Por motivos distintos, ambos de responsabilidade da 39ª Coordenadoria Regional de Educação (39ª CRE), duas escolas indígenas da região de Carazinho (37º Núcleo) não estão oferecendo merenda nutritiva e de qualidade às(aos) estudantes. Diante desse revoltante descaso, o Conselho Geral do CPERS vem a público manifestar seu repúdio e cobrar ações rápidas e efetivas do governo Eduardo Leite (PSD).
Na Escola Estadual Indígena Kame Mre Kanhkre, que atualmente funciona em contêineres — um espaço longe do ideal —, as(os) alunas(os) enfrentam, desde o início do ano letivo, problemas relacionados à merenda escolar. O atraso na regularização da contratação de uma profissional de limpeza e cozinha impediu o preparo de refeições mais substanciais, deixando dezenas de estudantes restritas(os) a uma alimentação composta apenas por bolachas durante meses.
Segundo relatos das(os) profissionais da instituição, muitas vezes era preciso que as(os) estudantes voltassem para casa para se alimentar e, somente então, pudessem retornar à sala de aula, já sem a fome dificultando a aprendizagem.
De acordo com a diretora-geral do 37º Núcleo, Adélia dos Santos, o exame admissional da profissional contratada apresentou atraso, mantendo a situação em um impasse entre o problema e a solução. Após meses, somente nesta quinta (22), o cacique da aldeia foi notificado que uma profissional foi contratada para a função. Ela, porém, ainda não iniciou os trabalhos na escola. Ainda conforme Adélia, “essas crianças já somam 60 dias tendo somente bolachas como merenda”.
Na escola indígena da Aldeia Fag Pá Tŷ În, que funciona em um piso de chão batido e também carece de infraestrutura adequada, a situação é igualmente alarmante. Apesar da construção de um espaço de alvenaria destinado à instalação de uma cozinha, a 39ª CRE alega que o local não é apropriado para a colocação de um fogão industrial — e, por esse motivo, os alimentos não são encaminhados à escola.
Seria cômico, se não fosse trágico: nesta instituição, há uma profissional disponível para o preparo da merenda, mas faltam os equipamentos e o espaço considerados “adequados”.
O desrespeito com essas duas escolas indígenas da região de Carazinho é escandaloso e evidencia o descaso do governo Eduardo Leite (PSD) com a educação pública estadual. Como se as estruturas precárias — um problema crônico na região — já não fossem suficientes, a dignidade também parece ser um direito negado a essas(es) estudantes indígenas.
É urgente que a 39ª CRE adote medidas imediatas para resolver essa situação, com soluções paliativas enquanto promove mudanças definitivas nessas escolas. Chega de estudantes passando fome dentro das salas de aula!




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