 51.3713.1588
19º – Alegrete – 55.3422.2944
20º – Canoas – 51.3476.2656
21º – Uruguaiana – 55.3412.2734
22º – Gravataí – 51.3488.3712
23º – Santana do Livramento – 55.3242.3654
24º – Pelotas – 53.3225.2166
25º – Lagoa Vermelha – 54.3358.2559
26º – Frederico Westphalen – 55.3744.3441
27º – Três Passos – 55.3522.1917
28º – Soledade – 54.3381.1130
29º – Santiago – 55.3251.2602
30º – Vacaria – 54.3231.2308
31º – Ijuí – 55.3332.9711
32º – Taquara – 51.3542.1489
33º – São Luiz Gonzaga – 55.3352.2859
34º – Guaíba – 51.3480.3022
35º – Três de Maio – 55.3535.1942
36º – Cerro Largo – 55.98453.7847
37º – Carazinho – 54.3331.3551
38º – Porto Alegre – 51.3227.4143 / 3062.4146
39º – Porto Alegre – 51.3221.2380
40º – Palmeira das Missões – 55.3742.1373
41º – São Gabriel – 55.3232.5860
42º – Camaquã – 51.3671.5081

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Em um cenário de desafios constantes e ataques à educação, orquestrados por Eduardo Leite (PSDB), o debate sobre políticas públicas para a saúde mental das educadoras torna-se crucial para o Rio Grande do Sul, sobretudo no mês que marca a campanha de prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo.

Nesta terça-feira (19), o CPERS abordou o tema e seu impacto na vida das professoras, professores e demais funcionárias e funcionários da educação, tanto da ativa quanto aposentadas(os), em transmissão ao vivo pelo Facebook e YouTube.

Em meio a um cenário de tensão e desgaste emocional, a diretora do departamento de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora do CPERS, Vera Lessês, destacou a importância de um olhar diferenciado por parte dos governantes, das autoridades educacionais e da mantenedora.

“No estado do Rio Grande do Sul, profissionais da educação têm enfrentado desafios significativos que afetam não apenas suas condições de trabalho, mas também sua saúde emocional. A falta de valorização salarial e o desrespeito têm gerado impactos profundos na categoria”, frisou.

Vera também pontuou que o IPE Saúde, atualmente, não cobre questões relacionadas à saúde psicológica e emocional. Essa lacuna tem deixado os trabalhadores(as) sem o suporte necessário para lidar com o estresse e as pressões da profissão, algo que se tornou ainda mais evidente durante a pandemia.

Por isso, o CPERS tem firmado parcerias com profissionais da saúde mental com a finalidade de diminuir este abismo.

Durante a live, o 1º vice-presidente do CPERS e diretor do departamento de Saúde da Trabalhadora e Trabalhador do Sindicato, Alex Saratt, saudou o dia 19 de setembro, que marca o aniversário de Paulo Freire, um nome fundamental na educação pedagógica e libertária.

“A contribuição de Paulo Freire para o mundo da educação não pode ser subestimada, pois ele trouxe um novo olhar sobre o ensino, colocando o ser humano no centro do debate”, asseverou.

Alex também ressaltou que é necessário registrar políticas de valorização do trabalho na área da educação. A sensação de não serem reconhecidos(as) pelo importante desempenho que realizam nas escolas afeta profundamente a autoestima e a motivação, resultando em uma categoria que se sente emocionalmente esgotada, além de salarialmente desvalorizada.

“É fundamental compreender que a valorização do trabalho educacional vai além do reconhecimento financeiro; envolve também o acesso a serviços de saúde de qualidade, como o IPE Saúde e o SUS.É imperativo que trabalhemos juntos para criar um ambiente de trabalho seguro e livre de situações de violência, onde os educadores possam desempenhar seu papel de forma plena e eficaz. Isso não apenas beneficia os profissionais da educação, mas também tem um impacto positivo direto na qualidade da educação que oferecemos aos nossos alunos”, frisou Alex.

A professora Francisca, diretora da Saúde das Trabalhadoras e Trabalhadores em Educação da CNTE, destacou que a questão da saúde, em todos os seus aspectos, deve ser prioridade, e isso inclui a saúde física e mental dos educadores e educadoras.

