Resistência e mobilização: encontro estadual reúne representantes de aposentados dos núcleos do CPERS


União, resistência e afeto! Foi com estes objetivos que, nesta terça-feira (2), o CPERS promoveu o Encontro Estadual com Representantes de Aposentadas(os) dos Núcleos do Sindicato. O evento, realizado no Salão das Figueiras, no Clube do Professor Gaúcho, em Porto Alegre, reuniu representantes regionais da categoria para debater temas de interesse das(os) aposentadas(os).

Na abertura do encontro, a presidente do CPERS, Rosane Zan, deu as boas-vindas ao público presente, agradecendo a participação de todas e todos. Em sua fala, elogiou o engajamento e destacou a importância da atuação ativa das aposentadas e dos aposentados nas lutas do Sindicato. Rosane evidenciou a firmeza e, ao mesmo tempo, o encantamento que marcam o olhar das(os) educadoras(es), que seguem resistindo, mesmo após anos de dedicação à educação.

Em um momento de emoção, declarou: “Ver vocês aqui é algo que mexe muito com o meu coração. É emocionante perceber o quanto são guerreiras e guerreiros. Quem atravessou o estado para estar presente neste encontro, realmente demonstra compromisso com a luta.”

A dirigente destacou a importância do evento diante dos constantes ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários, reforçando que o Sindicato continuará resistindo e na luta. Ressaltou também as batalhas enfrentadas ao longo do tempo, as memórias construídas coletivamente pela categoria e o quanto as(os) trabalhadoras(es) da educação ainda são diretamente impactados pelas reformas implementadas pelo governo Eduardo Leite (PSD).

Em seguida, houve uma apresentação com representantes da Direção Central do CPERS, que abordou a conjuntura atual e os desafios enfrentados pela categoria. Entre os temas mencionados, estiveram a meritocracia imposta pelo governo Leite (PSD), a perda de direitos, a desvalorização das(os) aposentadas(os), que seguem sem o devido reconhecimento e reforçaram o compromisso de continuar a luta por valorização e respeito. 

“Estamos aqui reunidos, os representantes regionais eleitos nos núcleos e a direção estadual do CPERS, para tratar da nossa situação. Há vários anos os aposentados vêm sofrendo ataques e a retirada de direitos. Estamos preparando uma grande mobilização para pôr fim ao confisco previdenciário. Eu sozinha ando bem, mas com vocês ando melhor”, refletiu a coordenadora do Departamento de Aposentadas(os) do CPERS, Sandra Régio. 

As diretoras Sandra Beatriz Silveira e Juçara de Fátima Borges, e o diretor Luiz Henrique Becker, que compõem o Departamento, também estavam presentes no Encontro. 

Conhecimento como forma de mobilização 

Ao longo da manhã de Encontro, as(os) participantes acompanharam palestras que abordaram temas variados, visando contextualizar as lutas atuais e planejar o futuro da mobilização em defesa dos direitos das(os) aposentadas(os). 

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, apresentou uma análise da conjuntura nacional e internacional. Em sua fala, trouxe pautas importantes sobre a relevância do Estado de Direito e da soberania nacional, ressaltando que um governo democrático precisa, necessariamente, defender a soberania de seu povo. 

“Um país só existe de verdade se tiver um povo livre, educado, com escolas públicas de qualidade e governantes que defendam a soberania de sua nação. Um viva aos trabalhadores da educação, às professoras e professores, e aos funcionários e funcionárias da educação do estado do Rio Grande do Sul!’, afirmou Amarildo.

A conjuntura estadual foi explanada pela ex-presidente do CPERS e secretária de formação da CUT-RS, Helenir Aguiar Schürer. 

“A justiça tarda, mas não falha. E nós estamos exigindo justiça, porque demos a nossa vida inteira para a educação e, no fim da vida, está nos faltando até remédio.”  A secretária também destacou a importância do serviço público e denunciou os ataques do governo Eduardo Leite (PSD) à educação no Rio Grande do Sul, explicando que o estado tem pressionado professoras(es) a aprovar alunas(os), desrespeitando o fazer pedagógico e comprometendo a qualidade do ensino. 

Outro momento significativo foi a retomada da fala, por Rosane Zan, de uma questão importantíssima: a luta pelo fim do confisco previdenciário. A presidente relatou a autoagenda realizada no Supremo Tribunal Federal (SFT), no início do último mês, onde o Sindicato pressionou pela retomada do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6254.

Neste ponto do Encontro, as(os) aposentadas(os) levantaram cartazes e manifestaram seu apoio, em uníssono, demonstrando união e indignação diante do cenário. 

Sergio Kumpfer, secretário de Aposentados(as) e Assuntos Previdenciários da CNTE, deu sequência ao debate evidenciando o papel fundamental das(os) aposentadas(os) na luta e reforçou dados do Censo de 2022, destacando o envelhecimento da população e a necessidade de olhar com atenção para a estrutura etária do país. “A população mudou, e, por isso, é preciso ampliar o foco para esse futuro”, afirmou. Segundo Sergio, a luta deve ser pela garantia de uma previdência justa, além da exigência de um sistema de saúde público preparado, com acesso a lazer e cultura para todas(os).

A professora aposentada, Jane Caetano, seguiu o evento reafirmando e agradecendo o trabalho do Departamento de Aposentadas(os), incentivando que todas(os) participem ativamente dos núcleos do Sindicato. Ela também promoveu um momento de reflexão sobre a importância da empatia e da integração entre as(os) colegas. Ao final de sua fala, uma homenagem simbólica foi realizada com a entrega de flores, como gesto de reconhecimento e carinho.

