As imagens de uma ação racista da Brigada Militar, que circularam nas redes sociais em todo país no último final de semana, denunciam um fato que muitos governantes tentam manter debaixo dos panos: o racismo é o modus operandi da segurança pública no Rio Grande do Sul.
O CPERS, por meio do seu Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo, manifesta imenso apoio e solidariedade ao entregador Everton da Silva, que durante seu turno de trabalho foi duplamente agredido pela violência racial.
Vítima de lesão corporal por um indivíduo branco que o perfurou com uma faca, o trabalhador recorreu à Brigada Militar por socorro, mas ao invés de ser protegido, foi abordado com truculência pelos agentes da BM. O verdadeiro criminoso, no entanto, foi tratado cordialmente. Esse episódio revoltante ocorreu em uma das localidades mais conhecidas da capital gaúcha, o bairro Rio Branco.
Falta de compromisso político
Não é a primeira vez que a Brigada Militar violenta pessoas negras no estado. De acordo com uma pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU), três características tornam um cidadão alvo de abordagens policiais no Rio Grande do Sul: ser jovem, ser preto e ter tatuagens, imagine a dificuldade de quem possui as três características. O Coletivo do Sindicato continuará denunciando crimes como este e cobrando que a polícia militar trabalhe a partir de protocolos de abordagem, para que fatos lamentáveis como este não voltem a acontecer. O que se nota, diante de situações similares a do último sábado (17), é que a instituição trabalha e funciona sob a égide do racismo.
Por isso, são absurdas as recentes declarações do governador Eduardo Leite (PSDB) sobre a responsabilização da Brigada Militar. É no mínimo ingênuo, ou perverso, que o chefe do executivo estadual manifeste confiança na Corregedoria da BM para avaliar a atuação dos agentes, sabendo que os profissionais se protegem.
É preciso uma política contundente de combate ao racismo estrutural dentro dos órgãos públicos, sobretudo dos que possuem licença do Estado para o uso da força armada, para que haja, finalmente, alguma mudança de conjuntura. A população negra gaúcha quer sair para trabalhar com a tranquilidade de que voltará para casa em segurança. Apenas um governo comprometido com a superação do racismo é capaz de assegurar isso à comunidade. Infelizmente, Leite não demonstra o menor interesse em garantir a dignidade de pretos e pardos. Basta de racismo! Justiça para Everton Já!




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