Contra os ataques privatistas à educação: sindicatos da América Latina se reúnem na Bolívia


O Brasil não é o único país a enfrentar retrocessos na educação pública. O capital financeiro avança sobre sistemas educacionais em todo o mundo, precarizando o trabalho de educadores(as) e transformando a educação em mercadoria. Nesta segunda-feira (23), dirigentes sindicais de diversas nações latino-americanas se encontraram em Cochabamba, na Bolívia, para discutir o tema na Reunião Regional da Internacional da Educação para a América Latina (IEAL).

Em pauta, o panorama político-educacional de cada país e os desafios compartilhados para a consolidação de um modelo pedagógico público, inclusivo e de qualidade frente aos ataques privatistas. O CPERS participou do debate representado pela presidente Helenir Aguiar Schürer.

Para Fátima Silva, vice-presidente do Comitê Regional da IEAL, o ataque transnacional deve ser combatido com informação e unidade entre educadores(as). “Esta onda de retrocesso que enfrentamos é parte de uma configuração mundial. As lutas que travamos agora exigem mais conhecimento, coerência de princípios e os direitos humanos como norte irremovível”, afirmou.

Críticas à desprofissionalização do professor, com a ingerência direta de multinacionais da educação sobre sua formação, e a importância do fortalecimento do movimento sindical foram ponto comum das mesas de debate. “Nós só podemos defender a educação se tomarmos o fio da justiça social, o fio da profissionalização e o fio do sindicalismo e fizermos uma trança. Acho que, nos próximos anos, defender nossa autonomia profissional será uma grande luta. Juntos e juntas somos mais fortes”, disse David Edwards, secretário-geral da IEAL.

Hugo Yasky, secretário-geral da Central de Trabalhadores da Argentina, ressaltou o caráter neoliberal do desmonte dos sistemas públicos de educação. “O mercado diz: a desigualdade é boa. Se seguirmos esse caminho, não teremos mais educação como um direito. Será um serviço, um bem de consumo para aqueles que podem pagar e é a isso que nos opomos”, ponderou.

Internacional da Educação

A IEAL é um braço regional da Education International (EI), federação internacional de sindicatos de educação. Representa mais de 30.000.000 de professores, trabalhadores e trabalhadores da educação. Tem mais de 400 organizações membros em 177 países, incluindo da pré-escola à universidade.

A EI defende uma educação pública e de qualidade, acessível a todas as pessoas, e sua proposta é contribuir para o desenvolvimento de organizações sindicais democráticas, promovendo a solidariedade e a cooperação mútua e lutando contra a discriminação nos espaços educativos e na sociedade

Notícias relacionadas