Na noite desta terça-feira (21), o CPERS realizou a live “Outubro Mais do que Rosa: Saúde da Mulher por Inteira”, transmitida pelo Facebook e YouTube da entidade. A atividade, organizada pelo Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do Sindicato, integrou o calendário do Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a saúde da mulher, e ampliou o debate para além da prevenção ao câncer de mama, destacando a importância do cuidado integral com o corpo e a mente das educadoras da rede estadual.
A live contou com a participação da psicóloga Marzie Damin, especialista em Psicologia Intercultural, que abordou os desafios enfrentados pelas mulheres na conciliação entre trabalho, autocuidado e vida pessoal. Também participaram a presidente do CPERS, Rosane Zan, e a coordenadora do Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or), Vera Maria Lessês, que reforçaram o compromisso do Sindicato com a valorização e o bem-estar da categoria.
Saúde como prioridade sindical
A presidente do CPERS, Rosane Zan, reforçou a importância do tema diante do adoecimento crescente da categoria. “Somos majoritariamente mulheres e temos enfrentado estresse, sobrecarga e precarização salarial, o que tem gerado sofrimento e adoecimento. Precisamos de espaços de acolhimento e de políticas que coloquem a saúde da mulher no centro das discussões”, afirmou.

Rosane lembrou que o Rio Grande do Sul registra índices alarmantes de adoecimento entre professoras e funcionárias de escola, agravados por anos de políticas que afetaram diretamente o bem-estar da categoria. Para a dirigente, a valorização profissional está intimamente ligada à saúde. “Temos um dos salários mais baixos do país e isso afeta nossa qualidade de vida e o reconhecimento social. Ainda assim, seguimos firmes, porque a luta por uma educação pública de qualidade também é uma luta pela nossa saúde e dignidade”, completou.

A coordenadora do Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or), Vera Maria Lessês, lembrou que o CPERS mantém o compromisso histórico de abordar temas voltados à saúde física e emocional da categoria. “Esta é a terceira live do ano promovida pelo nosso Departamento. Buscamos sempre contextualizar temas pertinentes à realidade das educadoras, especialmente porque grande parte da categoria é formada por mulheres. A saúde sempre foi, e seguirá sendo, umas das prioridades nas pautas do Sindicato”, afirmou.
Vera também foi enfática: “Vivemos o parcelamento de salários, o congelamento e o desmonte do nosso plano de carreira. Até as aposentadas, que dedicaram suas vidas à educação pública, foram penalizadas. Isso gera angústia e fragilidade emocional para todas nós”.
Ela destacou ainda que, em apoio à campanha Outubro Rosa, o IPE Saúde mantém, durante este mês, a isenção de coparticipação em consultas ginecológicas e no exame de mamografia para suas asseguradas, incentivando as mulheres a cuidarem mais de si mesmas. “Cuidar da saúde é também um ato político e de resistência”, concluiu Vera.
Um olhar integral sobre a saúde da mulher
Em sua fala, Marzie Damin ressaltou a necessidade de compreender a saúde como um fenômeno com multicamadas — físico, psicológico e social. Segundo ela, “quando falamos de saúde, falamos também de adoecimento, pois o ambiente escolar impõe uma série de pressões e sobrecargas que impactam diretamente o equilíbrio emocional e físico das trabalhadoras”.

A psicóloga apontou que a precariedade das condições de trabalho, as metas excessivas e a desvalorização profissional têm provocado altos índices de adoecimento mental e burnout entre educadoras. “Muitas mulheres acabam se abandonando diante do esgotamento: deixam de praticar exercícios, alimentam-se mal e adiam exames preventivos. É um ciclo de desgaste que precisa ser interrompido”, destacou.
Marzie defendeu a criação de redes de apoio e espaços de escuta nas escolas, como rodas de conversa e pactos de não assédio entre colegas e gestões. “Precisamos cultivar o amparo coletivo, aprender a dizer não ao acúmulo de tarefas e priorizar o bem-estar e o bem-querer. A divisão justa das responsabilidades e o fortalecimento de vínculos são fundamentais para uma vida mais saudável”, completou.
Como enfatizou Marzie Damin, “o ponto de partida deve ser o bem-estar e o bem-querer”. O CPERS reafirma esse compromisso, promovendo momentos de diálogo, aprendizado e autocuidado coletivo — porque lutar pela educação também é lutar pela vida e saúde das trabalhadoras que sustentam a escola pública.
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