“É fundamental abordar a valorização profissional, que engloba diversos aspectos. A jornada de trabalho adequada, o desenvolvimento de carreira, o reconhecimento e o respeito são elementos essenciais para garantir o bem-estar dos profissionais da educação. É um desafio complexo que exige uma abordagem abrangente”, explicou Francisca.

A professora Francisca também explanou que, atualmente, o sistema capitalista enfrenta uma crise profunda em todo o mundo, agravada pela crise econômica e sanitária trazida pela Covid-19. Essa situação impactou profundamente a saúde mental da população brasileira, refletindo-se em números preocupantes de suicídios e agravando os problemas de saúde mental.

“Em alguns estados, o trabalho remoto não foi implementado adequadamente, enquanto em outros, a ‘plataformização’ do ensino cria desafios diários, com a constante mudança de ferramentas, que geram dificuldades de adaptação”, destacou.

Francisca também pontuou que muitas pessoas passaram a trabalhar mais do que o habitual, enfrentando uma pressão extremamente séria e uma sensação de vazio e tristeza profunda. Essa situação trouxe problemas sérios e danos sociais significativos.

A busca por ajuda profissional é fundamental para a cura

A psicanalista clínica, Caroline Morais, explicou que o Brasil enfrenta uma crescente crise de saúde mental que requer nossa atenção urgente. 

“Porto Alegre é uma das cidades mais afetadas por esse cenário sombrio. Observamos um número alarmante de diagnósticos de depressão, especialmente entre jovens, crianças e adolescentes, que estão lutando contra essa doença cruel e, em alguns casos, tentando o suicídio. É importante destacar que os idosos e as mulheres também estão entre os grupos mais afetados”, pontuou Caroline.

Caroline também explicou que as causas desse aumento preocupante são variadas e complexas. Agressões psicológicas, sofrimento no trabalho, síndrome de burnout e horários exaustivos têm contribuído para a sobrecarga emocional que muitos trabalhadores(as) estão enfrentando.

“É essencial buscar ajuda profissional. Um médico psiquiatra e a terapia são recursos importantes para lidar com a depressão e outros problemas de saúde mental. A cura pela fala, o desabafo e a possibilidade de compartilhar seus sentimentos com alguém que possa ajudar são passos cruciais na jornada rumo à recuperação. Estou à disposição para ajudar”

Por fim, psicanalista clínica destacou que é fundamental que todos(as) estejam cientes de que existem recursos e ajuda disponíveis. O SAMU, os prontos-socorros e hospitais estão à disposição, assim como o Centro de Valorização da Vida, através do número 188, que oferece atendimento gratuito e emergencial para aqueles que estão à beira de cometer um ato desesperado e precisam desabafar com alguém a qualquer hora do dia.

Fique atento aos sinais ao seu redor. Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil, não hesite em procurar ajuda. O apoio está disponível, e a vida é preciosa demais para ser perdida. Você não está sozinho nessa jornada. 

➡️ Para atendimentos presenciais aos sócios(as):

>> Consultório da Dra. Caroline Morais:
Travessa Leonardo Truda, nº 40, centro de Porto Alegre.

>> Caroline Morais (Atendimento online e presencial em Porto Alegre)

Telefone: (51) 991810000

Instagram: @psicanalista.carolinemorais

>> Confira a live completa no link abaixo:

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O CPERS expressa o veemente repúdio aos atos de violência perpetrados pela Guarda Municipal, no último sábado (16), em Porto Alegre, contra a Deputada Estadual Laura Sito (PT) e militantes de movimentos sociais que participavam de uma ação de solidariedade ao Movimento Nacional de Luta por Moradia da Ocupação Resistência, na Rua dos Andradas.

Manifestamos nosso profundo repúdio e indignação à política do prefeito Sebastião Melo (MDB) e à Guarda Municipal de Porto Alegre, que utilizou spray de pimenta, lançou bombas de gás e balas de borracha contra nossos companheiros e companheiras.

A agressão física e a intimidação de representantes eleitos pelo povo e de cidadãos e cidadãs engajados em causas sociais são absolutamente inaceitáveis em um Estado democrático de direito. Tais atos atentam não apenas contra a integridade física e moral dos indivíduos envolvidos, mas também minam a confiança na instituição encarregada de garantir a segurança e o bem-estar da população.

