‘Nunca tinha visto tanto batalhão de choque armado dentro da Assembleia’


Marco Weissheimer

Os pelotões de choque da Brigada Militar promoveram, durante toda essa segunda-feira (19), um bloqueio em todos os pontos de acesso à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul para impedir a entrada de servidores públicos na sessão plenária que começou a debater o pacote enviado pelo governador José Ivo Sartori (PMDB). Desde o início da manhã, o choque da Brigada está perfilado em vários pontos da Praça da Matriz, que vão do Palácio Piratini até o Theatro São Pedro. A partir do meio-dia, a presença de servidores na Praça começou a aumentar e a tensão também. Além dos policiais militares, a segurança da Assembleia instalou uma grade de triagem situada em frente à porta de entrada do Theatro São Pedro.

Por volta das 15h30, os servidores conseguiram derrubar essa grade e o toldo que havia sido instalado para a triagem. A Brigada Militar disparou bombas de gás contra os manifestantes, gerando uma grande correria na Praça da Matriz e nas ruas próximas. A praça ficou coberta por uma nuvem de gás que atingiu não só os manifestantes, mas também moradores e pessoas que trabalham naquela região. Muitos manifestantes passaram mal, com os olhos irritados e dificuldades respiratórias. Ao longo da tarde, por três vezes, foram lançadas bombas de “efeito moral” contra os manifestantes que, após uma dispersão inicial, voltaram a se concentrar no final da tarde em frente ao Theatro São Pedro.

Desde o início da manhã, choque da Brigada bloqueou todos os acessos à Assembleia. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Desde o início da manhã, choque da Brigada bloqueou todos os acessos à Assembleia. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O clima de guerra criado em torno da Assembleia Legislativa e do Palácio Piratini revoltou lideranças dos servidores mobilizados na Praça da Matriz. A presidenta do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato), Helenir Aguiar Schürer, manifestou repúdio ao modo pelo qual os servidores públicos foram tratados pelo governo José Ivo Sartori na Praça da Matriz. “Os servidores que estão aqui com risco de perder o seu emprego foram atacados com bombas de efeito moral pelo choque da Brigada Militar. Nunca tinha visto tanto batalhão de choque da Brigada na frente do Palácio e dentro da Assembleia. É a primeira vez que vejo, em 33 anos, soldados do choque da Brigada armados dentro da Assembleia”, assinalou.

Helenir Schürer também criticou a falta de diálogo por parte do governo. “Desde que assumiu, o governador fala em diálogo, mas não pratica. Agora, mais uma vez, projetos estão sendo votados na Assembleia sem que tenha ocorrido diálogo nenhum com os servidores ou com a população. O único diálogo que o governador Sartori mantem é com os empresários que estão apoiando essa destruição do serviço público proposta pelo governo, pois sabem que isso vai abrir um grande espaço para assessorias e consultorias caríssimas para prestar serviços que hoje são realizados pelos servidores públicos. Já teve chuva e chuva de bombas, mas continuaremos aqui até o final da votação do pacote e temos a convicção de que o governo será derrotado”.

Servidores prometem aumentar a presença na Praça da Matriz nesta terça. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Servidores prometem aumentar a presença na Praça da Matriz nesta terça. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

“O que assistimos hoje na Praça da Matriz foi um espetáculo lamentável promovido pelo governo que mobilizou todo esse contingente da Brigada Militar para reprimir os servidores públicos e os manifestantes que estão aqui”, disse Fábio Nunes Castro, vice-presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm). “É lamentável também a atitude da presidente da Assembleia que sitiou o prédio do Parlamento com a Brigada, enquanto acontece aquele circo lá no plenário, sobrando espaço nas galerias. Os parlamentares do governo parecem ter medo do povo”, acrescentou.

Fábio Castro anunciou que os servidores permanecerão na Praça e nesta terça deve aumentar muito o número de servidores na praça para resistir e derrotar o pacote. “Não vamos esquecer o nome dos deputados que votarem a favor desse pacote que representa um ataque direto aos servidores e aos serviços públicos oferecidos à população”, disse ainda o dirigente da Ugeirm.

 

 

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