O Departamento de Gênero e Diversidade do CPERS repudia as declarações do presidente Jair Bolsonaro afirmando que “pessoas com HIV/Aids são uma ‘despesa’ à sociedade”.
Diante deste fato, que ocorreu na última quarta-feira (5), ressaltamos que as ações brasileiras à epidemia de Aids são uma política de Estado, e não uma política de governos ou partidos, amparada nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e na garantia dos direitos humanos, e que teve reconhecimento e destaque internacional.
Expressamos nossa repulsa diante desta desrespeitosa e preconceituosa abordagem dispensada às pessoas que vivem com HIV/Aids. As declarações rotulam e ofendem milhares de cidadãos e cidadãs brasileiros nesta situação, além de seus familiares e amigos.
Não podemos tolerar que passadas décadas de conquistas e de luta contra a discriminação sejam aceitos discursos ancorados em premissas preconceituosas e equivocadas, que potencializam estigmas e processos de exclusão sociais ainda presentes no cotidiano das pessoas que vivem com HIV/Aids no Brasil.
Estas manifestações sem pé nem cabeça são estratégias adotadas pelo atual governo para desviar a atenção da população a respeito de problemas emergentes no país.
Cabe registrar ainda que ter HIV não é a mesma coisa que ter Aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença.
Mas ainda assim podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas em 2017, 940 mil pessoas morreram de causas relacionadas ao HIV e 1,8 milhão foram infectadas pelo vírus. Isso equivale a 5 mil novos casos todos os dias. Atualmente, 36,9 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo. Destas, 1,8 milhão são crianças com menos de 15 anos de idade.
A OMS estima que 75% das pessoas que vivem com o HIV estão cientes de sua condição.
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) lidera e inspira o mundo para alcançar sua visão compartilhada de zero nova infecção por HIV, zero discriminação e zero morte relacionada à AIDS.
A saúde é um dever do Estado e um direito da população, o SUS é para TODOS e TODAS.
Cabe registrar ainda que faltam programas e políticas públicas voltadas a adolescentes e jovens, articuladas com ações de prevenção e de educação sexual e que considerem a vulnerabilidade social destes brasileiros. Infelizmente, as ações do atual governo estão equivocadamente baseadas em questões de cunho moral, sem a menor evidência científica.
É preciso apontar que somente com engajamento social será possível impedir que o obscurantismo e as ideias moralistas predominem.




'