Na tarde desta quarta-feira (23), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) promoveu, em Porto Alegre, mais uma etapa da Jornada Nacional de Debates com o tema “Trabalho, Meio Ambiente e Transição Justa – Rumo à COP 30”. O evento, realizado na sede do Sindipolo-RS, reuniu representantes de sindicatos e centrais sindicais para uma formação sobre os impactos das mudanças climáticas no mundo do trabalho.
Com presença ativa de entidades como o CPERS, CUT-RS, Sindipetroleiros, Sindicato dos Sapateiros, Sindbancários, Sindiágua, Sinpro e Sindipolo, o encontro teve como objetivo central colocar o tema ambiental no centro da agenda sindical, destacando como as transformações climáticas já estão afetando diretamente as(os) trabalhadoras(es) brasileiras(os).

O CPERS foi representado pela diretora do Departamento de Funcionárias(os) de Escola, Juçara Borges, e pelo diretor do Departamento de Funcionárias(os) de Escola e também o de Sustentabilidade do Sindicato, Leandro Parise, que destacaram a importância da interseção entre justiça climática e justiça social. “Não há justiça ambiental sem justiça social”, afirmou a diretor Leandro.
Durante o debate, o Sindicato trouxe uma importante contribuição ao destacar como as ondas de calor extremo, cada vez mais frequentes no Rio Grande do Sul, vêm afetando diretamente as condições de trabalho e de ensino nas escolas públicas. Salas de aula superlotadas, sem ventilação adequada ou climatização, tornam o ambiente insalubre para educadoras(es) e estudantes, especialmente nos períodos mais quentes do ano.

A apresentação do tema foi feita pelo economista e pesquisador do Dieese, Cloviomar Cararine Pereira, com mediação do diretor técnico Ricardo Franzoi. Cloviomar foi enfático ao afirmar que “os trabalhadores não estão incluídos no debate ambiental, e eles são os mais afetados. É preciso trazer o debate ambiental para dentro do movimento sindical e o Dieese está trazendo esse tema para os trabalhadores”.
A CUT-RS reforçou sua posição em defesa da preservação ambiental, mas com atenção especial às consequências já visíveis das mudanças climáticas para a classe trabalhadora. Como exemplo, foi citado o impacto das enchentes de maio de 2024, que causaram a perda de moradias, empregos e condições de trabalho para centenas de trabalhadoras(es) no Rio Grande do Sul.
O evento também foi espaço de provocação e reflexão sobre o papel dos sindicatos diante dessa nova realidade. “As mudanças climáticas já se tornaram uma realidade cada vez mais presente no dia a dia”, destacou Cloviomar. Pensando nisso, o Dieese propôs que o movimento sindical passe a incorporar a pauta ambiental nas mesas de negociação coletiva, assegurando direitos e condições dignas frente às novas ameaças ambientais.

Ao final, Ricardo Franzoi mediou o debate entre os sindicalistas presentes, promovendo uma rica troca de experiências e estratégias sobre como os sindicatos podem se articular frente aos desafios impostos pela transição ecológica.
A Jornada Nacional de Debates está sendo realizada em 17 capitais brasileiras e integra a agenda de mobilizações do 1º de Maio, além de preparar o movimento sindical para a participação na COP 30, que será sediada em Belém do Pará, no Brasil, neste ano.
Para aprofundar o tema, o Dieese disponibiliza diversos estudos e materiais em seu site, abordando temas como empregos verdes, transição justa e o futuro de setores intensivos em carbono:
- Empregos verdes e sustentáveis no Brasil
- Trajetórias de vida no setor do carvão
- Seminário Internacional Trabalho, Meio Ambiente e Transição Justa
- Nota Técnica Dieese 263 – Transição Justa
- Estudo sobre o futuro do carvão no Brasil
- Documentário: O Futuro do Carvão no Brasil
O CPERS reforça que a transição ecológica não pode ser construída sem as(os) trabalhadoras(es). Pelo contrário, deve ser um processo conduzido com sua participação ativa, garantindo direitos, empregos e justiça social.
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