Encontros Regionais de Funcionários da Educação mobilizam educadores de cinco núcleos


Funcionários(as) da educação, que vivem com menos de um salário mínimo e fazem acrobacias para honrar as contas no final do mês, muitas vezes sem conseguir pagar o básico para uma vida digna, são invisíveis para o governo, mas não para o CPERS.

Nesta terça (4) e quarta (5), o Sindicato retomou os Encontros Regionais de Funcionários(as) da Educação reunindo agentes educacionais das regiões de Pelotas (24°), Rio Grande (6°), Santana do Livramento (23º), Bagé (17°) e São Gabriel (41°) para debater a urgente valorização para esta parcela da categoria tão importante no dia a dia das escolas.

Sediados respectivamente em Pelotas e Bagé, os Encontros reforçaram a luta por reconhecimento, piso salarial e concurso público para qualificar a carreira e a profissão destes profissionais.

Durante o Encontro em Pelotas, a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, que reassumiu o cargo nesta segunda (3), alertou os funcionários(as) de escola para as consequências do resultado das urnas no dia a dia das instituições de ensino estaduais gaúchas.

“Infelizmente, aqui no Rio Grande do Sul, com as opções que ficaram para o segundo turno, nós teremos muita luta para não perdermos mais. Agora, não podemos permitir é que nos ataquem aqui e em Brasília. Nossos representantes têm a força de destruir a nossa vida, precisamos nos organizar para resistir aos ataques que virão e eleger, em nível nacional, quem poderá nos salvar”.

Helenir ainda destacou que 90% dos piores salários no Rio Grande do Sul são de funcionários(as) de escola: “Nós temos aqui no estado a vergonha nacional de ter em nosso quadro funcionários de escola que ganham menos de R$ 700. Não podemos normalizar isso, porque essa realidade é uma vergonha, não para a gente, mas para quem paga”.

O 1° vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, realizou a análise da conjuntura política nacional e internacional, em ambos os Encontros. Durante o evento em Bagé, Saratt destacou que a educação precisa se apoderar da política no seu dia a dia para evitar uma tragédia. 

“Contabilizamos a triste marca de mais de 33 milhões de pessoas passando fome. Enquanto isso, até o final do ano passado, existiam 266 mil milionários no país. É preciso mudar essa realidade. Precisamos, até o último minuto, construir a vitória daquele que realmente nos defende e defenderá a democracia. Chega das pessoas fazerem fila para comprar osso”, asseverou.

Fortalecer a identidade dos funcionários(as) como educadores(as) de fato

Um dos principais objetivos dos Encontros Regionais de Funcionários(as) da Educação é fomentar a concepção de que, por mais que os governos tentem invisibilizar essa parcela da categoria, todos são educadores(as) e merecem respeito e condições de trabalho dignas. 

Juçara Borges, diretora do Departamento de Funcionários(as) da Educação do CPERS e merendeira aposentada, reforçou que as lutas do Sindicato são sempre voltadas para todos os educadores(as), professores(as) e funcionários(as) – da ativa e aposentados(as).

“Nós, agentes educacionais, precisamos estar cientes que, quando o CPERS está nas ruas reivindicando salários e melhores condições de trabalho para os educadores, não é somente para os professores. Quando eu estava lá na cozinha, preparando a merenda, eu sempre me identifiquei como educadora. Se eu estou na escola, eu sou uma profissional da educação e nós temos que nos valorizar e nos reconhecer como tal”. 

A diretora do Departamento de Funcionários(as) da Educação do CPERS, Sônia Solange Viana, alertou sobre os riscos da terceirização e a consequente precarização do trabalho dos funcionários(as) da educação nas escolas.

“Em diversos outros estados, quase 80% funcionários de escola já são terceirizados ou contratados, isso acarreta uma precarização das condições de trabalho. Essa realidade é consequência da intenção dos atuais governos que querem acabar com o ingresso no serviço público por concurso. Por isso, o CPERS segue na luta por concurso público, para garantir a valorização e também condições básicas para exercermos nossa profissão”.

Defesa do IPE Saúde e do IPE PREV

A luta para garantir atendimento qualificado e uma aposentadoria digna aos educadores(as) é uma das missões do CPERS. Por isso, durante os Encontros, a defesa do IPE Saúde e do IPE Prev são pautas de extrema importância. 

O representante do CPERS no Conselho de Administração do IPE Saúde, Antônio Andreazza, ressaltou a importância da luta para garantir um Instituto público e solidário, atendendo com qualidade a todos os segurados(as).

“O atual governo do Estado ameaça que, para salvar o IPE Saúde, é necessário alteração nas alíquotas e isso é inadmissível. Se querem salvar o IPE, aumentem o salário”. 

Andréa Nunes da Rosa, vice-diretora do 6º Núcleo do CPERS (Rio Grande) e Conselheira do IPE Prev, abordou questões relativas ao IPE Previdência.

“ O IPE PREV é de extrema importância porque é lá que todo mês investimos o dinheiro para a nossa aposentadoria, com o valor que todo mês a gente desconta a previdência. A nossa maior preocupação é garantir que os educadores cheguem ao fim da carreira podendo usufruir de uma aposentadoria digna”. 

Conversa com o jurídico

Um dos pontos altos dos Encontros Regionais é a hora de conversar e receber os informes da assessoria jurídica do CPERS, representada pelo escritório Buchabqui e Pinheiro Machado. O advogado, Marcelo Fagundes, esclarece as principais dúvidas da categoria sobre carreira, direitos e as ações em andamento. 

Entre os temas, ganham destaque o confisco do salário dos aposentados(as) com a Reforma da Previdência estadual, o falso reajuste de 32% aos educadores(as), o vergonhoso “aumento” de 6% a servidores(as), além das ações judiciais na defesa dos direitos da categoria como a insalubridade, a ação revisional de juros, a revisão do abono família e a atualização da licença prêmio.

Também foram abordados temas como reenquadramento do Difícil Acesso e dos percentuais de insalubridade. Para mais informações, entre em contato com o escritório pelo telefone (51) 3073.7512.

Acessibilidade

Em Bagé, o funcionário(a) de escola aposentado, Dagoberto Silva, deficiente auditivo, teve a oportunidade de acompanhar o evento e tirar suas dúvidas graças à interpretação em libras de todo o Encontro.

Também participaram dos Encontros a secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann, a diretora do Sindicato, Carla Cassais, e os representantes dos núcleos, Mauro Rogério da Silva Amaral, diretor do 24° Núcleo (Pelotas), Adriana de Leon dos Santos, diretora do 23° Núcleo (Santana do Livramento), Ana Lucia Xavier Cabral, diretora do Núcleo 17º Núcleo (Bagé) e Pedro Moacir Abrianos Moreira, diretor do 41° Núcleo (São Gabriel). 

Até o fim do mês de novembro, o CPERS segue na estrada visitando os seus 42 núcleos para conversar com os funcionários(as) da educação. Na próxima quinta-feira (13), o Encontro Regional será realizado em Caxias do Sul e reunirá educadores(as) dos Núcleos de Caxias do Sul (1º), Bento Gonçalves (12º) e Guaporé (3º). Confira o calendário completo aqui!

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