Solidariedade aos sem-terra do Quilombo Campo Grande e repúdio à violência de Zema (NOVO)


A foto de capa da matéria do Repórter Brasil: Ação começou com um trator destruindo a escola local, após agricultores salvarem livros e carteiras enquanto o batalhão de choque batia com os cassetetes nos escudos; decisão judicial atende a interesses de ‘barão do café’. Crédito: Daniel Camargos.

Em solidariedade às famílias cruelmente despejadas na última semana, em meio à pandemia, das terras do Quilombo Campo Grande, o CPERS reproduz nota do Movimento Sem Terra de Minas Gerais.

MST MG denuncia violência cometida pelo governo Zema ao permitir um despejo em meio à pandemia

O Movimento Sem Terra no estado de Minas Gerais vem a público denunciar o despejo violento realizado pela PM na tarde desta sexta-feira, 14. Em meio à pandemia, o governador Romeu Zema colocou a vida e a saúde de milhares de pessoas em risco, demonstrando o seu descaso com o povo, mostrando sua face covarde e criminosa.

Após 56 horas de resistência no Acampamento Quilombo Campo Grande, o despejo marcado para quarta-feira passada, 12 de agosto, se concretizou com um ataque violento da polícia às famílias organizadas. Foram três dias de tensão, violações de direitos humanos e solicitações para que o governador Romeu Zema suspendesse a ação policial. A mobilização do aparato policial promoveu aglomeração expondo não somente as famílias Sem Terra, mas também toda a população da região à propagação do Coronavírus, inclusive grávidas, idosos e outras pessoas do grupo de risco.

Denunciamos que a área de 26 hectares inicialmente constadas no processo judicial n. 6105218 78.2015.8.13.0024, que já estavam desocupados, foi ampliada para 52 ha no último despacho da Vara Agrária e a operação policial foi além da determinada pela liminar, e conseguiram destruir a Escola pública Eduardo Galeano, e as casas e lavouras das sete famílias mais próximas do local. Mais uma vez, o Estado se coloca contra os interesses do povo e promove a escalada de violência no campo. Além de realizar um ataque direto à educação do campo, quando a operação derruba a Escola Popular Eduardo Galeano, local que oportunizou a inúmeras crianças, jovens e adultos o direito de aprender a ler e escrever.

Esse é o novo que o governador Zema quer para o povo de Minas Gerais. O projeto de violência e de morte que considera os interesses da burguesia acima de todos. Chega de despejos, é preciso que o governador seja penalizado pelos crimes que cometeu.

Mesmo com as violações e perdas, é importante ressaltar que nesse árduo processo a unidade da classe trabalhadora e a solidariedade da sociedade, ao denunciar e se mobilizar contra o neofacismo que se instala em nosso país, foi fundamental para que enfrentássemos os desmandos do Estado de cabeça erguida. Assim, reafirmamos, seguiremos firmes na luta pela terra e que as 450 famílias permanecem nas terras da antiga Usina Ariadnópolis, produzindo alimentos saudáveis para o povo brasileiro. Despejo zero.

Agradecemos a solidariedade de todos e todas!

Direção Estadual do MST – MG
14 de agosto de 2020

SEGUIREMOS AINDA LUTANTO TAMBEM NO PODER JUDICIARIO

Há um julgamento pendente na vara agraria dia 28 de agosto e uma liminar no STF.

Pedimos que sigam escrevendo ao governador, responsabilizando-o de tudo, e também se algum policial ou assentado vier a contrair o COVID-19, pela ação covarde e irresponsável de contaminação no despejo.

Escreva pressionando:

1.ROMEU ZEMA – Governador do Estado de Minas Gerais  [email protected] (31) 3915-9210/9005, Whatssap: 55 34 8871-0669
2.Presidente do TJMG Dr. Sr. Gilson Soares Lemes – processo de reintegração de posse Nº 6105218-78.2015.8.13.0024. Contato 31. 3237 6594 ou 31. 3306 3100, e-mail  gabinete da presidência – GAPRE [email protected]
3. Nelson Messias / TJMG – (31) 9732-7310
4. Juiz ROBERTO APOLINÁRIO DE CASTRO, Titular da Vara Agrária de Minas Gerais: [email protected] (31) 3330-2749

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