Do estádio à sala de aula: basta de racismo


Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP

O Departamento de Combate ao Racismo do CPERS manifesta sua profunda indignação diante de mais um episódio de racismo no futebol europeu, contra o jogador brasileiro Vinícius Júnior, durante a partida entre Real Madrid e Benfica, realizada na última terça-feira (17), no Estádio da Luz, em Portugal.

Após marcar o gol que abriu o placar no segundo tempo do jogo, Vinícius Júnior comemorou próximo à bandeira de escanteio e a torcida organizada do rival, gesto que gerou reclamações de jogadores adversários e culminou em uma confusão no gramado. O atleta brasileiro recebeu cartão amarelo do árbitro francês François Letexier. Na sequência, o jogador denunciou ter sido chamado de “mono” – termo racista equivalente a “macaco”, em espanhol – pelo atleta do Benfica, Gianluca Prestianni. O juiz interrompeu a partida e acionou o protocolo antirracismo da UEFA, deixando o jogo paralisado por cerca de dez minutos. Ainda assim, não houve punição imediata, e o duelo foi retomado. Posteriormente, torcedores passaram a entoar ofensas em coro contra o jogador brasileiro, além de arremessar objetos em sua direção.

Este não é um caso isolado. Na temporada 2022-23, Vinícius Júnior já havia denunciado reiterados ataques racistas durante partidas da La Liga, com registros de sons imitando macacos e insultos vindos das arquibancadas. A repetição desses episódios evidencia a persistência do racismo, nos mais diversos âmbitos.

O Departamento de Combate ao Racismo do Sindicato demarca que é inadmissível que manifestações racistas continuem sendo tratadas como meros “incidentes” em competições internacionais. O protocolo precisa resultar em responsabilização concreta e punições exemplares, afim de quebrar com a lógica de impunidade.

Reafirmamos que não há espaço para o racismo em nenhuma esfera da sociedade, seja nas escolas, nas instituições, nas ruas ou nos estádios. Racismo é crime, previsto na legislação brasileira, e deve ser combatido com rigor e responsabilização. O silêncio e a omissão também são formas de conivência. É preciso enfrentar o racismo com coragem, compromisso e ação. Basta!

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