Escola não é caserna: em plenária, EEEM Cristo Rei, de São Leopoldo, discute modelo cívico-militar


Nesta quinta-feira (3), em meio à #CaravanaDaVerdade – que tem percorrido todo o estado para desmascarar as mentiras de Eduardo Leite (PSDB) -, o CPERS fez-se presente em plenária com educadores(as) e equipe diretiva da EEEM Cristo Rei, de São Leopoldo, que está cotada para receber o programa cívico-militar do governo federal.

Trata-se de mais um aceno do governo Leite ao PSL, partido do presidente Bolsonaro e do deputado estadual Tenente-Coronel Zucco, entusiasta do modelo e autor da proposta.

O anúncio do MEC à escola Cristo Rei atende ao pedido do delegado Rodrigo Zucco, titular da 2ª delegacia leopoldense e irmão do Tenente-Coronel Zucco (PSL), que entregou ao ministro da educação, Milton Ribeiro, em maio do ano passado, ofício pela implantação de uma unidade em território leopoldense. 

O programa, pautado na cultura do medo e desrespeito à gestão democrática e aos profissionais da educação, institui a presença de oficiais da reserva ou brigadianos reformados no interior das instituições para “resgatar princípios como disciplina, ordem e valorização dos símbolos da pátria”.

“O militar não estará dentro da sala de aula. Ficará no pátio, no saguão. Vamos utilizar a meritocracia aos alunos. Os alunos vão fazer atividades com os militares, como cantar o hino, e deverão ir em silêncio até a sala de aula”, explicou João Andrades, desenvolvedor do programa de escola cívico-militar no RS.

“É importante a padronização. Os meninos devem estar de cabelo curto ou preso e as meninas sempre de cabelo preso”, completou.

O governo pretende implantar o programa em 216 escolas cívico-militares em todo o país, até 2023, sendo 54 por ano.

“Estamos sobrecarregadas; faltam funcionários e precisamos de auxílio. A verba é importante para a escola”, revela a diretora da Cristo Rei, Andréia Prestes.

A verba de R$54 milhões ao ano que o presidente Jair Bolsonaro (PL) destinou ao projeto de escolas cívicos-militares será utilizada majoritariamente para pagar os salários dos militares que irão trabalhar nas instituições. Na educação, Bolsonaro cortou R$ 802 milhões, dos quais R$ 499 milhões pertenciam ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O 1° vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, afirmou que se trata de um projeto de governo, e não de Estado.

“Quando se trata em dinheiro, tudo se torna muito fácil. O governo Bolsonaro cortou milhões para a educação, mas tem dinheiro para escola cívico-militar. Transformar escolas em versões miniaturizadas de empresas (ideário neoliberal), prisões (repertório punitivo) ou quarteis (visão militaresca) ofende a inteligência coletiva e destroça o valor da profissão educador e da própria ciência pedagógica”.

“Nós, do CPERS, temos uma base político-pedagógica muito consistente. Nós defendemos a escola dentro dos princípios da constituição, movimento educacional, pedagógico e sindical”, completou.

Para o diretor Cássio Ritter, o fetiche da disciplina cívica não salvará jovens das drogas ou da violência urbana. Nem elevará o nível de ensino. Escola é para quem tem formação para educar, não para reprimir.

“Quero saber se esses monitores têm formação pedagógica, psicólogica.  Nosso salário precisa ser reconhecido. Se querem um ensino melhor, invistam em educador. Estamos com salários desfasados”, afirmou.

O CPERS reitera: trocar o giz pelo coturno é um desrespeito com a categoria e, cada vez mais, uma ameaça às crianças e adolescentes.

“É muito triste esse governo fazer parceria com militares. Se os governos tivessem uma política pública para a educação não estaríamos passando por essa situação. Sempre exigimos monitores nas escolas e, num momento de crise, seriam novos trabalhadores empregados. Para trabalhar com alunos, é preciso ter formação”, asseverou a diretora Vera Lessês.

O futuro da escola será definido por votação entre a comunidade; ainda será averiguado se os alunos terão ou não direito a voto.

Para Maristel Brasil, presidente do Círculo de Pais e Mestres (CPM) da escola, é preciso muita atenção à escuta aos filhos, parte essencial nesse processo decisivo.

“Temos que escutar os nossos filhos para saber o que acham disso. Lógico que a informação tem que ir de forma correta: pontos positivos e negativos. Que chegue na sala de aula essa informação aos alunos. Eu gostaria que a minha filha votasse. Aluno é parte fundamental nesse nosso olhar”, frisou.

Na ocasião, também estava presente Paulo Sérgio Batista, dirigente do 14° Núcleo do CPERS.

 

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