Neste Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, o Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do CPERS alerta sobre a saúde das(os) trabalhadoras(es) da educação pública, que está em colapso. Isso não é acaso, mas sim consequência de um projeto político definido.

Nas escolas da rede estadual, o que se vê é o avanço de um processo de adoecimento coletivo. Jornadas exaustivas, sobrecarga de trabalho, desvalorização salarial e vínculos precários têm produzido um cenário onde ansiedade, depressão, estresse crônico e síndrome de burnout deixam de ser exceção e passam a ser regra.

Dados recentes apontam que o adoecimento mental já é uma das principais causas de afastamento entre servidoras(es) públicas(os). Em todo o país, foram mais de 472 mil casos apenas em 2024, segundo o Ministério da Previdência Social. Entre as(os) educadoras(es), o cenário é ainda mais grave. Estudos e análises apontam que mais de 50% dos afastamentos na educação estão ligados a transtornos mentais, evidenciando que o sofrimento psíquico já se tornou parte do cotidiano escolar.

No Rio Grande do Sul, esse processo está diretamente ligado às escolhas do governo Eduardo Leite (PSD), que aprofunda a lógica de redução do Estado, a precarização dos vínculos e o desmonte dos serviços públicos. A falta de concurso público, o aumento dos contratos temporários e a ausência de equipes de apoio nas escolas ampliam a pressão sobre quem sustenta a educação todos os dias.

O resultado é um ciclo perverso: trabalhadoras(es) adoecem, se afastam ou abandonam a carreira, enquanto o governo segue sem enfrentar as causas estruturais do problema. Ao mesmo tempo, cresce a naturalização do sofrimento, como se adoecer fosse parte do trabalho.

Neste sentido, a pesquisa “Carreiras Sustentáveis e Trabalho Decente: perspectivas psicossociais no contexto brasileiro”, desenvolvida pela PUCRS em parceria com o Sindicato, vem analisando os fatores psicossociais que estruturam — ou rompem — a permanência de educadoras(es) na rede estadual.  A participação é fundamental para o fortalecimento da luta em defesa da melhores condições de trabalho e políticas públicas. Para participar, basta responder o questionário. Clique aqui!

Cuidar da saúde das(os) trabalhadoras(es) da educação é condição básica para garantir o direito à educação pública de qualidade. Não há escola democrática, inclusiva e transformadora sustentada pelo adoecimento de quem a constrói.

Por isso, neste 7 de abril, o Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do CPERS reafirma a urgência de romper com esse modelo. É preciso garantir políticas públicas efetivas de cuidado, com acompanhamento psicológico, redução da sobrecarga, valorização profissional e condições dignas de trabalho.

Defender a saúde das(os) trabalhadoras(es) é defender a escola pública.
E defender a escola pública é defender a vida!

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Entre os dias 13 e 19 de abril, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realiza a 27ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, mobilizando escolas, educadoras(es) e comunidades em todo o país. A iniciativa tem como objetivo central promover reflexões sobre o papel da educação pública na construção de uma sociedade democrática, soberana, igualitária, sustentável e livre de violências, com destaque para o enfrentamento ao feminicídio. 

A atividade integra o calendário nacional de lutas da educação e contará com uma programação organizada por eixos temáticos ao longo da semana. Para subsidiar os debates e práticas pedagógicas, a CNTE elaborou um livreto com sugestões de atividades voltadas para diferentes níveis de ensinos (Educação Básica, Ensino Fundamental, Médio e EJA). 

> Cada dia da Semana será dedicado a um tema estratégico para a educação brasileira:

  • 13 de abril: Educação, democracia e soberania
  • 14 de abril: Educação e o combate à violência contra minorias e ao feminicídio
  • 15 de abril: Políticas estruturantes da educação, com destaque para o financiamento e o Sistema Nacional de Educação
  • 16 de abril: Valorização dos profissionais da educação
  • 17 de abril: Educação, sustentabilidade e inteligência artificial

A proposta é que as atividades estimulem o pensamento crítico, o debate sobre direitos sociais e o fortalecimento da escola pública como espaço de formação cidadã.

>> Marcha em Brasília marca o terceiro dia de mobilização

O dia 15 de abril terá em especial a Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília. A mobilização reunirá educadoras(es) e trabalhadores de diversas categorias em defesa de mais direitos, investimento público na educação e contra a reforma administrativa.

Representantes dos núcleos do CPERS e da Direção Central estarão presentes na atividade, reforçando a importância da unidade da classe trabalhadora na luta por valorização profissional e por uma educação pública de qualidade.

Nos locais onde não houver paralisação, a orientação é promover debates e atividades que discutam temas como o papel do Estado, os impactos do neoliberalismo e a importância dos serviços públicos para a população.

>> Educação como instrumento de transformação social

A 27ª Semana de Educação acontece em um contexto de desafios profundos para a educação pública brasileira, marcado por tentativas de privatização, precarização do trabalho e ataques à gestão democrática das escolas.

Nesse cenário, a iniciativa reafirma a educação como um instrumento fundamental de transformação social, defesa da democracia e enfrentamento às desigualdades. Também destaca o papel da escola na promoção da cultura de paz, no combate às violências e na construção de uma sociedade mais justa.

Mais do que uma agenda pedagógica, a Semana se consolida como um espaço de mobilização e resistência, articulando educadoras(es), estudantes e comunidades em defesa de um projeto de país que coloque a educação pública no centro das prioridades. Participe!

> Baixe o livreto com a programação!

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A Direção Central do CPERS informa que, em razão do feriado de Páscoa, o atendimento da área administrativa da sede do Sindicato, em Porto Alegre, estará suspenso a partir do meio-dia desta quinta-feira (2).

Nesse período, o alojamento e a portaria funcionarão normalmente, enquanto a cantina permanecerá fechada. Na segunda-feira (6), todos os atendimentos serão retomados. Os 42 núcleos do Sindicato também estarão fechados durante esse intervalo.

Mais do que chocolate, desejamos a todas e todos uma Páscoa repleta de bons momentos e de renovação para a luta em defesa das(os) educadoras(es) e da educação pública.

