Nós, professoras(es) e funcionárias(os) de escola, ativas(os) e aposentadas(os), vivemos condições insuportáveis, sem dinheiro para a comida, contas ou remédios.

O governo de Eduardo Leite (PSDB) tem recursos suficientes para garantir salários dignos. De acordo com informações publicadas pela Secretaria da Fazenda, analisadas pelo Dieese, a arrecadação do ICMS cresceu 9,6% no primeiro semestre de 2024.

A arrecadação de ICMS aumentou 19%, no acumulado do ano até abril, em comparação com o mesmo período de 2023. Em maio, houve uma queda de 12,3%, seguida por uma redução de 3% em junho, resultando em um incremento total de R$ 2 bilhões no ICMS no primeiro semestre deste ano.

Enfrentamos perdas salariais que passam dos 60%. Estamos endividadas(os) e muitas(os) de nós fomos afetadas(os) diretamente pelas enchentes. Mesmo assim, estamos ajudando a reconstruir escolas em todo o Rio Grande do Sul, enquanto entidades empresariais recebem ajuda para se recuperar.

E nós, que sofremos com essa crise salarial por anos, como ficamos? Dinheiro tem! O que falta é vontade política e respeito por quem educa!

Revisão Geral dos Salários

No relatório de Gestão Fiscal do 1º quadrimestre de 2024, declarado pelo governo Leite (PSDB) e analisado pelo Dieese, mostrou que a Receita Corrente Líquida do RS cresceu R$ 7,8 bilhões (15,4%), enquanto as despesas com pessoal aumentaram apenas R$ 941,8 milhões (3,8%) no acumulado de 12 meses.

Isso resultou em uma queda significativa na proporção de gastos com pessoal em relação à Receita, conforme previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A proporção caiu de 48,81% para 43,91%, sendo o limite prudencial 46,55% e o máximo é 49%.

Estar abaixo dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal permite à administração conceder Revisão Geral às servidoras(es), sem infrações ou justificativas pelo ente. Com base nos dados dos últimos 12 meses até abril de 2024, verificou-se espaço para reajustes dentro do limite prudencial, no montante de R$ 1,54 bilhão e R$ 2,98 bilhões, respeitando o limite máximo.

Em situações de calamidade pública, os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal são flexibilizados. Isso permite ao governo estadual mais tempo para ajustar as contas sem penalidades ou constrangimentos. As educadoras(es), com os menores salários entre as servidoras(es) no RS, enfrentam perdas salariais de 63,17% (INPC/IBGE) desde 2014 devido à falta de reposição da inflação. Diante disso, fica a pergunta: será que a educação é realmente uma prioridade para Eduardo Leite (PSDB)?

PL 2531/21: reconhecimento justo para as(os) funcionárias(os) de escola

O CPERS está pressionando o governo federal para assumir os compromissos referentes ao Projeto de Lei 2531/21, que estabelece o Piso Salarial para todas(os) as(os) profissionais da educação.

O Piso para servidoras(es) de escola com nível médio pode atingir 75% do piso salarial do magistério. Atualmente, as funcionárias(os) de escola do RS recebem um salário base de vergonhosos R$ 657,97. Com o Piso, subiria para R$ 1.908,57 o nível 1, grau A, da tabela salarial das servidoras(es) de escola, um justo reconhecimento pelo trabalho árduo realizado. A aprovação do PL 2531/21 não pode mais esperar!

Fim dos descontos previdenciários das aposentadas(os) já

Professoras(es) e funcionárias(os) aposentadas(os) dedicaram suas vidas ao ensino, plantando sementes de conhecimento e amor pela educação. Agora, na hora de desfrutar de um merecido descanso, sofrem com descontos brutais em seus parcos salários.

Essas educadoras(es) estão enfrentando perdas salariais que ultrapassam 60% desde 2014, além do confisco mensal da previdência sobre seus proventos, que, em muitos casos, equivale a um salário inteiro perdido ao longo de um ano. Elas também lidam com aumentos no desconto mensal do IPE Saúde e uma inflação de medicamentos que, nos últimos 12
meses até maio, foi de 6,23%, o dobro do índice geral da inflação (3,34%).


Segundo o Relatório de Gestão Fiscal do 1º quadrimestre de 2024 do estado, analisado pelo Dieese, as despesas com pessoal aposentado reduziram em R$ 231 milhões, uma queda de 1,4%. Nesse mesmo período, a receita aumentou em R$ 7,8 bilhões, representando um acréscimo de 15,38%.

Em junho, o STF debateu a inconstitucionalidade dos descontos da Reforma da Previdência (EC 103/19) de Bolsonaro (PL). Com um placar inicial de 7 x 3 contra os descontos, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, adiando a decisão. O CPERS continua pressionando pelo reconhecimento da inconstitucionalidade e pela restituição dos
valores confiscados. Seguimos juntas(os) na defesa dos direitos das(os) aposentadas(os), hoje e sempre!

Por valorização salarial, CPERS promove Assembleia Geral e Ato conjunto com a FSP no dia 12 de julho

Nesta sexta (12), às 9h, em frente ao Palácio Piratini, vamos nos reunir em um grande Ato Estadual com a Frente dos Servidores(as) Públicos (FSP). Às 13h30 (primeira chamada) e às 14h (segunda chamada), teremos a Assembleia Geral do Sindicato na Casa do Gaúcho. Nossa pauta é urgente: Revisão Geral dos Salários, Piso Salarial para funcionárias(os) de escola (PL 2531/21), e fim do desconto previdenciário das aposentadas(os). Contate seu núcleo e mobilize-se!

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A escola não é uma empresa nem a educação um bem do capital. Policiais militares não são educadores e nunca estiveram no rol de profissionais autorizados a exercer esta função pública tão relevante. A autoria pedagógica do professor é decisiva para pensar as mudanças na educação e na escola.

As reformas empresariais da educação avançam em vários estados brasileiros em duas perspectivas concomitantes: privatização da educação básica e militarização. Estados como Paraná, São Paulo e Brasília são as mais expressivas evidências do momento.