Ressaltamos a importância do diálogo, do respeito às liberdades individuais e coletivas e da promoção de um ambiente democrático e inclusivo em nossa sociedade. A violência e a repressão não são instrumentos legítimos para resolver conflitos ou reprimir manifestações pacíficas.

Instamos as autoridades responsáveis a conduzirem uma investigação rigorosa e transparente sobre o ocorrido, de modo a garantir que os responsáveis pela agressão sejam devidamente responsabilizados perante a Lei. Além disso, exortamos a revisão de protocolos e treinamentos da Guarda Municipal de Porto Alegre, visando assegurar que tais incidentes não se repitam no futuro.

Neste momento delicado, expressamos nossa solidariedade à Deputada Estadual Laura Sito (PT), aos militantes agredidos e a todos aqueles que defendem a justiça social e a democracia em nosso país. Reafirmamos nosso compromisso com a promoção dos direitos humanos e com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva para todos(as).

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O Brasil é um dos países que menos investiu em educação entre os anos de 2019 e 2020. É o que aponta o relatório Education at a Glance 2023, divulgado na terça-feira (12) – Acesse aqui a pesquisa em inglês.

A pesquisa levanta dados da educação dos países membros e parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como Alemanha, Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Uruguai, Venezuela, Japão, entre outros. “O financiamento adequado é um requisito essencial para proporcionar uma educação de alta qualidade”, diz o relatório.

De acordo com os resultados da pesquisa da OCDE, o investimento no Brasil para cada estudante brasileiro, em 2020, foi de cerca de US$ 4.306 por aluno, aproximadamente R$ 21.000,00 (vinte mil). Já os  outros países da OCDE registraram um investimento médio de US$ 11.560 no mesmo ano, aproximadamente R$57.000,00 (cinquenta e se mil). Os valores correspondem aos investimentos feitos desde o ensino fundamental até a educação superior.

Para o presidente da CNTE, Heleno Araújo, o desempenho da pesquisa reflete os frutos do golpe de 2016 e 2018 e da Emenda Constitucional nº 95 de 2016, que inflamaram a queda dos investimentos na educação. “O Estado brasileiro está devendo ao seu povo a regulamentação do Custo Aluno Qualidade (CAQi) (já aprovado na Lei do Plano Nacional de Educação). É uma vergonha e um crime cometido contra os nossos estudantes e a educação pública a não regulamentação do CAQi”, declarou.

No geral, entre 2019 e 2020, o nível de investimento em educação feito pelo Brasil encolheu. Segundo a pesquisa, a despesa total das nações ligadas à  OCDE com a educação tiveram um crescimento de 2,1% nesses anos. Apesar de pequeno em relação aos investimentos feitos em todos os outros serviços desses países, no Brasil os recursos destinados ao setor apresentaram queda, diminuindo 10,5% em comparação a outros serviços, que aumentaram 8,9%. Um dos motivos apontados pela OCDE foi a pandemia de Covid-19.

Em sua maioria, os países membros da OCDE, um grupo de países referência em desenvolvimento humano e PIB per capita, dispõe de 3% e 4% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para investimento nos ensinos Fundamental e Médio, chegando a menos de 5% do PIB na Colômbia e em Israel.

A porcentagem do investimento do Brasil não consta na edição do relatório, mas é estabelecida por lei, através do Plano Nacional de Educação (PNE), que o país disponibilize pelo menos 10% do seu PIB para investimentos na educação até 2024.

Entretanto, a situação entre 2019 e 2020 foi bem diferente do que o planejado no PNE. Segundo dados do relatório de monitoramento da lei, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2022, os investimentos do PIB brasileiro em educação mal atingiram 5,5%, e em educação pública, 5%. Para o Inep, os recursos foram “bem distantes das metas estabelecidas pelo PNE”. De acordo com o Instituto, “os resultados apontam para uma grande dificuldade dos entes em aumentar o orçamento destinado à educação”, completou.

De acordo com Heleno, esses investimentos são essenciais para que as escolas do país possam estar completamente adequadas para receber, garantir a permanência e contribuir com a formação cidadã e profissional dos(as) estudantes.