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Os dados mais recentes sistematizados pelo DIEESE, com base no Censo Escolar 2025, revelam uma queda acentuada nas matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e acendem um grave alerta sobre o acesso à educação pública no Rio Grande do Sul. O levantamento aponta que, desde 2019, houve uma redução de 64,1% no número de estudantes na modalidade, que passou de 71.703 para apenas 25.725 — ou seja, 45.978 pessoas a menos com a oportunidade de retomar os estudos.

>> Clique aqui para conferir o estudo do DIEESE completo

A diminuição expressiva das matrículas não pode ser vista como uma simples mudança de demanda, mas como consequência direta do fechamento de turmas, da precarização das condições de ensino e da falta de políticas de permanência, como transporte, alimentação e incentivo às(aos) estudantes. Além disso, o avanço da precarização do trabalho e a falta de tempo da classe trabalhadora também impactam diretamente na permanência na escola. Tudo consequência de um projeto de desmonte e desmantelamento da Educação Pública gaúcha provocada pelo governo Eduardo Leite (PSD), Gabriel Souza (MDB) e Raquel Teixeira.

A EJA, historicamente responsável por garantir o acesso à escolarização para jovens trabalhadoras(es) excluídas(os) do sistema regular e pessoas que não puderam estudar na idade adequada, vêm sendo progressivamente abandonada pelos governos estaduais. O patamar atual segue drasticamente inferior ao de anos anteriores, evidenciando uma política de redução estrutural da oferta. Esse encolhimento ocorre em paralelo à diminuição geral da rede estadual, que perdeu mais de 20% das matrículas no período, além do fechamento de escolas e turmas.

RS não cumpre papel no Pacto Nacional e EJA segue sem políticas efetivas

Apesar de o Rio Grande do Sul integrar o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA — iniciativa do governo Lula (PT), criada em 2024 para alfabetizar, ampliar a escolaridade e fortalecer a modalidade —, o governo Eduardo Leite (PSD), Gabriel Souza (MDB) e a secretária Raquel Teixeira não têm cumprido seu papel. Pelo contrário, pouco têm feito para garantir a permanência no programa.

“Falta uma política de busca ativa para estudantes da EJA. Nos últimos governos, nunca houve um planejamento consistente e ações concretas para o fortalecimento da modalidade — muito pelo contrário”, aponta Guilherme Reichwald Jr, integrante do Fórum Estadual de EJA do RS e do Coletivo Nacional da EJA-EPT da Rede Federal e professor do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSUL), campus Sapucaia.

O dirigente observa que a atual demanda no Rio Grande do Sul é de cerca de 4,9 milhões de pessoas acima de 15 anos que não possuem a educação básica completa. “Dizer que não há estudantes é um argumento antigo, que ignora dois pontos centrais. Primeiro, a ausência de busca ativa nos territórios onde estão essas pessoas, além da falta de esclarecimento de que a EJA é um direito garantido em lei e deve ser ofertado pelos sistemas públicos. Segundo, a localização das escolas e das turmas de EJAs, que precisam estar em espaços de circulação que facilitem o acesso e o retorno de trabalhadores e trabalhadoras”, reforça.

Guilherme ainda destaca: “A Seduc não tem ações efetivas nem presença do Estado na promoção do Pacto. A maior prova disso é o fechamento sistemático de turmas, a dificuldade de disponibilizar matrículas e também o fechamento de escolas de EJA”, conclui.

SOS: EJAs e NEEJAs lutam para sobreviver no RS

O cenário está diretamente relacionado a escolhas políticas do atual governo do Estado, que vem promovendo o enxugamento da rede pública, o fechamento de turmas — especialmente no turno da noite, onde a EJA é majoritária — e a ausência de políticas efetivas de permanência e busca ativa de estudantes.

Com base no estudo do DIEESE, os dados organizados na Tabela 5 revelam que o Rio Grande do Sul ocupa apenas a 13ª posição no ranking nacional de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O estado é superado por unidades da federação com populações significativamente menores, como o Piauí, com 45.684 matrículas, e a Paraíba, com 33.265. Além disso, registra menos de um quarto do volume de matrículas observado em estados como Bahia e São Paulo, evidenciando a dimensão da retração da EJA no território gaúcho.

O professor de história, Silvio de Oliveira, vice-diretor do Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos (NEEJA) de Cultura Popular Paulo Freire, localizado em Porto Alegre, trabalha com a EJA desde 2013 e com o NEEJAdesde 2015. Ele conhece bem a luta diária para manter essas modalidades no ensino público gaúcho.

A instituição é a única que oferece EJA e NEEJA na Alfabetização, no Ensino Fundamental e Médio no RS. E desde 2015 (época do governo Sartori) travam uma batalha para continuar com esse modelo de ensino. “A Seduc quer ter quatro ou cinco professores chamados aplicadores de provas no NEEJA. A gente vem fazendo essa briga para manter o grupo de professores completo para oferecer as mais diferentes aulas, com todas as disciplinas para que os jovens, adultos e idosos possam assistir as aulas quantas vezes eles quiseram, pois é um direito deles que não foi garantido quanto criança e adolescente para concluir seus estudos”, explica.

O professor chama a atenção para quem são os estudantes da escola: “60% são mulheres, negros, LGBTQIA+, imigrantes, ou seja, todos aqueles grupos excluídos pelas mais diferentes razões da escola regular e que buscam na EJA e nas NEEJAs a oportunidade de terminar seus estudos”, destaca.

Silvio observa que o governo Leite (PSD) ao invés de ajudar, dificulta ainda mais a vida dessas pessoas. “Tentando fechar escolas, retirar professores, os colegas que se aposentam eles não substituem. Então é uma situação bastante difícil, uma tensão permanente, isso há 11 anos, é muito ruim. O processo pedagógico fica extremamente prejudicado nessa situação”, lamenta.

Além de tudo que a escola já vem lutando, desde o início de fevereiro deste ano, as(os) dirigentes, educadoras(es) e estudantes da instituição foram pegas(os) de surpresa em ter que dividir o espaço da escola com o Corpo de Bombeiros, o que começou com três salas se tornou em metade do prédio. “O trabalho do Corpo de Bombeiros é importante, mas não é adequado dividir o prédio de uma escola. É absolutamente antipedagógico. É mais uma amostra do descaso e desrespeito do governo com a educação como um todo e com a EJA e o NEEJA. Eduardo Leite mostra ser uma boa pinta, mas por trás é um destruidor dos serviços públicos e da educação pública”, afirma Silvio.

