Pesquisa aponta crise educacional e medo de contágio caso escolas sejam reabertas


Na manhã desta sexta (7), foi apresentada a segunda parte dos resultados da pesquisa produzida pelo Comitê Popular Estadual de Acompanhamento da Crise Educacional no RS e pela Associação Mães & Pais Pela Democracia, composto por entidades como o CPERS.

As informações da primeira etapa, divulgada na última sexta (31), apontam para um apagão educacional no Rio Grande do Sul durante a pandemia.

Já os dados da segunda confirmam que, enquanto o contágio de Covid-19 não estiver controlado, não há condições para o retorno das aulas.

▶ Acesse a íntegra da segunda etapa da pesquisa aqui.

O levantamento foi realizado entre os dias 23 e 28 de julho por meio de um questionário online e a segunda etapa corresponde à opinião das 1191 mães, pais e responsáveis sobre a educação durante o isolamento.

De acordo com os dados apresentados hoje, 89% das mães, pais e responsáveis consideram importante que o Estado forneça uma vacina gratuita e em massa para o retorno presencial às escolas em Porto Alegre.

 

Para a socióloga Aline Kerber, presidenta da Associação Mães & Pais Pela Democracia e uma das responsáveis técnicas pela pesquisa, os dados apontam cautela de pais e mães.

“As mães e pais avaliam que os estudantes só devem voltar às aulas com vacina, testes de sintomáticos e em massa, redução dos casos de COVID por 14 dias consecutivos”, explica.

Além desse dado, Aline afirma ainda que mais de 70% não aceitam e não veem o rodízio de alunos como medida suficiente para evitar aglomeração, “seja pela precariedade já conhecida, seja pela falta de profissionais para limpeza e falta de professores.”

Para Rosane Zan, diretora do Departamento de Educação do CPERS/Sindicato, uma das entidades que compõem o Comitê, “se tivermos que voltar hoje pelo sistema de rodízio, teremos problema em termos do número de profissionais que atuam na rede pública”.

Aulas remotas durante o isolamento aumentam a exclusão

Outro dado relevante foi a perda do interesse das crianças e estudantes. Cerca de 60% das mães, pais e responsáveis afirmam que suas filhas e seus filhos perderam o interesse pelas aulas nesse período.

Sibele Lemos, mãe de aluna da rede pública estadual e professora da rede pública municipal, diz que as orientações das mantenedoras (municipal e estadual) não dialogam com as comunidades escolares e desconhecem as realidades do momento.

As condições sociais, econômicas e emocionais das famílias e em especial das alunas e alunos devem ser levadas em conta, pois está se impondo uma atividade remota, sem considerar a realidade e a necessidade das pessoas envolvidas”, critica.

A diretora do SIMPA, Cindi Sandri, explica que a rede pública municipal de Porto Alegre tem sido invisível para as políticas públicas nesse último período pela gestão municipal.

“Fica fácil de compreender porque as pessoas sentem que o ano está perdido. É necessário reforço, e a realidade que está sendo divulgada pelo secretário municipal de Educação não existe. Essa pesquisa comprova isso”, afirma.

Sabrina Leal, responsável técnica pela pesquisa, alertou ainda que estes dados precisam ser analisados a partir da realidade concreta e da cultura do Brasil e chamou atenção para as situações que estão além das questões estruturais.

“É necessário entender que a escola é um espaço de socialização para as crianças e estudantes. É impossível pensar um retorno sem pensar o gesto afetivo do abraço”.

Para a doutora em Educação Margareth Simionato, presidenta da Associação de Escolas de Superiores de Formação de Profissionais do Ensino do RS (AESUFOPE), a pesquisa é importante porque revela dados oriundos de pessoas envolvidas no cotidiano da educação.

“Os sujeitos da pesquisa são pessoas que estão no cotidiano das escolas sendo profissionais ou pais e mães nela atuantes e ligados. Os dados revelam realidades antes não contabilizadas, bem como as diferenças em acesso digital e estratégias de enfrentar a crise na educação que se aprofunda a cada dia”, ressalta.

Terceira etapa da pesquisa

Na próxima semana será divulgada a terceira etapa da pesquisa “Pais e Professores – Educação na Pandemia Covid-19”.

Mais informações podem ser obtidas com Aline Kerber, presidenta da Associação Mães & Pais Pela Democracia através do e-mail maesepaispelademocracia@gmail.com e com Daniel Momoli, do Comitê Popular Estadual de Acompanhamento da Crise Educacional no RS através do e-mail: comitepopulardeeducacao@gmail.com.

 

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