Educadores denunciam fechamento de turnos, enturmações e insegurança à Comissão de Educação da AL


Representantes de 36 escolas de diversas regiões do Estado, entre eles educadores, pais, mães e estudantes, lotaram o plenarinho da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (3), para denunciar à Comissão de Educação o fechamento de turnos e turmas, enturmações, multisseriações, a retirada de vigilantes das escolas, além de expor a importância de revogar a diretriz que exclui alunos especiais, sem laudo, das escolas.

Foi durante a greve que os educadores da escola Nossa Senhora do Rosário, em Rosário do Sul, foram comunicados sobre o fechamento de um dos turnos da instituição, que atende a 300 alunos, do 1º ao 9º ano. “Como nossas merendeiras atenderão a todos os estudantes em um único turno? Isso vai impedir que sejam servidas refeições. Teremos que oferecer apenas lanches e temos inúmeros alunos que só se alimentam na escola”, observou a professora Miriam Torres Bardinelli.

Rosane Lattuada, diretora da escola Professor Carlos Rodrigues da Silva, no bairro Maria Goréti, em Porto Alegre, destacou que o sistema de matrículas da instituição foi bloqueado sem nenhuma explicação ou comunicado. “Mas nós não vamos nos conformar, vamos lutar ferrenhamente para impedir o fechamento do turno da tarde”, afirmou.

“As escolas estão sendo desmontados a céu aberto, para todos verem. Precisamos caminhar juntos e fortalecer o diálogo com as comissões de educação”, frisou a diretora da escola Claudio Moreira, de Santana do Livramento, Ana Paula Bougleux.

“Nossa escola é a única do bairro. Se fecharem, nossos alunos terão que atravessar uma rodovia muito perigosa e caminhar quatro quilômetros para chegar a instituição mais próxima. Vão acabar com a oportunidade dessas crianças estudarem”, observou a professora Daiana Barth, da escola 27 de Maio, localizada em Taquara.

A professora de séries iniciais da escola Balbino Pereira dos Santos, Tatiana Petry Bossler, veio de Herval Seco com as filhas para denunciar a situação da escola. “Fecharam o turno da manhã e querem enturmar as turmas do 1º ao 5º ano. Já deram a ordem, mas não colocamos em prática. Há muita pressão, nos acusam de insubordinação”, expôs.

Presidente do Conselho Escolar da escola Tenente Portela, Milton Perkoski, viajou quase 500 quilômetros, junto com demais representantes da instituição, para participar do debate. Na ocasião, destacou a falta de diálogo com a Coordenadoria Regional de Educação da região. “Fizemos denúncia ao Ministério Público, mas a CRE nunca se manifestou sobre o enxugamento em nossa escola”, lamentou.

O vereador

Sem vigilantes: medo e insegurança

Além do fechamento de turnos e turmas, muitos educadores trouxeram a preocupação com a falta de segurança devido a retirada dos vigilantes que atuavam nas instituições. Um dos casos relatados foi o da escola Mariz e Barros, localizada no bairro Mario Quintana, em Porto Alegre. “Nossa escola está localizada em um local de violência extrema, vandalismo e conflitos sociais. Enfrentamos muitos arrombamentos e roubos. Uma vez deixaram um recado na quadra de esportes dizendo para fecharmos a escola às 15h, se não colocariam fogo em tudo. À noite atearam fogo nos pavilhões. Só depois disso veio um guarda para a escola. Mas agora estamos sem segurança novamente e há apenas uma viatura da patrulha escolar para atender toda a região”, relatou a professora Rosana Oliveira Cardoso.

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Mais e mais problemas

Conforme ocorriam os relatos, outras situações que evidenciam o descaso do governo com a educação vinham à tona. Falta de professores e funcionários de escola, estruturas extremamente precárias e a não aceitação de alunos de inclusão, mesmo com laudo, foram alguns dos problemas expostos.