Jorge Nogueira, professor de sociologia, leciona na EJA há 13 anos e atualmente trabalha na EEEM Agrônomo Pedro Pereira, em Porto Alegre. A instituição, no momento, oferece seis turmas de Ensino Médio — duas de cada série (1º, 2º e 3º ano) —, mas já chegou a ter 12 turmas, número que foi reduzido ao longo de dois anos e meio.

O educador pontua que a EJA nunca foi prioridade do governo Leite (PSD) e que a modalidade tem sido cada vez mais desvirtuada de sua função original. “A EJA vem sendo tratada como um Ensino Fundamental e Médio resumido. Acabaram com a noção de totalidade, em que o estudante era avaliado no seu conjunto. Com isso, o estudante da EJA pode ser reprovado por apenas uma disciplina, enquanto no ensino regular avançaria podendo reprovar em até quatro disciplinas”, ressalta.

O professor ainda aponta outro problema: os cancelamentos de matrículas. “É comum o estudante da EJA desaparecer por duas ou três semanas, às vezes até mais tempo, sem que a escola consiga localizá-lo na busca ativa. Ainda assim, a orientação é cancelar a matrícula. Como cancelar a matrícula de um estudante que não foi localizado? Depois, ele retorna e encontra sua matrícula cancelada. Temos participado de formações no ‘Pacto pela EJA’, mas as orientações da mantenedora [Seduc] vão no sentido oposto ao que é trabalhado nessas formações”, afirma.

Para o CPERS, o que está em curso no Rio Grande do Sul é um projeto deliberado de desresponsabilização do governo do  Estado com a educação pública, que atinge de forma ainda mais cruel os setores mais vulneráveis da população. A destruição da EJA e do NEEJA significa negar oportunidades, ampliar desigualdades e comprometer o futuro de milhares de gaúchas e gaúchos.

Diante desse cenário, o Sindicato reafirma a necessidade urgente de recomposição da oferta nessas modalidades, reabertura de turmas, valorização das(os) profissionais da educação e investimento público robusto. Defender a EJA e o NEEJA é defender o direito à educação ao longo da vida — e resistir ao desmonte promovido pelo governo de Eduardo Leite (PSD), Gabriel Souza (MDB) e Raquel Teixeira.

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A Caravana do CPERS segue em campo, nesta terça-feira (31), pelo interior do estado. Em sua penúltima semana de atividades, a iniciativa, que leva dirigentes sindicais às bases escolares, consolida um diagnóstico oposto ao apresentado pelo governador Eduardo Leite (PSD) e seu vice Gabriel Souza (MDB): longe da gestão “eficiente” que o governo propagandeia, o relato de educadoras(es) evidencia um cenário de sucateamento, sobrecarga e esvaziamento de direitos.

Na região das Missões, onde a Caravana visitou o 33º Núcleo (São Luiz Gonzaga), a presidente do CPERS, Rosane Zan, acompanhada da tesoureira, Dulce Delan, e das(os) dirigentes Andréa da Rosa e Leandro Parise, avaliou os encontros como muito positivos pelo retorno da categoria, mas destacou que os relatos colhidos são alarmantes. 

As falas das(os) trabalhadoras(es) da educação giram em torno de três eixos comuns: a precarização extrema das condições de trabalho, a sobrecarga funcional e a ausência de investimentos estruturais. Um dos pontos que mais acendeu o alerta na região foi a percepção do avanço da lógica mercadológica dentro das escolas públicas. 

“Esse cenário reforça a urgência da nossa luta e a necessidade de fortalecer a organização coletiva da categoria. A partir desse acúmulo, nosso próximo passo é levar ao Conselho Geral uma proposta consolidada, construída a partir da escuta da base, para apresentar aos candidatos ao governo. Queremos que essas reivindicações estejam no centro do debate eleitoral, porque defender a educação pública é, fundamentalmente, defender o futuro do nosso estado”, frisou a presidente Rosane Zan.

As(os) dirigentes também realizaram uma Plenária com Aposentadas(os), na sede do 33º Núcleo, ampliando o debate em defesa das(os) educadoras(es) aposentadas(os).

No Planalto Médio, a comitiva percorreu o 28º Núcleo (Soledade) e se deparou com um problema estrutural que o governo Eduardo Leite (PSD) insiste em ignorar: a falta de pessoal. A dirigente do CPERS, Vera Maria Lessês, que integrou o grupo ao lado de Sandra Silveira, Sandra Regio e Guilherme Bourscheid, destacou que as escolas visitadas estavam organizadas e aguardavam a comitiva, mas a tônica das conversas foi a carência severa de profissionais. A propaganda do governador Leite (PSD) sobre “eficiência” contrasta com a realidade de escolas operando com equipes mínimas, onde a sobrecarga já é um fator de adoecimento entre as(os) trabalhadoras(es). Houve também panfleteação no centro de Soledade.

“Um dos aspectos que mais nos chamou atenção foi a carência de recursos humanos. Há uma falta significativa de professoras e professores em diversas áreas, além de funcionárias e funcionários de escola — uma realidade bastante presente nas instituições que visitamos”, destacou Vera.

Já no Vale do Rio Pardo, a Caravana no 18º Núcleo (Santa Cruz do Sul) combinou duas frentes de atuação: a panfletagem na Praça Getúlio Vargas, em pleno centro do município, e visitas técnicas às escolas. O diretor Leonardo Preto, que esteve acompanhado de Juçara Borges, Elbe Belardinelli e Sandra Santos, enfatizou a receptividade das escolas, mas ressaltou que a categoria está atenta e indignada. As principais queixas das(os) educadoras(es) da região giram em torno da precarização dos vínculos trabalhistas, salário defasado e sobrecarga de trabalho.

“As escolas estão receptivas e o diálogo com a categoria tem sido intenso, revelando demandas recorrentes, como a sobrecarga de trabalho, o excesso de burocratização com planilhas e os muitos questionamentos sobre contratos e a realização de concurso público. Também aparece com força a preocupação com o cenário eleitoral que se aproxima e com o lugar que a educação ocupará nesse debate. O que vemos é uma categoria atenta, consciente das condições em que trabalha e disposta a se mobilizar. O CPERS, no chão da escola, faz a luta acontecer”, afirmou Preto.

