CPERS recebe corpo diplomático do Senegal para regularizar situação de imigrantes em Porto Alegre


Quem passou pela sede do CPERS nesta semana percebeu uma movimentação diferente. Desde o último sábado (29) duas salas do terceiro andar do sindicato estão cedidas ao Consulado do Senegal para a renovação da documentação dos imigrantes que vivem na região Sul.

Atualmente, cerca de 1300 senegaleses residem em Porto Alegre. Em sua maioria, homens de 18 a 49 anos que buscam melhores oportunidades de vida e uma forma de ajudar os familiares que permaneceram no país natal.

A parceria com o CPERS foi articulada pelo Departamento de Combate ao Racismo da entidade, coordenado pelo 2º vice-presidente, Edson Garcia. Na terça-feira (2), Edson e a diretora Sandra Terezinha Severo Regio, receberam a cônsul honorária do Senegal em Porto Alegre, Reginete Bispo, e acompanharam o andamento dos trabalhos no 3º andar. “Parcerias como essa fazem parte da nossa luta diária por igualdade e contra a discriminação, destaca Edson.

A ação é conduzida pelo primeiro-secretário da Embaixada da República do Senegal no Brasil, Abdourahmane Gueye. “Acredito que o acesso em um ponto central é muito positivo e um auxílio para os tantos senegaleses que saíram do seu país em busca de uma vida melhor”, disse.

O presidente da Associação dos Senegaleses de Porto Alegre, Serigne Bamba Toure, estima mais de 1000 senegaleses passaram pelo sindicato. Além dos que residem em Porto Alegre, imigrantes de todo o estado, bem como de Santa Catarina e Paraná, foram recebidos na capital.

Bamba vive no Brasil há quatro anos e sete meses e quando perguntado se a vida está melhor, responde sem hesitar, “agora está melhorando”. Ele estudou engenharia elétrica no Senegal, mas atua como eletricista de automação. “No início foi muito difícil por causa do idioma e por causa da validação do diploma, mas agora está melhorando”, afirma.

Quando questionado sobre o futuro, diz que ainda não tem certeza, mas acredita que permanecerá por Porto Alegre, já que está formando família por aqui e não pretende ficar longe do filho, assim como ele está longe de sua família que permaneceu no Senegal.

“Eu aprendi muita coisa no Brasil. Os brasileiros são um povo trabalhador e nos inspiram nesse sentido. Tem muita diversidade cultural, diferente de onde nós viemos”, diz Bamba.

Omar Mourid, que vive no Brasil há sete anos, diz que veio ao país em busca de oportunidades. “Imigrante não é algo novo no Brasil, já é algo fundamentado na cultura do país. Então, viemos para cá com essa perspectiva, de uma vida melhor e para tentar ajudar nossas famílias”, diz.

Ele deixou no Senegal a mãe e os irmãos para trabalhar com construção civil no Brasil, mas, pela dificuldade de conseguir emprego, trabalha atualmente como autônomo. “Meu pai morreu cedo e minha mãe teve que lutar muito para alimentar os filhos. E, pelo respeito que tenho por ela, meu maior objetivo de estar aqui é ajuda-la”.

Mourid disse que escolheu o Brasil pela diversidade cultural do país, mas se surpreendeu com a recepção que teve por aqui. “Eu descobri no Brasil que existe discriminação. Eu não sabia que existiam pessoas que discriminavam outras por causa da cor da pele. Eu descobri isso aqui”, lamenta

Para ele, a diferença cultural é algo que dificulta e se diz triste, visto toda a diversidade do país, algo assim não poderia acontecer. “Felizmente eu conheci pessoas que pensam diferente e não julgam as pessoas pela cor e assim me senti um pouco mais acolhido. Eu me orgulho de onde vim e de quem eu sou, então tento não andar na rua pensando no que as pessoas pensam sobre mim”, diz Omar.

Depois do Brasil, a comitiva do Consulado segue para a Argentina para continuidade ao trabalho de regularização dos imigrantes.

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