Piso Regional: reajuste aprovado na ALRS fica abaixo das necessidades da classe trabalhadora gaúcha


Foto: Raul Pereira/ALRS

O CPERS acompanha com atenção a aprovação, pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), do reajuste de 5,35% para as cinco faixas do Piso Regional do RS, ocorrida nesta terça-feira (19). Ainda que a medida represente um avanço para uma parcela das trabalhadoras e trabalhadores que há anos convivem com salários defasados, especialmente funcionárias e funcionários de escola enquadrados na quarta faixa, o índice aprovado está muito aquém das necessidades reais da classe trabalhadora gaúcha.

Atualmente, o piso regional recebido por essas(es) servidoras(es) de escola (faixa 4) é de R$ 1.945,67 (remuneração bruta). Com o reajuste proposto pelo governo, o valor passará para R$ 2.049,76.

A proposta aprovada reproduz a lógica de compressão salarial adotada pelo governo Eduardo Leite (PSD) e sua base aliada na ALRS, desconsiderando o profundo impacto da inflação e do aumento do custo de vida sobre quem vive do próprio trabalho. O percentual ficou muito distante da reivindicação apresentada pelas centrais sindicais, construída tecnicamente com assessoramento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que apontava a necessidade de um reajuste mínimo de 15,98% para recompor perdas e garantir valorização efetiva dos salários.

O CPERS destaca que o debate sobre o Piso Regional não pode ser tratado apenas como uma discussão técnica ou fiscal. Trata-se de uma decisão política sobre qual projeto de Estado se pretende construir: um modelo baseado na precarização das relações de trabalho e no achatamento salarial, ou uma política comprometida com a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores que sustentam os serviços públicos, a educação, a agricultura, a indústria, o comércio e toda a economia gaúcha.

Os dados apresentados pelo DIEESE evidenciam que o Rio Grande do Sul vem ficando para trás em relação a outros estados da Região Sul. Enquanto Santa Catarina e Paraná acumularam reajustes significativamente superiores entre 2019 e 2025, o piso regional gaúcho perdeu capacidade de garantir dignidade e poder de compra justamente em um período marcado pela elevação do custo dos alimentos, do transporte, da energia e dos itens essenciais.

Além disso, o governo estadual acumula um histórico de ausência de reposição inflacionária e de atrasos na concessão de reajustes do piso regional, sem garantir retroatividade. Na prática, isso reduz ainda mais os ganhos efetivos das categorias que dependem diretamente dessa política salarial para alcançar o vencimento mínimo.

Valorizar o Piso Regional não significa apenas elevar vencimentos. Significa fortalecer a economia local, ampliar a circulação de renda, estimular o consumo, combater desigualdades e garantir condições mínimas de dignidade para milhares de famílias gaúchas.

O CPERS seguirá mobilizado e na luta permanente em defesa da valorização das(os) educadoras(es) e de toda a classe trabalhadora. Nenhum direito foi conquistado sem organização, pressão e resistência coletiva. É com unidade e mobilização que continuaremos enfrentando as políticas de arrocho salarial e defendendo uma educação pública valorizada, democrática e socialmente referenciada.

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