#ReposiçãoJÁ | CPERS apresenta pauta salarial à Casa Civil e cobra mesa de negociação para recompor perdas


A Direção Central do CPERS se reuniu, na manhã desta quarta-feira (21), com secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos Junior, para abrir as discussões sobre a urgente necessidade de reposição salarial para a categoria.

O Sindicato saiu com a promessa de um segundo encontro, com a presença das secretarias da Educação e da Fazenda, para dar continuidade à pauta.

Sem reajuste desde novembro de 2014 e a inflação acumulada em 45,05%, profissionais da rede estadual amargam perdas que equivalem à redução de quase metade do salário real. O esfarelamento do poder aquisitivo é ainda mais grave quando se considera a alta nos preços de produtos e serviços essenciais, como gás de cozinha, luz e alimentos.

Sequer entra no cálculo a perda de direitos, o brutal confisco dos aposentados(as), o calote dos dias trabalhados para recuperar a greve, os custos extras do trabalho remoto e a redução de adicionais.

“Estamos no limite. Então o que pleiteamos é o mínimo: que o governo leve a educação a sério e sente para negociar”, avalia a presidente Helenir Aguiar Schürer.

Helenir entregou a Lemos um ofício com 27 pontos que abordam as perdas da categoria e analisam a situação fiscal do Estado. Anelise Manganelli, economista e técnica do Dieese, detalhou alguns dos tópicos:

“Temos observado que, de acordo com as finanças do Estado, há fôlego. O Rio Grande do Sul apresentou um dos maiores crescimentos do País no primeiro semestre, com ganho real na arrecadação de 12,8% no comparativo com o mesmo período de 2019, quando não havia crise sanitária. Ao mesmo tempo, a arrecadação com o desconto dos aposentados da Seduc aumentou em 5.000%. Os menores salários pagaram a conta do reajuste fiscal.  Está cada vez mais difícil justificar para a categoria como não se consegue minimamente recompor estas perdas.”

A diretora Vera Lessês também pontuou o ataque aos aposentados e a desvalorização da carreira.

“Leite dizia que a Reforma deixaria a carreira mais atraente. É preciso dizer aqui que isso não aconteceu. Não são só os sete anos de congelamento, são mais de 60 meses de parcelamento e muitos direitos retirados. O dinheiro descontado da Previdência está fazendo falta para a medicação e acabando com a qualidade de vida dos nossos aposentados”

“É uma vergonha o que estamos passando. Temos um dos piores salários do Brasil comparado com os outros estados e o Rio Grande do Sul não é o estado mais pobre. É inadmissível essa situação”, asseverou o diretor Cássio Ritter.

“Nossa categoria não tem mais saúde para aguentar essa situação”, sintetizou Leonardo Preto Echevarria, também da Direção Central.

Vale-transporte e alimentação

Além da questão salarial, foram abordados o desconto retroativo do vale-transporte, o corte de ponto da greve de 2019/2020 e a recomposição do vale-alimentação, congelado há dois anos.

Sobre o último tópico, o secretário informou a respeito do Projeto de Lei 202/2021, em tramitação na Assembleia Legislativa, que trata do reajuste do vale. O Sindicato ainda avaliará a proposta.

Edson lembrou que não se pede aumento de salário, mas recuperação do poder aquisitivo perdido, e abordou o desconto abusivo do vale-transporte. “Por uma falha da Seduc, que depositou valores indevidos  ao longo dos meses de pandemia, a categoria está sofrendo descontos gigantescos e imprevistos. Temos pessoas recebendo R$ 300 no fim do mês. Quem sustenta uma família com isso?”

Lemos levará o questionamento à Secretaria da Educação. O mesmo encaminhamento foi dado a respeito da greve, descontada no ponto apesar dos dias trabalhados para recuperar as aulas.

Luta continua

Além da pressão no governo e deputados, inserções em rádio e TV e ações coordenadas nas redes sociais, o CPERS prepara mobilizações presenciais, incluindo a vigílias na Praça da Matriz todas as terças-feiras, iniciadas nesta semana.

No próximo dia 13 de agosto, os educadores(as) estão convocados para lotar a Praça da Matriz. A intenção é entregar, oficialmente, as centenas de moções aprovadas em Câmaras de Vereadores de todo o estado em apoio à reposição salarial.

“Todos devem se engajar, divulgar as peças da campanha e pressionar vereadores e deputados da base para que o governo nos apresente uma proposta. Somente a luta nos garantirá a vitória”, afirma a presidente.

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