Enquanto o Piratini insiste em uma narrativa de “modernização” que muitas vezes rima com terceirização e parcerias público-privadas, a Caravana evidencia o caos silencioso que se instalou nas escolas públicas estaduais: instituições de ensino sem funcionárias(os), professoras(es) sobrecarregadas(os) por planilhas e uma estrutura que sucumbe à falta de investimento com educadoras(es) com salários defasados.

Nas atividades em cada região, as(os) dirigentes do CPERS também denunciaram os ataques de Leite(PSD) e Gabriel (MDB) à educação em rádios locais, acompanhadas(os) de representantes dos núcleos.

A Caravana do Sindicato se propõe a construir, a partir da escuta direta da base, um documento de reivindicações que sirva de barreira programática contra o avanço de modelos que desmontam o caráter público, gratuito e de qualidade da educação gaúcha. Trata-se de um movimento que recoloca a educação pública no centro da disputa política no Rio Grande do Sul — ancorado na voz de quem sustenta, diariamente, a escola pública. Avante educadoras(es)! Seguimos na luta!

Escolas visitadas, nesta terça-feira (31)

>>Escolas visitadas em Santa Cruz do Sul (18º Núcleo):

Santa Cruz do Sul: 

EEEM Willy Carlos Fröhlich
EEEM Nossa Senhora da Esperança
EEEF Gaspar Bartholomay
EEEF Nossa Senhora de Fátima

Vera Cruz:

EEEM Vera Cruz
EEEF Paraguaçu

Vale do Sol: 

EEEF Afonso Martin Rholfes
EEEM Guilherme Fischer 

Candelária:

EEEM Gastão Bragatti Lepage
EEEM Guia Lopes
EEEM Professor Fábio Nackpar dos Santos
EEEF Professor Dinarte

Rio Pardo:

EEEM Biágio Soares Tarantino
EEEF Vila Progresso
EEEF Dr. Pedro Alexandrino de Borba
EEEM Fortaleza
IEE Ernesto Alves
EEEF  Rio Pardo
EEEF Ramiz Galvão
EEEF Nossa Senhora Aparecida
EEEM Fortaleza

>>Escolas visitadas em Soledade (28º Núcleo) 

Soledade:
IEE Maurício Cardoso
EEEF Professora de Maria de Abreu Lima
IE Polivalente
IE São José
EEEF Capistrano de Abreu
EEEM Júlia Lopes
EEEF Eurípides Dalla Costa

Tapera:
IEE Nossa Senhora Imaculada
EEEM Dionísio Lothário Chassot 

Espumoso:
IEE Dr. Ruy Piegas
EEEF Professor Affonso Luiz Spada

Fontoura Xavier:
IE Ernesto Ferreira Maia

São José do Herval:
EEEM Érico Veríssimo

>>Escolas visitadas em São Luiz Gonzaga (33º Núcleo): 

São Luiz Gonzaga: 

IEE Rui Barbosa 
EEEF Prof João Aloísio Braun
EEEF Senador Pinheiro Machado
EEEF Amalia Germano de Paula
EEEF São Luiz 
EEEF Amalia Germano de Paula   
EEEF Dr. Mario Vieira Marques – Ciep
ETE Cruzeiro Do Sul 
IEE Prof Osmar Poppe 
EEEM Gustavo Langsch
EEEF Prof Adalgisa Leaes Lencina 

Total: 44 escolas




   

As(os)    



 
   

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Realizada em Porto Alegre, a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos reuniu, entre os dias 26 e 29 de março, milhares de participantes em uma ampla articulação que conectou lutas locais e globais. Entre as presenças ativas no encontro, destacou-se a Direção Central do CPERS, acompanhada de educadoras e educadores representantes dos núcleos do Sindicato, que contribuíram diretamente nos debates e nas atividades. Com a participação de entidades sindicais, movimentos sociais e organizações populares do Brasil e de diversos países, o evento se consolidou como um importante espaço de intercâmbio de experiências e construção de estratégias comuns diante do avanço da extrema-direita no mundo.

A Carta de Porto Alegre, construída coletivamente ao longo da Conferência, sintetiza os principais compromissos assumidos pelas organizações participantes. O documento reafirma a necessidade de unidade entre os povos no enfrentamento ao fascismo, ao imperialismo e a todas as formas de opressão, estabelecendo como eixos centrais a defesa da soberania, o combate às desigualdades sociais e a valorização do trabalho digno. Também destaca a luta contra o racismo, o machismo e outras violências estruturais, além de apontar a organização popular e a solidariedade internacional como caminhos fundamentais para resistir aos ataques às democracias e aos direitos sociais em todo o mundo.

Para o CPERS, a participação e o acúmulo político construído durante a atividade fortalecem a resistência da categoria diante dos ataques à educação pública e aos direitos dos trabalhadoras e trabalhadores. A Carta reafirma que não há democracia sem justiça social e sem valorização dos serviços públicos, o que dialoga diretamente com a luta cotidiana das(os) educadoras(es) gaúchas(os). Mais do que um registro político, o documento se consolida como um chamado à mobilização permanente, à unidade e à construção de alternativas para um projeto de sociedade mais justo, democrático e soberano.

>> Confira, abaixo, a Carta na íntegra:

Reunidos em Porto Alegre – cidade símbolo das lutas internacionais, de importantes tradições e aspirações democráticas – milhares de ativistas de mais de quarenta países dos cinco continentes, celebrando nossa unidade na diversidade, buscando avançar na organização para a resistência e o combate aos variados fascismos, a extrema direita e o imperialismo em sua fase mais agressiva.

Nessa mesma semana, ocorreu o comboio Nuestra America a Cuba, tivemos mais de um milhão de pessoas nas ruas da Argentina, lutando pela memória e contra Milei; houve centenas de milhares na convocação antifascista do Reino Unido e especialmente a grande e histórica manifestação “No Kings” nos Estados Unidos que com milhões de estadunidenses, reunidos em centenas de cidades, declarando uma vez mais Trump como inimigo da humanidade.

O sistema capitalista-imperialista vive uma profunda crise e uma acentuada decadência econômica, social e moral. A resposta das potências imperialistas ao seu declínio tem sido o fomento do fascismo em toda parte, a imposição de políticas neoliberais, agressões militares às nações mais fracas e a sua recolonização.

