Educadores tomam as ruas de Porto Alegre com Ato Pela Educação e Marcha das Aposentadas


A onda amarela das bandeiras do CPERS voltou a colorir as ruas de Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (13), com o Ato Estadual em Defesa da Educação e a Marcha das Aposentadas(os).

Dezenas de mantas de tricô confeccionadas pelas mãos daquelas(es) que dedicaram a vida à educação abriram a caminhada histórica em defesa da democracia, contra o confisco dos salários dos aposentados(as), pela valorização dos funcionários(as) de escola, pelo pagamento integral do Piso e por um IPE Saúde público e de qualidade.

“Não tiramos o pé das ruas e da luta, como o ato de hoje comprova. Temos que direcionar nosso espírito combatente para o voto da mudança e reverter todo esse período de dor e perdas. Precisamos eleger governos e parlamentos que representem os anseios dos educadores e demais trabalhadores. Chega de fome, miséria, desemprego e sucateamento dos serviços públicos. Esta Marcha demonstra claramente que os educadores, unidos e fortes, farão a diferença”, asseverou o presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt.

O vice-presidente do Sindicato, Edson Garcia, destacou a crueldade dos governos Eduardo Leite (PSDB) e Bolsonaro (PL) contra a categoria. “Mais uma vez estamos nas ruas para defender os nossos direitos. Exigimos, por exemplo, uma reposição salarial real. O símbolo hoje é o tricô da resistência, pois os aposentados tiveram uma redução significativa em seus salários, prejudicando de forma brutal sua subsistência”, afirmou.

Após a concentração em frente à sede do CPERS, mais de mil professores(as) e funcionários(as) de escola seguiram em caminhada até o Palácio Piratini.  O dourado das bandeiras do Sindicato, o colorido das mantas de tricô e a esperança de um futuro melhor deram o tom da caminhada.

Tricô da Resistência: mais de 10 milhões de pontos de indignação

Organizado pelo Departamento dos Aposentados(as), o Tricô da Resistência resultou em mais de 30 mantas, confeccionadas por educadores(as) dos núcleos do CPERS, expostas na linha de frente da caminhada.

O objetivo, conforme a diretora da pasta, Glaci Weber, foi o de mostrar a indignação quanto à grave situação em que se encontram os aposentados(as).

“Foi a forma que achamos de mostrar a nossa inconformidade. Estivemos nas praças, nos núcleos e em nossas casas tricotando. A cada ponto dado representamos nossa revolta. Os educadores aposentados hoje, no Estado, recebem em média 2 mil a menos que o Salário Mínimo necessário. Merecemos respeito e dignidade para viver, mas os governos insistem em nos desprezar e massacrar. A nossa luta é forte, não vamos desistir”, expôs.

O atual governo passou a confiscar a contribuição de todos os aposentados(as) do estado. Esse desconto, em muitos casos, representa a retirada de um salário por ano. “O que ganhamos não é o suficiente. É um total descaso dos governos por aqueles que se dedicaram a vida inteira e ainda se dedicam à educação. Queremos nossa dignidade de volta, exigimos respeito”, destacou Juçara Borges, que integra o Departamento dos Aposentados(as) do CPERS.

Conforme Glaci, as mantas serão doadas a instituições de apoio a idosos.

Ainda durante o ato, foram expostas milhares de caixas de remédio para representar a grande dificuldade dos aposentados(as) em adquirir suas tão necessárias medicações. Segundo dados do Dieese, a inflação histórica acumulada dos idosos quando comparada com o índice geral de inflação é superior e a discrepância se acentua nos últimos anos. É por isso que os aposentados(as) sentem ainda mais a falta de dinheiro para o remédio, comida e tratamentos de saúde.

“Muitas vezes temos que escolher entre comer ou comprar os remédios. Esse governo nos trata como passado, mas somos o presente, o futuro, a história”, desabafou Glaci.

“Nenhum estado aplicou de modo tão cruel a PEC da morte, a Reforma Trabalhista e Previdenciária como aqui no Rio Grande do Sul. Por anos entregamos o nosso melhor nas escolas. O mínimo que merecemos agora é poder viver com dignidade. Por isso, essa categoria tão aguerrida não vai parar de lutar pelos seus justos direitos”, disse o representante dos aposentados(as) na Direção Executiva da CNTE, Sérgio Antônio Kampfer.

“Estou desde 1970 aqui nesta praça. Desde que vieram os governos de direita, neoliberais, não cessam os ataques aos nossos direitos. A nossa força precisa ser muito maior. Se não fosse a nossa luta, pior seria a nossa vida. Precisamos de deputados que nos apoiem. Antes de votar, verifiquem quem votou contra ou a favor dos projetos que nos beneficiavam”, alertou a aposentada Jussara Domingues.

CPERS exige reunião com o governo

O encerramento do ato ocorreu após a Direção Central do CPERS buscar uma auto-agenda com o governo do Estado com o intuito de entregar as mais de 80 moções de apoio aos aposentados(as) e contra o desconto previdenciário e o abaixo-assinado com mais de mil assinaturas de educadores(as) de todo o RS contra o reenquadramento de aposentadorias. Com a postura que vem adotando, o governo não recebeu a direção do Sindicato.

Os dirigentes foram recebidos na porta do Palácio Piratini pela assessoria da Casa Civil: “Notificamos o governo e pedimos uma audiência para discutirmos as questões colocadas, que são tão fundamentais para a nossa categoria. Afirmaram que até o final da tarde de hoje retornarão com a data. Seguiremos atentos e cobrando para que essa reunião ocorra o mais rápido possível”, afirmou Saratt.

O CPERS seguirá pressionando para a rápida realização da reunião e pela valorização dos educadores(as) e dos serviços públicos, pela garantia de reajuste salarial e suspensão da Previdência. O caminho é longo, mas a vitória é certa!

 

 

 

 

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