No encerramento do 3º Encontro Estadual de Funcionários, centenas de educadores aprovam Carta por valorização e direitos


O segundo e último dia do 3º Encontro Estadual de Funcionárias(os) da Educação do CPERS, realizado nesta quinta-feira (24), em Porto Alegre, teve como ponto principal a aprovação da Carta em defesa destes trabalhadores(as).

De forma unânime, centenas de educadoras e educadores aprovaram o documento que tem como título “Respeito e valorização a quem move a educação” e reivindica os justos direitos desta parcela tão significativa da categoria.

Para dar início às atividades, houve a apresentação dos grupos de dança “Sempre Ativas”, composto por educadoras aposentadas do 38º e 39º Núcleos (Porto Alegre) e “As Marias”, grupo do 24º Núcleo (Pelotas). Ambos participantes do Desafio de Danças Folclóricas Internacionais, iniciativa realizada durante os Encontros de Aposentados(as) do Sindicato.

Em seguida, a psicóloga Mayte Raya Amazarray, ministrou a palestra “Violência e assédio moral nos ambientes de trabalho”. 

“O assédio moral é uma forma de violência extrema, que causa imensos danos e prejuízos, tanto que é classificada pela Organização Mundial da Saúde como um grave problema de saúde pública”, explicou.

“A violência psicológica, quando acontece de forma repetida, é classificada como assédio moral no trabalho. Ela atinge as pessoas na sua integridade física e psíquica e os efeitos são de muitos danos às pessoas e às relações. Os colegas e o ambiente de trabalho, como um todo, são atingidos”, destacou.

Entre as condições que caracterizam o assédio moral, Mayte destacou vivências de humilhação e de ofensa à dignidade, com possíveis constrangimentos e efeitos sobre a saúde e o bem-estar. “Algumas categorias profissionais, servidores públicos, por exemplo, sofrem violências e assédios estruturais”, pontuou.

Por fim, a psicóloga apontou os níveis de prevenção e de enfrentamento, a diversidade de estratégias e as políticas antiassédio e deixou algumas questões para a reflexão dos participantes, que também relataram situações chocantes que já vivenciaram em suas escolas. 

IPE Saúde e IPE Prev: mudanças e consequências

Dando sequência às atividades do dia, os educadores(as) acompanharam dois debates sobre temas de extrema relevância para a categoria, as mudanças no IPE Saúde e os serviços do IPE Prev. 

A diretora e representante do CPERS no Conselho Administrativo do IPE Saúde, Vera Lessês, expôs as principais mudanças no Instituto, após a aprovação da Lei Complementar (LC) 15.970/2023, aprovada em julho deste ano. 

A educadora apresentou diversos dados do Instituto, como o número de usuários(as) – que representa quase um milhão de gaúchos e gaúchas -, a quantidade de profissionais e instituições credenciadas, além de tabelas de coparticipação, referentes ao PAC e ao PAMES. 

“Esse ano, o governo impôs e a Assembleia Legislativa aprovou uma nova reestruturação do IPE Saúde, que piora muito a situação dos servidores. Isso ocorre porque, por exemplo, passará a ser cobrada a taxação dos nossos dependentes. A verdade é que o governador tornou o IPE Saúde atrativo para quem ganha mais e pesou no bolso daqueles que ganham menos”, expôs.

Já o 2º vice-presidente do CPERS e representante do Sindicato no Conselho de Administração do IPE Prev, Edson Garcia, explanou sobre questões referentes ao Instituto de Previdência. Entre os aspectos salientados, o dirigente ressaltou a estrutura organizacional de algumas das atividades realizadas pela autarquia, além das previstas nas legislações específicas. 

“A intenção em dividir os institutos de Previdência e Saúde não foi a de somar, mas sim de nos onerar ainda mais. Vendemos a nossa força de trabalho para recebermos em troca o que nos é de direito, um salário digno e benefícios sociais, mas na realidade não é isso que ocorre. Ainda bem que temos a força da nossa categoria, representada pelo CPERS, para fazer a luta necessária pelos nossos direitos”, frisou.

Absurdo: projeto-piloto do governo coloca em risco o futuro dos funcionários da educação

Durante o Encontro, a diretora do Departamento de Funcionários(as) da Educação do CPERS, Juçara Borges, denunciou ainda mais um ataque do governo Eduardo Leite (PSDB) contra os funcionários(as) de escola e a educação pública do Rio Grande do Sul.

“Ontem o governo anunciou um convênio de parceria público-privada, que será implantado em 2025, onde 100 escolas estaduais terão sua administração cedida para a iniciativa privada.  Através de um contrato com duração de até 30 anos, essas empresas farão a manutenção das instituições. São postos de trabalho que corremos o risco de perder. Temos que lutar ainda mais contra esses ataques”, afirmou.

Unidade na luta por direitos e valorização 

O encerramento do evento foi marcado pela emoção e o firmamento do compromisso com a resistência em defesa da educação, por valorização salarial e respeito a todos os funcionários(as) de escola, através da aprovação da Carta do 3º Encontro Estadual de Funcionárias(os) da Educação do CPERS. 

As diretoras do Departamento de Funcionários(as) da Educação do Sindicato, Sônia Solange Viana e Juçara Borges, realizaram a leitura do documento, que foi aprovado por unanimidade.

“Construímos a Carta a partir de tudo que foi colocado pelos funcionários durante este Encontro. Tivemos dois dias de debates intensos e muito ricos. Saímos muito gratos e fortalecidos para seguirmos firmes na defesa intransigente dos direitos dos funcionários da educação”, afirmou a diretora Sônia.

>> Clique aqui para conferir a íntegra da Carta do 3º Encontro Estadual de Funcionárias(os) da Educação do CPERS

Após o encerramento do evento, representantes da direção central do Sindicato e da categoria, dirigiram-se ao Palácio Piratini para realizar a entrega da Carta. O secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, não se encontrava, mas receberá os educadores(as) na próxima semana.

No local, a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, destacou a importância do documento e reforçou que o Sindicato fará a pressão necessária para a urgente valorização desta parcela essencial da categoria. 

“Essa carta de reivindicações, construída nos dois dias de Encontro, por mais de 400 funcionários, será entregue ao núcleo duro do governo para nós podermos fazer essa cobrança e garantir os direitos dos nossos funcionários, que são invisíveis para o governo, mas nunca para o CPERS”, destacou.

O Encontro também contou com a presença da tesoureira do CPERS, Rosane Zan, da secretária-geral, Suzana Lauermann, e dos diretores Cássio Ritter e Amauri Pereira da Rosa.

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