Está em curso a implementação de um sistema de desfinanciamento gradual do sistema escolar estatal e fortalece-se o mercado educacional na direção da extinção do sistema público da educação. Trata-se de um programa conservador (da direita) que quer privatizar tudo e eliminar ao máximo o Estado.

Para o especialista e estudioso do tema, professor Luiz Carlos de Freitas (Unicamp), esta ação visa facilitar o cumprimento do programa libertariano:

a) permitir maximizar o controle sobre o conteúdo e forma das escolas colocando-as nas mãos de agentes ideologicamente seguros (empresas, incluindo as confessionais ligadas às religiões), maximizando dessa forma o controle ideológico sobre a escola; e

b) também permite criar um patamar de operação para as escolas privadas que aumente as margens de lucro e o interesse pela exploração econômica da educação.

Desde o início do século XXI vêm crescendo e se intensificando as tendências de críticas à escola e, principalmente, à escola pública e aos educadores. As razões são variadas, mas uma se sobrepõe: expansão sem precedentes de uma “indústria global da educação”, fortemente calcada no digital, com ofertas privadas, mas interessada sobretudo na produção de conteúdo, materiais e instrumentos de gestão para a educação pública.

Chistian laval, autor de A escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público, afirma que a evolução mercantil do serviço educativo não se explica somente pelo aspecto ideológico. Ela se inscreve no processo em curso de liberalização das trocas e no desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação em escala mundial. A tendência do período é colocar em competição mais direta os sistemas educativos nacionais, em um mercado global. Nesta perspectiva, a instituição escolar estatal seria enviada para o lixo da história.

Por mais que alguns pais e mesmo professores acreditem em um mundo competitivo, os estudantes e jovens também precisam ser competitivos, é preciso ter responsabilidade e reconhecer que haverá consequências não somente ao acesso no direito à educação pública, a aprendizagem e desenvolvimento integral do estudante, mas na saúde mental de estudantes perdedores e ganhadores. Não podemos colocar nossas juventudes em jaulas de competitividade.

Vivemos em uma constante competição, que separa o mundo entre “ganhadores” e “perdedores” que esconde privilégios e vantagens. Esta corrida por desempenho e status social transforma o colega em um adversário e provoca enorme frustração e sofrimento quando não se transforma em um dos poucos vencedores.

Outra grande consequência é o aumento da ansiedade, depressão e mesmo a escalada de casos de suicídio entre crianças e jovens, conforme diversos estudos rigorosos realizados no mundo todo e mesmo no Brasil.

Diversas são as causas para toda esta angústia estudantil e juvenil, como as crises econômicas, climáticas, uso excessivo de celulares (geração smartphone), jogos, autodiagnósticos simplistas, não sendo necessário a educação meritocrática e de desempenho agravar ainda as preocupações estudantis como seu presente e futuro.

A privatização e a militarização agravam este cenário para a grande maioria de estudantes matriculados (86%) na educação básica que possuem apenas uma oportunidade: a escola pública de qualidade e necessariamente democrática.

Preocupados, mais de uma centena de entidades da sociedade civil e acadêmica se manifestaram publicamente contra o Programa de Militarização das escolas públicos, alertando e argumento para os graves danos à educação, tais como:

– “Por sua natureza disciplinar voltada para a promoção da obediência à hierarquia ancorada em bases militares, a militarização fere princípios constitucionais do ensino, como a liberdade de aprender e ensinar, o pluralismo de ideias, a valorização de profissionais da educação e a gestão democrática (Constituição Federal, art. 206, incisos II, III, V e VI); fere o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade de crianças e adolescentes (Estatuto da Criança e do Adolescente, art. 15, 16 e 18-A); e o respeito à identidade e à diversidade individual e coletiva da juventude (Estatuto da Juventude, art. 2º, inciso VI)”, entre outras normativas;

– Os programas de militarização, em todos os entes federativos, não estão amparados em nenhuma das diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação inscritas no Plano Nacional de Educação (Lei n. 13.005/2014);

– Policiais militares não são educadores, não estão no rol de profissionais autorizados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art. 61) a atuar na gestão das escolas ou em qualquer outra função típica dos trabalhadores da educação. Escolas militarizadas, também, violam liberdades de expressão, de organização e de associação sindical dos profissionais da educação, aumentando o fenômeno de autocensura e censura de professores;

– As escolas militarizadas não são mais seguras, ampliam violações de direitos e violências; há diversas denúncias de situações de assédios moral e sexual e abusos físicos e psicológicos contra estudantes praticada por agentes militares;

– O modelo militarizado não contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes, seu preparo para o exercício da cidadania e para a promoção de sua autonomia e emancipação;

– Os programas de militarização ampliam as desigualdades educacionais, introduzindo desigualdades no financiamento internas às redes de educação e mecanismos de exclusão de estudantes em maior vulnerabilidade socioeconômica, com deficiência, com distorção idade-série, dificuldades de aprendizagem e de se adequarem às normas e padrões;

– Escolas militarizadas reforçam os estereótipos em relação aos papéis masculinos e femininos na sociedade, que limitam a liberdade dos indivíduos, coíbem a expressão da diversidade de gênero e sexualidade e a demonstração de afetos, principalmente de jovens LGBTQIAPN+.

Camila Rocha, pesquisadora da USP, em recente artigo “Tarcísio e Nunes querem educação para a ditadura”, em vez de ordem e progresso, o futuro com escolas militarizadas promete retrocesso e ditadura, ou seja, é para preparar um novo ataque à democracia e ao estado democrático de direito.

Afirma a pesquisadora que “violações de direitos humanos ocorridos nas escolas militarizadas já foram denunciadas à ONU. No entanto, em meio a omissão do governo federal e do STF sobre a flagrante inconstitucionalidade de tal “modelo escolar’, governos estaduais (como São Paulo) e Assembleias Legislativas em vários e insistem em aprovar e implementar escolas militarizadas.

Neste contexto, é necessário reafirmar a escola como um espaço público comum da educação.