Em cada país, as ameaças fascistas e neoliberais assumem formas particulares, mas têm pontos em comum: a eliminação das liberdades democráticas, a destruição dos direitos trabalhistas, a explosão do desemprego estrutural, o desmantelamento da previdência social, a repressão às entidades sindicais e populares, a privatização dos serviços públicos, políticas de “austeridade” que eliminam todo e qualquer investimento social, o negacionismo científico e climático, a expropriação dos camponeses em benefício da agroindústria, o deslocamento forçado das populações originárias para promover o extrativismo desenfreado, políticas migratórias ultra-restritivas e enorme aumento de despesas militares.

A extrema-direita e as forças neofascistas desenvolvem uma ampla ofensiva, que instrumentaliza o descontentamento com as consequências desastrosas do neoliberalismo para acelerar essas políticas. Para isso, à semelhança do fascismo clássico, procuram direcionar esse descontentamento contra os grupos oprimidos e despossuídos: migrantes, mulheres, pessoas LGBTQ+, beneficiários de programas de inclusão, pessoas racializadas e minorias nacionais ou religiosas. O nacionalismo exacerbado, o racismo, a xenofobia, o sexismo, a LGBTQI+fobia, a incitação ao ódio e a banalização da crueldade acompanham o avanço da extrema direita em cada etapa, de acordo com as peculiaridades de cada país.

A vontade de acumular riqueza nas mãos do capital, a busca desenfreada pelo lucro máximo que sustenta as políticas da extrema direita, também se manifesta pela intensificação das agressões imperialistas para monopolizar recursos e explorar populações. O imperialismo torna-se cada vez mais desenfreado, agressivo e belicista, atropela o Direito Internacional, a Carta da ONU e a autodeterminação dos povos, sanciona, ataca e bombardeia as nações que não se submetem aos seus ditames, sequestra e assassina seus Chefes de Estado.

Isso vai de par com a perpetuação de situações coloniais que no caso da Palestina assume a forma de um genocídio explicito em Gaza, orquestrado pelo Estado sionista de Israel, apoiado incondicionalmente pelos Estados Unidos, com a cumplicidade dos demais países imperialistas. Além disso, Israel acaba de invadir e bombardear de forma criminosa o Líbano e afirma que anexará o sul do país.
Lutamos contra todos imperialismos e apoiamos a luta dos povos por sua autodeterminação, por todos os meios necessários.

A extrema-direita, além da cumplicidade com o governo genocida de Netanyahu, tece laços internacionais, realiza congressos, think tanks, declarações conjuntas, apoio mútuo nos processos eleitorais, colaboração e programas de propaganda e desinformação. Além do apoio direto (ou velado) das chamadas Big Techs, desestabilizando governos que resistem ao império e potencializando a propaganda reacionária nos meios digitais.

As forças que combatem a ascensão da extrema direita são diversas e apresentam diferentes análises, estratégias e táticas, programas e políticas de aliança. A experiência nos ensina que embora reconhecendo essas diferenças, é essencial articular de forma unitária a luta contra os nossos inimigos. Essa convergência deve incluir todas as forças dispostas a defender as classes trabalhadoras, os camponeses, os migrantes, as mulheres, as pessoas LGBTQ+, as pessoas racializadas, as minorias nacionais ou religiosas oprimidas e os povos indígenas; a defender a natureza contra o capitalismo ecocida; a combater as agressões imperialistas e coloniais, independentemente da sua origem; lutar pelo fim da OTAN e a apoiar a luta dos povos e governos que resistem. É urgente compartilhar análises, fortalecer laços e realizar ações concretas.

Além de resistir ao fascismo e ao imperialismo, almejamos também construir as bases para avançar, em nossas convergências em aspectos centrais e unitários. Para combater o autoritarismo, é preciso resgatar, ampliar e aprofundar os direitos democráticos com base na participação popular, desde o local até o nacional e nos organismos internacionais. Afirmamos a relevância do mundo do trabalho, propomos impulsionar iniciativas conjuntas para organizar a resistência global contra as violências fascistas e a precarização neoliberal. A defesa de um futuro sustentável passa pelo enfrentamento direto ao ecocídio promovido pelo capitalismo e por governos de extrema direita, que tratam a natureza como mercadoria e desmontam a proteção ambiental em nome do lucro. Destacamos a importância Reforma Agrária como a saída necessária para soberania alimentar.

Nunca como hoje a luta contra o imperialismo e o fascismo foi tão atual e necessária. Essa luta precisa ser articulada internacionalmente. A Conferência Antifascista e pela soberania dos povos compromete-se a continuar a luta sem descanso e como espaço de construção de unidades contra a ascensão da extrema direita e as agressões imperialista. Diante da barbárie, levantamos a bandeira da solidariedade internacional, da luta dos povos e de um futuro socialista, ecológico, democrático, feminista e antirracista.

PROPOMOS:

– O Comitê Internacional, articuladamente com o Comitê local, fica responsável por: organizar o planejamento da próxima Conferência; propor critérios e iniciativas para inclusão de novas organizações.
– Tendo em conta a existência de inúmeras organizações e associações voltadas à luta contra o fascismo e o imperialismo, propomos a constituição de uma mesa de articulação internacional para unificar globalmente essa luta e o incentivo à realização de conferências regionais e nacionais antifascistas e antiimperialistas, com o propósito de realizar uma 2ª Conferência Internacional Antifascista e pela Soberania dos Povos.
– Todas as organizações participantes desta Conferência, desde que não se manifestem em contrário são automaticamente, participes dessa carta.
– Apoiar a construção de uma conferência latino-americana na Argentina, em data e formato a serem propostos pela delegação e organizações argentinas, em diálogo com o comitê internacional.
– Apoiar uma conferência regional na América do Norte envolvendo organizações do México, Estados Unidos, Canadá, Caribe e América Central.
– Apoio a Flotilha Nova Global SumudFlotilha, que novamente busca romper o cerco e denunciar o genocídio de Gaza. A luta do povo Palestino- em Gaza e na Cisjordânia- é a causa da humanidade. Apoiamos a solidariedade ativa materializada em espaços e movimentos como o BDS.
– Solidariedade à Cuba contra o criminoso bloqueio promovido pelos Estados Unidos, ameaçada de agressão à sua soberania. Apoio à todas as iniciativas de solidariedade, como foram as recentes iniciativas de flotilha para a ilha.
– Repúdio à invasão da Venezuela e ao sequestro e prisão do presidente Nicolas Maduro e da deputada Cília Flores e apoio à luta pela sua libertação.
– Repúdio ao ataque militar ao Irã pelos Estados Unidos e Israel. Respeito à autodeterminação do povo iraniano, fim das sanções unilaterais.
– Defesa da independência e autodeterminação e soberania de todos os territórios sob ocupação colonial e imperialistas.
– Denunciar a interferência estrangeira no Haiti, apoiando a luta do seu povo.
– Apoio à luta da Frente Polisário pela independência do Shara Ocidental, direito reconhecido pela ONU.
– Apoio à luta do povo porto-riquenho pela autodeterminação e independência.
– Apoio ao encontro anti-OTAN na Turquia em 2026.
– Apoio a Contra-Cúpula do G7 na França e Suíça, em junho de 2026.
– Apoiar as iniciativas contra o negacionismo climático, como as jornadas e encontros eco-socialistas que estão se organizando.
– Apoiar e construir o próximo Fórum Social Mundial no Benin, em agosto de 2026.

