Encontro debate o cenário da educação na América Latina


Foto:Caco Argemi/CPERS/Sindicato
Foto:Caco Argemi/CPERS/Sindicato

Durante à tarde desta terça-feira, o Encontro do Movimento Pedagógico Latino Americano deu prosseguimento as plenárias e conferências iniciadas ontem com especialistas na área da educação. Hoje, a iniciativa contou com a significativa participação de representantes do Uruguai, Paraguai e da Internacional da Educação na América Latina – IEAL para debater o cenário da educação na América Latina.
O representante da IEAL, Comberty Rodriguez, conduziu o painel Conjuntura Educacional Latino-Americana. Segundo ele, o projeto neoliberal já vem sendo combatido na América Latina desde a década de 80, mas atualmente os países estão enfrentando um grande retrocesso na garantia dos direitos dos trabalhadores. “O neoliberalismo está há 15 anos em um processo de dominação dos países. A tendência é muito clara, privatizar todo o serviço público. A educação pública, que já sofre há anos com a precarização, está ameaçada”, afirmou.
Para realizar o painel Situação da Educação no Uruguai e no Paraguai, o Encontro contou com a representante da Federação Uruguaia do Magistério – Trabalhadores da Educação Primária – FUMTEP/Uruguai, Elbya Peryra; com o representante da FENAPES/Uruguai, Jose Olivera e o representante do OTEPA/Paraguai, Juan Gabriel Spindola.
Spindola ressaltou alguns pontos sobre a situação da educação no Paraguai, que também sofreu um Golpe em anos recentes, como a dificuldade da educação pública em meio a uma realidade de pobreza e o fato dos educadores não terem reajuste há três anos. O salário dos docentes é de 320 dólares.  “No Paraguai, temos investimentos na educação abaixo do recomendado. Defendemos 7% do PIB para a educação. Valores como solidariedade e inclusão são fundamentais para uma política para a garantia dos direitos da maioria. A Mostra Pedagógica do CPERS é um sonho que quero realizar no Paraguai. Só com união podemos barrar o neoliberalismo, por isso é importante conversarmos sobre nossas realidades”, finalizou.

Especialistas abordam a educação no Uruguai
A representante da FUMTEP/Uruguai, Elbia Peryra, destacou que o país tem características marcantes quanto a educação: como a gratuidade, que alcança todo o ensino superior, e a autonomia. “No total, temos 2299 escolas, 2029 são escolas comuns, 79 especiais e temos 191 jardins de infância. Os governos anteriores a 2005 não investiram na educação. A partir do primeiro governo progressista houve investimentos. Reconhecemos os esforços, mas ainda não é o suficiente”, afirmou.
Elbia explicou que no Uruguai os educadores não dependem do Ministério da Educação e Cultura, são entes autônomos. “Temos no governo, sentados lá, docentes eleitos por docentes. Em 2015, elegemos pela segunda vez, os nossos representantes. Mas precisamos estar atentos, pois a direita já disse que se tomar o governo de volta vai deixar isso de lado”, relatou.
Por fim, ela classificou como extremamente positiva a realização da Mostra do CPERS, por dar visibilidade aos trabalhos das escolas. “É isso que devemos fazer, sair da sala de aula e mostrar o que produzimos na escola pública. É a defesa do direito a educação pública”, frisou.
Jose Olivera, representante da FENAPES/Uruguai, destacou a importância de cinco perspectivas: manter a perspectiva história, manter a independência de classes, manter a unidade, ampliar o campo de alianças que podem transcender o movimento sindical e manter a capacidade de crítica e de auto crítica para gerar processos históricos. “Não se pode utilizar a unidade como se fosse um jogo, a unidade em que acreditamos é a unidade na diversidade. As nossas lutas devem assumir formas nacionais no seu conteúdo. Em um momento de avanço da direita é que temos que mostrar que somos capazes de defender a democracia, pois é ela que gera as condições para as nossas lutas. Defender a democracia e combater o neoliberalismo é uma tarefa que devemos realizar em todo nosso continente”, afirmou.

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