A queda de investimento, comenta, acaba por prejudicar o processo pedagógico trabalhado em sala de aula. “Dados estão aí revelados: abandono escolar, baixo índice de alfabetização das crianças, escolas inadequadas para desenvolver o processo de ensino aprendizagem, excesso de contratações temporárias, terceirizações aos montes e os(as) estudantes sem aprender”, criticou.

Profissionais da educação

Um dos pontos abordados pelo relatório,  afetados pelo baixo investimento do governo federal na educação, diz respeito aos trabalhadores(as) em atividade, mais especificamente em mantê- los na profissão, garantindo a valorização dos mesmos no mercado profissional. Conforme a pesquisa, muitos países da OCDE não possuem o ensino como uma carreira financeiramente atraente.

Para o texto, “salários competitivos são cruciais para reter professores(as) e atrair mais pessoas para a profissão, embora outros fatores também sejam importantes”, cita a OCDE.

No Brasil, Heleno relata que é comum que prefeitos(as) burlem a Constituição Federal e as Leis da educação, contratando professores com outras denominações para atuarem na educação infantil e, desta forma, não pagar o piso salarial. Segundo ele, escolas pelo país também apresentam um percentual elevado de contratações temporárias, em que os gestores não são obrigados a pagar o piso salarial e os direitos trabalhistas, lembrou.

“Isso acaba promovendo um achatamento na nossa carreira profissional, desestimulando quem está na rede a estudar e a se atualizar e desmotiva a juventude, que não deseja mais ser professor ou professora”, lamenta.

O que é o relatório da OCDE?

A pesquisa Education at Glance organiza informações sobre como anda a educação em todo o mundo. Nos seus resultados, o relatório apresenta dados sobre a estrutura, finanças e desempenho do sistema educativo de cada país da OCDE, em países candidatos e parceiros da Organização.

Com informações da Agência Brasil 

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O CPERS, por meio do Departamento de Gênero e Diversidade, repudia veemente a atitude dos estudantes do curso de Medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), em São Paulo, que protagonizaram cenas repugnantes durante uma partida de vôlei feminino.

O caso ocorreu entre os dias 28 de abril e 1º de maio, durante o torneio Calo 2023, em São Carlos, no interior do estado, mas ganhou repercussão somente neste domingo (17), após um vídeo de repúdio ao ato viralizar nas redes sociais.

As imagens mostram aproximadamente 20 homens correndo no entorno da quadra com as calças abaixadas, simulando uma “Volta Olímpica”, enquanto tocam suas partes íntimas. Já em outro vídeo é possível ver os estudantes na plateia, assistindo ao jogo feminino e simulando uma masturbação coletiva.

Nesta segunda-feira (18), a Unisa expulsou seis estudantes identificados no vídeo, mas ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. 

O Departamento de Gênero e Diversidade do CPERS exige que todos os estudantes sejam responsabilizados pelos crimes cometidos, em uma conduta inaceitável. Não podemos tolerar que casos como esse continuem acontecendo.

Reforçamos ainda a necessidade de repensarmos e promovermos uma nova política pedagógica, que fortaleça a luta por uma educação não sexista, como forma de construirmos práticas sadias e respeitosas, livres de preconceito e violência.

O Sindicato reitera o seu compromisso contra qualquer tipo de violência de gênero. Seguiremos na luta para que as mulheres estejam seguras em qualquer espaço, seja na universidade ou na escola. Lugar de mulher é onde ela quiser!

Foto: BLOG BG

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Coordenador pedagógico na EEEF 29 de Outubro, localizada no município de Pontão, Doutor em Educação e membro do Coletivo de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Rio Grande do Sul (MST/RS), Munir Lauer, é figura ilustrativa da potência que as escolas do Campo são, em essência.

Em entrevista ao CPERS, o educador destacou os interesses neoliberais que regem o atual projeto político do governo estadual e ressaltou o papel da pedagogia desenvolvida no Campo na resistência dos paradigmas do mercado empresarial.

“Visualizar o Campo, como parte integrante do mundo, e não apenas, como aquilo que resta além das cidades” é o que propõe Prof. Munir ao refletir sobre a construção educacional dentro do MST, que caminha em paralelo com a luta pela terra, e ao alertar sobre os riscos da municipalização das escolas do Campo.

