CPERS repudia contratação de empresas estrangeiras por Leite e Melo na reconstrução gaúcha


O Conselho Geral do CPERS repudia veementemente a traição de Eduardo Leite (PSDB) e Sebastião Melo (MDB) na contratação de empresas estrangeiras para lidar com a reconstrução do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre, diante da crise climática.

Ambos contrataram a empresa estadunidense Alvarez & Marsal (A&M) para liderar a reconstrução da capital gaúcha e do estado. A A&M é famosa por priorizar interesses privados e acelerar a privatização de serviços públicos, relegando a vida da população a segundo plano.

Estamos enfrentando uma grave crise climática e, ao invés de valorizar os nossos próprios profissionais, Leite (PSDB) e Melo (MDB) preferem terceirizar a responsabilidade para empresas de fora. Isso só prova a prioridade política deles: proteger os interesses empresariais às custas dos direitos do povo gaúcho.

No Brasil, a A&M atuou, especificamente para a Vale, após o crime ambiental em Brumadinho em 2019. Os resultados foram previsíveis, com acordos de indenização a valores ínfimos e disputas judiciais intermináveis para compensar as vítimas.

Vale destacar também que a consultoria da A&M pode servir como uma cortina de fumaça para Eduardo Leite (PSDB) e Sebastião Melo (MDB), com uma possível estratégia de “empurra-empurra”, transferindo a responsabilidade dos problemas da administração pública para terceiros e permitindo que os verdadeiros culpados escapem ilesos.

Outro ponto preocupante é que, mesmo operando por apenas 60 dias no estado, a A&M teria acesso a informações estratégicas, como folhas de pagamento e bancos de dados das servidoras(es), que possuem um valor significativo no mercado. 

Mas isso não é novidade. Essa vantagem de informações teria acontecido também no leilão de privatização da Corsan, por Leite (PSDB). A A&M prestou serviço de consultoria, antes do leilão, tanto para a companhia de saneamento quanto para a Aegea, única empresa que participou do certame.

A A&M foi contratada duas vezes pela Corsan, ambas com dispensa de licitação. O primeiro contrato, firmado em setembro de 2020, no valor de R$ 6,6 milhões, tinha como objetivo auxiliar na otimização do plano de investimentos em Capex, um dos critérios fundamentais para determinar o valor de uma empresa. Já o segundo, assinado em agosto de 2022, no valor de R$ 3,8 milhões, foi destinado à criação de um PMO (Project Management Office, ou Escritório de Projetos), uma unidade responsável por estabelecer padrões de gerenciamento de projetos corporativos.

Para piorar, Eduardo Leite (PSDB) ainda está em processo de contratação de mais duas consultorias internacionais: Mckinsey e Ernest Young.

Os técnicos concursados dos órgãos públicos têm denunciado, na gestão estadual e municipal, a carência de recursos humanos para lidar efetivamente com os impactos da crise climática.

Esta escassez de pessoal compromete a capacidade de prevenção e resposta a desastres. Também evidencia a urgência de realização de concursos públicos para preencher lacunas essenciais – tanto no Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), da capital, quanto nas divisões de Meteorologia, Mudanças Climáticas e Eventos Críticos, do estado.

É lamentável que Leite (PSDB) e Melo (MDB) ignorem completamente a inclusão de especialistas qualificados das universidades e instituições públicas, desvalorizando nossas entidades e demonstrando uma total desconfiança nas capacidades e conhecimentos dos profissionais que vivem e entendem a realidade do Rio Grande do Sul.

Essa postura é uma traição ao povo que eles juraram servir e uma clara demonstração de falta de liderança e de compromisso com o verdadeiro desenvolvimento e progresso do estado.

Leite (PSDB) e Melo (MDB) precisam ser responsabilizados por suas escolhas e  devem ser lembrados de que governar é, acima de tudo, confiar e investir no potencial do próprio povo.

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