“Estamos sem vice-direção, supervisão e merendeira. Orientador nunca tivemos. Eu dou aula de manhã, depois sirvo a merenda, lavo a louça e retorno. Querem nos cansar para concretizar o fechamento da escola”, relatou Elisa Weber, diretora da escola Mario Quintana, de São Leopoldo.

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A presidente do Círculo de Pais e Mestres da escola Seival, em Candiota, Deise Dias, denunciou a multisseriação imposta à escola. “Temos 80 alunos e cinco salas. Querem que façamos a multisseriação. Como vamos colocar na mesma turma crianças que estão sendo alfabetizadas com as que estão saindo da alfabetização? “, questionou.

“Estamos fortalecendo a resistência contra estes ataques, em todo o estado. Conseguimos impedir o fechamento de escolas de campo e em São Leopoldo revertemos a situação em sete escolas. Sempre junto com a comunidade escolar. Temos que estar cientes de que o governo tem um projeto, que é o do estado mínimo e da privatização. Se não tem dinheiro como explicam 1 bilhão de renúncia fiscal?”, indagou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Também estiveram presentes no debate, destacando o apoio à luta dos educadores por uma educação pública de qualidade e por respeito aos direitos da categoria, os vereadores de Santana do Livramento, Dagberto Reis, vice-presidente da Comissão de Educação, Leandro Ferreira, Lídio Mendes (Melado) e Antonio Zenoir .

Após pressão, representantes da Seduc recebem educadores

No início da tarde, a presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, deputada Sofia Cavedon, representantes das escolas presentes no debate da manhã, a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, a vice-presidente, Solange Carvalho e a diretora do Departamento de Educação do Sindicato, Rosane Zan, exigiram respostas à Seduc.

O grupo foi recebido pelo diretor pedagógico da Seduc, Roberval Furtado, pela coordenadora da demanda escolar Salete Albuquerque e pela diretora de Recursos Humanos, Cleuza Flesch.

Sofia enfatizou que o esvaziamento do espaço pedagógico com o fechamento de turnos, de turmas e escolas, a retirada da segurança nas instituições e a falta de diálogo da Seduc e CREs é inaceitável. “Pedimos essa reunião para que a comunidade escolar seja ouvida pela gestão da secretaria”, afirmou a deputada.

Diante das situações expostas, Furtado afirmou que a Seduc está cumprindo com seu papel de mantenedora e que não desrespeita nenhuma lei. “A escola não tem soberania, tem autonomia pedagógica. Não estamos trabalhando com antipedagogia ou excluindo. Trabalhamos com gestão. Estamos vivendo um momento de transição, mas é para o bem da rede. É preciso ter paciência e compreensão”, declarou.

Quando questionado sobre o fechamento de turmas, turnos e escolas afirmou que “há escolas que poderiam ser anexas de outras”, mas que a secretaria irá analisar caso a caso as situações expostas durante a reunião.

Salete, diante dos questionamentos sobre a falta de diálogo, afirmou que a secretaria está conversando com as direções e as comunidades. “Estamos tendo um olhar diferenciado para cada escola”, colocou, sob protestos do público.

Durante a reunião, os educadores questionaram a imposição da nova matriz curricular. Furtado foi enfático ao afirmar que “as portarias não serão revogadas”.

Quanto à falta de segurança, Cleuza afirmou que a Seduc não retirou os vigilantes das escolas. “Tivemos problemas com processo de licitação, mas já estamos realizando a seleção e nos próximos dias, tanto vigilantes do diurno quanto do noturno, serão colocados em várias escolas”, afirmou.

“Assim como no governo passado, percebo que há um desencontro de informações entre a Seduc e as CREs. É preciso corrigir isso o quanto antes”, destacou Helenir.

Ao final da reunião ficou encaminhado que as demandas das escolas devem ser encaminhadas para o e-mail da coordenadora Salete ([email protected]), que irá,  junto com a equipe da Seduc, analisar caso a caso.

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