Para o educador e pensador António Nóvoa (Universidade Nova de Lisboa), esse espaço público comum só terá sentido no cenário de uma forte participação social, com capacidade de deliberação e exercício de cidadania. Não se trata, apenas, de consultar, mas de organizar processos de decisão sobre as políticas de educação.

Em outra perspectiva e concepção, um grupo de pesquisadores, pesquisadoras, professores e professoras, estudantes e gestores, especialistas e investigadores, reunidos na Unicamp em junho do corrente ano, por ocasião da realização do IX Simpósio Internacional de Estudos e de Pesquisas do Grupo Paidéia, publicaram a Carta de Campinas de 2024, onde nos reafirmam um horizonte para o debate sobre a educação e escolarização no Brasil.

Destacamos, a seguir, alguns posicionamentos expressos na Carta de Campinas que se contrapõem ao modelo escolar privatista e militarizado defendendo uma concepção histórica e republicana da educação não como propriedade individual, mas como pertencente, por essência, à comunidade e à sociedade (Pólis). Os participantes do Simpósio expressam na Carta que:

– Reafirmamos o pleno e irrevogável compromisso com a Educação pública, laica, universal, gratuita e obrigatória, tal como determina nossa Constituição Federal, quando prescreve que a “educação é direito subjetivo e social, dever do Estado e das famílias”, em suas diversas e autônomas formações sociais, institucionais e culturais ( Brasil, CF, Art. 205, 1988);

– Reiteramos o reconhecimento pleno da concepção de Educação como direito e do direito à Educação, sempre compreendida como prática social, cultural, antropológica e histórica, como processo de hominização e de humanização;

– Manifestamos veemente protesto e repúdio ao processo de privatização da gestão escolar pública, pelo Estado do Paraná, e pela concepção perversa de inserção de tecnologias digitais na educação, em detrimento da autonomia dos docentes e dos gestores, legitimamente formados para realizar o ensino e a docência nas escolas, na produção de sua autônoma, livre e criativa atuação na educação escolar, como se anuncia nas políticas estaduais paulistas;

–  Repudiamos, também, a proposição das Escolas Cívico-Militares que tem sido lamentavelmente continuada no atual governo como forma de enquadramento militarizado das crianças e dos jovens das periferias urbanas e sociais, com a falsa ideologia da formação disciplinarista da ordem;

– Declaramos plena adesão à concepção de Educação Integral, sobre uma concepção omnilateral, de totalidade e de conjunto, para a formação escolar e educacional.

– defendem a retomada da concepção de Currículo como a formação para a vida, democrática e humanizadora, em grupos e na sociedade, para a apropriação polifônica da cultura e da vida política, coletiva e comum, para a geração da qualidade social da Educação Pública, com a Filosofia, a Sociologia, a Arte, a Cultura Popular, a Educação Física, a Educação de Jovens, Adultos e Idosos ao longo da vida, a Educação do Campo a partir de suas características e de sua autonomia, a Educação nas Aldeias e Quilombos, a formação autônoma nos núcleos culturais ribeirinhos e nos espaços resilientes, com a Educação Inclusiva efetiva, a defesa da formação para a pesquisa e para a Educação Socioambiental e Sustentável.

Sim, percebam que são projetos de sociedade, de educação e de escola em disputa, com perspectivas, concepções e fins bem diferentes. Um à serviço da reprodução e da acumulação do capital, da riqueza e das oportunidades para poucos bilionários planetários, o outro na defesa da educação pública, democrática e cidadã para a grande maioria da população. Faça sua escolha e lute. Numa ditadura não teremos escolhas e a luta será muito mais árdua!

*Por Gabriel Grabowski, professor e pesquisador, para o jornal Extra Classe.
Foto de capa: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Em 2023, o governo Eduardo Leite (PSDB) renunciou 25,2% de sua receita total, resultando em uma perda expressiva de R$ 17,2 bilhões. Esta decisão levanta questões sobre as estratégias fiscais de Leite (PSDB), impactando diretamente as finanças públicas, conforme aponta o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), desta sexta-feira (5).

>> Confira o levantamento aqui.

Enquanto o governo Leite (PSDB) faz renúncias bilionárias, suas servidoras(es) são desvalorizadas(os). Os R$ 17,2 bilhões em renúncias fiscais representam 25,2% da arrecadação potencial do Rio Grande do Sul em 2023. Esse valor é superior ao de 2022, quando as renúncias representavam 21,8%, e mais que o dobro das concessões fiscais de outros estados.

De um lado, vemos renúncias fiscais aumentando mais de 115,3% desde 2015, superando a inflação do período (66,9%). De outro, as trabalhadoras(es) responsáveis pelo atendimento à população gaúcha receberam apenas 6% de reposição da inflação nesse mesmo período. Isso é um verdadeiro descaso com quem sustenta os serviços essenciais do Estado.

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) exige que os estados apresentem um demonstrativo detalhado das renúncias de receita. Segundo o relatório divulgado pela Secretaria da Fazenda estadual do Rio Grande do Sul em 28 de junho, as renúncias fiscais em 2023 ultrapassaram R$ 17 bilhões.

Esse montante engloba renúncias relacionadas ao ICMS, IPVA e ITCD, sobre os quais o governo Eduardo Leite (PSDB) possui influência legislativa. Não estão inclusas as perdas de ICMS devido à exportação de produtos industrializados nem as perdas decorrentes da Lei Kandir.

Anualmente, o Dieese divulga esses dados, destacando a importância de questionamentos inevitáveis ao analisar as renúncias fiscais concedidas: Quantos empregos foram gerados? Qual foi o impacto no desenvolvimento regional? Qual é a eficácia econômica dessas medidas? Quanto cada empresa recebeu? As empresas beneficiadas estão comprometidas com o desenvolvimento local, oferecendo empregos decentes, preocupando-se com o meio ambiente e investindo em inovação?

