Na tarde desta sexta-feira (10), dentro da programação do #8M estadual, o Departamento de Gênero e Diversidade do CPERS promoveu a roda de conversa “Em Defesa da Vida e dos Direitos das Mulheres: Educar para a Democracia”.
A atividade, realizada no auditório do CPERS, contou com a presença da secretária de Relações de Gênero da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Berenice D’Arc Jacinto.
>> Confira abaixo íntegra da roda de conversa:
A presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, abriu o encontro lembrando do feminicídio da educadora Gillan Garcia Oliveira, que ocorreu nesta sexta, em Pelotas. “Mais uma vida que se vai pela violência. Nossa luta tem que prosseguir cada vez mais forte”, disse Helenir, convidando a todos para ficarem em pé e baterem palmas como forma de homenagem à educadora.
As diretoras do Departamento de Gênero e Diversidade do CPERS, Carla Cassais, Suzana Lauermann e Vera Lessês observaram a importância de seguir fortalecendo a luta das mulheres cotidianamente. “Lembramos que nossa luta se faz todos os dias, não só neste mês. É importante também frisar que nós, mulheres, tivemos um papel essencial para derrubar o projeto de morte que tínhamos antes das últimas eleições”, frisou Carla.
“Como mulheres, enfrentamos milhares de desafios todos os dias. Até hoje, temos situações como a de recebermos salários menores pelo simples fato de sermos mulheres. Então, debates como o de hoje sobre as políticas que nos silenciam, são fundamentais”, observou Suzana.
A diretora Vera, lembrou que com as mudanças na Reforma da Previdência as mulheres foram duramente prejudicadas. “A mudança da legislação aumentou nosso tempo de contribuição, desconsiderando nossa realidade de, muitas vezes, jornada tripla. Temos que seguir na luta, nas ruas, pelos nossos direitos e fortalecer o nosso empoderamento”.
Projetos do governo Bolsonaro que impactaram de forma mais contundente as mulheres
A representante da CNTE também falou sobre as consequências deixadas pelo governo Bolsonaro (PL) na área da educação, e que impactaram, especialmente as mulheres.
Ao apresentar vídeos de escolas cívico-militares de Brasília, Berenice exemplificou o impacto maior às meninas. Em um dos vídeos, uma aluna adolescente é ameaçada e algemada. “O assédio sexual e moral vem ocorrendo nas escolas cívico-militares e as meninas são as mais visadas. A denúncia dessa situação não é fácil, principalmente quando envolve meninas em situação de vulnerabilidade social. Mas é preciso fazer todas as denúncias necessárias”, pontuou.
Berenice também observou que a desconstrução do debate de gênero, junto com o ataque severo à democracia, iniciou em 2016. “Desde o golpe da presidente Dilma vivemos um processo de retirada da democracia e, nesse cenário, as mulheres sofrem ainda mais”, disse.
Violência: Brasil é o 5º país que mais mata mulheres no mundo
Berenice frisou que durante o governo Bolsonaro (PL) houve um aumento assustador da violência contra as mulheres. Com a facilidade de acesso às armas, 52% das mulheres mortas no período foram assassinadas por armas de fogo. “Dessas, 42% morreram por violência em seu lar, 29% por violência no ambiente externo e 1,4% por agressões na escola ou na faculdade. O Brasil está em 5º lugar no ranking de países que mais matam mulheres no mundo”.
Ela ainda pontuou que no período da pandemia a violência doméstica aumentou significativamente. “Como as mulheres iam denunciar com o agressor ao lado?”, indagou.
Para Berenice, um passo essencial para o fim da violência contra as mulheres foi dado recentemente com o reestabelecimento do Ministério das Mulheres. “O governo Lula deu um passo extremamente importante, agora poderemos resgatar as políticas de amparo às mulheres que sofrem violência, bem como os projetos de proteção”.
“Precisamos fazer o movimento de resgate das histórias das mulheres. Essa troca de hoje, nessa roda de conversa, foi riquíssima. Temos que seguir na luta para conquistar mais Casas Abrigo, ver a Lei Maria da Penha colocada, de fato, em prática, bem como a educação que queremos para transformar a realidade social”, finalizou Berenice.
































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