DERROTAR OS FASCISMOS E O IMPERIALISMO É TAREFA URGENTE DE NOSSA ÉPOCA

Porto Alegre, 29 de março de 2026.

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O CPERS vem a público responder às declarações do vice-governador Gabriel Souza (MDB), que, ao comentar a posição da entidade sobre a chamada bonificação do governo Eduardo Leite (PSD), afirmou “nunca ter visto o Sindicato ser a favor de algo bom para a educação”.

Curioso.

Talvez o vice-governador considere “bom para a educação” medidas que excluem justamente quem faz a escola funcionar todos os dias. Porque foi exatamente isso que o governo apresentou: uma política que não contempla o conjunto da categoria. E aí vem a surpresa: esperavam aplausos?

A fala do vice-governador Gabriel (MDB) diz mais sobre a tentativa de aparecer e crescer nas pesquisas do que sobre a realidade da educação pública. Porque, quando o assunto é resultado concreto, é preciso ser honesto: as conquistas da categoria não foram concessões espontâneas de governo. São fruto direto da organização e da luta coletiva, construída historicamente pelo CPERS ao lado das educadoras e educadores.

Aliás, vale lembrar — já que a memória parece seletiva — que a parafernália de leis aprovada nos governos Eduardo Leite (PSD) e José Ivo Sartori (MDB) teve direção bastante clara: precarizar carreiras, achatar salários e atacar direitos. Os prejuízos estão postos e têm autoria. E não foi o Sindicato. Tampouco se pode falar em compromisso com a educação quando sequer se cumpre o investimento mínimo previsto na Constituição.

Se há algo que o CPERS sempre fez foi exatamente o contrário do que tenta insinuar o vice: organizar, mobilizar e garantir que a categoria conquistasse direitos mesmo diante de governos que insistem em retirá-los. E é justamente por isso que o Sindicato não aceita políticas que dividem, fragmentam e criam distinções entre trabalhadoras(es)e ignoram justamente aquelas(es) que sustentam a escola pública em todas as suas dimensões. Isso inclui quem está em sala de aula, quem garante o funcionamento das escolas e quem já dedicou a vida à educação pública.

Defender bônus seletivo, enquanto milhares seguem com salários defasados, não é valorização — é fragmentação. E a categoria já demonstrou, ao longo da sua história de luta com o CPERS, que não aceita ser dividida.

Há aqui uma inversão curiosa. Defender a reposição da inflação — ou seja, apenas manter o poder de compra dos salários — passa a ser tratado como “ideologia”. Já propor medidas que deixam parte significativa da categoria para trás é apresentado como “algo bom para a educação”. Se essa é a régua, o problema não está no CPERS.

Estamos falando do básico: manter o poder de compra dos salários. Nada além disso. Ou será que, para este governo, educadoras e educadores devem aceitar empobrecimento como política pública?

E já que o assunto é memória: onde está a valorização para as funcionárias e funcionários de escola, historicamente invisibilizadas(os) nas políticas salariais? Onde está o reconhecimento para as aposentadas e aposentados, que acumulam perdas, enfrentam descontos previdenciários e seguem sendo ignoradas(os) pelo governo Leite (PSD)? Essas pessoas não fazem parte da educação pública? Ou só são lembradas quando convém ao discurso?

O CPERS representa toda a categoria — inclusive quem não aparece nas peças publicitárias do governo. E é exatamente por isso que não aceita medidas que excluem, dividem ou aprofundam desigualdades.

Se defender professoras(es), funcionárias(os) de escola e aposentadas(os) é, na visão do vice-governador Gabriel Souza (MDB), “não ser a favor de algo bom para a educação”, então a contradição está dada. Porque não há educação de qualidade sem valorização real construída com quem faz a educação acontecer todos os dias.

O Sindicato seguirá fazendo o que sempre fez: organizando a luta, enfrentando narrativas fáceis e garantindo que cada avanço da categoria tenha nome, história e protagonismo — o das educadoras e educadores, em unidade com o CPERS.

*Foto de capa: Isabelle Rieger/JC

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Há uma boa notícia sobre o Ensino em Tempo Integral no Brasil, porém, o Rio Grande do Sul não faz parte dessa manchete. Os objetivos dessa modalidade vêm sendo alcançados em todo o país, com avanço significativo em indicadores importantes do Plano Nacional de Educação (PNE). O estado gaúcho, entretanto, não acompanha esse movimento de forma positiva; ao contrário, contribui para reduzir esses índices, figurando entre os últimos colocados na implementação dessa política.

Conforme estudo apresentado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), realizado pela economista Anelise Manganelli, a partir dos dados do Censo Escolar 2025, a educação estadual gaúcha amarga baixíssimas posições nos rankings de estudantes matriculadas(os) em Tempo Integral, em comparação com outros estados.

No Ensino Médio, apenas 20,8% das(os) alunas(os) estão matriculadas(os) nessa modalidade, número assustadoramente inferior aos 81,5% apresentados pelo Piauí, ou aos 61,7% de Pernambuco. Segundo dados do Censo, a meta nacional para estas matrículas seria de 25%, colocando o Rio Grande do Sul significativamente abaixo dessa expectativa.