Em junho deste ano, o governo Leite (PSDB) deu um passo significativo ao começar a divulgar o montante de saídas (produtos/serviços) não tributadas e imunes por empresa beneficiada, resultado de pressão da sociedade civil organizada, que há anos reivindica maior transparência. Essa medida culminou em conformidade legal e agora atende às exigências da Lei. Os dados estão disponíveis no portal: Receita Dados.

Cargill lidera o ranking na base de cálculo dos benefícios fiscais

O cálculo das desonerações fiscais é realizado por estimativa, exceto no caso dos créditos presumidos, onde são utilizadas informações diretas fornecidas pelos contribuintes em campo específico da Guia Informativa do ICMS. Assim, os valores informados podem conter erros ou omissões, o que só pode ser verificado em processo específico de auditoria fiscal, visto que todos os dados declarados pelos contribuintes estão sujeitos à fiscalização pela Administração Tributária.

Embora o governo ainda não disponibilize o total das desonerações por empresa nem uma série histórica, apenas a base de cálculo não tributada, em 2023 foi possível identificar os maiores beneficiados. A Tabela 2 mostra as empresas que contribuem com mais de 1% do montante isento ou imune, com a Cargill liderando o ranking na base de cálculo dos benefícios fiscais.


Assim como outras empresas beneficiadas, a Cargill, é uma empresa estabelecida há décadas no Brasil, com sede em São Paulo, representada por fábricas, armazéns, terminais portuários, centro de serviços com diversas filiais – em pelo menos 15 e
estados brasileiros.

Trata-se de uma companhia centrada na produção, beneficiamento, processamento e industrialização de produtos relacionados ao agronegócio, e registrou, no ano de 2023, R$ 2,5 bilhões de Lucro Líquido , alta de 101% em relação a 2022, montante esse, destinado a seus acionistas controladores.

A captura de 25,2% do orçamento do Estado, em 2023, atende às necessidades locais ou serve apenas para aumentar a margem de lucro de determinadas empresas? Nessa esteira, vale lembrar que o governo gaúcho apoiou a Reforma Tributária aprovada em âmbito nacional, que tem como objetivo além de simplificar o Sistema Tributário, acabar com a guerra fiscal, baseada nesses incentivos, já que as exceções serão as mesmas em todo o país.

Se a adequação precisará acontecer logo mais – na transição a partir de 2029, por que não começar imediatamente essa revisão das renúncias? No ano de 2023, as renúncias no Rio Grande do Sul aumentaram 25,5%, ou seja, um incremento de R$ 3,5 bilhões, em relação a 2022, o que representa que cresceram 21% acima da inflação (INPC/IBGE foi 3,71%).

Para o CPERS, essa situação revela a verdadeira face do governo Leite (PSDB): espremer os que têm menos para encher os bolsos dos que já têm muito. Leite (PSDB) é um Robin Hood ao contrário; sua política cruel é um ultraje às servidoras(es) que são a espinha dorsal do estado.

 

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Em decisão liminar favorável concedida no final da tarde desta sexta-feira (5), o CPERS conquistou um grande avanço sobre o tema dos consignados do Banrisul. A decisão é da 5ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Porto Alegre, e abrange todos os representados pelo Sindicato.

Conforme consta no documento: “In casu, pretende-se, de forma liminar, a manutenção dos termos originais da suspensão de crédito consignado de quatro meses, com prorrogação final de quatro meses sem incidência de juros, sem implicar refinanciamento”. 

O CPERS entrou com uma ação coletiva civil, na noite desta quarta-feira (3), para garantir às professoras(es) e funcionárias(os) de escola, ativas(os) e aposentadas(os), os termos originais da prorrogação dos empréstimos consignados do Banrisul. Esses termos, anunciados no início de maio, foram uma resposta à calamidade ambiental que devastou o Rio Grande do Sul.

A ação foi motivada pela indignação e revolta das educadoras(es) diante da mudança arbitrária do Banrisul nos termos da suspensão dos consignados. Essa alteração inesperada causou transtornos e prejuízos às servidoras(es), que já enfrentam dificuldades financeiras extremas, sobretudo após o desastre ambiental. O benefício foi anunciado no início de maio, mas a alteração no formato feita posteriormente causou indignação no funcionalismo.

O Sindicato decidiu entrar com a ação por entender que a mudança unilateral do Banrisul foi uma grave violação dos termos originais oferecidos, prejudicando as trabalhadoras(es) da educação e desrespeitando os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor.

Desde o início, o CPERS tentou resolver o problema administrativamente. Após várias solicitações, o Sindicato obteve uma audiência com o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, e buscou apoio da Procuradoria Geral de Justiça do Estado, da Defensoria Pública Geral do Estado e da Frente dos Servidores Públicos. Com a ausência de avanços significativos, foi preciso recorrer à justiça.

O CPERS estava acompanhando a atuação da Defensoria Pública do Estado (DPE), do Ministério Público (MPRS) e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) junto ao banco, que resultou em um acordo para atender clientes do Banrisul impactados pelas mudanças nas regras de consignados. Porém, esse acordo beneficia apenas aquelas(es) comprovadamente afetadas(os). O Sindicato defende que o Banrisul deve garantir a oferta inicial para todas as servidoras(es), conforme inicialmente prometido, o que agora resta assegurado com a decisão liminar deferida.

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A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados realizou nesta quinta-feira (4), uma audiência pública para debater o PL 2062/2023. De autoria da deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP), o projeto visa a dispensa do registro obrigatório de professores de Educação Física no Conselho Federal de Educação Física (Confef) e em Conselhos Regionais de Educação Física (Crefs).

O debate atende o pedido da autora da proposta e da deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), reunindo representantes do poder público e de entidades defensoras do ensino e dos/as trabalhadores/as da educação. A vice-presidente da CNTE, Marlei Fernandes, participou da sessão, reiterando o apoio da Confederação no projeto de lei da dep. Luciene, bem como a abertura em debater o tema junto aos Crefs e Confef.

Segundo salientou a parlamentar, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional indica os requisitos necessários para o exercício da docência, mas não faz nenhuma exigência sobre registro em conselhos de classe.