Neida Porfírio de Oliveira, também educadora aposentada, ressaltou a importância de um sindicato plural, comprometido com a transição das vanguardas para as novas gerações. Neida também afirmou que duas marcas políticas devem ficar registradas neste Encontro: a exigência de prisão para os golpistas e o reconhecimento de que Eduardo Leite (PSD) é inimigo das(os) aposentadas(os).

Radar financeiro e jurídico das(os) Aposentadas(os)

Representantes das assessorias técnicas do CPERS, Escritório Buchabqui e Pinheiro Machado e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), apresentaram dados sobre a atual situação financeira e jurídica da categoria. 

A economista assessora técnica do DIEESE, Anelise Manganelli, destacou pontos importantes sobre a situação econômica enfrentada por aposentadas(os) no Brasil. Entre os principais tópicos abordados, destacam-se:

– Alto custo de vida: o aumento constante nos preços tem impactado diretamente o orçamento das pessoas aposentadas, dificultando a manutenção de uma vida digna;
Indicadores de inflação: foi ressaltada a importância de considerar indicadores de inflação que reflitam o consumo real da população idosa;
A reorganização das carreiras e a definição de um piso nacional justo são temas centrais, pois muitas(os) aposentadas(os) recebem valores abaixo do necessário para uma vida minimamente confortável.

Outro ponto relevante foi o destaque para o Projeto de Lei n.º 1.087/2025, que propõe mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física, incluindo a isenção para rendas mensais entre R$ 5.000 e R$ 7.350, além da aplicação de tributação mínima para rendas superiores a esse valor. Reforçando que qualquer mudança impacta diretamente no planejamento financeiro e nos direitos das(os) aposentadas(os).

Outras questões cruciais também foram trazidas para o debate. Entre os principais pontos críticos discutidos, estiveram em pauta a precarização das contratações, o impacto do envelhecimento populacional sobre o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), a PEC 66/2023, a regulamentação da negociação coletiva, além das reformas Administrativa e Tributária, todos considerados desafios significativos à garantia dos direitos das(os) servidoras(es) aposentadas(os).

Marcelo Fagundes, da assessoria jurídica do CPERS, trouxe as principais informações sobre questões jurídicas da categoria, reforçando a importância das ações coletivas ajuizadas pelo Sindicato.

O advogado também esclareceu dúvidas sobre a luta pelo fim do desconto previdenciário. A demora na análise tem provocado insegurança e dificuldades financeiras a milhares de educadoras(es) aposentadas(os), que dependem da declaração de inconstitucionalidade da medida para recuperar parte significativa de seus proventos.

Ao final da explanação de Marcelo, houve apresentação das cantoras “As Irmãs Madruga”, de Santiago (29⁰ Núcleo), que cantaram músicas nativistas, emocionando as(os) presentes.

>> Confira as fotos da manhã de Encontro: 

No turno da tarde, a segunda parte do evento continuou com a palestra “Tradicionalismo e Nativismo sobre a Mulher na Música Gaúcha”, ministrada pela professora Naiara Dal Molin, mestra e doutora em Ciências Políticas pela UFRGS. A professora iniciou sua apresentação destacando seu compromisso com a educação pública, da qual foi aluna, e ressaltou a importância de abordar, sob uma perspectiva feminista, o papel da mulher na música tradicionalista gaúcha. 

Neste sentido, diferentes músicas da cultura gaúcha foram analisadas, com ênfase na importância do questionamento crítico e reflexivo.

Atividades em andamento e propostas dos núcleos

No encerramento do Encontro, os núcleos do CPERS apresentaram suas propostas de ação para a luta em defesa das(os) educadoras(es) aposentadas(os). Entre as pautas discutidas, ganhou destaque a mobilização pela paridade e a isonomia salarial.

Entre as estratégias apresentadas, estão atividades com foco no bem-estar e na saúde integral das(os) aposentadas(os). Outro ponto destacado foi o incentivo ao uso das tecnologias digitais, com a criação de grupos voltados para a inclusão e a aprendizagem prática, especialmente no que diz respeito ao manuseio de dispositivos móveis.

Também foram levantadas questões relativas ao IPE Saúde e reforçada a importância de ampliar o acesso a serviços de atendimento psicológico, reconhecendo a saúde mental como parte essencial da qualidade de vida. 

Os núcleos também apresentaram suas atividades já em andamento, como grupos de estudos de políticas sindicais, exposições de trabalhos artísticos, passeios turísticos e atividades comemorativas.

Resistência fortalecida: aposentadas no foco das ações do CPERS

O Encontro reforçou que, apesar do descaso do governo Eduardo Leite (PSD), as(os) aposentadas(os) seguem firmes, organizadas(os) e determinadas(os) a lutar por dignidade, respeito e justiça. O CPERS, junto ao seu Departamento de Aposentadas(os), sai deste momento de debates ainda mais fortalecido, com a convicção de que somente a mobilização coletiva pode barrar os retrocessos e garantir a valorização de quem dedicou a vida inteira à educação pública.

Neste segundo semestre, a luta será intensificada em todas as frentes, dentro e fora das escolas, nas ruas, no parlamento e nos tribunais. O CPERS reafirma que não medirá esforços para ampliar a visibilidade das pautas das(os) aposentadas(os) e conquistar avanços concretos, mantendo viva a chama da resistência e demonstrando que a categoria não se curva e seguirá exigindo seus direitos. Avante educadoras(es), de pé! 

>> Confira as fotos da tarde de Encontro: 

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