Aposentadas na luta: educadoras seguem mobilizadas no segundo dia de vigília em defesa do IPE Saúde


“Nós, aposentados, já contribuímos com a previdência ao longo de toda nossa vida, e ainda assim continuamos a pagar. Nossos direitos estão sendo subtraídos de maneira incalculável. Sentimos a perda, não apenas financeiramente, mas também em nossa dignidade e valorização”

Este é o relato de Carmen Fão, funcionária de escola aposentada de Pelotas (24º Núcleo). Ela integra o grupo de aposentadas que estão no segundo dia de vigília, desta sexta-feira (16), na Praça da Matriz.

Cerrando fileiras em defesa do IPE Saúde, por dignidade e valorização salarial, as educadoras integram os núcleos de Santa Maria, Carazinho, São Borja, Santa Cruz, Pelotas, Ijuí e Porto Alegre, que se mobilizaram mesmo com chuva, frio e ventos fortes.

A Vigília das Aposentadas(os), que se mantém na segunda-feira (19), integra a agenda de mobilizações do CPERS e da Frente dos Servidores(as) Públicos, que estão utilizando diversas estratégias para combater o projeto de reforma do IPE Saúde (PLC 259), proposto por Eduardo Leite (PSDB), e lutar pela Revisão Geral dos Salários.

As entidades têm pressionado parlamentares, buscando sensibilizá-los sobre os impactos negativos desse projeto para os servidores(as) públicos e suas famílias, além de denunciar na imprensa as consequências dessa proposta e percorrido todo o Rio Grande do Sul, levando a mensagem de resistência e luta a todos os cantos do estado.

O PLC 259, com seus descontos consideravelmente mais altos, coloca em risco o orçamento das famílias que dependem do IPE Saúde, especialmente os aposentados e aposentadas.

A funcionária aposentada Carmem lamenta que políticos, especialmente o governador, tenham negligenciado a importância dos servidores(as) públicos. 

“Todas as profissões têm suas raízes na educação, é o alicerce de tudo. Mas, hoje, nos vemos com os salários mais precários. Aqueles que dedicam suas vidas à educação enfrentam dificuldades inimagináveis, enquanto os preços de tudo aumentam e nossos salários permanecem estagnados. Agora, estão retirando nossos direitos, como o IPE Saúde, com o intuito de privatizá-lo. Estamos arcando com uma conta que não nos pertence. É uma injustiça inconcebível”, desabafa. 

Vale lembrar que o governador Eduardo Leite (PSDB) deixou quase 10 mil aposentadas e aposentados, além de muitos outros servidores(as), sem nenhum reajuste salarial por nove longos anos. Essa política de salários congelados tem corroído o poder de compra desses trabalhadores, colocando-os em situações de extrema dificuldade financeira.

Para a professora aposentada, de Carazinho (37º Núcleo), Emelda Anastacia Haubert, o sentimento é de que os governantes estão excluindo deliberadamente os trabalhadores(as), sobretudo aposentados(as), de qualquer política de valorização.

“Estamos aqui, hoje, porque compreendemos a gravidade da situação em relação ao IPE Saúde, especialmente para nós, aposentados. Presenciamos muitos de nossos colegas adoecendo, e somos nós, justamente, os mais necessitados de cuidado. Infelizmente, somos tratados como invisíveis, deixados à margem da sociedade. Nossa vida carece de perspectivas, e é exatamente por essa razão que estamos reunidos aqui”, asseverou.

A vigília segue firme na segunda-feira (19). Já na terça, dia 20 – data em que o projeto de reforma do IPE Saúde (PLC 259), pode ser votado pelos deputados(as) -, o CPERS e a FSP realizam a Paralisação Estadual com todos os servidores(as) da ativa e aposentados(as). Contate o seu núcleo e mobilize-se!

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