Educação em Tempo Integral gaúcha não atende à demanda e enfrenta falhas de implementação


Há uma boa notícia sobre o Ensino em Tempo Integral no Brasil, porém, o Rio Grande do Sul não faz parte dessa manchete. Os objetivos dessa modalidade vêm sendo alcançados em todo o país, com avanço significativo em indicadores importantes do Plano Nacional de Educação (PNE). O estado gaúcho, entretanto, não acompanha esse movimento de forma positiva; ao contrário, contribui para reduzir esses índices, figurando entre os últimos colocados na implementação dessa política.

Conforme estudo apresentado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), realizado pela economista Anelise Manganelli, a partir dos dados do Censo Escolar 2025, a educação estadual gaúcha amarga baixíssimas posições nos rankings de estudantes matriculadas(os) em Tempo Integral, em comparação com outros estados.

No Ensino Médio, apenas 20,8% das(os) alunas(os) estão matriculadas(os) nessa modalidade, número assustadoramente inferior aos 81,5% apresentados pelo Piauí, ou aos 61,7% de Pernambuco. Segundo dados do Censo, a meta nacional para estas matrículas seria de 25%, colocando o Rio Grande do Sul significativamente abaixo dessa expectativa.

Na Educação Básica, a história se repete como um disco arranhado. O Rio Grande do Sul tem apenas 12,1% de suas(eus) alunas(os) em Tempo Integral, número ínfimo se colocado lado a lado com estados como o Piauí, com 51,6%, ou como o Ceará, com 48%.

> Implementação sem estrutura e recursos humanos, mas no discurso está tudo bem

O governo Eduardo Leite (PSD) e seus agentes, como o vice-governador, Gabriel Souza (MDB) e a secretária de educação, Raquel Teixeira, falham miseravelmente em cumprir as suas metas, enquanto nas salas de aula a cobrança para as(os) trabalhadoras(es) da educação é diária, com uma sobrecarga de trabalho imensa, constatada nas visitas do CPERS na atual Caravana, que percorre o RS neste início de ano letivo.

Para além da cobrança adoecedora, existe o lado perverso desses números, na sanha implacável de alcançar índices vistosos, escolas sem estrutura e sem educadoras(es) suficientes passam a receber turmas de Tempo Integral. O resultado é somente um, uma educação precarizada, tanto para quem a constrói quanto para as(os) estudantes, filhas e filhos das(os) trabalhadoras(es) gaúchas(os).

Essa falência do projeto de Ensino em Tempo Integral em solo gaúcho é ainda mais agravada quando comparamos a realidade com o discurso apresentado pelo governador Eduardo Leite (PSD) em suas propagandas em época de eleição e até mesmo se olharmos para o que vem sendo veiculado pelos canais digitais do Executivo ultimamente. Um mundo fantástico, com escolas limpas e reformadas, com uniformes e tênis dados pelo Estado, com funcionárias(os) e professoras(es) vestindo um sorriso de orelha à orelha. A realidade, para quem está em cada estabelecimento de ensino espalhado pelo nosso imenso estado, sabemos, não é bem essa.

O CPERS continuará brigando para que a conta de um projeto personalista como o de Eduardo Leite (PSD) não seja paga pela classe trabalhadora. O Sindicato apoia a implementação do Ensino em Tempo Integral, desde que esse processo se dê com estrutura e com profissionais em número adequado, sem impor uma sobrecarga ainda maior para uma categoria já muito penalizada. Educação em Tempo Integral, sim, mas com dignidade!

Notícias relacionadas

Na tarde desta quarta-feira (15), uma delegação do CPERS esteve …

15/04/2026

O Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva, comemorado nesta …

13/04/2026

Nesta sexta-feira (10), conselheiras e conselheiros do CPERS reuniram-se na …

10/04/2026