Em Assembleia Geral, milhares de educadores mandam recado ao governo: vamos parar o Estado


Em resposta ao pacote do governo Eduardo Leite, protocolado nesta quarta na Assembleia Legislativa, milhares de professores e funcionários de escola lotaram a Praça da Matriz nesta manhã, durante a Assembleia Geral da categoria.

Às portas do Palácio Piratini, os educadores(as) gaúchos reafirmaram a decisão da Assembleia anterior: a partir de segunda-feira (18) iniciará uma das mais fortes greves que o Rio Grande do Sul já viu.

“Eduardo Leite disse que não contribuímos com o pacote. Tu não pede para quem está sendo enforcado que contribua para o enforcamento. Não pede para o professor pagar o próprio salário. Não pede para o educador ajudar com a destruição e a privatização da escola pública. O governador quer guerra. É greve que ele vai ter”, conclamou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, ao dar início à Assembleia.

“A greve é um direito de todos trabalhadores. Quem não sabe de seus deveres é o governador Eduardo Leite, que atrasa os nossos salários todos os meses”, observou Helenir.

Durante a Assembleia foi definido o Comando de Greve, que será integrado por um representante de cada força política que compõe o sindicato.

A partir da próxima segunda-feira (18), será intensificada a pressão às Câmaras de Vereadores para que aprovem moções de repúdio ao pacote do Executivo, que prevê alterações no Plano de Carreira do Magistério, no Estatuto do Servidor Público e na Previdência Estadual.

Até o momento, mais de 70 municípios já aprovaram a moção elaborada pelo CPERS. Também será fortalecida a pressão aos deputados, lembrando que as siglas que votarem contra os educadores não terão apoio no próximo ano.

Nem um direito a menos

Indignação, revolta e disposição para a luta. Esses eram os sentimentos que vigoravam entre os educadores durante a Assembleia na Praça da Matriz.

“O governador quer penalizar ainda mais a nossa categoria, que já sofre com o parcelamento e o atraso dos salários e não tem um centavo de reajuste há anos. Ele quer que a gente pague pela crise do Estado. Não podemos pagar esta conta. Se este pacote passar, nosso salário ficará ainda menor e serão retirados direitos históricos”, observou a professora da escola Darcy Peixoto da Silveira, do município de Cristal, Juliana Corvello Lacerda.

Hélio Schuck, professor de séries iniciais em Santa Maria do Herval (14º núcleo) disse que uma das consequências do pacote do governo é o grande desestímulo da categoria. “Se fosse para entrar hoje na profissão, eu não entraria. É uma grande decepção. Já passamos por muita coisa, mas nada comparado a isso. É muita desvalorização”, desabafou.

A professora aposentada Tânia Cunha, 71 anos, considera o pacote do governo um dos piores ataques que já enfrentou em sua trajetória no magistério público. “Se não é o pior, é um dos piores. Já fizemos a luta por muito menos que isso. Está na hora de fazermos uma grande mobilização. Não tem desculpa para não parar. É fundamental uma greve forte, maciça”, disse.

O apoio dos estudantes à luta cresce a cada dia. Guilherme Schons, do colégio Professor Mantovani, fez questão de vir de Erechim prestar apoio aos educadores. “Em nossa escola já estamos mobilizados prestando apoio aos nossos professores. Em um momento tão importante como hoje, não podíamos deixar vir prestar nossa solidariedade”, relatou.

À tarde, a categoria participa do ato unificado da Frente de Servidores Públicos (FSP/RS), também na Praça da Matriz.

 

Notícias relacionadas