CARTA DOS PROFESSORES DA ESCOLA JÚLIO DE CASTILHOS EM RESPOSTA À SEQUÊNCIA DE MATÉRIAS PUBLICADAS NO JORNAL ZERO HORA E GRUPO RBS


A sessão de jornalismo investigativo do jornal Zero Hora do dia 21 de agosto veiculou uma matéria denunciando o tráfico e o consumo de drogas ilícitas nas dependências da Escola Júlio de Castilhos. Em função disso, os professores e professoras do Colégio Estadual Júlio de Castilhos gostariam de publicar esse direito de resposta, pois acreditam que a metodologia, o conteúdo e a visibilidade dada para o tema merecem maior responsabilidade.
O consumo e o tráfico de drogas são um problema social que atinge diversas escolas públicas e particulares, assim como o entorno dessas instituições. No entanto, a reportagem se propõe a discutir essa questão focando-se apenas nas observações feitas no Colégio Júlio de Castilhos, dando grande destaque ao nome da instituição e a seus alunos. Entendemos que esse tipo de abordagem de um problema tão grave, se presta, sobretudo, a estigmatizar socialmente os estudantes e trabalhadores do Colégio, que são vistos, cada vez mais, de modo negativo na sociedade. No dia seguinte à veiculação da reportagem, nossos estudantes relataram preocupação em se verem vinculados a uma escola famosa por tráfico e consumo de drogas. Na abordagem proposta pela matéria, toda a comunidade escolar acaba sendo reduzida a esses fatos, subestimando qualidades e um cotidiano que é muito mais amplo que o ali visualizado. Uma vez que esse problema vai muito além dos muros de nossa escola, acreditamos que a abordagem a qual individualizou o Colégio Júlio de Castilhos favorece, acima de tudo, o estigma de alunos que, como adolescentes que são, merecem mais atenção e cuidado.
Salientamos também que a comunidade escolar já estava discutindo a gravidade do problema e que medidas estavam sendo tomadas, com rondas pelo pátio, visitas de delegados do DENARC solicitadas pela escola e debates sobre o tema. Contudo, o colégio arca ainda com um quadro de monitores insuficiente para o tamanho de seu espaço físico. Em que pese o trabalho e a dedicação dos funcionários que atuam no Júlio de Castilhos, essas pessoas encontram-se sobrecarregadas frente às demandas de um espaço escolar tão vasto. Nesse sentido, chamamos a atenção que a reportagem em nenhum momento apontou para as responsabilidades do governo estadual. Em uma estrutura que sofre com a falta de investimentos, com número insuficiente de monitores e com professores e funcionários arcando com salários parcelados, os trabalhadores da escola não podem sozinhos ser responsabilizados pelo cenário visto na reportagem.
Somado a isso, salientamos que os dados, fotografias e entrevistas que compõem essa matéria foram feitas sem autorização prévia da equipe diretiva da escola, expondo alunos, professores e funcionários. Entendemos que essa forma de apuração não deu a necessária atenção aos cuidados demandados na exposição pública de um ambiente escolar composto, em sua maioria, por menores de idade.
Assim, denunciamos a irresponsabilidade da matéria jornalística, ao atrelar imagens e gravações sem autorização, e o sensacionalismo da mesma, ao reduzir ao espaço de uma escola um problema social muito mais amplo e que deve ser tratado como tal. O jornalismo sem responsabilidade tem afastado a comunidade desta escola, provocando inclusive evasão escolar. O Colégio Júlio de Castilhos trabalha para que, mesmo em condições de retrocessos, a escola pública seja vivenciada como um direito de todos e de todas, e, levando isso em conta, o jornalismo responsável que caminhe lado a lado desse princípio sempre será bem vindo.

ASSINAM PROFESSORES E PROFESSORAS DA ESCOLA ESTADUAL JÚLIO DE CASTILHOS.

Notícias relacionadas

Centenas de pessoas, entre educadoras(es) dos 42 núcleos do CPERS …

29/05/2026

Na tarde desta segunda-feira (25), o CPERS acompanhou, no Tribunal …

25/05/2026

Após três dias de intensos debates, construção coletiva e reafirmação …

24/05/2026