CPERS debate ensino híbrido, calendário escolar e pós-pandemia em Seminário da CNTE


Para refletir sobre desafios emergentes no período da pandemia e fortalecer a defesa da escola pública, o CPERS participou de Seminário Pedagógico organizado pela CNTE nesta quarta-feira (11). Em pauta, as aulas remotas, o ensino híbrido e o calendário escolar 2020/2011.

As rápidas transformações impostas ao processo de ensino-aprendizagem, a adoção forçada de soluções digitais à revelia da autonomia escolar, a padronização de currículos e o avanço de interesses privados aproveitando-se do período de exceção estiveram entre os temas abordados.

>> Ensino híbrido acirra desigualdades e abre caminho para demissões e privatização

Sindicatos de todo o país expuseram dificuldades em comum: falta de acesso a equipamentos e Internet, desigualdade, estresse e angústia, deficiência pedagógica dos métodos remotos, desvalorização dos educadores(as) e desinteresse do alunado se somam ao descaso dos governos estaduais e federal.

“Será que esse ensino está sendo efetivo? Estamos no mês da consciência negra e não posso deixar de fazer a menção: nossos estudantes da periferia, muitos negros, sofrem com as condições de acesso. E que condições tiveram os educadores em relação a como desenvolver essas práticas? O governo lançou treinamentos para cumprir tabela, mas que não dizem nada com nada”, avaliou Edson Garcia, 2º vice-presidente do CPERS.

Para Candida Rossetto, secretária-geral do Sindicato, urge levar o debate às bases e fazer o enfrentamento.

“Não podemos dizer que o ensino híbrido está dado. Precisamos nos apropriar da cultura digital, mas o que está em curso é a privatização e a destruição do direito à educação. É preciso fazer a disputa contra o autoritarismo e o neoliberalismo. No Rio Grande do Sul temos duas faces da mesma moeda com os governos Leite e Bolsonaro, que atendem ao mercado”, disse.

O debate traz à tona a necessidade de questionar o próprio papel da escola na situação de pandemia; a importância de assumir as limitações, focar nos vínculos, acolher os estudantes e, na medida do possível, trabalhar os conteúdos que as escolas julgarem mais adequados para o período e a realidade social do alunado.

“Precisamos pensar de que forma vamos construir um projeto político-pedagógico para o pós-pandemia. Precisamos entender como se dará a passagem entre os anos letivos. Para além da segurança, é preciso pensar a volta, a permanência e a qualidade do ensino-aprendizagem”, comentou Rosane Zan, que coordena o Departamento de Educação do CPERS.

Nessa toada, um dos textos de reflexão propostos para o Seminário, assinado por Marcelo de Souza Ribeiro e Clara Miranda de Souza, afirma: “as escolas não podem repetir o discurso necrófilo de um certo sentido da economia, que esta ‘não pode parar’. Essa ideia é antipedagógica, adoecedora e, portanto, negacionista.”

O segundo texto, de Katya Braghini, provoca:

“Quem disse que todas as pessoas podem ter acesso a tudo isso? Na agenda pública quanto se paga por esse currículo cartelizado que transformou sistemas informatizados, com marcas e modelos, em imperativos educacionais? Alguém pensou que sistemas operacionais de informáticas nem sempre funcionam em sua plenitude e que os problemas técnicos podem ser maiores que os objetivos pedagógicos? Quem não alcançar esse forma escolar será desqualificado? O entretenimento escolarizado, vinculado ao interesse e a atenção dos alunos, só tem por intenção tornar a escola menos chata? Formadores e educadores estão realmente certos disso?”

Leia os textos propostos para reflexão:

>> Aulas remotas e seus desafios em tempo de pandemia
>> Reflexões para o Seminário Pedagógico

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