Diante dos dados divulgados pela pesquisa “Apagão dos Professores”, do Instituto Semesp, que mostram a queda de 42,6% no número de docentes do Ensino Médio com até 24 anos no Rio Grande do Sul entre 2015 e 2025, o CPERS reforça o alerta: o estado corre risco real de falta de professoras(es) na Educação Básica.
O problema, no entanto, não é a ausência de vocação ou de cursos de licenciatura, mas a precarização das condições de trabalho e a desvalorização salarial que afastam as(os) jovens da carreira.
Segundo análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) a partir do Censo Escolar, a rede estadual gaúcha vive um processo acelerado de esvaziamento do quadro efetivo. Entre 2019 e 2025, o número de professoras(es) concursadas(os) caiu de 23.681 para 13.424, redução de 43%.
No mesmo período, os contratos temporários saltaram de 40,6% para 64,3% do total de docentes. Ou seja: a maioria das(os) profissionais que hoje estão em sala de aula não integra a carreira efetiva, o que aprofunda a rotatividade e compromete a continuidade pedagógica.
A remuneração é um dos principais fatores desse cenário. O Rio Grande do Sul ocupa a última posição no monitoramento da Meta 17 do Plano Nacional de Educação: as(os) docentes da rede pública recebem, em média, R$ 4.980 para uma carga de 40 horas, enquanto as(os) demais profissionais com nível superior recebem R$ 6.483, apenas 76,8% do rendimento equivalente.
Além disso, a reforma do Magistério de 2020 reduziu drasticamente a progressão salarial: uma(um) professora(or) de 20 horas ingressa com R$ 2,6 mil e pode chegar a R$ 4,5 mil no topo da carreira após 30 anos. Uma trajetória que deveria reconhecer experiência e formação passou a oferecer diferença mínima entre o início e o fim.
A demografia explica parte do problema, mas não tudo. De acordo com o Departamento, mesmo com a queda da população de 15 a 17 anos, o RS ainda mantém cerca de 42 mil jovens de 14 a 18 anos fora da escola e sem concluir o Ensino Médio, além de uma queda vertiginosa nas matrículas de EJA.
Para o CPERS, enfrentar o risco de apagão docente exige uma política articulada e urgente: realização regular de concursos públicos e recomposição dos quadros efetivos; valorização salarial com reajuste real e recuperação da carreira; melhoria das condições de trabalho e prevenção do adoecimento; fortalecimento da formação inicial e continuada; e planejamento permanente da reposição de profissionais, considerando aposentadorias, afastamentos, matrículas e necessidades de cada escola e área de ensino.
O governo Eduardo Leite (PSD) realizou concurso em 2025 com 6 mil vagas e mais de 41,5 mil inscrições, mesmo com o baixo número de vagas, isso prova que há procura pela carreira pública. Jovens querem ser professoras(es), mas precisam de condições para entrar e permanecer. Sem concursos regulares, salário digno e carreira atrativa, o envelhecimento do quadro docente tende a se aprofundar e comprometer o futuro da educação pública gaúcha.
O CPERS seguirá denunciando a precarização e cobrando do governo o compromisso de transformar essa procura em política pública séria, porque defender a escola pública é garantir que as próximas gerações tenham professoras(es) com direitos, dignidade e futuro digno.




'