Porém, o conflito surge quando a Lei 9.696/98, que regulamenta a profissão de Educação Física, estabelece a obrigatoriedade do registro do educador físico nos conselhos regionais.

“Essa contradição legislativa resulta em decisões judiciais desfavoráveis aos professores de Educação Física que cumprem os requisitos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, mas não estão registrados ou estão inadimplentes com a anuidade do conselho regional”, explicou a deputada.

Sâmia Bomfim acrescentou ainda que ter um registro é garantia de uma qualidade no ensino, já que “os critérios utilizados para o registro não estão diretamente relacionados à capacidade pedagógica dos professores”.

“O que o nosso PL busca é a proteção, valorização, respeito à função docente dos professores de educação física. A audiência tratou sobre isso, de reafirmarmos o que significa a função docente, quais são as nossas concepções de educação, os marcos legais que normatizam a função docente, bem como de quem é a função de fiscalização, formação e supervisão da atividade”, reforçou Luciene.

“A supervisão sobre a função dos docentes já existe, o que é absurdo é a prática de cobrar um professor para que esse possa dar aula, em um país que sequer paga o piso salarial nacional da educação. É uma vergonha e um abandono a esses profissionais de educação física. Não vamos admitir mais esse tipo de prática persecutória”, completou.

Abertura para debate 

Em nome da CNTE, a vice-presidenta, Marlei Fernandes, que contribuiu para o debate virtualmente, reafirmou o pleno acordo da Confederação com toda a exposição denunciada sobre o trabalho do Confef e Crefs contra docentes no país.

A dirigente aproveitou o momento para expor diversas questões que têm prejudicado o caminhar da educação pública a uma classificação de qualidade e com condições dignas para os/as trabalhadores/as. Entre elas, mencionou a falta de valorização dos profissionais que trabalham nas escolas; a alta taxa de trabalhadores que têm se formado pela educação a distância, cerca de (81%); os números que apontam mais de 56% educadores em contratos temporários, sem condições efetivas de estarem nas escolas, bem como o apagão de docentes e o achatamento de suas carreiras.

“E isso tudo também compreende os profissionais da educação física que estão na docência. Como já defendido na audiência, é assegurado pela LDB e em outras legislações vigentes, que não há necessidade desses professores estarem filiados a conselhos Cref e Confef, pois estes são profissionais da educação básica”, ressaltou.

“Já tentamos por diversas vezes realizar esse debate com o Conselho Federal e com os estaduais, mas esse é um debate interditado, pois essas organizações não estão agindo para a defesa dos profissionais da educação das escolas, vivendo as realidades do ensino público. Eles estão, simplesmente e de forma intensificada nos últimos anos, fazendo as cobranças e judicializando esse tema”, disse.

Segundo Marlei, há casos como o ocorrido no estado do Paraná, em que um professor tenha sido escoltado para fora do seu trabalho, levado a delegacia, por não estar em dia com as anuidades do Cref.

Presente no debate, o deputado distrital Max Maciel (Psol-DF), também apontou casos que o não pagamento do registro profissional nos conselhos resultaram em demissão e impedimento do profissional da rede privada em lecionar.

“Ninguém de lá vai verificar se esse professor está recebendo a hora aula adequada, se não está sofrendo violação de direitos trabalhistas ou a salubridade no processo de ensino aprendizagem. Os crefs não tem esse compromisso conosco. Eles não querem saber se temos as quadras poliesportivas adequadas, se os jovens estão se exercitando de forma precisa, se estamos tendo qualidade de vida. Eles querem lucrar”, disse o deputado.

“E talvez, para eles que tanto insistem na judicialização, a nossa casa de leis também poderia fazer uma Comissão parlamentar de Inquérito (CPI) para podermos saber, de fato, para onde todo esse dinheiro pago pelos profissionais está indo, se está sendo aplicado de forma eficiente, se os profissionais credenciados estão sendo assistidos devidamente, conforme rege o estabelecimento. Esse é o único conselho que tem exigido registro desde o início do processo da docência”, sugeriu.

Unificar a luta

Também presente na audiência da sessão, a secretária de Finanças da CNTE, Rosilene Corrêa, considerou a união de todos os trabalhadores da educação em apoio aos docentes de educação física, para que a luta tome corpo.

“É preciso transformar essa em uma luta de mais gente, não somente dos professores de educação física. Não há espaço para os Crefs nas nossas escolas e, se um dia chegarem lá, precisamos que todos tenham essa mesma posição de não reconhecer o papel desse Conselho”, salientou.

“Há décadas, estamos nessa luta combatendo e resistindo. A investida dos Crefs faz parte de todo o pacote que, sobretudo a educação, tem sofrido. Mas agora, estamos vivendo o momento dos reparos, de reconstruir. Para isso é fundamental conseguirmos aprovar esse PL e, de fato, mudar essa realidade. Tenhamos como tarefa, em cada estado e em cada município, levar essa discussão, seja em seminários com sindicatos, ou audiências públicas.”

Fonte: CNTE

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O projeto de parceria público-privada (PPP) proposto pelo governador Eduardo Leite (PSDB) é uma afronta descarada à educação pública e um ataque direto aos direitos dos nossos estudantes e profissionais da educação.

Eduardo Leite (PSDB) planeja lançar a consulta pública do PPP para a reforma e manutenção de escolas estaduais ainda nesta semana. Essa etapa antecede a publicação do edital e do leilão da PPP, previsto para o próximo ano.

Lançado em agosto de 2023, este projeto nefasto pretende entregar 99 escolas em 15 municípios à ganância do setor privado por 25 longos anos. O repasse de serviços fundamentais como limpeza, manutenção e segurança para iniciativa privada significa a demissão de servidoras(es) – uma traição às trabalhadoras(es) dedicadas, que serão demitidas sem consideração por anos de serviço.

O contingente equivale a 4,2% da rede estadual de ensino e atende 56 mil alunas(os). Não nos deixemos enganar: a privatização de qualquer aspecto da educação pública é o primeiro passo rumo à mercantilização do nosso direito à educação.

