Núcleos de Alegrete, Pelotas e Uruguaiana recebem reunião virtual dos aposentados


Ver os colegas, matar a saudade, receber informações sobre a luta e notícias do jurídico são alguns dos pontos que atraem cada vez mais participantes para as reuniões coordenadas pelo Departamento dos Aposentados do CPERS. A iniciativa ocorre semanalmente e chegará aos 42 núcleos do Sindicato.

Nesta sexta-feira (14) foi a vez dos professores e funcionários de escola aposentados(as) do 19º Núcleo (Alegrete), 24º (Pelotas) e 21º (Uruguaiana) se engajaram no encontro.

A coordenadora do Departamento, Glaci Weber, é responsável pela dinâmica dos encontros. “No momento, é o único jeito que temos de continuar a luta. Parabenizo a todos que estão lidando com a tecnologia, algo novo para nós, mas que nesse momento é o único caminho”, afirmou.

A diretora geral do núcleo de Alegrete, Maria Izete Paré Rhodes destacou a importância do encontro virtual.

“Com o passar do tempo surgem muitas dúvidas, nos sentimos um pouco perdidos. E esse encontro, além de nos trazer muitas informações, é também uma maneira de nos vermos e matar a saudade”, afirmou.

O diretor de Pelotas, Mauro Amaral, frisou que os aposentados são uma parte importante da categoria e destacou o dinamismo do grupo de aposentados(as) de Pelotas.

 “Temos um grupo de aposentados muito atuante aqui no núcleo, que visitam escolas, fazem caminhadas, estão sempre dispostos para lutar. É sempre muito prazeroso nosso encontro dos aposentados mesmo que online. E as informações recebidas são muito importantes”, concluiu.

A diretora de Uruguaiana, Zila Teresinha Soares Fidell parabenizou a diretora Glaci pelo trabalho realizado e saudou os colegas.

“Uruguaiana é longe, mas nossos aposentados nunca deixam de estar nas mobilizações em Porto Alegre, porque sabemos da importância que é a luta pelos nossos direitos”, declarou.

Covid-19 x Isolamento Social  

Karin Taborda, médica da prefeitura de Porto Alegre, explanou sobre a pandemia, trazendo informações relevantes sobre a Covid-19.

“Fico honrada de participar desse encontro. Minha mãe foi professora a vida toda e eu sei bem da luta de vocês”, iniciou.

A médica falou que a negação das pessoas quanto ao vírus está recuando, em virtude que os casos de infectados estão mais próximos.

“Estamos vendo cada vez mais pessoas conhecidas morrendo. E infelizmente aqui na RS os casos estão aumentando”, destacou.

Karin observou que o contágio da Covid-19 se dá pelo mesmo mecanismo da gripe normal. “Por isso o uso da máscara, lavar as mãos e o distanciamento são cuidados que previnem a infecção. ”

A especialista chama atenção para o fato preocupante de que uma pessoa infectada pode contaminar, em média, de duas a três pessoas.

“Mas se a pessoa infectada estiver em um lugar fechado com outras pessoas, o número de contaminação é bem maior”, declara.

Ela explica que 10% dos infectados são assintomáticos e 3% dos infectados ficam muito mal e precisam de leito hospitalar. A médica esclareceu ainda que seria essencial o Brasil investir em testes para tentar controlar a propagação do vírus.

A doutora criticou o governo federal, que demorou a fechar aeroportos e quarentenar viajantes. “Se isso tivesse acontecido, teríamos reduzido pelo menos pela metade os casos de pessoas infectadas e de mortes”.

Sobre a volta às aulas proposta pelo governador Eduardo Leite, a médica diz ser um absurdo e um ato desnecessário no momento.

“É uma temeridade. Não temos dados para afirmar que as crianças não se contaminam, é expor inutilmente as crianças. Deve haver um movimento bem grande dos professores e pais na justiça para que as aulas não voltem até que o vírus esteja completamente controlado”, concluiu.

A Dra. explicou que o aparecimento de vírus tem a ver com as modificações que estão ocorrendo na natureza, como o buraco na camada de ozônio e o desmatamentos .

“Ou a população muda para uma vida mais sustentável ou teremos uma pandemia atrás da outra”, finalizou.

Momento Cultural

O momento cultural na reunião virtual tem o objetivo de entreter, homenagear e alegrar os aposentados e aposentadas presentes.

Na ocasião, o aposentado Marco Vianna de Pelotas cantou duas músicas com o seu  violão.

Já a aposentada Ana Helena, de Pelotas, declamou a poesia “Preciso Falar”, que está no livro “Maturidade em Belos Versos”, do CPERS.

A também aposentada Maria Inácia, de Alegrete, declamou uma poesia de Fernando Pessoa.

Luta e Informações do jurídico

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, falou da campanha “Fora Bolsonaro”, aprovada pelo Conselho Geral do CPERS.

Helenir explicou que muitos dos ataques enfrentados pela categoria são propostas que partem do governo federal, como o desconto da previdência, congelamento de salários e as tentativas de distorcer o Fundeb.

A educadora falou da proposta do governo em voltar às aulas. “Como nossas crianças vão se proteger? A retomada só servirá para colocar milhares de vidas em risco”, frisou.

A presidente também chamou a atenção para um dado levantando na pesquisa do CPERS. “Na nossa pesquisa apareceu que 84% dos pais pesquisados não vão mandar seus filhos para a escola até ter uma vacina. ”

Outra questão abordada foi o PLC 148/2020, aprovado nessa semana na Assembleia Legislativa e que permite que o governo do estado retire quase R$ 2 bilhões do fundo do IPE Prev. “Isso nos preocupa, pois quem garante que o governo não aumente o valor do desconto da previdência, tanto para os ativos, quanto os aposentados. ”

“Nós temos muita luta para fazer tanto no âmbito federal quanto estadual. Quem pega o vírus sindical nunca deixa a luta. E temos que continuar lutando” finalizou Helenir.

Rodrigo Sebben, representando a assessoria jurídica do CPERS, abordou os principais assuntos de interesse dos aposentados: desconto da previdência, confusão nos contracheques e alteração do Plano de carreira do Magistério.

O advogado falou sobre a suspensão da liminar do CPERS pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, que autorizou a cobrança de alíquotas de aposentados que recebem abaixo do teto do INSS (R$ 6,1 mil), conforme projeto aprovado pelo governo Leite.

“Agora o STF irá analisar o mérito da ADIN, em julgamento sem data prevista. Esse desconto equivale o valor do 13º salário, e sabemos que esse valor faz muita falta para o sustento da sua família”, destacou.

Rodrigo falou sobre ação para cancelar os consignados do Banrisul durante o período de pandemia, esclarecendo que o Sindicato ganhou a liminar, mas o Banrisul recorreu.

“Os julgamentos presenciais estão suspensos em vista da pandemia, e o julgamento virtual depende das duas partes, do CPERS e do Banrisul. Como a liminar está a favor do banco, eles não querem que seja feito o julgamento virtual”, explicou.

O advogado ainda lembrou que devido, aos parcelamentos e atrasos de salários, muitos educadores tiveram que buscar empréstimos e grande parte da categoria encontra-se endividada. E muitas dessas financeiras cobram juros abusivos.

“Os educadores podem entrar em contato com o jurídico para analisarmos os empréstimos e ver se cabe uma ação contra as financeiras.”

Os advogados Dejair  Eugênio e Bruno Tschiedel também participaram da atividade e responderam às indagações dos educadores.

No encerramento do encontro virtual, o aposentado Marco Vianna tocou violão e cantou o Hino do CPERS, que teve coro de todos e todas aposentadas presentes.

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