>> Confira a conversa com o especialista:

CPERS: Prof. Munir, a educação do campo tem sido colocada à margem nos últimos governos estaduais, desde a gestão de Sartori (MDB) até a atual administração de Eduardo Leite (PSDB). Quais políticas públicas são mais urgentes e merecem atenção do poder estadual? 

Munir: A Educação do Campo no Rio Grande do Sul passa por um período de estagnação quanto a políticas públicas. E a pauta de reivindicações sinaliza o quanto as escolas do Campo, carentes de apoio governamental, seguem resistindo a todas as agruras deste período nebuloso. Para romper com tal situação, seria necessário retomar a modalidade das Escolas do Campo, aprovada em diretrizes do Conselho Estadual de Educação (Resolução 342/2018), que foram esquecidas na atual política educacional no RS.

É pertinente garantir o transporte escolar das crianças assentadas, em que os contratos com os municípios e empresas licitadas fossem realizados em tempo hábil para o início de cada ano letivo. É emergente também a formação dos educadores(as). As escolas do campo têm recebido em seus espaços professores(as) sem formação específica à modalidade, dificultando uma sequência no Projeto Político Pedagógico inerente ao campo. Ligado a isso, é imprescindível que a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) incentive esse processo formativo dos educadores(as) das escolas do Campo e, em especial, das áreas de assentamentos, liberando os professores(as) para formações organizadas pelos movimentos sociais do campo, pelas organizações populares e pelas universidades. 

Quanto ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), há solicitações no sentido de que as compras dos produtos industrializados não perecíveis das cooperativas da agricultura familiar e reforma agrária sejam centralizadas nas Coordenadorias Regionais de Educação. Assim, haveria uma diminuição na burocracia, e principalmente, facilitaria a distribuição nas escolas, já que se trata de produtos que podem ser estocados por mais tempo. 

Outra demanda, trata da infraestrutura das escolas do Campo, que em muitas situações requerem manutenção ou construção de prédios novos. Mas a falta de investimento público ou descaso faz desta situação uma luta permanente na busca de melhorias. 

No sentido pedagógico, se requer ainda debates aprofundados sobre a multisseriação de turmas nas escolas. Normalmente, tal situação, com exceções, não leva em consideração preceitos pedagógicos ou de processos de ensino aprendizagem, mas meramente preocupações com a redução de carga horária e diminuição de custos. Sabemos que em muitas situações, a multisseriação é uma forma de manutenção do funcionamento das escolas, porém, a falta de diálogo com a comunidade escolar sobre o assunto desmerece o trabalho pedagógico das instituições. 

Entretanto, é a municipalização das escolas uma das temáticas que tem tomado maior tempo nos debates internos das escolas do Campo e nos Coletivos de Educação. A municipalização pode ferir drasticamente nosso trabalho pedagógico. Em muitas escolas do Campo, são os professores(as) estaduais que mantêm ativas as concepções filosóficas e pedagógicas da Educação do Campo. Ao haver uma mudança nos recursos humanos das escolas, profundas mudanças aconteceriam na relação com o entorno comunitário e com o desenvolvimento do próprio Projeto Político Pedagógico construído pelos sujeitos do Campo, e para eles. 

Tais demandas, que indicam a falta de políticas públicas, resumem os principais problemas enfrentados pelas escolas do Campo na contemporaneidade. Adversidades que, conjugadas ao mesmo tempo, nos mesmos espaços e territórios, nos dão uma ideia da resistência diária dessas instituições.

CPERS: A educação no estado, de maneira geral, tem sido fortemente negligenciada pelo projeto político do atual governador. No entanto, as escolas indígenas e do campo têm estado ainda mais isoladas do debate e investimento públicos. Por que tu achas que não há interesse do estado gaúcho em fortalecer o projeto educacional pensado pelos movimentos do campo?

Munir: Para responder tal questionamento, tomarei como embasamento teórico algumas concepções encontradas no livro – A escola não é uma empresa – de Christian Laval. O projeto político do atual governo estadual recebe influência das ideias do capital financeiro na educação, ou seja, a educação compreendida como mercadoria, algo que pode ser comprado e vendido. A escola nessa concepção intenta um modelo que condiciona a educação como um bem necessariamente privado, cujo sentido existencial está na obtenção do lucro econômico. Neste sentido, o capital humano deve ser rentável para as empresas, isto é, a empreitada educativa necessita do retorno financeiro. 

