Obras atrasadas e falta de educadores: CPERS verifica situação das escolas estaduais no primeiro dia do ano letivo de 2023


Nesta quinta-feira (23), retorno oficial das aulas nas escolas estaduais do Rio Grande do Sul, o CPERS visitou diversas instituições de ensino e conversou com trabalhadores(as) da educação, para verificar a real situação das instituições.

Durante visita ao CE Inácio Montanha, em Porto Alegre, o 1° vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, ressaltou que, apesar do discurso do governador Eduardo Leite (PSDB) frisar que a educação será a prioridade em sua gestão, o que se constata são escolas com estruturas precárias e falta de profissionais.

“As situações que verificamos ao visitar as instituições vão desde problemas com fiação elétrica e na rede hidráulica, prédios inteiros interditados, muros caindo, falta de equipamentos, entre tantas outras questões que tornam as estruturas físicas das escolas inadequadas. Portanto, toda a propaganda do governo, não corresponde à realidade”, destaca Alex.

Saratt também expôs que através do Radar do CPERS sobre a situação das escolas, lançado na última semana, o Sindicato pôde confirmar a falta significativa de professores(as), funcionários(as) e especialistas. “A amostragem chega a menos de 10% e, nesse pequeno percentual, já verificamos a necessidade de no mínimo 300 educadores. É preciso agilidade do governo. O CPERS continuará denunciando a falta de profissionais e de estrutura adequada nas escolas, bem como a cobrança e pressão por soluções urgentes neste cenário de descaso”.

A diretora do 39º Núcleo do CPERS – Porto Alegre Sul, Neiva Lazzarotto, acompanhou as visitas nas escolas da região.

Em poucas visitas, o Sindicato comprova o que deveria ser evitado – caso a educação fosse realmente prioridade para Eduardo Leite (PSDB): os recursos liberados pelo governo do Estado para manutenção e obras são extremamente necessários, mas chegam com atraso, prejudicando o retorno das aulas, momento que deveria ser de alegria e contentamento para alunos(as) e toda a comunidade escolar.

Confira, abaixo, a situação de algumas das escolas procuradas pelo CPERS nesta quinta-feira:

>> CE Inácio Montanha – Porto Alegre

Em uma lista de escolas que necessitam de reparos urgentes, divulgada pelo governo do Estado, o CE Inácio Montanha aparece entre as instituições que precisam de reparos urgentes, em Porto Alegre.

O problema com a fiação elétrica vem desde 2012 e, até o momento, não foi solucionado. A carga elétrica é a mesma desde a fundação da instituição de ensino, o que faz com que computadores e ares-condicionados não possam ser ligados, devido à sobrecarga que podem gerar. O telhado também está comprometido e corre risco de desabamento, pois a madeira que dá sustentação está com cupins, afetando a segurança dos estudantes e trabalhadores(as) do local.

Atualmente, a instituição tem cerca de 1.500 alunos(as) matriculados(as) e apenas uma funcionária para cuidar da alimentação e outra para realizar a limpeza do prédio. “Eles mandam um cardápio super elaborado, que no papel é lindo, mas não tem como uma única pessoa dar conta de cozinhar para todos esses alunos. Na sexta-feira, eles entregam as frutas que são servidas na segunda e, muitas vezes, elas apodrecem neste intervalo”, relata uma funcionária da escola.

A insegurança alimentar dos alunos(as) também foi algo pontuado pelos educadores(as) que atuam na escola. Eles relatam casos de estudantes passando mal, já que o arroz e o feijão, oferecidos pela instituição, são a única refeição do dia.

>> EEEF David Canabarro – Gramado

A EEEF David Canabarro, que atende cerca de 160 estudantes, do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, em Gramado, iniciou o ano letivo sem diretor, vice-diretor, orientador, merendeira e servente.

A antiga diretora deixou o cargo uma semana antes do retorno das aulas por sobrecarga de trabalho, já que, desde a metade do ano passado, não contava com o auxílio de um vice ou de um orientador.

Nesta sexta-feira (24), ocorrerá uma reunião entre a 4ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e os professores(as) da escola, no intuito de averiguar se algum educador(a) assumirá a direção da instituição.

>> CE Protásio Alves – Porto Alegre 

Desde 2016, a escola busca solução para um buraco embaixo da escada, na entrada da escola. Até o momento, nenhum reparo foi efetuado e a fissura, causada pelo buraco, já atinge a sala onde fica o laboratório de informática, impedindo o uso do espaço. Além disso, desde 2015, a direção da instituição de ensino solicita ao governo um espaço para o refeitório, onde possam servir comidas quentes aos alunos(as), e não apenas cardápios alternativos, compostos por lanches.

>> EEEF Onofre Pires – Porto Alegre 

Nos fundos da escola, em local onde alunos(as) poderiam usufruir de um espaço aberto para a prática de esportes e outras atividades, há um matagal. A diretora da instituição, Bruna Ruiz dos Santos, afirma que terá que pedir recurso extra para resolver o problema, já que a verba da autonomia da escola não é suficiente. A estimativa é que sejam necessários R$ 12 mil para a limpeza do pátio.

– EEEM Tuiuti – Gravataí 

Em 2021, 12 das 16 salas de aula da escola estavam interditadas devido ao desabamento do forro e problemas na parte elétrica. Até hoje, a escola espera a retomada de obras paradas. Além disso, a instituição ainda aguarda a reforma de dois telhados e banheiros, entre outras estruturas, que precisam de reparos causados pelo desabamento. A falta de educadores(as) também é recorrente na escola.

>> Escola Fernando Gomes – Porto Alegre 

Um prédio da escola, que abriga seis salas para atender alunos(as) do 6° ao 9º ano, está com problemas na estrutura e precisou ser interditado na última semana. Há pelo menos dois anos, a direção da escola informa ao governo do Estado sobre a necessidade de obras emergenciais no local. Com a interdição, metade da escola está comprometida e o retorno das aulas prejudicado, visto que os estudantes precisam ocupar um espaço muito reduzido.

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