Na Educação Básica, a história se repete como um disco arranhado. O Rio Grande do Sul tem apenas 12,1% de suas(eus) alunas(os) em Tempo Integral, número ínfimo se colocado lado a lado com estados como o Piauí, com 51,6%, ou como o Ceará, com 48%.

> Implementação sem estrutura e recursos humanos, mas no discurso está tudo bem

O governo Eduardo Leite (PSD) e seus agentes, como o vice-governador, Gabriel Souza (MDB) e a secretária de educação, Raquel Teixeira, falham miseravelmente em cumprir as suas metas, enquanto nas salas de aula a cobrança para as(os) trabalhadoras(es) da educação é diária, com uma sobrecarga de trabalho imensa, constatada nas visitas do CPERS na atual Caravana, que percorre o RS neste início de ano letivo.

Para além da cobrança adoecedora, existe o lado perverso desses números, na sanha implacável de alcançar índices vistosos, escolas sem estrutura e sem educadoras(es) suficientes passam a receber turmas de Tempo Integral. O resultado é somente um, uma educação precarizada, tanto para quem a constrói quanto para as(os) estudantes, filhas e filhos das(os) trabalhadoras(es) gaúchas(os).

Essa falência do projeto de Ensino em Tempo Integral em solo gaúcho é ainda mais agravada quando comparamos a realidade com o discurso apresentado pelo governador Eduardo Leite (PSD) em suas propagandas em época de eleição e até mesmo se olharmos para o que vem sendo veiculado pelos canais digitais do Executivo ultimamente. Um mundo fantástico, com escolas limpas e reformadas, com uniformes e tênis dados pelo Estado, com funcionárias(os) e professoras(es) vestindo um sorriso de orelha à orelha. A realidade, para quem está em cada estabelecimento de ensino espalhado pelo nosso imenso estado, sabemos, não é bem essa.

O CPERS continuará brigando para que a conta de um projeto personalista como o de Eduardo Leite (PSD) não seja paga pela classe trabalhadora. O Sindicato apoia a implementação do Ensino em Tempo Integral, desde que esse processo se dê com estrutura e com profissionais em número adequado, sem impor uma sobrecarga ainda maior para uma categoria já muito penalizada. Educação em Tempo Integral, sim, mas com dignidade!

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Joice Eslabão é professora contratada em Rio Grande. Desde a conclusão da sua graduação em História, ela só passou por regimes de contratos emergenciais. A falta de estabilidade, a ausência de valorização salarial por tempo de serviço e a dificuldade em solicitar licença saúde, subordinam ela e suas(eus) colegas a uma situação de falta de perspectiva, fazendo-as(os)  repensar sobre a carreira na docência.

O vínculo de trabalho precário nos gera um sentimento de que, no magistério estadual, não há grandes possibilidades de construção de uma carreira estável. A tendência é que, entre os colegas mais jovens como eu, o desejo seja procurar outras possibilidades de carreira fora da rede, ou mesmo abandonar a docência”, desabafa a educadora.

A realidade de Joice é a de milhares de outras(os) professoras(es), visto que a contratação temporária disparou na rede pública estadual, desde a primeira gestão de Eduardo Leite (PSD) como governador do Rio Grande do Sul, em 2019. À época, cerca de 16 mil docentes estavam sob esse regime de trabalho. Em 2025, o número ultrapassou a casa dos 24 mil — um crescimento de 50%, tornando esse o principal tipo de vínculo. Atualmente, 64,7% dos contratos são temporários — percentual acima da média dos principais estados do Sul e Sudeste.

Esses números foram obtidos a partir dos dados do Censo Escolar 2025 e analisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (DIEESE), revelando uma realidade persistente: a profunda precarização da educação pública gaúcha sob a gestão Leite (PSD) / Gabriel (MDB) / Raquel

Os contratos temporários na educação são vínculos empregatícios de prazo determinado, que deveriam ser utilizados para suprir “necessidades transitórias” nas instituições de ensino. Contudo, educadoras(es) passam anos migrando de contrato em contrato acarretando enormes complicações. Um dos principais problemas enfrentados é a instabilidade, o que enfraquece a luta por mais direitos, já que essas(es) trabalhadoras(es) ficam sujeitas a represálias e demissões. 

O 1º vice-presidente e coordenador da Comissão de Contratos Temporários do CPERS, Alex Saratt, destaca como essa posição é estratégica para o governo, que se favorece da vulnerabilidade nas escolas: “Os números percentuais e absolutos revelam uma opção política dos governos neoliberais em massacrar quem trabalha e sucatear as estruturas de funcionamento do trabalho educacional e pedagógico”. 

O dirigente ainda aponta como saída o trabalho sindical, que fundamenta sua ação na luta por direitos: “é importante observar que as bandeiras históricas do sindicalismo seguem vivas e atuais, ou seja, é preciso concursos públicos, valorização real do trabalho educacional, com piso e carreira fortes. Precisamos estimular a sindicalização dos contratados para fortalecer a organização e mobilização da categoria”.

> Futuro incerto

Os baixos salários, associados à falta de perspectiva de concursos públicos, aprofundam a sensação de desesperança. O último concurso para docentes no RS contou com 41,5 mil inscrições e, mesmo sendo anunciado como um “sucesso” pelo governo Leite (PSD), pode revelar a precarização da rede, afinal, nesse montante, 60% podem ser candidatas(os) que já atuam no estado nesses contratos temporários. Ou seja, trabalhadoras(es) precarizadas(os) buscando uma estabilidade — exceção na educação pública.


Segundo o estudo do DIEESE, o Rio Grande do Sul figura entre os estados com maior proporção de vínculos precários na rede estadual de educação, ocupando a 7ª posição no ranking nacional. O estado se aproxima de colocações de regiões historicamente marcadas por vínculos mais frágeis, como o Acre, Santa Catarina e Mato Grosso.

Esse dado escancara que Eduardo Leite (PSD) aprofunda a substituição de servidoras(es) efetivas(os) por vínculos precários, em uma política alinhada ao ajuste fiscal que reduz direitos, enfraquece as carreiras públicas e desmonta o Estado. Mais do que um ataque às(os) trabalhadoras(es), essa escolha compromete diretamente a qualidade, a continuidade e o próprio sentido da educação pública.

