Vice-governador Gabriel Souza distorce a realidade para justificar política que exclui educadores


O CPERS vem a público responder às declarações do vice-governador Gabriel Souza (MDB), que, ao comentar a posição da entidade sobre a chamada bonificação do governo Eduardo Leite (PSD), afirmou “nunca ter visto o Sindicato ser a favor de algo bom para a educação”.

Curioso.

Talvez o vice-governador considere “bom para a educação” medidas que excluem justamente quem faz a escola funcionar todos os dias. Porque foi exatamente isso que o governo apresentou: uma política que não contempla o conjunto da categoria. E aí vem a surpresa: esperavam aplausos?

A fala do vice-governador Gabriel (MDB) diz mais sobre a tentativa de aparecer e crescer nas pesquisas do que sobre a realidade da educação pública. Porque, quando o assunto é resultado concreto, é preciso ser honesto: as conquistas da categoria não foram concessões espontâneas de governo. São fruto direto da organização e da luta coletiva, construída historicamente pelo CPERS ao lado das educadoras e educadores.

Aliás, vale lembrar — já que a memória parece seletiva — que a parafernália de leis aprovada nos governos Eduardo Leite (PSD) e José Ivo Sartori (MDB) teve direção bastante clara: precarizar carreiras, achatar salários e atacar direitos. Os prejuízos estão postos e têm autoria. E não foi o Sindicato. Tampouco se pode falar em compromisso com a educação quando sequer se cumpre o investimento mínimo previsto na Constituição.

Se há algo que o CPERS sempre fez foi exatamente o contrário do que tenta insinuar o vice: organizar, mobilizar e garantir que a categoria conquistasse direitos mesmo diante de governos que insistem em retirá-los. E é justamente por isso que o Sindicato não aceita políticas que dividem, fragmentam e criam distinções entre trabalhadoras(es)e ignoram justamente aquelas(es) que sustentam a escola pública em todas as suas dimensões. Isso inclui quem está em sala de aula, quem garante o funcionamento das escolas e quem já dedicou a vida à educação pública.

Defender bônus seletivo, enquanto milhares seguem com salários defasados, não é valorização — é fragmentação. E a categoria já demonstrou, ao longo da sua história de luta com o CPERS, que não aceita ser dividida.

Há aqui uma inversão curiosa. Defender a reposição da inflação — ou seja, apenas manter o poder de compra dos salários — passa a ser tratado como “ideologia”. Já propor medidas que deixam parte significativa da categoria para trás é apresentado como “algo bom para a educação”. Se essa é a régua, o problema não está no CPERS.

Estamos falando do básico: manter o poder de compra dos salários. Nada além disso. Ou será que, para este governo, educadoras e educadores devem aceitar empobrecimento como política pública?

E já que o assunto é memória: onde está a valorização para as funcionárias e funcionários de escola, historicamente invisibilizadas(os) nas políticas salariais? Onde está o reconhecimento para as aposentadas e aposentados, que acumulam perdas, enfrentam descontos previdenciários e seguem sendo ignoradas(os) pelo governo Leite (PSD)? Essas pessoas não fazem parte da educação pública? Ou só são lembradas quando convém ao discurso?

O CPERS representa toda a categoria — inclusive quem não aparece nas peças publicitárias do governo. E é exatamente por isso que não aceita medidas que excluem, dividem ou aprofundam desigualdades.

Se defender professoras(es), funcionárias(os) de escola e aposentadas(os) é, na visão do vice-governador Gabriel Souza (MDB), “não ser a favor de algo bom para a educação”, então a contradição está dada. Porque não há educação de qualidade sem valorização real construída com quem faz a educação acontecer todos os dias.

O Sindicato seguirá fazendo o que sempre fez: organizando a luta, enfrentando narrativas fáceis e garantindo que cada avanço da categoria tenha nome, história e protagonismo — o das educadoras e educadores, em unidade com o CPERS.

*Foto de capa: Isabelle Rieger/JC

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