Além da redução do número de matrículas na EJA, do aumento de turmas multisseriadas e da baixíssima ampliação da modalidade de ensino em Tempo Integral, o Rio Grande do Sul também reúne dados vergonhosos na Educação Profissional. Enquanto o Brasil saltou de 733 mil estudantes matriculadas(os) na EP, em 2019, para mais de 1,16 milhão, em 2024, e as redes públicas estaduais aumentaram suas matrículas em 59%, o RS caiu de 42.303 para 35.285 alunas(os): uma perda de 17%.
É o Censo Escolar 2024, levantamento construído pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que evidencia o cenário dramático no estado. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), por sua vez, analisou e comparou os índices constrangedores do Rio Grande do Sul.
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Diante da queda de matrículas na Educação Profissional, o RS teve o quarto pior desempenho do país, ficando atrás apenas de Mato Grosso do Sul (- 70%), Rio de Janeiro (- 41%) e Mato Grosso (- 40%). Em termos de participação nacional, a rede estadual gaúcha representa apenas 3,02% das matrículas de EP. Em 2019 já era pouco, apenas 5,77%.

Desfinanciamento da educação e falta de políticas públicas
Para a coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Profissional e Tecnológica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul) e integrante do Observatório da EPT/IFSul, Maria Raquel Caetano, a falta de educadoras(es) e o sucateamento da escola pública são algumas das causas para a redução da oferta de cursos de Educação Profissional na rede estadual.
“Não há um projeto de educação profissional, o que temos são cursos de curta duração sendo oferecidos, os chamados cursos de qualificação profissional. Nesses cursos, a oferta se dá inclusive por instituições privadas”, explica a especialista.

De fato, a rede pública estadual encolheu sua participação na educação profissional no Rio Grande do Sul: em 2019, ela era responsável por 34,6% das matrículas, percentual que caiu para 23,2% em 2024.
Ainda, segundo Raquel, ao estabelecer os itinerários formativos, a Reforma do Novo Ensino Médio deixou de fora a formação profissional. “Precisamos de um projeto de educação profissional consistente e não precário como temos acompanhado, especialmente para a juventude gaúcha. É preciso aliar formação básica e formação profissional, com assistência em alimentação, transporte e material didático, levando em consideração ainda o abandono da escola em função de um trabalho imediato. Portanto, é um projeto educacional pensado pela comunidade, que conhece a realidade das escolas e dos estudantes, que o estado do RS precisa”, ressalta.
Ainda que Eduardo Leite (PSD) tente maquiar a realidade da educação gaúcha administrada por ele e por suas(eus) aliadas(os), os números não mentem. O CPERS reitera que enquanto não houver investimento público de peso na valorização das(os) professoras(es), funcionárias(os) de escola e especialistas, na infraestrutura das instituições de ensino e na construção de políticas públicas de acesso e permanência, o Rio Grande do Sul continuará sendo pária nacional no âmbito da educação.
Por um projeto de Educação Profissional concreto e socialmente referenciado! Seguimos na luta ininterrupta por uma escola pública fortalecida, com trabalhadoras(es) respeitadas(os) e reconhecidas(os)!




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