O governo dividirá a parceria em três lotes, cada um com 33 escolas. A contraprestação máxima estimada para todo o pacote é de R$ 203,6 milhões por ano, equivalente a pouco mais de R$ 2 milhões por escola.

A tendência de privatização das escolas públicas nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais representa um retrocesso alarmante para a educação pública brasileira.

No Paraná, a Lei nº 22.006/24 sancionada pelo governador Ratinho Júnior (PSD) prevê a gestão de 204 escolas por empresas privadas. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) planeja lançar um leilão para construção e gestão de 33 escolas estaduais em novembro de 2024. Já em Minas Gerais, a entrega da gestão administrativa e pedagógica de três escolas a uma entidade sem fins lucrativos em 2022 indica um movimento similar de transferência de responsabilidades para o setor privado.

A lógica da empresa é obter lucro. E isso se dá cortando custos, reduzindo direitos e salários de funcionárias(os) e professoras(es). Estamos fartos das promessas vazias e das manobras enganosas do governo Eduardo Leite (PSDB).

Transformar nossas escolas em negócios lucrativos para poucos, à custa do bem-estar e do futuro das nossas(os) alunas(os), é um completo desrespeito. Temos uma luta estrutural e estratégica, visto que o PPP faz parte da política neoliberal de Leite (PSDB).

Exigimos valorização às professoras(es) e funcionárias(os) de escola, que há anos sofrem com salários vergonhosamente defasados e condições de trabalho deploráveis. É inadmissível que, em vez de valorizar quem dedica a vida à formação das futuras gerações, o governador escolha favorecer interesses privados.

Não permitiremos que Eduardo Leite (PSDB) e seu governo destruam nossas escolas em nome do lucro! A educação pública é um direito sagrado e inalienável, e vamos lutar com todas as nossas forças para defendê-la.

Foto: Gustavo Mansur/Secom

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Na manhã desta terça-feira (2), o 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, participou do evento de divulgação do Observatório da Educação Infantil no Rio Grande do Sul 2024. A cartilha foi elaborada pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, da Assembleia Legislativa. O encontro, realizado na sala Professor Salzano Vieira da Cunha da ALRS, contou com a presença de representantes de diversas entidades ligadas à educação pública gaúcha.

A partir do cruzamento de dados populacionais com o Censo Escolar 2023 (INEP/MEC), o material reúne informações sobre a realidade, no Rio Grande do Sul, da educação infantil (creches e pré-escolas) – primeira etapa da educação básica. Entre os temas exibidos pelo Observatório, se destacam a evolução do número de escolas e das matrículas, em tempo integral ou não, na educação infantil, a escolaridade dos docentes e o atendimento às metas do Plano Nacional de Educação, sublinhando os serviços prestados na região metropolitana e nos cinco maiores municípios do RS.

Para Edson, o lançamento do Observatório da Educação Infantil é uma grande iniciativa da Comissão e um momento importante para auxiliar na transformação da educação pública, pois apresenta dados que, na maioria das vezes, são sonegados às entidades representativas da educação, assim como para o CPERS.

“A LDB, em seu artigo 29, cita que a Educação Infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 anos em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Portanto, abordar a educação infantil é tratar de: valorização profissional, financiamento da educação, políticas que envolvem cor, raça e gênero. Além de colocar na centralidade o mercado e a jornada de trabalho impostos às mulheres trabalhadoras. Se estes aspectos forem tratados com responsabilidade, certamente evoluiremos socialmente”, destaca o professor e 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia.

>>>Confira aqui o Observatório da Educação Infantil no Rio Grande do Sul 2024

“Não é só a vaga que falta às crianças, ainda temos muitos profissionais que trabalham com a formação inadequada ou não reconhecida no salário e na carreira, currículos inapropriados, práticas pedagógicas sem formação permanente e coordenação pedagógica, espaços físicos, materiais didáticos e critérios de avaliação e promoção que desrespeitam essa etapa do desenvolvimento”, afirmou Sofia Cavedon (PT), deputada e presidente da Comissão sustentada pelos dados colhidos pelo Observatório.

O estudo evidencia que o RS está longe de cumprir as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (2014/2024), do atendimento de 50% das crianças de 0 a 3 anos e, desde 2016, a obrigatoriedade de vaga e frequência na escola de 100% das crianças de 4 e 5 anos.

Também participaram da mesa a secretária adjunta da Educação do Estado, Stefanie Eskereski; o procurador regional da República no RS, Enrico Rodrigues de Freitas, o coordenador da União Nacional dos Conselhos Municipais da Educação no RS, Charles Henrique dos Santos, a representante do Fórum Gaúcho de Educação Infantil Sabrina Garcez, a representante da Faculdade de Educação da UFRGS Maria Luiza Flores, o presidente da Associação Mães e Pais pela Democracia, Júlio Sá, a representante do 39º Núcleo do CPERS Neiva Lazzarotto e a conselheira tutelar Marcia Gil Rosa.

Fotos: Lucas Kloss/ Agência ALRS

 

 

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O Conselho Estadual de Educação (CEEd) do Rio Grande do Sul publicou um parecer, nesta segunda-feira (1º), com orientações para escolas e instituições de ensino em relação às possibilidades para o desenvolvimento de atividades educacionais e escolares, considerando os eventos climáticos que atingiram o estado, em maio.

>> Acesse aqui o parecer completo.

As orientações são direcionadas a instituições que foram totalmente destruídas, com perda de móveis e imóveis, documentação e registros; instituições que estão parcialmente comprometidas e que carecem de reformas; instituições sem comprometimento físico, mas com a comunidade escolar severamente atingida; instituições com dificuldade na oferta do transporte escolar para o atendimento dos estudantes; e instituições que estejam acolhendo a comunidade desabrigada em suas dependências.

Entre as recomendações propostas, o Conselho, um órgão consultivo, normativo, fiscalizador e deliberativo do Sistema Estadual de Ensino, sugere que as instituições afetadas tenham autonomia para decidir sobre questões gerais do calendário anual, podendo reorganizar o ano escolar de 2024.