Destacamos que o Censo Escolar não analisa a questão das(os) funcionárias(os) de escola, apenas os dados referentes a professoras(es). Por isso, sabemos que o problema é ainda maior. De acordo com dados da Seduc, 11 mil servidoras(es) estão em vínculos precários nas escolas públicas do estado. São trabalhadores essenciais, mas tratadas(os) como descartáveis por um modelo que normaliza a instabilidade e a insegurança. 

Diante desse cenário, fica evidente que a precarização do trabalho, a redução do Estado e o abandono da educação pública não são efeitos colaterais, mas parte de um projeto político que precisa ser enfrentado.

Em 2026, mais do que nunca, será fundamental transformar a indignação em mobilização, colocando a defesa da educação pública no centro do debate e exigindo compromissos concretos com valorização profissional, investimento e qualidade. É tempo de a categoria e a sociedade escolherem entre a construção de um projeto que coloque a educação e a vida acima do lucro ou a continuidade do desmonte, derrotando tanto a visão privatista e neoliberal, quanto a falsa alternativa da extrema-direita.

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Nesta quarta-feira (25), o CPERS chegou à 4ª semana da Caravana em Defesa da Escola Pública e da Democracia, reafirmando, em cada território, a importância da mobilização coletiva diante dos desafios enfrentados pela educação pública. Nos núcleos de Bagé (17º) e Frederico Westphalen (26º), a Direção Central percorreu escolas, concedeu entrevistas a veículos de comunicação locais e dialogou com a comunidade escolar, fortalecendo o debate em defesa dos direitos das(os) educadoras(es) e do ensino público gaúcho.

Em razão da 1ª Conferência Internacional Antifascista, que ocorre entre os dias 26 e 29 de março, em Porto Alegre, a Caravana teve sua agenda reduzida nesta semana. Ainda assim, as atividades mantiveram o foco na denúncia do desmonte das políticas educacionais e na defesa de direitos historicamente conquistados pela categoria.

Após a aprovação do PL 38/2026  pela base aliada do governo Eduardo Leite (PSD), na terça-feira (24), a valorização salarial continuou como centro do debate. O PL, embora represente avanço ao assegurar o reajuste do piso, não contempla de forma justa o conjunto das(os) trabalhadoras(es) da educação. As(os) dirigentes do Sindicato dialogaram com professoras(es) e funcionárias(os), esclarecendo os desdobramentos da votação e reforçando a necessidade de um reajuste linear, que respeite todas(os), da ativa e aposentadas(os), com e sem paridade.

Durante uma das agendas em Frederico Westphalen (26º), a diretora do CPERS, Joara Dutra, destacou o esforço de mobilização das últimas semanas: “Até ontem de manhã, estávamos dialogando e pressionando os deputados da base aliada do governo para que incluíssem funcionários e aposentados no reajuste de 5,4%. E eles não votaram na emenda que garantia isso. Mais uma vez ,o governo Leite faz isso conosco”.

O reajuste de 5,4% do Piso do Magistério Público, de acordo com a MP do governo Lula (PT), foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa. No entanto, a emenda que previa a extensão do índice para funcionárias(os) de escola e aposentadas(os) sem paridade ou com parcela de irredutibilidade foi rejeitada pela base aliada do governo Eduardo Leite (PSD), evidenciando o projeto de desvalorização em curso na gestão de Leite (PSD).

É nesse contexto que a Caravana reafirma sua relevância. Ao ouvir a base e fortalecer a organização coletiva, o Sindicato constrói condições para enfrentar esse projeto e defender uma educação pública, democrática e de qualidade. Nas escolas, o sentimento predominante é de indignação diante de mais um ataque aos direitos da categoria.

Para a diretora do CPERS, Andrea da Rosa, a decisão aprofunda o desânimo e contribui para fragmentar a categoria: “De um modo geral, a categoria ficou desapontada e frustrada por não ter sido reconhecida como um todo, já que uma parte significativa ficou de fora do reajuste”. O relato expressa a sensação de injustiça vivida nas escolas e reforça a necessidade de unidade para enfrentar esse cenário.

Representando a Direção Central do CPERS, estiveram no 17º Núcleo (Bagé) a diretora Andrea da Rosa e os diretores Elbe Belardinelli e Luiz Henrique Becker. Já em Frederico Westphalen (26º), participaram as diretoras Joara Dutra, Sandra Regio, Sandra Silveira, Vera Lessês e o diretor Guilherme Bourscheid. Em todos os roteiros, representantes dos núcleos acompanharam as atividades.

Diante de mais esse ataque, a resposta da categoria não pode ser o recuo. É na organização coletiva, na mobilização e na construção de unidade que a categoria encontra força para resistir e avançar. A Caravana segue cumprindo esse papel: escutar, mobilizar e fortalecer a luta, na certeza de que defender a educação pública é também defender um futuro mais justo para toda a classe trabalhadora.

>> Escolas visitadas nesta quarta-feira (25): 

> Escolas visitadas no 17º Núcleo (Bagé):

> Bagé:
EEEM Farroupilha
EEEM Prof° Justino C. Quintana
EEEF Dr. Arnaldo Faria
EEEF Julinha Costa Taborda
EEEM DR. Luis Mércio Teixeira
EEEM Frei Plácido
EEEM Silveira Martins
EEEM José Gomes Filho
CE Professor Waldemar Amoretty Machado
EEEM Dr. Carlos Antônio Kluwe

>> Escolas visitadas no 26º Núcleo (Frederico Westphalen):

> Frederico Westphalen:
EEEF Conselheiro Edgar Marques Mattos
EEEF Afonso Pena
EEEB Sepé Tiaraju
EET José Canellas
NEEJA – Aprendendo a Aprender
EEEM Cardeal Roncalli

> Caiçara:
EEEF Caiçara

> Iraí:
IEE Visconde de Taunay

> Palmitinho:
IEE 22 de Maio
EEEF Olavo Bilac

> Taquaruçu do Sul:
EEEB José Zanatta

> Rodeio Bonito:
EEEF José André Acadrolli
EEEM Danilo Irineu Daris

> Cristal do Sul:
EEEM Mathias Balduino Huppes

> Erval Seco:
EEEM Olivia de Paula Falcão

> Seberi:
EEEF Alfredo Westphalen
IEE Madre Tereza

> Planalto:
IEE Padre Vitório
EEEF Bom Pastor

> Ametista do Sul:
EEEM São Gabriel

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