Reformas e mudanças sociais pautam aula pública do CPERS


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Foto: Juliana Bencke / Folha do Mate

Estudantes, docentes e pessoas da comunidade lotaram o plenário da Câmara de Vereadores, na manhã de sexta-feira, para participar de uma aula pública com o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Benedito Tadeu César.

O evento, promovido pelo 18º Núcleo do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS/Sindicato), abordou temas como a mudança no cenário econômico e social, a terceirização e a Reforma da Previdência. “Estamos passando por mudanças profundas no país no aspecto político, econômico e social”, observa César.

Segundo ele, durante as gestões Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT), a economia foi impulsionada pelo aumento do salário mínimo acima da inflação, com foco na ascensão social, o que estimulou o mercado de consumo e a produção das empresas. Em contrapartida, a estratégia do atual presidente, Michel Temer (PMDB), é voltada ao empresariado. “Trabalha-se com a ideia de que, se as empresas tiverem mais facilidades, vão investir mais e gerar mais empregos, mais contratações, mesmo – ou especialmente – com menores salários”, analisa.

“São perspectivas diferentes de dinamizar a economia. Dentro dessa perspectiva econômica e social atual são tomadas medidas que impulsionam projetos como o da terceirização, aprovado nesta semana, e a reforma da Previdência”, Benedito Tadeu César, cientista político e professor da UFRGS.

Participaram da aula pública alunos das escolas estaduais de ensino médio Monte das Tabocas e Crescer, e de educação básica Cônego Albino Juchem (CAJ). A atividade integrou a agenda de mobilização do CPERS, com uma série de eventos em municípios da região, ao longo da semana. De acordo com a assessora do 18º Núcleo do CPERS, Cira Kaufmann, a intenção é levar aos estudantes informações sobre os projetos que afetam direitos dos trabalhadores.

Nesta semana, o presidente Michel Temer anunciou a retirada dos servidores estaduais e municipais do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 287/2016, da reforma previdenciária. Apesar disso, conforme Cira, o Cpers permanecerá na luta contra a reforma. “A proposta de Temer é justamente dividir o movimento dos trabalhadores, que está unificado em todo o país. Mesmo que não sejamos mais abrangidos diretamente, a reforma atingirá nossos alunos e as suas famílias. Não podemos ficar alheios a isso”, defende.

Mobilização continua na próxima semana

O CPERS/Sindicato dá continuidade aos protestos, na próxima semana. No dia 28, professores de todo o estado iniciam uma vigília, em Porto Alegre, com o objetivo de pressionar os deputados a rejeitarem um pacote de projetos enviado pelo governador.

“A ideia é nos concentrarmos lá, pois os projetos devem entrar em votação”, explica a professora Cira Kaufmann. De acordo com ela, a retirada da licença prêmio dos profissionais e o fim da cedência de dirigentes sindicais estão entre as propostas do governo. ‘Isso inviabiliza o movimento sindical e altera direitos que são conquistas históricas. Além disso, há um projeto que busca legitimar o que o governador já está fazendo: pagar o salário até o dia 20 do mês subsequente e parcelar o 13º salário.”

No dia 30, às 14h, ocorre conselho e assembleia regional, em Santa Cruz do Sul, para definir os rumos da mobilização. No dia seguinte será realizada assembleia geral da categoria, em Porto Alegre.

Fonte: Folha do Mate/  Venâncio Aires

 

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