Na manhã desta terça-feira (4), o 2° vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, participou do debate “Escuta e Acolhimento das Escolas Atingidas pela Enchente”, promovida pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa. O encontro ocorreu de forma híbrida, na sala Professor Salzano Vieira da Cunha.
De acordo com a Secretaria de Educação (Seduc), 1087 escolas foram atingidas pela catástrofe climática no Rio Grande do Sul. Destas, 573 instituições de ensino estão danificadas, impactando a vida de 395.181 estudantes. Os dados foram divulgados em live, na manhã desta terça-feira (4).
Durante a reunião, o 2º vice-presidente Edson ressaltou que é preciso que o Estado e os municípios apresentem um plano de ação, demonstrando os níveis de problemas nas escolas. “Tem escolas que não foram afetadas, tem escolas minimamente afetadas e outras muito afetadas. Temos que ter um plano de retorno para cada uma delas”, observou o educador.

Para Edson, todos esses planos têm que priorizar o retorno das aulas presenciais. “Todas as crianças e adolescentes são especiais e precisam ter um ambiente saudável para estudar. Nós, professores e funcionários, não temos que colocar a mão naquele local ou lugar infectado. Precisamos passar por uma etapa de desinfecção, depois uma etapa de higienização, para assim estarmos realmente seguros ”, asseverou.
O educador também chamou a atenção dos presentes para que não abram mão das suas escolas. “Temos que estar atentos a estratégias utilizadas para retirada de nossas escolas de seus territórios, satisfazendo anseios da sempre voraz especulação imobiliária. Estarmos vigilantes é fundamental, pois uma troca de endereço apresentada como temporária pode se tornar permanente, resultando em perdas de vínculos importantes de nossos alunos(as) que, em sua maioria, já acumulam muitas perdas emocionais”, concluiu.
A deputada e presidente da Comissão, Sofia Cavedon (PT), alertou para a responsabilidade do governo de Eduardo Leite (PSDB) e da Seduc em ouvir as educadoras(es) e de o governo investir corretamente todos os recursos destinados ao Estado em decorrência da catástrofe climática. “Eu sempre falo para a secretária Raquel Teixeira que os melhores parceiros são os diretores, os professores e os funcionários, chamem eles e escutem mais. O governo do Estado tem o fundo onde tem todas as doações e tem muito dinheiro e temos que acompanhar onde e como vai ser aplicado esse recurso”, destaca.

Escolas abandonadas após as enchentes
Os relatos dos representantes das escolas, sejam eles diretores, professores ou pais, todos trazem o mesmo problema: o descaso do governo de Eduardo Leite (PSDB) com as instituições e sua falta de transparência e diálogo.
O CE Presidente Castelo Branco, localizado no município de Lajeado, ficou completamente danificado com as chuvas, afetando até o segundo piso da escola; somente o terceiro andar, onde fica a biblioteca não foi afetado. “Estamos em um período de insegurança. Estamos em uma situação bastante difícil e o que mais nos preocupa é falta de informação. Até agora, não sabemos o que irá acontecer com a escola, se será reestruturada ou não”, desabafa o vice-diretor, Gilson dos Anjos.

Bruna Campos, mãe de aluno da EEEF Professor Olintho de Oliveira, localizada na Capital, contou que o local foi atingido com uns 50 cm de água, mas as aulas estão em trabalho remoto, pois aguardam a limpeza da instituição. “Queremos que os recursos públicos cheguem, de fato, nas escolas. Que o governo não sobrecarregue ainda mais os professores e funcionários das instituições de ensino”, apontou.

João Alberto Rodrigues, diretor da CE Coronel Afonso Emílio Massot, em Porto Alegre, conta que a instituição ficou alagada por uma semana. A comunidade escolar ficou até a última quinta-feira (30) aguardando a limpeza. “A empresa contratada deixa a desejar com falta de IPIs para os trabalhadores. Estamos pensando se vamos voltar para o híbrido, pois, a escola foi bem atingida, vai demorar até nos organizarmos”.

Joceline Sperotto, diretora da EEEM Professor Júlio Grau, destaca que ainda não voltou com as aulas presenciais, pois depende da limpeza da escola. “Essa limpeza precisa ser feita por pessoas especializadas, nosso refeitório foi atingido. Como vou receber os estudantes sem ter uma merenda e uma estrutura adequada? Não podemos trazer nossos estudantes para um espaço que não seja seguro”, reforçou.

“Não tem nada de empresa especializada, chega uma gurizada sem IPIs e sem profissionais especializados. Não vamos nos iludir com essas limpezas promovidas pela Seduc”, destaca Nei Colombo, diretor da EEEF Brasília Porto Alegre.

Beatriz Rockett Gruske, professora e mãe de aluno EMEI Tio Barnabé, de Porto Alegre, destacou que a escola ainda não recebeu a limpeza adequada. “A única limpeza que fizeram foi feita pelos pais e comunidade escolar. A questão não é só ter um espaço adequado para as nossas crianças. A questão é que quando não se tem um espaço afeta todo o resto das nossas vidas”, frisou.

A diretora da Atempa, Rosele de Souza, observou que essa é a hora dos gestores públicos assumirem suas responsabilidades. “Quando o poder público não age, acaba colocando uns contra os outros. Precisamos fazer com que eles assumam o que é de responsabilidade deles. Precisamos exigir que o dinheiro público seja usado de forma correta”, concluiu.

“Queremos que seja feita reconstrução do Rio Grande do Sul pelo Estado. Não pode ser povo pelo povo. O Estado é decisivo para a hora da crise”, asseverou Neiva Lazarotto, diretora do 39° Núcleo do CPERS.

Como encaminhamento do encontro, ficou decidido que um documento com os relatos dos representantes das escolas será encaminhado para a Seduc. Também será pedido uma reunião com o Ministério Público e será realizada uma Audiência Pública na ALRS para tratar sobre o tema.
O CPERS seguirá em todas as frentes para assegurar que as escolas atingidas pelas enchentes sejam assistidas pelo governo Eduardo Leite (PSDB) e recebam os recursos necessários para que voltem a funcionar adequadamente para atender, de forma digna, estudantes, educadoras(es) e a comunidade escolar.







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