Por isso das avaliações externas: a educação precisa ser medida e contabilizada, para ver se está dando lucro, se é necessária, se é útil ou inútil. E neste contexto de retorno financeiro, as reformas da educação pressionam para uma padronização dos métodos de ensino-aprendizagem e dos conteúdos, para um novo gerenciamento das escolas e para a profissionalização dos professores(as). Neste cenário, há o fortalecimento do capital humano e do empreendedor individual. “O homem e a mulher flexíveis, o trabalhador autônomo” como ideal pedagógico. 

Assim, a escola passa a apresentar um propósito: o de estar a serviço da economia de mercado, que parte da premissa – “que tipo de empregados(as) que as empresas desejam?”. E a resposta trata-se de “técnicos competentes e, ao mesmo tempo, ignorantes socialmente”, sem visão crítica do que acontece na sociedade. Contudo, não podemos esquecer que esse modelo é recusado por numerosos indivíduos, grupos, movimentos, associações, sindicatos e instituições no mundo inteiro. E a pedagogia das escolas do Campo, na sua gênese, justamente, tem esse propósito, como território de resistência aos paradigmas do mercado empresarial. 

Em razão do exposto, a inexistência de políticas públicas para Educação do Campo no RS explica-se de forma que veem o campo como local de atraso e de espaço sem custo-benefício, baseando-se numa visão extremamente preconceituosa de seus sujeitos e comunidades. Desta forma, a política de fechamento de escolas objetiva o envio destes sujeitos do campo para a cidade, para ser mão de obra barata, mas profissionalmente técnica e “competente”. Para o Deus-mercado, as escolas do Campo são empecilhos para o desenvolvimento da educação-mercadoria, pois não resultam em lucro. 

Quanto à escola e seus professores(as), recai a necessidade de compreender que nesse momento, mais do que nunca, há a essencialidade de um trabalho de formação humana, de cidadãos críticos. Esse objetivo é fortemente atacado pelo setor empresarial, visto que o mercado fortalece a competição entre os sujeitos na sociedade, e consequentemente, proporciona sua alienação subjetiva e social. 

A própria manutenção de escolas do Campo em seus territórios, como espaço de formação humana, são acima de qualquer pretensa teoria filosófica ou pedagógica um ato de resistência e esperança. Aliás, tais palavras – resistência e esperança – estão muito presentes no vocabulário contemporâneo dos educadores(as) do Campo. De certa forma, representam bem o sentimento da categoria, ou seja, resistir aos ataques empresariais do capital financeiro e almejar um futuro melhor para a educação pública.

CPERS: Qual a importância de modelos pedagógicos específicos para a educação do Campo, como a Pedagogia da Alternância e a Pedagogia do Movimento? 

Munir: É importante destacar que a Pedagogia do MST é um processo construído pelos próprios sujeitos e para eles. Algo surgido de dentro para fora. Fruto de muita luta. A história de educação do Movimento caminha em paralelo à luta pela terra e pela Reforma Agrária. Foi a aglutinação de experiências em escolas de acampamentos e assentamentos, apoiada por universidades, governos progressistas, organizações sindicais e sociais e indivíduos da sociedade civil, que forjou uma concepção de educação amparada em princípios filosóficos e pedagógicos. 

Na sua essência, fruto de discussões, reflexões e da intencional aproximação entre educação e formação, a educação no MST possui cinco princípios filosóficos: 1) Educação para a transformação social; 2) Educação para o trabalho e a cooperação; 3) Educação voltada para as várias dimensões da pessoa humana; 4) Educação com/para valores humanistas e socialistas; 5) Educação como um processo permanente de formação e transformação humana. 

A partir destes princípios filosóficos e de outras treze resoluções pedagógicas, bem como à conquista gradual de assentamentos, foi possível o desenvolvimento de uma outra escola, uma escola diferente que exigia também um professor diferente, com outra formação. Com a mesma obstinação em ocupar e conquistar terras, decidiram criar a Escola da Terra, onde expandira-se uma educação deste lugar, do Campo. 

