O Conselho Geral do CPERS manifesta sua total solidariedade ao professor Guilherme Runge, da rede municipal de Cachoeirinha, município do 22º Núcleo do Sindicato, que vem sendo vítima de perseguição política por sua atuação comprometida com a luta antirracista e em defesa dos direitos humanos nas escolas.
Guilherme é professor concursado há 17 anos, com reconhecida trajetória na educação pública, e responde atualmente a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD n.º 08/2025) movido pela Secretaria Municipal de Educação (SMED), com base em acusações infundadas que visam criminalizar sua prática pedagógica crítica e transformadora.
A abertura do processo se apoia em interpretações distorcidas dos artigos 152 e 153 do Regime Jurídico dos Servidores Públicos Municipais – Lei Complementar 03/2006. No entanto, ao analisar o conteúdo do PAD, salta aos olhos a tentativa de silenciar a atuação do professor Guilherme como educador antirracista.
Como prova de “incitação à prática de crime”, a SMED anexou um poema de sua autoria intitulado “Corpos Negros na Encruzilhada Antirracista”, escrito em dezembro de 2024, que denuncia violências praticadas contra estudantes negras(os) no espaço escolar. A criminalização de uma obra literária com forte conteúdo social escancara o caráter político da perseguição em curso.
Não se trata de um caso isolado. A investida da administração municipal também atinge outra professora que denunciou violações graves ocorridas nas escolas da cidade. Em vez de acolher e apurar essas denúncias com a seriedade que exigem, a Prefeitura opta por atacar quem se posiciona com coragem e responsabilidade frente às desigualdades estruturais que atravessam a realidade escolar. É inadmissível que educadoras(es) sejam punidas(os) por exercerem sua função social de promover a reflexão, o pensamento crítico e a justiça social no ambiente escolar.
Diante desse cenário, o CPERS exige o imediato arquivamento dos Processos Administrativos Disciplinares abertos contra as(os) educadoras(es) de Cachoeirinha que vêm atuando de forma ética, responsável e comprometida com uma educação pública emancipadora.
Repudiamos com veemência toda e qualquer forma de censura, intimidação e retaliação a profissionais que se posicionam contra o racismo, a violência e as diversas opressões que afetam cotidianamente nossas comunidades escolares.
Reafirmamos nosso compromisso com a liberdade de cátedra, com a autonomia pedagógica e com a construção de uma escola verdadeiramente democrática, plural e antirracista. O CPERS segue ao lado das(os) educadoras(es) que ousam ensinar com consciência crítica e sensibilidade social, certos de que nenhuma perseguição será capaz de apagar a força da luta por justiça, dignidade e respeito aos direitos humanos.




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