Por justiça, respeito e dignidade! Após meses de mobilização intensa, educadoras(es) de todo o Rio Grande do Sul voltaram a ocupar, nesta terça-feira (2), a Praça da Matriz e as galerias da Assembleia Legislativa para acompanhar a votação do Projeto de Lei (PL) 350/2025, que define a Lei Orçamentária Anual (LOA) para o próximo ano.

A categoria esteve mobilizada para exigir a reposição salarial de 15,2%, direito sistematicamente negado pelo governo Eduardo Leite (PSD) às servidoras e aos servidores que sustentam os serviços públicos no Estado.

Em uma tentativa de esvaziar a pressão das categorias, a base governista antecipou a votação, inicialmente prevista para o turno da tarde, para o fim da manhã, quando a mobilização se concentrava na Praça. Mesmo assim, centenas de educadoras(es) conseguiram acessar as galerias e acompanhar o processo.
Emenda popular ignorada pela base do governo
Em parceria com a CUT-RS e a CTB-RS, o CPERS protocolou uma emenda popular exigindo a reposição salarial de 15,2% para professoras(es), funcionárias(os) de escola e especialistas, incluindo ativas(os) e aposentadas(os), com e sem paridade. O percentual foi sustentado por um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), analisado pela assessoria jurídica do Sindicato, reunindo 17 argumentos econômicos, legais e sociais que comprovam a viabilidade e urgência do reajuste.

No entanto, as emendas sequer chegaram a ser debatidas. Por pedido de preferência do líder do governo na ALRS, deputado Frederico Antunes (PP), a base aliada aprovou o bloqueio da discussão por 40 votos a 12, manobra que já havia sido utilizada em outras ocasiões para impedir o debate sobre a reposição.

O projeto final foi aprovado por 32 votos a 18, sem previsão de reajuste às(aos) servidoras(es).
“O Leite passará. Nós ficaremos”
Após a votação, a presidente do CPERS, Rosane Zan, reforçou que o resultado não encerra a luta da categoria: “O governo demonstra, mais uma vez, que não quer ouvir quem faz a educação pública do Estado. Mas essa batalha não termina aqui. Vamos seguir firmes. Precisamos eleger um projeto que atenda a essa categoria, massacrada por governos neoliberais que reduzem o Estado às custas da educação. O Leite passará. Nós ficaremos.”

Rosane também convocou a categoria à reflexão e à organização no período que antecede as eleições, lembrando que a resposta política virá das professoras(es), funcionárias(os) e aposentadas(os) que seguem resistindo nas ruas.
Antes da votação, vozes que não se calam
Horas antes da sessão, educadoras(es) se reuniram em um Ato Público Estadual na Praça da Matriz. Servidoras(es), ativas(os) e aposentadas(os), denunciaram o abandono, as perdas salariais e a falta de respeito do governo Leite (PSD) com quem dedica e dedicou a vida ao serviço público.

A funcionária de escola aposentada, Noemi Medeiros, do 13º Núcleo (Osório), desabafou: “Sou aposentada e me sinto sacrificada como tantos outros. Há 12 anos vivemos de promessas e mentiras. Hoje olho colegas de cabelos brancos, com o sonho de uma aposentadoria tranquila frustrado.”

A diretora do 4º Núcleo, Dina Almeida, também aposentada, foi contundente: “Leite praticamente destruiu os serviços públicos. Nós, professores aposentados, ajudamos a construir este Estado. E esse governador tem a coragem de dizer que não há verba para pagar quem dedicou a vida inteira à educação.”

O diretor do 35º Núcleo e representante do CPERS no Conselho Administrativo do IPE Saúde, Marino Simon, também alertou para o impacto das políticas do governo no Instituto: “O governo sucateou o IPE Saúde ao não repor salários e retirar vantagens temporais, ele mesmo criou uma dívida gigante e jogou a conta nas costas dos servidores.”
Seguimos mobilizados e a resposta virá nas urnas
Ao fim da votação, a direção do CPERS reforçou que a luta segue firme e que o próximo período será marcado por ainda mais mobilização.

Em outros anos, por meio da força coletiva, a categoria já conquistou reposição salarial mesmo sem previsão orçamentária — e em 2026 não será diferente. O Sindicato iniciará o ano com uma grande caravana estadual, levando a cada região o debate sobre o legado do governo Leite (PSD) e de sua base aliada.

“Ano que vem vamos mostrar que, quem vota contra a educação, não volta. Não há chuva, frio ou sol que impeça esta categoria de lutar. A resposta virá nas urnas”, afirmou a presidente Rosane.

Hoje, a categoria sai da Praça da Matriz de cabeça erguida, unida pela convicção de que educação pública não se constrói com discursos, mas com investimento, valorização e respeito. E essa luta continua. Sempre!
>> Confira, abaixo, a cobertura completa do dia de mobilização:
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