À luta: governo do Estado apresenta proposta excludente e abaixo do índice de 14,95%


Esta terça-feira (14) foi marcada por muita luta e mobilização por valorização salarial para TODOS(AS) os educadores(as) da rede estadual gaúcha.

À tarde, representantes do CPERS e o governador Eduardo Leite (PSDB) se reuniram novamente para tratar sobre o reajuste da categoria, após o encontro da última semana.

Na ocasião, o governo apresentou uma proposta excludente, mais uma vez deixando de fora os funcionários(as) da educação e os aposentados(as) sem paridade. A proposta também está abaixo dos 14,95%, índice de reajuste do Piso Nacional do Magistério.

O aumento proposto por Leite foi de 9,45% no Plano de Carreira, porém, mais uma vez utilizando de sua política cruel com abatimento da parcela de irredutibilidade.

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, ressaltou que a luta da educação segue a mesma: valorização salarial para todos(as), sem exclusão ou divisões da categoria.

“Preciso ressaltar aqui nessa mesa que uma escola não é feita somente de prédios, cadeiras e professores. Sem os nossos funcionários, as escolas não existem. Esses servidores amargam os piores salários do Estado e perdas que já ultrapassam os 50%. Temos estudos que comprovam que o governo pode, sim, aplicar o reajuste de 14,95% para esta parcela da categoria, assim como para os aposentados sem paridade, que seguem excluídos”.

Leite declarou que estuda formas de valorizar os funcionários(as) das escolas, mas não apresentou uma proposta concreta de como ou quando esta valorização ocorrerá.

Outra preocupação do Sindicato, após a reunião, se refere à forma como o governo pretende implantar este aumento de 9,45%. Assim como em 2022, com o reajuste de 32%, quando apenas aproximadamente 14% da categoria recebeu reajuste conforme anunciado, a nova proposta pode repetir este absurdo.

No último ano, Leite utilizou as vantagens pessoais dos professores(as) para abater do reajuste devido, o que resultou em reajuste médio (conforme dados do próprio governo) de 6,15% para os aposentados(as) e 22,5% para os ativos(as).

Durante a reunião, também foram debatidos concurso público e pagamento da greve para quem ficou de fora e até agora não recebeu. Sobre o primeiro ponto, o governador garantiu que o edital será publicado ainda na primeira quinzena de março. Quanto ao pagamento da greve, o mesmo será realizado até o dia 10 de março, por folha suplementar, com ordem de pagamento, no Banrisul.

Mobilização permanente

Durante todo o dia, representantes dos 42 núcleos do CPERS realizaram uma vigília em frente ao Palácio Piratini para pressionar e manter a luta por reajuste de 14,95% para TODA a categoria, professores(as) e funcionários(as) de escola, da ativa e aposentados(as) – com ou sem paridade -, concursados(as) e contratados(as), e exigiram também o pagamento do valor em sua integralidade, sem confisco da parcela de irredutibilidade.

Já no fim da tarde, o Conselho Geral do Sindicato se reuniu e reforçou a mobilização permanente pelos 14,95% nas escolas de todo o estado.

No dia 3 de março, professores(as) e funcionários(as) da educação, da ativa ou aposentados(as), sócios(as) do CPERS, também têm compromisso com a luta, na Assembleia Geral, que será realizada a partir das 13h30, na Casa do Gaúcho.

Educação é ou não é prioridade? 

Durante toda a sua campanha – e desde o momento em que retornou ao governo do Estado – Eduardo Leite (PSDB) segue afirmando que a educação é a maior prioridade de seu governo, declaração que se contradiz no momento de uma valorização real para os educadores(as), que dedicam a vida à educação dos filhos(as) dos gaúchos e gaúchas.

A crueldade do governo e a falta de coerência ficam claras quando servidores(as) de escola, que acumulam perdas salariais de mais de 50%, e que, por exemplo, viram seus gastos com alimentação crescerem 121% desde o último reajuste real, ficam de fora da proposta. 

Outra questão que chama a atenção é que, quando o reajuste é para os alto escalão do governo, não existem dificuldades. Para a educação, 9,45%; para outros, quase 50%. Vale ressaltar, caso o abatimento da parcela de irredutibilidade se confirme, muitos educadores(as) não ganharão nada!

Na reunião, o governador ainda argumentou que não pode pagar mais que esses 9,45%, mas teve resultado positivo nas contas do Estado em 2022 e tem boas perspectivas na recuperação das perdas do ICMS, condicionante para o reajuste na primeira reunião com o Sindicato. 

Havendo compensação destes valores, o déficit orçado de R$ 3,8 bilhões para este ano pode transformar-se em novo superávit. Portanto, dinheiro tem, basta valorizar o que importa!

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