Além disso, o Conselho admite a flexibilização durante o período afetado pelo estado de calamidade pública, contanto que se observem as diretrizes nacionais, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ministério da Educação (MEC) e as normas do Sistema de Ensino do Rio Grande do Sul.

O documento foi elaborado para orientar as atividades educacionais até o final de 2024, considerando os eventos climáticos que atingiram o Rio Grande do Sul em maio. O CPERS tem representação no CEEd por meio de suas conselheiras e conselheiros.

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O Brasil está propondo uma solução não educacional a complexos problemas relativos à qualidade do ensino sem que haja qualquer evidência da efetividade de tal proposta.

A forma como os países organizam a educação tem efeitos que ultrapassam essa política pública. Lembrar disso é fundamental quando a adoção das chamadas escolas cívico-militares é ampliada no Brasil. Elas devem ser analisadas não só na maneira como impactam o modelo de ensino, mas também nas consequências que têm sobre o Estado e a visão de democracia.

Neste sentido, a militarização da política educacional bate de frente com várias conquistas obtidas a partir da redemocratização, levando a um retrocesso amplo que expressa o atraso civilizacional brasileiro em sua versão do século XXI.

O primeiro ponto que chama atenção no modelo das escolas cívico-militares é sua singularidade frente à experiência internacional recente. Nenhum dos países com resultados destacados em política educacional no mundo adota um padrão similar a essa nova jaboticaba brasileira. Militarizar o funcionamento das escolas não é característica nem dos governos mais próximos do autoritarismo que aparecem bem em rankings como o da avaliação do Pisa, exame organizado pela OCDE com cerca de 80 países.

Indo mais direto à essência da singularidade dessa proposta: não passa pela cabeça de gestores, educadores ou pesquisadores de educação em qualquer parte minimamente desenvolvida do mundo colocar militares aposentados como resposta a desafios educacionais.

O Brasil está propondo, assim, uma solução não educacional a complexos problemas relativos à qualidade do ensino, sem que haja qualquer evidência da efetividade de tal proposta. Nossas crianças e jovens vão ser submetidas, como ratos de laboratório, a um experimento completamente fora das principais recomendações internacionais sobre como reformar com sucesso a política educacional. Tamanha irresponsabilidade pode custar muito caro ao futuro do país.

Alguns dos governadores que encabeçam hoje essa proposta têm se apresentado à sociedade como modernizadores do Estado, ou pelo menos como uma parte mais civilizada do bolsonarismo. Eles têm feito verdadeiros road shows pelo país para convencer a elite de que suas propostas estariam adequadas aos desafios do século XXI.

No entanto, gostaria muito que tais lideranças políticas tentassem defender o modelo de escolas cívico-militares em fóruns internacionais de educação ou de políticas públicas mais amplas, como a OCDE ou o Banco Mundial – e nenhuma dessas organizações pode ser chamada de comunista. Esse modelo seria visto como anacrônico, um verdadeiro veículo do atraso que só levaria à piora dos padrões do desenvolvimento brasileiro. Pena que o provincianismo de boa parte da opinião pública brasileira ignore a compreensão desse grave equívoco educacional.

Embora não haja um único padrão internacional de modelo educacional bem-sucedido, o portfólio de medidas consideradas boas práticas vai na direção contrária das escolas cívico-militares. Entre esses elementos, destacam-se propostas como a governança colaborativa das escolas, que exige o reforço do trabalho coletivo e do aprendizado pela via do diálogo amplo, dimensões completamente opostas à hierarquização militar do ambiente escolar.

Pesquisas mostram também que lideranças escolares com maior êxito são aquelas capazes de engajar os profissionais da educação, as famílias e os estudantes em torno de objetivos pedagógicos que passam longe do disciplinamento forçado dos jovens, algo que está mais para o padrão Coreia do Norte do que para qualquer caso de êxito educacional e civilizacional.

Além disso, o desenvolvimento da capacidade crítica dos estudantes, de suas competências interpessoais relacionadas à diversidade e do estímulo à criatividade constitui outro elemento de destaque em países com bons resultados educacionais. Aliás, o Brasil apareceu recentemente no exame do Pisa como um destaque negativo não só na aferição do aprendizado de disciplinas básicas (linguagem, ciências e matemática), como ainda no que se refere ao desempenho criativo de nossos jovens.

O modelo das escolas cívico-militares piorará mais esse quadro, uma vez que a obediência baseada em padrões autoritários de comando produzirá jovens que não seriam capazes de ir além do convencional e de pensar “fora da caixa”, algo tão valorizado hoje no mercado de trabalho.

Pode-se argumentar que a proposição desse modelo educacional seria uma resposta ao aumento da violência no ambiente escolar, uma demanda legítima da sociedade e das famílias mais vulneráveis. Se essa é a origem da proposta, ela está equivocada em dois sentidos.

Em primeiro lugar, é fundamental aumentar a intersetorialidade na política educacional, pois sua lógica setorial não é capaz de resolver todos os problemas que afetam o aprendizado e o desenvolvimento das crianças e jovens. Assim, é fundamental a articulação com a saúde, a cultura, a assistência social, o esporte e, sim, a segurança pública, aspecto essencial especialmente nas comunidades mais atingidas pela criminalidade.

Só que o suporte intersetorial não significa transportar completamente a lógica de outra política ao ambiente escolar. Ter em conta que o aprendizado é afetado por aspectos relacionados à saúde, por exemplo, não significa ter que contratar dezenas de médicos para atender todos os estudantes de uma escola, tomando a maior parte do horário de ensino para essa função. Ou ainda transformar o papel de uma diretora escolar numa extensão da atividade das assistentes sociais, de modo que a gestão escolar estaria apenas preocupada com as condições sociais das famílias do alunado, sem ter de desenvolver propósitos e metas pedagógicas.

O mesmo raciocínio vale para a questão da segurança: colocar um profissional da área como gestor não resolverá a questão da violência e ainda tende a transportar uma lógica repressora e punitivista para um espaço educativo, o inverso do que deveria ser a política educacional.

