Comando de greve cobra antecipação de negociação e faz pedágio solidário para ajudar educadores(as) sem salário


Pedágio solidário na Esquina Democrática, pressão no Piratini e reunião para debater os rumos da luta em janeiro foram as atividades que marcaram o primeiro encontro do Comando de Greve do CPERS em 2020, neste dia 2.

O grupo esteve no Palácio Piratini no início da tarde para reivindicar uma agenda com Otomar Vivian, chefe da Casa Civil. A intenção era antecipar a reunião de negociação marcada para o dia 10, com a pauta da negociação da recuperação de aulas e o pagamento dos grevistas que tiveram os salários cortados.

Sem a presença de Vivian, o comando foi recebido por Luciano Machado, assessor do gabinete do governador. O Piratini ficou de dar retorno à demanda nesta semana.

“Nós reiteramos que os nossos alunos, pais, professores e funcionários estão à disposição de reiniciar o ano letivo. O único, hoje, que ainda demonstra não ter a disposição de reiniciar é o governador do estado quando corta o salário e marca uma reunião para o dia 10 de janeiro, dificultando o início do ano de 2020”, afirmou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer. 

A persistência em penalizar educadores(as) coloca em risco a conclusão do ano letivo e a formação de milhares de estudantes. A retomada das aulas depende apenas do governo, mediante acordo de greve assinado entre as partes. 

Pedágio Solidário

Antes, dezenas de professores(as) e funcionários(as) protestaram contra o corte de ponto dos servidores(as) em greve e o pacote de Eduardo Leite. Na Esquina Democrática, coração da capital, educadores(as) distribuíram panfletos e arrecadaram alimentos e dinheiro para auxiliar grevistas que tiveram seus salários cortados.

A historiadora e servidora da Cultura, Estela Machado, prestou sua solidariedade. “A gente também está na luta por melhores condições e por serviços públicos de qualidade. No final do mês retomaremos nossa greve também, estamos juntos no movimento”, disse.

Este é o segundo pedágio solidário promovido em Porto Alegre, que arrecadou em torno de R$ 1 mil,  valor que representa o dobro da ação anterior, realizada no dia 30. Com o dinheiro, são comprados alimentos não perecíveis para montar cestas básicas e auxiliar educadores(as) que estão passando por necessidades. 

Após o movimento no Piratini, o Comando de Greve se reuniu para debater as estratégias de ação até a próxima semana. O Conselho Geral do CPERS será convocado para o dia 6, próxima segunda-feira, a fim de discutir o acordo de greve e a mobilização para a possível votação do pacote no final do mês.

Caso o Piratini mantenha a reunião para o dia 10, o comando também deliberou pela realização de ato estadual da categoria para pressionar pelo acordo.

Relembre as propostas aprovadas na Assembleia do dia 20

  1. Manter a greve para negociar o pagamento do salário e suspende-la após acordo assinado que condiciona a recuperação das aulas ao pagamento dos dias parados. Respeito à autonomia das escolas na construção do calendário de recuperação das aulas;
  2. Visita às escolas e plenárias nas regiões dos(as) deputados(as) da base do governo;
  3. Assembleia Geral, no caso de ser convocada sessão extraordinária da Assembleia Legislativa;
  4. Panfletagem em espaços de aglomeração de pessoas nos núcleos, fazendo a denúncia do pacote de Leite e sua retirada, bem como a defesa da escola pública e do serviço público;
  5. Campanha de denúncia contra o governo Leite que articula a privatização da escola pública estadual através da Fundação Lemann e outras organizações;
  6. Elaborar estudo e organizar a categoria para resistir ante a imposição da nova matriz curricular;
  7. Denunciar os partidos e deputados(as) que votaram a favor do PLC 503 e fortalecer a pressão e vigilância sobre os mesmos, considerando a posição destes em relação aos demais projetos do pacote;
  8. Reafirmar nossa posição contrária à municipalização das escolas públicas estaduais.

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