Em Pelotas, cidade natal de Eduardo Leite, colégio Félix da Cunha pede socorro


Na terra de Eduardo Leite (PSDB), Pelotas, o CE Félix da Cunha, pode ser considerado símbolo do descaso do governo com a educação pública. Com problemas gravíssimos de estrutura, a instituição, que atende alunos do Ensino Fundamental e Médio, aguarda por reformas há mais de dez anos, sem vislumbrar uma solução.

Os dois prédios históricos que abrigam a escola apresentam graves problemas, que se agravam e se alastram por toda a estrutura devido à longa espera pelas reformas.

Os transtornos mais graves concentram-se no prédio onde ficam os setores administrativos.  O amadeiramento que sustenta toda a estrutura do hall de entrada cedeu e pode cair a qualquer momento. O acesso à instituição teve que ser transferido para o portão lateral.

No mesmo espaço, ficam o auditório, a biblioteca, a secretaria, a supervisão, a orientação escolar, a sala da direção e da vice-direção, uma sala de aula, as salas de projeto e atendimento educacional especializado e a sala dos funcionários. Alguns destes locais já apresentam sinais de comprometimento da estrutura e, por isso, estão interditados.

“Estamos sem as salas dos projetos, de recursos humanos e a recepção. Também ficamos sem o espaço de alfabetização. Um local todo pensado para as crianças, com banheiro e brinquedoteca. E não podemos usar”, lamenta o vice-diretor da instituição, Leonardo Costa de Alves.

Na sala da secretaria, o assoalho já evidencia os problemas. “Parece um tobogã. Colocamos uma cadeira de rodinhas e ela desliza. É um risco enorme as pessoas estarem trabalhando ali e atendendo a comunidade”, observa Alves.

A precariedade das estruturas também está visível nos espaços das salas da direção e supervisão, no auditório e na sala de aula do 8º ano, que apresentam problemas nas janelas e desnível no piso.

Na sala onde ficava o setor de recursos humanos, o teto caiu. “Improvisamos como foi possível os setores, realocando para o outro prédio, mas muitos atendimentos ainda seguem neste que apresenta sérios riscos para nós e a comunidade”, preocupa-se o vice-diretor.

O cenário de abandono e negligência já foi denunciado pelo CPERS na Caravana realizada em novembro de 2021. O governo é ciente da situação desde o início do problema e recebeu novo alerta sobre a urgência das reformas com a entrega do dossiê elaborada pelo Sindicato, que apresentava essa e outras situações de extrema precariedade.

“Será que vão esperar acontecer uma tragédia para agir? Essa situação é inconcebível. Enquanto isso, o governo gasta milhões em propaganda para mentir dizendo que mandou verbas extras para a reforma das escolas. No imaginário da sociedade isso aconteceu mesmo. Por isso, a importância da nossa Caravana da Verdade, que está desmentindo a farsa desse governo cruel”, ressalta a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, durante visita à escola.

Sem providências do governo, custos para reformas ultrapassam R$ 500 mil

Conforme o vice-diretor, todos os retornos da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) sobre os problemas estruturais da escola são justificados pela não aceitação das empresas que ganham as infindáveis licitações já realizadas. “É sempre a mesma resposta, que a empresa selecionada desistiu”, relata Alves.

De acordo com ele, o custo para a realização das reformas estruturais e elétrica já está em mais de R$ 500 mil. “Quanto mais tempo, maior a degradação. Desse jeito, corremos o risco de chegar a um valor incalculável de prejuízo. É decepcionante não ter a atenção devida por parte do governo, nos causa uma tristeza imensa”, preocupa-se Alves.

“Nossa escola é muito acolhedora, atendemos com muito carinho nossos alunos, a maioria da periferia. Queríamos ter todos os espaços funcionando e não vemos essa atenção do governo. E o que é pior, olhamos para frente e não conseguimos enxergar uma solução. São 108 anos de história simplesmente abandonados.”

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