Este novo contexto social, aos poucos, também despertou o olhar das universidades e dos centros de pesquisa, que começaram a elaborar metodologias e produzir referenciais teóricos que dessem conta de compreender essa nova formatação da realidade, que se desenvolvia no campo brasileiro. Visualizar o campo, como parte integrante do mundo, e não apenas, como aquilo que resta além das cidades, era algo inovador. Assim, desse ponto de vista, os Sem Terra foram refletindo e ponderando com os outros povos do campo, quilombolas, indígenas e camponeses, sua concepção de saber que se esboçou na Conferência Nacional “Por Uma Educação Básica do Campo”, realizada em 1998. Desta forma, portanto, surge a Educação do Campo, tendo suas concepções amparadas na Pedagogia do MST. 

O principal programa de educação do Campo é o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). O Pronera é uma política de Educação do Campo realizada em áreas da Reforma Agrária, efetivada pelo governo brasileiro. O objetivo principal é fortalecer o mundo rural como território de vida em todas as suas dimensões. Este Programa nasceu em 1998, a partir da luta dos movimentos sociais e sindicais de trabalhadores rurais pelo direito à educação com qualidade social. Em virtude do Programa, milhares de jovens e adultos, trabalhadores e trabalhadoras das áreas de Reforma Agrária têm acesso ao direito de alfabetizar-se e de continuar os estudos em diferentes níveis de ensino, desde a alfabetização até ensino superior.

E quando se trata de educação, uma das metodologias de organização de ensino mais utilizadas nas escolas do Movimento é a Pedagogia da Alternância. Esta, estabelece diferentes experiências formativas distribuídas ao longo de tempos e espaços distintos, almejando como finalidade a formação profissional. A reflexão em torno da alternância é a de pensar o campo a partir dos próprios sujeitos e de uma escola que responda aos interesses dos educandos. E concomitantemente, possibilite uma formação direcionada para a sua realidade, qualificação técnica para viabilizar o fortalecimento da agricultura camponesa e oportunização de alternativas de resistência e permanência nestes territórios. 

Em resumo, pode-se dizer que a Educação do Campo é resultante de concepções orgânicas do MST, mas também de outros agentes sociais que participaram do processo de construção histórica. Somado a isto, apresenta-se a Pedagogia da Alternância, como metodologia de organização de ensino e aprendizagem, direcionado aos sujeitos do Campo. Campo escrito com o ‘C’, em maiúsculo, para destacar claramente o sentido de identidade e de pertencimento àquele espaço territorial. 

CPERS: Que iniciativas estão sendo implementadas no Campo que poderiam servir de referência para a construção do Plano Nacional de Educação (PNE), por exemplo?

Munir: Ao longo dos seus 40 anos, a serem completados em 2024, o MST possui como intencionalidade o direito à educação pública nos espaços, onde os trabalhadores(as) Sem Terra se encontram. Segundo dados do próprio Movimento, até o momento, o MST já alfabetizou 100 mil adultos no Brasil em campanhas de educação de jovens e adultos (EJA), baseadas no método de alfabetização cubano “Sim, eu posso” e no Círculo de Cultura de Paulo Freire. 

A prioridade é que os acampamentos e assentamentos organizados pelo MST tornem-se territórios livres do analfabetismo, de modo que o jeito de fazer a luta por educação esteja inerente à luta pela terra, tendo como centralidade reflexiva o cotidiano dos trabalhadores(as) do campo. 

Quanto à educação superior, o Pronera destina verbas específicas objetivando o acesso de jovens em instituições federais. No estado, há três exemplos disto: o curso de Agronomia, com ênfase em agroecologia (em Pontão, pela UFFS), o curso de História (em Viamão, também, pela UFFS), e o curso de Medicina Veterinária (em Pelotas, pela UFPEL). 

Conforme dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no período entre 1998 até 2018, o Pronera ofertou aproximadamente 500 cursos em parceria com 94 instituições de ensino, atendendo cerca de 190 mil pessoas, desde a educação de jovens e adultos até programas de pós-graduação. 

Nesse sentido, numa visão de efetividade teórica e prática, as duas iniciativas apresentam experiências riquíssimas, servindo como exemplos de concretude para políticas públicas eficazes e de simbolismo, no que diz respeito à luta permanente pelo acesso à educação pública. Ambas as iniciativas acarretam contribuições significativas para um Plano Nacional de Educação.

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