A militarização das escolas contém um segundo equívoco em seu propósito de reduzir a violência no ambiente escolar. O que produz um clima escolar mais saudável é a construção compartilhada do respeito entre todos os atores que convivem na escola. A imposição autoritária de comportamentos e a obediência pelo medo podem, ao contrário, aumentar os casos de bullying e gerar insatisfações psicológicas capazes de produzir casos de violência extrema.

Cabe lembrar os assassinatos em série cometidos por alunos ou ex-alunos ocorridos recentemente, frutos de uma complexa cadeia causal, mas que com certeza têm mais a ver com a incapacidade de as escolas construírem um ambiente mais respeitoso em sua diversidade do que com a falta de um comandante policial na direção da escola.

A adoção das escolas cívico-militares produz retrocessos para além da política educacional. Essa proposta tem um sentido mais amplo de afronta a avanços obtidos pelo Estado e sociedade brasileiros a partir da redemocratização.

Entre os muitos efeitos desse atraso institucional, duas dimensões são evidentes. A primeira é o desrespeito à ideia de profissionalização e de especialização das atividades estatais, que teriam de ser orientadas por conhecimento científico atinentes a cada problema social.

Só foi possível criar o SUS graças ao saber de médicos e profissionais de saúde, especialmente os que construíram, por décadas, uma concepção sanitarista. Não teria ocorrido o sucesso da estabilização monetária do Plano Real sem economistas bem formados que pesquisaram cientificamente as causas do fracasso dos planos anteriores. O sucesso da agricultura brasileira certamente tem forte relação com bons cursos de agronomia e com a atuação da Embrapa, bem como a inovação tecnológica na Embraer e na Petrobras vinculam-se a nichos de excelência em engenharia.

Colocar policiais como gestores de escola é um enorme amadorismo, com uma pitada de patrimonialismo, porque esses profissionais são escolhidos pela sua vinculação política com determinados grupos, e não por sua excelência no assunto. Imagine o escândalo que seria escolher um jogador de futebol para a presidência do Banco Central ou um professor para comandar o policiamento numa grande cidade.

No fundo, a lógica da escola cívico-militar segue o mesmo padrão do negacionismo científico: não acredita em ciência nem em especialista. Essa postura bolsonarista levou à morte 700 mil pessoas durante a pandemia da covid-19. Quantos talentos e possibilidades de cidadãos mais críticos e criativos serão ceifados pela militarização das escolas?

Em seu efeito mais profundo, as escolas cívico-militares atacam a ideia de democracia como padrão principal de organização do espaço público. Na verdade, a militarização educacional é uma forma de deslegitimar a escola pública como instituição livre e responsável por formar crianças e jovens pelo diálogo.

E todas as arenas que servem hoje ao propósito da democratização, muitas montadas ou aprimoradas pela Constituição de 1988, estão em jogo quando o civismo é substituído pelo autoritarismo em nome da ordem social.

Eis aqui a grande farsa do projeto: ao ser militarizada, uma escola pública não pode ser cívica – nem profissional, muito menos democrática. Os governadores que estão apostando neste modelo sem base científica colocam em risco não só o ensino da população mais carente do país, como também a própria democracia. São líderes do atraso, não da modernização.

Artigo de Fernando Abrucio publicado no Valor Econômico.
Foto de capa:
Marcelo Camargo/ Agência Brasil

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O governo do Estado anunciou a compra de aproximadamente 6,4 mil mesas, cadeiras e outros móveis para recuperar a infraestrutura das escolas afetadas pela enchente. A previsão é que a aquisição ocorra na próxima semana, com a entrega dos móveis a partir da segunda quinzena de julho, conforme disponibilidade do fornecedor.

O mobiliário será entregue em 124 escolas de 50 municípios, como Agudo, Arambaré, Arroio do Meio, Bento Gonçalves, Cachoeira do Sul, Cachoeirinha, Candelária, Canoas, Capela de Santana, Caxias do Sul, Cerro Branco, Colinas, Cruz Alta, Eldorado do Sul, Encantado, Esteio, Estrela, Feliz, Flores da Cunha, Forquetinha, General Câmara, Guaíba, Igrejinha, Júlio de Castilhos, Lajeado, Lindolfo Collor, Maratá, Montenegro, Muçum, Novo Hamburgo, Palmares do Sul, Parobé, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo, Santa Maria, São Francisco de Paula, São Jerônimo, São José do Norte, São Leopoldo, São Sebastião do Caí, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Taquara, Torres, Três Coroas, Triunfo, Venâncio Aires e Viamão.

Dos R$ 5,3 milhões investidos nesse novo lote, R$ 5,1 milhões serão destinados à compra de conjuntos de mesas e cadeiras para alunos(as) e professores(as). Cerca de R$ 200 mil serão direcionados a itens específicos, como gaveteiros, quadros magnéticos brancos e mesas para diretores.

Esse montante se soma aos R$ 50,7 milhões já investidos pelo governo em escolas estaduais, abrangendo recursos para autonomia financeira, merenda e mobiliário escolar. Do valor total, R$ 24,2 milhões foram destinados a 692 instituições de ensino que sofreram os maiores danos na infraestrutura.

São R$ 18,2 milhões destinados ao reforço da alimentação escolar, beneficiando especialmente 625 escolas. Além disso, a merenda recebeu um acréscimo de R$ 7 milhões repassados pelo governo federal.

Outros R$ 8,3 milhões já tinham sido direcionados para a compra de 8 mil conjuntos de classe para 42 escolas de 32 municípios afetados. As entregas desses móveis estão em andamento desde a semana passada.

O CPERS tem intensificado sua cobrança ao governo Eduardo Leite (PSDB) pela recuperação imediata das escolas afetadas pelas enchentes. O Sindicato enfatiza a urgência de medidas efetivas para garantir condições adequadas de ensino e aprendizagem aos alunos e alunas e melhores condições de trabalho para os professores(as) e funcionários(as) da educação.

Informações: GZH
Foto de capa:
Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil, EBC

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