Governo ignora especialistas ao flexibilizar uso de máscara em crianças de até 12 anos


“Não é o momento, em hipótese alguma, de liberar o uso de máscaras entre as crianças. Somente agora estamos vendo alguma redução de novos casos. Com a flexibilização do uso, ainda mais após o feriado de carnaval, pode ocorrer aumento na disseminação do vírus”, alerta o chefe do serviço de infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Eduardo Sprinz. O especialista refere-se ao decreto estadual 56.403, emitido pelo governo Eduardo Leite (PSDB), e que torna apenas recomendável, e não mais obrigatório, o uso de máscara em crianças com menos de 12 anos.

Sprinz observa também que esta faixa etária está sendo mais afetada atualmente do que em outros momentos da pandemia. “Como no pico que tivemos em janeiro e fevereiro, até então eu não tinha visto tantas crianças internando com Covid.”

O médico infectologista, Alexandre Zavascki, endossa as afirmações de Sprinz e chama a atenção para o baixo índice de imunização infantil, que até o dia 1º de março estava em apenas 44% em crianças de até 11 anos. “Não é hora de retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras, principalmente nessa faixa etária que não está bem coberta pela vacinação. Este é o momento em que nós temos o maior número de casos de crianças acontecendo em toda a pandemia”, afirma.

Clovis Prates/HCPA

“Ao tirar as máscaras agora, não só estaremos expondo nossos filhos ao risco da infecção como atrasaremos a chegada, justamente, desse momento de mais segurança, pois vamos estar mantendo um ciclo de infecções”, conclui Zavascki.

Para o CPERS, em um cenário de alta transmissão da variante ômicron, o governador Eduardo Leite (PSDB) age na contramão das medidas de prevenção e cuidado.  Tornar facultativo o uso de máscara nessa faixa etária é um ato de extrema irresponsabilidade. “Desrespeitar as indicações de quem realiza um trabalho sério a serviço da saúde pública demonstra imprudência, insensatez e desumanidade”, observa a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Após pressão, governo recua, mas não revoga decreto 

Após pressão da sociedade e de entidades ligadas à educação, nesta sexta-feira (4), o Comitê Científico do governo lançou uma nota técnica “recomendando fortemente” o uso das máscaras e afirmando que as instituições de ensino e os municípios têm autonomia para definir como orientar o uso da máscara dentro do ambiente escolar.

Apesar da alteração no discurso, o decreto não foi revogado e a flexibilização segue valendo.

Governo descumpre acordo no qual comprometeu-se em garantir a segurança nas escolas 

O texto do decreto, cheio de contradições e sem respaldo científico, é uma clara desobstrução de acordo firmado em outubro de 2021, quando o  governo do Estado assinou um termo de compromisso, através do Ministério Público, com o CPERS, a Associação de Mães e Pais pela Democracia (AMPD) e a FETEE-SUL, onde assumia a responsabilidade de manter a segurança nos ambientes escolares.

>>> Confira aqui o termo completo!

Orientações para as escolas

O Sindicato orienta as escolas a reunirem seus COEs e o Conselho Escolar para deliberarem sobre o uso das máscaras em crianças e, após a decisão, que comuniquem à comunidade escolar.

O sindicato apoia a ação movida pela Associação Mães e Pais pela Democracia, que solicitou a imediata alteração do decreto, para que se assegure a obrigatoriedade do uso de máscaras para todas as pessoas com idade acima de dois anos.

Esta semana, as bancadas do PDT, PSOL e PT entraram com requerimento na Assembleia Legislativa pedindo a sustação do decreto estadual.

Importante esclarecer que o CPERS não entrou com ação própria, visto que, a entidade não representa as crianças e sim os educadores(as).

Reforçamos nossa posição de que máscaras e vacinas salvam vidas!

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