Entre os meses de março e abril, o CPERS realizou um amplo levantamento sobre a realidade das escolas da rede estadual do Rio Grande do Sul. A sistematização dos dados do Radar 2026 revela um diagnóstico contundente: a precarização das escolas caminha lado a lado com o adoecimento físico e mental das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação.
Os dados consolidados evidenciam que os problemas relatados não são isolados, mas estruturais e persistentes, atingindo a maioria das instituições de ensino em diferentes regiões do estado.
Enquanto o governador Eduardo Leite (PSD) anuncia avanços, os dados e relatos expõem a falta de prioridade efetiva para a educação pública.
Adoecimento da categoria emerge como principal alerta
Entre todos os temas, o dado mais alarmante é o avanço do adoecimento das educadoras e dos educadores, apontado de forma expressiva no levantamento.
>> Os relatos indicam crescimento de:
- Estresse e exaustão;
- Problemas de saúde mental; e
- Afastamentos por questões físicas e psicológicas.
Ao todo, das(os) 468 respondentes, 209 afirmaram haver sobrecarga de trabalho em suas escolas, com impacto direto em sua saúde física e mental. Entre os principais fatores estão o excesso de tarefas burocráticas — como preenchimento de planilhas, formulários e relatórios — e demandas administrativas incompatíveis com a carga horária regular.
Essa realidade resulta em sobrecarga, prejuízos à qualidade do ensino, comprometimento do planejamento pedagógico e impactos diretos na saúde das(os) educadoras(es).
A gravidade da situação também foi confirmada durante a Caravana do CPERS, que percorreu o Rio Grande do Sul nos meses de março e abril. Nas visitas às escolas, o diagnóstico se repetiu: trabalhadoras e trabalhadores adoecendo diante de um sistema que não oferece condições dignas de trabalho.
Sobrecarga e falta de profissionais agravam a crise
Outro eixo central apontado pelos dados é a insuficiência de profissionais, especialmente de funcionárias(os) de escola, o que gera acúmulo de funções e intensificação do trabalho. A sobrecarga aparece como um fator decisivo na deterioração das condições de trabalho, sobretudo diante da ausência de políticas efetivas de reposição de pessoal.
>> Os dados evidenciam essa realidade:
- 147 respondentes relataram falta de professoras(es), totalizando 338 profissionais;
- 203 apontaram falta de funcionárias(os), somando 693 trabalhadoras(es);
- 145 indicaram ausência de especialistas, com déficit de 319 profissionais.
Infraestrutura precária segue como realidade nas escolas
Diferente do discurso apresentado nas redes do governo, a sistematização do Radar confirma que uma parcela significativa das escolas ainda enfrenta problemas estruturais recorrentes, como falta de manutenção, instalações inadequadas e ambientes que comprometem o processo de ensino-aprendizagem.
>> Entre as(os) 468 respondentes, 174 informaram que sua escola apresenta problemas estruturais. Os principais são:
- Problemas elétricos: 112
- Problemas hidráulicos: 49
- Infiltrações: 59
- Rachaduras estruturais: 41
- Muro comprometido: 29
- Quadra esportiva sem condições de uso: 42
- Biblioteca sem estrutura adequada: 70
- Obra inacabada: 35
- Obra atrasada: 32
Essas questões impactam diretamente o cotidiano escolar e reforçam a sensação de abandono vivida por muitas comunidades.
Mobilização contra o assédio institucional e a sobrecarga
Diante desse cenário — que não é isolado e está diretamente relacionado às condições precárias de trabalho, à sobrecarga e à falta de suporte institucional — o CPERS lançou, na última quarta-feira (15), um abaixo-assinado contra o assédio institucional e o excesso de demandas burocráticas impostas a professoras(es) e funcionárias(os) da rede pública estadual.
A mobilização ocorrerá em todo o estado: os 42 núcleos do CPERS percorrerão as escolas para coletar assinaturas e dialogar com a comunidade escolar.
Seguiremos em luta por uma educação pública de qualidade
A partir dos dados, o Sindicato reafirma seu compromisso histórico com a defesa da educação pública e com a categoria. O CPERS seguirá mobilizado na luta por melhores condições de trabalho, valorização salarial, investimento real nas escolas, garantia de infraestrutura adequada e políticas que enfrentem o adoecimento das(os) trabalhadoras(es) da educação.
Seguiremos percorrendo escolas, ouvindo a base e denunciando a realidade vivida nas comunidades escolares. Essa é a nossa missão e nosso principal propósito: lutar por uma educação pública de qualidade para todas e todos, com dignidade para quem a constrói todos os dias.




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